Avaliadores do Comitê Olímpico ouvem propostas de São Paulo
da Redação
Em São Paulo
A comissão formada pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB) para
avaliar as propostas de candidaturas aos Jogos Olímpicos de
2012 reuniu-se nesta quarta-feira com os coordenadores da
candidatura de São Paulo e ouviu as propostas para a Vila
Olímpica, meio ambiente, transporte e marketing contidas no
dossiê entregue ao COB em abril com o projeto de realização
do evento na capital e em outras quatro cidades paulistas.
No item referente à Vila Olímpica, o arquiteto José Magalhães
Júnior, da Secretaria Municipal de Planejamento, mostrou
plantas e mapas com a localização na Água Branca e como serão
suas acomodações, com 4.388 apartamentos de dois e três
dormitórios, totalizando 20.432 leitos em prédios de 12
andares.
Assim como as vilas de Mídia e de Juízes, a Vila Olímpica
será construída em parceria com a iniciativa privada, que vai
comercializar esses três empreendimentos imobiliários depois
dos Jogos e transformá-los em vilas residenciais.
A Vila Olímpica foi projetada pelo arquiteto Paulo Mendes da
Rocha e vai impulsionar um processo de reurbanização de uma
área atualmente subutilizada na Água Branca.
Meio ambiente
Vânia Ventura, da Secretaria Municipal do Verde e Meio
Ambiente, resumiu as questões ambientais constantes no
projeto de São Paulo, como a implantação de 30 novos parques
no município até 2102, o que vai proporcionar mais 6 milhões
de m² de áreas verdes públicas na cidade. Ela também informou
que as ações foram aprovadas pelo Conselho Municipal de Meio
Ambiente e Desenvolvimento e incluem medidas do governo do
Estado e das prefeituras da capital e de outros municípios da
região metropolitana.
O plano consiste de quatro eixos de ação: recuperação de
áreas de várzeas e melhoria dos recursos hídricos; melhoria
de qualidade do ar; gestão ambiental dos equipamentos; e
recuperação de áreas.
O programa de intervenção ao longo dos rios Tietê,
Tamanduateí e Pinheiros, além das represas de Guarapiranga e
Billings, promoverá a efetivação dos programas de despoluição
hídrica, já em andamento.
O programa de despoluição do Tietê foi concebido no final da
década de 80 em três etapas. A primeira foi concluída em
1999, a segunda foi iniciada em 2002 e deve ser concluída em
2005. A terceira terá início em 2006 e deve terminar em 2010.
Serão criados corredores verdes integrando ruas, praças e
parques. Os combustíveis no transporte coletivo serão
ambientalmente amigáveis, como o biodiesel. A expansão das
redes ferroviária e metroviária também contribuirá
decisivamente para a melhoria da qualidade do ar.
Dentro das propostas da Agenda 21 do Estado e do Município
são adotadas várias formas alternativas de energia, tais como
o gás natural e células de hidrogênio, que reduzem
sensivelmente a emissão de poluentes, além de um programa de
inspeção veicular que atingirá os veículos em uso no
município. Está prevista também a construção de 300
quilômetros de ciclovia.
Serão utilizadas novas tecnologias e materiais ambientalmente
amigáveis, racionalização e reutilização de água, uso
racional e conservação de energia, coleta, reciclagem e
disposição correta de resíduos, implantação do ISO 14001,
construção de equipamentos esportivos adequados, com
instalações de grande porte mas que fujam do gigantismo
desnecessário.
O gerenciamento de resíduos sólidos na cidade de São Paulo
será feito por novas unidades de tratamento de matéria
orgânica, criação de 31 centros de triagem, operados por
cooperativas de catadores, criação de 96 pontos de entrega
voluntária de resíduos recicláveis secos, implantação de novo
aterro sanitário e expansão do existente e a implantação de
nova unidade de tratamento com tecnologia que possibilita
geração de energia, para os resíduos que não podem ser
reciclados.
O legado olímpico de preservação, recuperação e educação
ambiental será um dos maiores que o evento trará, tanto para
a população de São Paulo quanto a do país.
O avaliador do tema ambiental da comissão, Marcelo Buzalgio
Dantas, disse que ficou "muitíssimo bem impressionado" com as
informações apresentadas, especialmente as contidas no anexo
que o comitê de São Paulo entregou ao COB.
Transporte
O projeto de transporte foi apresentado pelo coordenador do
tema no comitê, Luís Antonio Seraphim, que reafirmou que São
Paulo tem a melhor infra-estrutura de transporte do país -
rodovias, metrô, rodoanel e ferrovias- e uma engenharia de
tráfego reconhecida internacionalmente -responsável pela
operação de trânsito na Fórmula 1, no Carnaval, na São
Silvestre, na Maratona Internaciona e no Réveillon.
Ele expôs dados do setor no Estado, como os de que os três
principais aeroportos paulistas (Cumbica, Congonhas e
Viracopos) movimentam a metade de todos os pousos e
decolagens internacionais do país.
O coordenador também informou que a construção da terceira
pista do aeroporto de Guarulhos já está em fase de licitação,
com previsão de término das obras para 2007, o que ampliará
sua capacidade para 29 milhões de passageiros ao ano. O
acesso a Cumbica será feito por trem expresso interligado ao
sistema de transporte sobre trilhos da capital e a viagem
deverá durar apenas 20 minutos.
