Caro "Vitone" e amigos deste grupo de discussão; gostaria de dar a
minha humilde opinião sobre o tema: religião x Wushu.
Acessei o site da igreja citada por você e pude observar que o
posicionamento da mesma não se embasa em nenhuma referência da Bíblia
Sagrada que é o referencial teórico para os cristãos. Além do fato de
se resumir a um parágrafo.
Vale ressaltar que a referida igreja não é uma igreja de expressão em
termos de número de adeptos no Brasil como por exemplo: Batista,
Presbiteriana, Assembléia de Deus e outras, portanto, mesmo se fosse
possível não representa o posicionamento dos evangélicos.
Fui um praticando assíduo do estilo Shaolin do Norte (dos onze katis
cheguei ao nono ? instrutor-chefe), um estilo bastante tradicional e
posso com toda sinceridade afirmar que nunca vi no meio (pelo menos
aqui no Paraná) alguma insinuação ou prática sistemática ao satanismo
nem a qualquer religião oriental.
Contudo, não devemos "tapar o sol com a peneira" sobre muitas coisas
erradas que ocorrem no dia a dia das academias com relação a prática
de qualquer arte marcial (Karatê, Capoeira, Wushu, Judô, Etc), desde
as formas de aquecimento (forma incorreta de alongar, etc.) até a
organização de competições e federações, bem como as possíveis
orientações filosóficas incompatíveis com o cristianismo ou com a
minha e sua maneira de pensar, agora daí a demonizar esta Arte
Milenar que é o Wushu, acredito ser ridículo.
Para mim cabe a nós discernimos assim como Paulo falou: "[...] mas
ponde tudo à prova. Retende o que é bom;" I Tessalonicenses 5.21.
Fazendo assim, poderemos verificar que há muitos professores "maus"
que incitam seus alunos até a violência e há os bons que pregam
a "não agressão" a todo custo.
Finalizando gostaria de afirmar que numa sociedade plural como a do
Brasil com muitas religiões (sem qualquer ecumenismo barato e muito
menos sincretismo religioso) existem muitos valores e atitudes que
são comuns e desejáveis a todos os seres humanos e culturas e que
devem ser cultivados. Por exemplo: "não
agressão", "solidariedade", "a preservação da vida", "combate a fome"
e muitos outros.
Agora para ampliar a nossa discussão sobre o tema gostaria que dessem
uma lida no texto abaixo, que traz uma abordagem mais teológica sobre
o tema.
"[...] e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará." João 8.32.
Paz e um abração! Shie Shie!
Pode o cristão praticar artes marciais ?
http://www.terravista.pt/Bilene/2810/base/materias.htm
Um assunto controvertido no cristianismo de hoje é se o cristão pode
ou não praticar artes marciais. Há três pontos básicos. Para obtermos
uma perspectiva sobre este assunto, vamos considerar cada um
brevemente.
· Primeiro: alguns dizem que, por causa de sua origem não-
cristã (misticismo oriental), nenhuma forma de arte marcial deveria
ser praticada por cristãos. Entretanto, uma origem não-cristã, por si
só, não pode ser um fundamento suficiente para se rejeitar as artes
marciais, uma vez que este ponto de vista comete o que chamamos
de "falácia genética". O que isto quer dizer? Uma falácia é um
argumento enganoso, sem fundamento. O termo "genética" quer dizer
neste caso "origem". Assim, uma "falácia genética" é um argumento
infundado que pressupõe que uma vez que a origem de uma crença ou
prática esteja errada (por não ter uma origem cristã), sem considerar
o seu desenvolvimento, ela ainda estaria errada hoje.
De fato, se fôssemos coerentes ao aplicar esse tipo de lógica, nós
deveríamos abandonar a astronomia, porque suas raízes encontram-se na
prática da astrologia. Entre os movimentos religiosos que usam e
abusam da falácia genética se encontram as chamadas "testemunhas de
Jeová". Estas recusam comemorar aniversários natalícios, Natal, Ano
Novo, etc., pelo simples fato de estas práticas terem origem no
paganismo. Em nenhum momento se leva em conta o desenvolvimento ou a
evolução de uma crença ou prática. Ao invés de cometer a falácia
genética, seria melhor tentar verificar o quanto de influência as
crenças originais podem ter sobre um objeto de discussão, antes de
descartá-lo prematuramente.
· O segundo ponto de vista afirma que, contanto que o cristão
separe os aspectos religiosos (misticismo oriental) das artes
marciais, ele pode praticá-las. Para avaliarmos este ponto de vista,
precisamos examinar brevemente algumas das principais ramificações
das artes marciais.
o Aikido ? Significa "o caminho para a união com a força
universal". Esta força impessoal é conhecida como "chi". O objetivo
do Aikido é controlar tanto a si mesmo como o ambiente. Ironicamente,
esta arte marcial é a mais compatível com o cristianismo no que diz
respeito à sua natureza não-violenta; contudo, ela está imutavelmente
mergulhada no misticismo oriental.
o Judô e Jiu-jítsu ? O Judô envolve técnicas de agarramento e
lançamento ao chão. O Jiu-jítsu concentra-se em travar as
articulações humanas e ocupa-se com as maneiras de dar golpes e
manobras. Ambas as formas têm uma ênfase espiritual muito baixa.
o Caratê ? O caratê envolve meditação, que normalmente inclui o
esvaziamento da mente da pessoa de todas as distrações externas. É
nesse ponto que o caratê torna-se perigoso. Todavia, uma vez que o
caratê é primariamente uma arte marcial física, o aspecto da
meditação pode ser separado dele.
