[cevmkt] Escândalo no "Zorra" expõe obsessão pela fama e riscos do "teste do sofá"

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Sexta Setembro 1 11:06:48 BRT 2006


Escândalo no "Zorra" expõe obsessão pela fama e riscos do "teste do sofá" 


DIÓGENES MUNIZ
da Folha Online

A demissão de um diretor da Globo na semana passada reacendeu discussões morais sobre os atalhos seguidos por atores e modelos para garantir um lugar ao sol no disputado meio artístico. Obsessão da cultura de massa, a busca pela fama a qualquer custo cria exércitos de desesperados pelos holofotes.

Capazes de forjar artimanhas, eles também estão sujeitos a cair em golpes e "queimar" sua imagem. Um caminho clássico é o chamado "teste do sofá", uma prática que mistura sexo e oportunismo. Tudo por um "bico" em uma novela, minissérie ou peça de teatro.

"Conheço gente que já aceitou fazer o teste do sofá, inclusive homem. Isso acontece em todas as emissoras", diz a modelo Luiza Ambiel, ex-garota do extinto quadro "Banheira do Gugu", do programa "Domingo Legal" (SBT).


Ex-Globo, o humorista Dedé Santana já teve uma namorada que recebeu uma proposta de ir para a cama com um diretor "muito famoso" em troca de uma vaga em uma peça de teatro.

"Se ela tivesse aceito, eu matava", brinca o ex-integrante do programa "Os Trapalhões", sem revelar nomes.

Porta de entrada?

Programas humorísticos são apontados como a seara dos figurantes. Esse tipo de trabalho exibe rara (ou nenhuma) experiência de interpretação --tampouco talento. O perfil atrai iniciantes e aventureiros prontos para cair nas graças de quem tem poder na escalação do elenco.

As pessoas estudam, trabalham, fazem faculdade, aí vem outra que faz essas coisas antiprofissionais [para conseguir o papel]", diz o ator Alexandre Frota, que vive uma fase de "retórica light".

Na Globo, Fábio Guimarães, um dos diretores do humorístico "Zorra Total", foi demitido por "quebra de confiança", após circular um e-mail com mensagens eróticas e fotos pornográficas. O material sugere uma barganha entre o diretor e uma suposta figurante. 

A moeda de troca seria um papel de maior destaque no programa exibido nas noites de sábado. A suposta mulher das fotos se identifica apenas como "Lu". A Globo nega que ela tenha trabalhado na atração. A emissora evita identificar quem espalhou o e-mail para a mídia. A Globo também nega a existência da prática do "teste do sofá" e informa que sempre toma providências (como a demissão de Fábio Guimarães) quando suspeita de um caso parecido. Guimarães não dá entrevista. 

"Tem menina que começa saindo com segurança. Depois, vai para cama com câmera e auxiliar. Tudo para passar na mão de um bam-bam-bam", conta Luiza Ambiel.

A modelo diz ter recebido inúmeras ofertas para o famigerado teste, inclusive convites para "passeios de lancha a dois". Todos convites do gênero foram recusados, segundo ela. "Queria ter estômago e cabeça para encarar. Tudo seria mais fácil. Não precisaria ralar tanto. Se eu tivesse topado, hoje estaria bem de vida."

Caso "Zorra"

No "Zorra Total", o elenco está proibido de falar sobre o caso do diretor demitido, embora a Central Globo de Comunicação negue a existência de qualquer ordem oficial de censura. Bailarina do "Faustão", a modelo Ivonete Liberato já trabalhou no "Zorra Total".

"Conhecia o Fábio de vista. Nunca chegamos a conversar. Tenho uma amiga que trabalhava com ele. Acho que algumas [figurantes] se insinuavam para ele. Ele me parecia uma pessoa séria", diz a vencedora do quadro "Dança dos Famosos", capa da revista "Sexy" de setembro.

Vanessa Klein, 30, trabalhava com Fábio Guimarães até o escândalo estourar. A atriz concorda que muitas garotas dão mole para os figurões em troca de favorecimento. "Ninguém sabe quem é essa Lu, eu acho que ela não passa de uma oportunista", diz. 

Klein começou a trabalhar no humorístico há cinco anos. Neste sábado, ela estréia um quadro em que interpreta a empregada doméstica Shineide. "O Fabinho era um fofo", conta.

É raro alguém admitir ter feito a carreira graças à peneira íntima dos manda-chuvas da TV, como fez no passado a atriz Vera Fischer, em entrevista a uma revista masculina. Na época, não existia e-mail, câmera digital nem webcam para flagrar os termos da abordagem como supostamente ocorreu com Fábio Guimarães. 

"Bom, quando eu tiver o prestígio da Vera Fischer, revelo quem foram os homens que fizeram as propostas para mim", brinca a modelo Luiza Ambiel. Figurões, tremei.

Com SÉRGIO RIPARDO, editor da Ilustrada da Folha Online

Reality-shows também têm peneira obscura 
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Folha Online

Reality-shows também são alvo de triagens obscuras. Nas inscrições do próximo "Big Brother Brasil", que começam neste mês, não haverá sorteios promocionais. A medida visa barrar os "intrusos" fora do padrão "malhado, rico e bonitão".

No começo do ano, a Globo excluiu um participante do "Big Brother Brasil", às vésperas da estréia. Motivo: Leandro Moraes era amigo do filho do diretor de RH do canal. Já o modelo Daniel Costa, o Dan Dan, foi figurante de "Belíssima", mas a Globo omitiu o dado.

"Jamais aceitaria esse tipo de proposta [teste do sofá]. Meu pai tem empresa, não tenho problema financeiro. Já ouvi história da galera, tanto homem quanto mulher, que passou por alguns testes", afirma o modelo, capa da "G" de setembro.

Nos últimos meses, a Globo sofreu maus bocados com seu elenco de apoio e figurantes. Em julho, Ricardo Dualib, neto do presidente do Corinthians, invadiu o Projac, sem roupa, e disparou tiros para o alto. O figurante de "Cobras & Lagartos" queria vender seus desenhos para a Globo por meio da influência do diretor Wolf Maia, dono de uma escola de atores.

No ano passado, a atriz Lucy Mafra, que vivia um papel de pouco destaque em "América", foi apontada como suspeita de furtos nos camarins, como surrupiar a bolsa de Cristiane Torloni. Acabou sendo afastada da novela. Não deixou barato. Decidiu processar a emissora. Quer receber indenização.

Qualquer empresa ou instituição está sujeita a enfrentar problemas éticos com seu pessoal. No SBT, o programa "Ídolos" eliminou a candidata Karina Mathias, após ser revelado que Arnaldo Saccomani, um dos jurados, havia produzido o CD dela. "O teste do sofá era uma coisa que eu ouvia falar no começo da carreira. Quando vi esse caso da Globo, fiquei surpreso. Nem sabia que existia mais", diz Saccomani.
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