Os aeroportos de Congonhas e Viracopos também estão sendo
reformados para ampliação de capacidade. O de Congonhas
estará interligado à linha 1 do metrô por sistema de
monotrilho. As obras nos três aeroportos independem da
realização dos Jogos em São Paulo.
A rede de metrô terá 110,9 quilômetros de extensão em 2012, a
partir da construção de duas novas linhas (8 e 4) e a
ampliação de duas existentes. Além disso, a cidade ganhará
uma linha de metrô leve interligando a futura estação
Servidor (linha 5) à estação Vila Madalena (linha 2).
O secretário de Estado dos Transportes Metropolitanos,
Jurandir Fernandes, garantiu que as medidas que dependam do
governo do Estado serão implementadas para as Olimpíadas. Ele
informou que a construção da linha 4 do metrô está em fase de
licitação com financiamento assegurado pelo Banco Mundial, e
que a futura linha 8 inicialmente havia sido projetada pela
companhia para ser mais ao norte da capital, mas teve seu
projeto alterado para atender às exigências da realização das
Olimpíadas em São Paulo.
O secretário estava feliz porque o metrô de São Paulo recebeu
no dia 20 de maio o certificado ISO 9001 de qualidade em
planejamento, gerenciamento e prestação de serviços, o
segundo concedido no mundo - o outro é o de Hong Kong. Para
ele, o fato de "estarmos juntos no mesmo projeto permitiu que
passasse a haver uma forte interlocução entre o Estado e as
prefeituras da região metropolitana nas ações de transporte".
Desta forma, o que antes era feito em âmbito local, sem
conexão com a rede estadual de transporte, agora é feito com
base em informações coletivizadas e em sintonia com um
sistema integrado de transporte.
O secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto, que
gerencia um sistema em que 86% da operação é feita sobre
pneus, reafirmou a disposição da prefeitura paulistana de
resolver o problema do transporte coletivo na cidade com um
plano de ação que começou a ser discutido em 2001 e que agora
começa a se concretizar.
"O projeto dos Jogos Olímpicos acelera a integração com o
Estado tanto no aspecto viário quanto no tecnológico",
explicou, acrescentando que nos próximos dois ou três anos a
cidade vai investir cerca de 350 milhões de dólares em
operações de transporte coletivo e trânsito, com
financiamento do BNDES.
Ele também garantiu que a cidade terá 8 novos terminais
urbanos e mais 40 corredores já em construção e outros 35 que
serão construídos até as Olimpíadas. Esse conjunto de obras e
medidas vai permitir deslocamento adequado para o evento,
tanto para a chamada família olímpica (atletas, técnicos,
árbitros, dirigentes e jornalistas), que chegará a seu
destino em transporte sobre pneus, quanto para o público, que
se deslocará sobre trilhos.
O coordenador do tema na comissão de vistoria, José Alberto
Guerreiro, disse que "gostaria de enaltecer a união do Estado
com o município".
Marketing
O item de marketing da campanha paulistana foi apresentado
por Marco Aurélio Klein, professor da Fundação Getúlio
Vargas, que ressaltou a capacidade de atração publicitária
que São Paulo tem. Aqui estão sediadas 140 das 300 maiores
empresas brasileiras; o PIB da cidade equivale ao da
Venezuela; o Estado tem 50% do total de depósitos e operações
de créditos do país; e para 23,5% dos 500 mais importantes
executivos de 11 países, São Paulo é a melhor cidade para
negócios na América Latina.
Além disso, 109 das 154 maiores feiras e exposições do Brasil
são realizadas em São Paulo, movimentando cerca de 1,3 bilhão
de dólares; a cidade recebe 4,2 milhões de visitantes ao ano,
número próximo do total de turistas estrangeiros que visitam
todo o Brasil; a cidade tem 11,7% do poder de consumo do país
e o Estado tem 31,6%; e a renda per capita da capital é 40%
maior que a média brasileira.
Na área de comunicação, a cidade concentra mais de 200
agências de propaganda, 19 das 20 maiores agências do país,
as maiores produtoras e os maiores anunciantes. O expositor
apresentou uma lista de potenciais patrocinadores dos Jogos
em São Paulo, contendo anunciantes de vários ramos da
economia, muitos dos quais já investem em marketing esportivo
no Brasil.
A secretária municipal de Esportes, Nádia Campeão, explica
que o tom da visita tem sido bastante amistoso, o trabalho
vem rendendo, apesar da agenda lotada, os integrantes da
comissão têm apresentado sugestões e feito observações
pertinentes sobre o dossiê, "sempre com o objetivo de
colaborar para o aperfeiçoamento do projeto de São Paulo".
Os avaliadores também visitaram alguns locais de instalações
propostas por São Paulo: Represa Guarapiranga, Hípica de
Santo Amaro, Credicard Hall, Transamérica, Parque Anhanguera
e Jundiaí, entre outras.
Durante o dia, a coordenação do comitê de São Paulo levou
integrantes da comissão avaliadora para encontros com o
secretário de Estado da Segurança Pública, Saulo Abreu, e com
o presidente do Memorial da América Latina, José Henrique
Reis Lobo, onde deverá ser a sede do Comitê Organizador dos
Jogos em São Paulo.
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