[cevmkt] ARTIGO INTERESSANTE SOBRE NOVOS ESPORTES

CORFEBOL BRASIL MARCELO SOAARES corfebolbrasil em superig.com.br
Quinta Fevereiro 24 00:28:56 BRT 2005


QUASE ESPORTES
 

 

Esporte com E ou e?

 

            O disco desliza sobre o solo ao ser atingido pelo bastão e acerta a trave esquerda do gol. A equipe adversária, de branco, fica com o rebote. O jogador movimenta-se em direção à meta adversária, gesticulando para que um dos companheiros se livre da marcação e se aproxime para receber o disco. Mas antes que possa olhar em direção ao colega, um atleta de azul, na tentativa de roubar o disco, acerta-lhe a mão direita com o taco. O árbitro, vestindo luvas fluorescentes, aciona a campainha. Não resta dúvidas: é pênalti. Contudo, antes de cobrá-lo, o atleta de touca branca deve recuperar o fôlego. Sobe à superfície, enche os pulmões de ar e, em menos de quatro segundos, volta ao fundo da piscina. É hora de cobrar a penalidade, mas não há pressão alguma por parte da torcida. O hóquei subaquático impossibilita a existência de uma platéia que acompanhe os jogos e vibre a cada lance. Quem quiser assistir à partida pode, quando muito, recorrer a eventuais registros feitos por câmeras à prova d'água.

            Apesar de popular no Reino Unido, Austrália, França e na vizinha Colômbia, o hóquei subaquático é visto por muitos como uma modalidade alternativa, obscura até. Um quase esporte, ao lado de raridades como o sepaktakraw, chess-boxing, caiaque-pólo e bolão.

            Quem os pratica, é claro, não pensa assim. Marcelo Soares, professor de educação física no Rio de Janeiro e entusiasta do corfebol, acredita que as pessoas não consideram essas modalidades como esportes por falta de conhecimento. "O corfebol conseguiu o título de 'esporte não-olímpico' em 1993, se igualando a outros já conhecidos, como o futsal. O que ainda falta é uma divulgação maior da modalidade", desabafa.

            O próprio Marcelo só foi conhecer o corfebol em 1998, como um jogo recreativo que lhe foi ensinado durante o curso de educação física, na Universidade Castelo Branco. Para ele, a falta de incentivo ao esporte amador é o que dificulta a divulgação da modalidade e gera desconfianças quanto à sua validade como esporte.

            

Sem Definição

De acordo com Luiz Dantas, professor da Escola de Educação Física e Esporte da USP, mesmo não estando entre os esportes olímpicos e as modalidades associadas ao Comitê Olímpico Brasileiro (como boliche e capoeira), o corfebol pode sim ser considerado esporte. "Não existe uma definição para esporte. É um conceito abstrato, como 'energia' ou 'educação' ", acredita.

            Segundo esse pensamento, ao se falar de esporte deve-se primeiramente explicar o que se entende por esporte. Ou seja, é preciso deixar claro que critérios foram utilizados para se concluir que certo jogo ou modalidade é um esporte. Segundo o Dicionário de Educação Física e Esporte (Valdir Barbanti, Ed. Manole, 1994, pag. 109), esporte "é uma atividade competitiva, institucionalizada, que envolve esforço físico vigoroso ou o uso das habilidades motoras relativamente complexas, por indivíduos cuja participação é motivada pela combinação de fatores extrínsecos e intrínsecos". Mas o meio acadêmico nunca chegou a um consenso ou uma definição fechada sobre o assunto.

De acordo com o professor Dante de Rose Junior, também da EEFE, quase todo tipo de atividade física, como andar no parque ou fazer musculação, é categorizada como esporte. "No entanto, alguns fatores caracterizam o esporte: regras bem definidas e estabelecidas por uma instituição e não pela pessoa que o pratica, competição, treinamento regular, obtenção de resultados etc."

