[Cevmkt-L] APOS O SUCESSO NO ESPORTE

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Subject: [Cevmkt-L] APOS O SUCESSO NO ESPORTE
From: "Georgios" <hatzidakis@xxxxxxxxxx>
Date: Sun, 7 Apr 2002 04:52:57 -0300
Bem-sucedidos. Longe do esporte
Por contingência ou opção, ex-atletas foram plantar cogumelo, costurar, vender roupa... CAROL KNOPLOCH e HELENI FELIPPE

O caminho parece óbvio. A intimidade com o esporte define a opção do ex-atleta. Passam a ser técnicos, supervisores, dirigentes, comentaristas... A lista de técnicos ex-jogadores tem Guerrinha, Marcel, Hélio Rubens, Bernardinho, William, José Roberto Guimarães, Ricardo Prado, Joaquim Cruz, Rogério Sampaio... A lista de ex-atletas-dirigentes tem de Renan, Montanaro, Patrícia Amorim, Paula, Lars Grael. Mas há também os famosos que por contingência ou opção estão longe do esporte.

A ex-levantadora Ivonete é uma das que decidiram nunca mais "pisar em uma quadra de vôlei". Ela é taxativa: "Não posso nem pensar nisso." 'Brincar' com a bola só com a filha Gabriela, de 17 anos, levantadora da categoria infanto-juvenil do São Caetano.

Foram 21 anos de carreira no vôlei, na geração que abriu caminho para o profissionalismo, entre 1971 e 1992. No começo, pensou em viver uma fase "madame" que, no entanto, não durou três meses. Passou a procurar cursos para preencher o tempo. Mas foi o preço das roupas nos shoppings que levou Ivonete, por conselho de uma amiga, à costura. O marido grandão - Marcel, ex-jogador de basquete - foi a inspiração do que seria o novo ganha-pão longe da quadra.

"Fui fazer roupas esportivas para grandões. Me vi costurando para homens de 2 metros e mulheres de 1,95." Aos 41 anos, administra uma confecção, a Undici Sports, em São Caetano do Sul, com 21 funcionários. Fabrica o "enxoval" - de agasalho a uniforme de treino e jogo - para atletas de 24 modalidades.

Sofreu quando começou com a confecção, mas decidida a ser uma boa pequena empresária aprendeu tudo o que envolvia a área - tecidos, modelagem, embalagem. A avó Ana Paukstys, costureira do antigo Mappin, foi às lágrimas quando viu a neta costurar.

Hoje seu contato com o esporte é na hora de tirar as medidas de Claudinei Quirino, Maurren Maggi (do atletismo) ou Gustavo Borges (da natação), de entregar os uniformes, ou vender em ginásios. Chega "à beira do enfarte" com pedidos, escolha de tecidos, atendimento a clientes... Mas acha que tirou do esporte "90% do segredo de conviver em grupo, respeitando o próximo, sabendo ouvir, falar e enfrentar a pressão e o estresse na hora de fechar um negócio."

Shitake - O afastamento do basquete não foi uma opção, mas uma contingência para o ex-amador Nilo Guimarães, de 45 anos, que trabalhava como técnico até o mês passado, em Mogi das Cruzes. Nilo já recebeu convite para dirigir outra equipe, mas não aceitou - não pode afastar-se de seus negócios em Suzano.

Há sete anos Nilo é sócio da Guinishi, uma empresa que planta e exporta para o Japão o "agaricus blazei" desidratado, como o ex-jogador trata, 'com intimidade', o cogumelo do sol, usado na área medicinal para fazer chá. No momento, a Guinishi, amplia seus negócios. "Estamos fazendo alvenaria e compostagem para produzir shitake em grande escala, cogumelo muito apreciado na culinária."

Nilo não sabe se volta ou não para o basquete - nem se será mantido pela Confederação Brasileira como assistente-técnico de Hélio Rubens (vinha comandando a seleção B). "Gostaria de seguir carreira como técnico, mas tenho uma situação pré-estabelecida em Suzano, e não posso fugir à realidade. Vou tocar minha vida." A saudade do basquete mata nos jogos com os veteranos.

Nilo ainda é sócio, com outros ex-jogadores - China e Marcelo Vido, companheiros dos tempos da Pirelli - de uma franquia da Pães e Cia, em Santo André, desde 1990. Vido, que também tem quatro lojas em Belo Horizonte - no ramo de copiadoras - investe em um retorno parcial, ao menos, ao esporte.

Mudou para Liverpool, a cidade inglesa dos Beatles, para estudar administração esportiva.