o Kung Fu ? O Kung Fu é muito diverso. Há estilos diferentes de
Kung Fu. As formas mais tradicionais aderem de perto às suas raízes
filosóficas budistas, enquanto as formas menos tradicionais
concentram-se mais nos aspectos físicos. Geralmente, o Kung Fu é mais
místico que o Caratê.
o Ninjitsu ? De modo geral, o Ninjitsu não é compatível com o
cristianismo. Os Ninjas tentam assimilar-se a si mesmos com a
natureza a fim de serem mais dissimulados, escondidos. A cosmovisão
por trás do ninjitsu é o panteísmo (corrente filosófica que confunde
o Criador com criatura e vice-versa, em outras palavras, Deus é tudo
e tudo é Deus), que contradiz a visão cristã de que Deus não é o
universo, mas o Criador do universo (Gn 1:1, 2). A visão cristã de
Deus não admite tomarmos o Absoluto pelo relativo, o Infinito pelo
finito.
o Tae Kwon Do ? O Tae Kwon Do é uma forma de arte marcial
orientada para o esporte e o físico. É uma das formas de defesa
pessoal oriental mais compatíveis com o cristianismo.
o Tai Chi Chuan ? O Tai Chi Chuan envolve a prática do taoísmo.
A fim de alcançar o bem-estar físico, o estudante de Tai Chi Chuan
deve estar harmonizado com o universo ao concentrar-se abaixo da
parte central do corpo, ou seja, o umbigo (que, segundo dizem, é o
centro psíquico do corpo). O Tai Chi Chuan não pode ser conciliado
com o cristianismo.
Em vista do acima exposto, fica claro que certas artes marciais
não podem ser separadas da sua cosmovisão oriental, enquanto outras
podem. O Aikido, o Ninjitsu e o Tai Chi Chuan são os mais
incompatíveis com o cristianismo. Em última análise, se o cristão
pode ou não participar de uma dessas artes marciais que podem ser
conciliadas com o cristianismo, depende em grande parte do instrutor.
Se o instrutor promove o misticismo oriental, o cristão deveria
deixar a escola. Se o instrutor separa a prática da arte marcial da
filosofia por trás dela, então caberá ao cristão, utilizando sua boa
consciência, participar. Cabe a cada cristão respeitar a consciência
do seu irmão. Um pouco de tolerância em questões não essenciais da fé
cristã não faz mal a ninguém.(Romanos 14:1-12).
· Um terceiro ponto de vista é o de que as artes marciais não
são compatíveis com o cristianismo por causa de sua natureza
violenta. Esta é uma posição legítima, porque muitas passagens nas
Escrituras falam contra a violência (Mt 26:52). Entretanto, outros
cristãos chamam a atenção para o fato de que, quando Jesus falou com
soldados, ele não disse que combater fosse moralmente errado (Mt 8:5-
13). Além do mais, o apóstolo Paulo indicou que havia um uso legítimo
da força pelo governo ao punir os malfeitores (Rm 13:1-5). É verdade
que estas passagens não apóiam diretamente ou indiretamente as artes
marciais (nem poderiam, pois não foram escritas para essa
finalidade). Contudo, será a motivação que determinará se o crente
deverá ou não praticar artes marciais. Pergunte-se: Por que quero
praticar artes marciais? Para mostrar que posso bater em qualquer um?
Para afligir o meu próximo? Se estas forem as motivações, então seria
melhor nem começar. Porém, se a intenção incluir melhorar a condição
física, ou mesmo a defesa pessoal (caso haja necessidade), então,
pelo que parece, não deveria haver nenhuma objeção quanto ao cristão
se envolver com as artes marciais. Os versículos supracitados levaram
muitos cristãos a concluir que a Bíblia não condena a autodefesa.
Apesar de apoiarmos esta conclusão, reconhecemos que o assunto de
autodefesa é um daqueles que deve ser determinado pela consciência de
cada crente, individualmente. Deve-se pesar os prós e os contras, e
em sã consciência, perante Deus, decidir se irá ou não praticar artes
marciais. Essa é uma questão de decisão pessoal.
Recomendamos que o cristão tenha em mente os seguintes fatores,
caso resolva praticar uma arte marcial:
1. Primeiro, o cristão deve estar ciente de que, sendo esta uma
área controvertida, ele deve ser cuidadoso para não causar tropeço a
um irmão mais fraco (Rm 14). Ele não deixa de ser seu irmão, apesar
de ser "fraco", ou de ter uma mentalidade incapaz de discernir entre
o que é uma questão de fé coletiva ou uma de ordem pessoal. Mas, não
deixa de ser lamentável que alguns "fracos" tentem impor a sua
consciência aos seus irmãos. Todo o extremo deve ser combatido, não
com violência, mas com mansidão e sabedoria.
2. Segundo (principalmente para os jovens), o cristão deve
resistir à tentação de começar uma briga.
3. Terceiro, o cristão não deve permitir que uma arte marcial
enfraqueça seu compromisso com Cristo (Hb 10:25). A arte marcial não
deve ocupar o primeiro lugar na vida de um crente. Isso seria
idolatria, pois se Deus não ocupa o primeiro lugar, então o
seu "substituto" se torna o seu ídolo.
Finalmente, o cristão deve orar, e examinar sua consciência e seus
motivos para se envolver com artes marciais.
Estes passos assegurarão que o envolvimento de alguém com uma
arte marcial esteja baseado não em motivos fúteis, mas numa
consideração bem refletida.
Extraída do Christian Research Newsletter - Volume 4, Issue l, p.6.
Traduzida por Paulo romeiro e Nelson Wakai
http://www.web-brasil.com/evangelicos
http://am.brasil.com.br/listeo/
Uma boa matéria se começa com um bom assunto para as pessoas que
queiram debater.
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