Para ele, pode-se considerar o esporte em alguns níveis: o educacional, como atividade curricular em aulas de educação física, que tem como principal finalidade a aprendizagem; o recreativo, no qual há maior flexibilidade das regras, visando à diversão dos praticantes; e o de rendimento, de caráter competitivo, que demanda um preparo adequado por parte dos atletas e tem por objetivo os resultados.

            Apesar dessa definição um pouco mais rigorosa e da categorização por níveis, a idéia de esporte não é comum a todos os indivíduos. Isso ocorre em parte porque ela sofre variações de acordo com a época em que se está. No começo do século, cabo-de-guerra não só era visto como uma modalidade esportiva, como também fazia parte dos Jogos Olímpicos. Hoje, é comumente encarado como uma brincadeira de criança.

            A cultura e os costumes locais também determinam uma visão diferente do esporte. A corrida de toras, por exemplo, é praticada em mais de 20 etnias indígenas no Brasil, mas os indivíduos que não pertencem a essas comunidades dificilmente cogitariam colocá-la entre as modalidades mais 'convencionais'. Ou seja, a definição para uma atividade está mais na cabeça de quem pratica do que nos livros de teoria do esporte.

 

Esporte sim, senhor

            Ninguém duvida, por exemplo, da validade das provas de atletismo. Há os arremessos de peso, disco, dardo, martelo, anão... Sim, em estabelecimentos da França e dos Estados Unidos, são realizadas competições para decidir quem consegue arremessar um anão mais longe. Um dos critérios adotados pelo professor Luiz é de que "a pessoa não pode ser objeto do esporte, já que ele deve estar a serviço dos participantes, e não o contrário". Seguindo essa idéia, arremesso de anão pode não ser um esporte para o anão, mas certamente o é para quem arremessa.

            Tampouco se contesta o fato de o hipismo ser considerado um esporte. Suas provas demandam atividade física, prevêem a superação de desafios, possuem regras definidas e são regulamentadas por federações internacionais. Ou seja, seguem os critérios esportivos mais 'tradicionais'.

            Agora, troque o cavalo por um jegue. Faça um percurso semelhante, repleto de obstáculos pelos quais o conjunto deve passar sem cometer faltas, dentro do menor tempo possível. Eis a corrida de jegue, tradicional em diversos municípios do interior nordestino, como Jacobina e Itabi. Além do troféu para o primeiro que cruza a linha de chegada, o animal mais bem fantasiado também é premiado. A corrida atrai milhares de pessoas aos jegódromos dessas cidades anualmente. Sabendo disso, quem ousaria dizer que a corrida de jegue não é um esporte?   Na prática, o que ocorre é que tudo pode ser encarado como esporte. Basta, para isso, que exista o consenso da comunidade na qual a modalidade está inserida. O fato de não haver uma organização oficial que regulamente a prática competitiva da corrida de jegue não faz dela um quase esporte, na visão de quem a pratica ou prestigia.

            

Bola na trave
            Porém, tudo pode também não ser um esporte. É o que ocorre se considerarmos como tal somente as atividades que obedecem a todos os critérios geralmente utilizados (demanda motora, existência de oponente ou desafio, regras claras e pré-determinadas, bem-estar e integridade física dos participantes, federações representativas em nível nacional ou internacional e profissionalização do jogo).

            Para Dantas, "qualquer modalidade pode ser um quase esporte, já que dificilmente há uma que obedeça a todos os critérios convencionalmente usados". O xadrez é o caso mais clássico: é reconhecido internacionalmente como esporte, embora mover algumas poucas peças por minuto não implique exatamente uma atividade motora complexa. O mesmo ocorre com o pôquer, que tem federações e competições de nível internacional. 

"Há um exagero, principalmente por parte da mídia, que coloca no mesmo nível de conceituação atividades como basquetebol, corridas de caminhão e vaquejada", critica Dante. "Tudo é conceituado como esporte. É só assistir o Esporte Espetacular e para comprovar o que estou dizendo."