Van em NY - André "Carneirinho" Stoffel, de 42 anos, integrou a equipe de basquete que ficou famosa, aquela da dupla Marcel-Oscar, ao ser campeã dos Jogos Pan-Americanos de Indianápolis, em cima do time da casa, os Estados Unidos, em 1987. Observa que o basquete foi "um momento" em sua vida, mas o ajudou a conhecer a mulher, Luely, e a se estabelecer em Nova York.

"Ela é a irmã de um amigo do basquete e já trabalhava com turismo", comenta André, que mora na cidade norte-americana há sete anos e tem a empresa NY Conection há cinco. Aluga vans para transporte e turismo. "Trabalho com canais de tevê, como Food Network, especializado em receitas de comida, e o ABC - esta semana mesmo estava acompanhando aquela família que teve sextúplos", comenta. André transporta produtores, convidados das tevês, equipamentos e turistas.

Novo rumo - Mesmo com sucesso em outros negócios ex-atletas têm dificuldades para romper com o esporte, que ainda é visto como porto seguro mesmo para quem se afastou do ambiente. É o caso da ex-atacante Vera Mossa, musa do vôlei nos anos 80, ex-mulher do técnico Bernardo Rezende, com quem teve Bruno. Aos 15 anos, e com 1,88 m, o garoto também tenta seguir carreira no vôlei como levantador. Treina no clube Fonte São Paulo, onde a mãe iniciou carreira.

Vera parou de jogar em 2000, com 35 anos, após romper o ligamento cruzado do joelho direito, contusão que tinha no esquerdo - há seis anos jogava com uma proteção. Teve medo de comprometer sua qualidade de vida. As lesões foram conseqüência da carreira de quem começou no esporte aos 9 anos e chegou à seleção brasileira aos 16.

"Demorou para 'cair a ficha', é um processo lento", afirma Vera, que primeiro pensou em realizar projetos ligados ao esporte. Sem formação superior, optou pelo comércio e montou uma papelaria, em Campinas (SP). "Não podia viver de brisa. Não joguei futebol e precisava ganhar dinheiro."

Define a escolha "como natural", mas já pensa em voltar ao esporte. "Não tenho perfil de comerciante, não tive prejuízo, mas vou vender a loja."

Vera, que também atende no balcão, não sabe ao certo o que fará. Mas está gostando da experiência como comentarista da Sportv e pensa em cursar jornalismo. "Começar de novo, aos 35 anos foi difícil. Hoje, tenho os pés no chão."

"Cansei!" - Márcia Fu, da primeira geração vencedora do vôlei feminino - a que ficou com a medalha de prata no Mundial do Brasil, em 1994, e de bronze, na Olimpíada de Atlanta, em 1996, cansou.

Aos 32 anos, 12 no vôlei, deixou o esporte em 2001, saindo do Vasco, sem receber salários. Queria viver uma nova fase - "em Juiz de Fora, com o marido, a família, o cachorro, o gato, o passarinho, o cavalo..."

Tinha parado anteriormente, quando foi dona de um bar, trocou o dia pela noite, dava palpites no cardápido de bebidas, ajudava o DJ... Mas voltou a jogar - atraída por um convite da Turquia e a promessa de salário alto do Vasco.

"Dessa vez é definitivo", afirma Fu, que tem uma agência de viagens há três anos, a Extra Classe. "Tenho gratidão pelo vôlei, mas saudade, não." Mudou até o que sentia em relação a arrumar as malas. Detestava fazer isso quando jogava - tantas eram as viagens com a seleção. Agora adora, porque sabe que sairá, em férias, com o marido Stainer.

Frustração - Há quem foi "empurrado" para fora do esporte pela frustração, ausência de estímulo ou contusões. É o caso do ala Caio Cazziolato, de 27 anos, que integrou a seleção brasileira de basquete no Mundial de Atenas, em 1998 (o time foi 10.º). "Estava cansado, desmotivado e como tinha um respaldo da família decidi investir em outra profissão." Caio tem uma loja de roupa feminina, a Stroke, no Shopping ABC, em Santo André. Jogou por 18 anos, desde os 9, sente falta de "brincar de basquete", mas estava cansado da "rotina estafante de treinos, mudanças de clube, viagens, contusões..."

O floretista Marco Martins, o Keko, de 29 anos - único representante da esgrima nos Jogos Olímpicos de Sydney, em 2000 -, desistiu da "correria".

Keko dependia do diploma universitário para sobreviver. Tinha de conciliar a odontologia com os nove turnos de treinos semanais na esgrima. Em fevereiro, após saber que não receberia os salários atrasados do Vasco, e sem perspectiva de patrocínio ou de apoio, decidiu afastar-se do esporte competitivo, para se dedicar somente às atividades como dentista e professor universitário. "Não quero mais me frustrar, me magoar com isso tudo. Me sinto derrotado, como o esporte brasileiro."

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