Até o intocável futebol pode gerar dúvidas quanto à sua categorização. Durante uma partida, existe a possibilidade de um jogador aplicar um carrinho no adversário. O lance é punido com cartão, mas está previsto no regulamento. Ou seja, prevê violências que vão contra a idéia de zelar pela integridade física dos participantes.

Jogadas violentas também podem ser observadas no handebol, rugby, hóquei no gelo, futebol americano, entre outros. Em muitas modalidades, o bem-estar físico e psicológico do praticante pode ficar comprometido devido à atividade intensa, no caso dos atletas profissionais. O marketing esportivo se preocupa mais em vender um espetáculo do que transmitir aos espectadores idéia de uma prática saudável. Ainda assim, pouco se contesta da validade desses "esportes".

Ao mesmo tempo, têm-se atividades como queimada, peteca, frescobol e taco, que acabam se encaixando no máximo na categoria de esportes ou jogos recreativos, embora sejam bastante populares. O principal motivo disso é porque elas não chamam a atenção da mídia. 

E se as regras dos "esportes" convencionais forem alteradas, eles também ganham o status de "recreativos". É o que ocorre em uma partida de vôlei disputada com a rede numa altura fora dos padrões oficiais. Ou o futebol jogado com uma bola de meia.

            Aos amantes do esporte (esporte, aqui, no sentido convencional): quando bater aquela vontade de jogar uma pelada numa tarde de domingo, pense duas vezes. Jogar bolinha de gude com seu filho ou disputar um campeonato de 'entorne o copo mais rápido' com o vizinho pode ser uma opção mais esportiva que o (nem sempre) bom e velho futebol com os amigos.

 

 

 



EU SOU UM ESPORTE, MUITO PRAZER...

 

Arremesso de anão: praticado em bares e campi universitários dos Estados Unidos e da França, consiste em lançar um anão o mais longe possível. Com a cabeça protegida por um capacete, o anão é amarrado com uma espécie de arreio e lançado sobre um colchão. Considerada humilhante e perigosa por muitos governos e associações, a modalidade já foi considerada ilegal em alguns estados norte-americanos.

Bolão: o objetivo deste jogo, assim como no boliche é derrubar com uma bola os pinos que se encontram no final de uma pista. A diferença é que no bolão há nove pinos, um a menos que no boliche. Além disso, a pista apresenta uma pequena concavidade, o que dificulta a performance do jogador.

Caiaque-pólo: como no pólo-aquático, ganha a equipe que marcar o maior número de gols na meta adversária. Contudo, os atletas - cinco em cada equipe - ficam dentro de caiaques e podem marcar gols usando as mãos ou os remos. 

Chess-boxing: em português, xadrez-boxe. Os adversários se enfrentam em 11 rounds, sendo um de xadrez e um de boxe sucessivamente. Cada round de xadrez dura 4 minutos, enquanto o de boxe tem duração de 2 minutos. Entre eles, os atletas têm um descanso de 1 minuto. Um alemão conhecido como Iepe "the Joker" foi o vencedor do Campeonato Mundial de 2004, disputado na Holanda.

Corfebol: o esporte lembra handebol e basquete ao mesmo tempo. O time que marcar mais pontos na cesta do adversário vence. Após cada duas cestas, os defensores passam a atacar e os atacantes, a defender. É uma das poucas modalidades em que homens e mulheres jogam juntos: cada time é composto por quatro pessoas de cada sexo.

Punhobol: apesar de pouco conhecido no país, o Brasil é bi-campeão mundial na modalidade. Disputado em uma quadra a céu aberto, de 50m x 20m, o punhobol tem como objetivo passar a bola de uma metade da quadra à outra. Assim como no vôlei, cada time pode dar até três toques na bola antes de passá-la para o outro lado, com a diferença de que a bola pode quicar uma vez no chão antes de o jogador tocá-la.

 

Sepaktakraw: praticado em muitos países da Ásia, o sepaktakraw mistura movimentos de futevôlei e de artes marciais. As equipes contam com três jogadores e ficam em lados opostos da quadra. Os sets têm no máximo de 21 pontos e o time que fechar dois sets primeiro é o vencedor.
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