[Cevmkt-L] PELÉ-UNICEF

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Date: Thu, 22 Nov 2001 07:52:13 -0200
Pacto assinado por ex-atleta prevê divisão de lucro com evento do Unicef

Documento derruba versão dada por Pelé

MÁRIO MAGALHÃES
SÉRGIO RANGEL


DA SUCURSAL DO RIO

Documento de quatro páginas reconhecido como legítimo na Justiça pelo próprio Pelé contradiz a versão dele sobre seu papel na organização de um evento não realizado em benefício da seção argentina do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância).
Pelé afirmou em Nova York (EUA) que nunca cobrou remuneração por trabalhos em favor de crianças pobres. ""Há 32 anos eu ajudo o Unicef. Quem me conhece sabe que eu não faria isso", disse anteontem.
No ""Jornal da Globo" de segunda-feira, assegurou: ""(...) Vocês sabem que eu trabalho com crianças, que eu peço para as crianças e que eu nunca cobrei nada. E não iria ser agora".
Mas nas quatro páginas de um acordo assinado em 25 de abril de 1996 pelo ex-atleta, seu sócio Hélio Viana e o antigo colaborador Roberto Seabra, os três definem a divisão dos lucros com a operação relativa a uma festa do Unicef prevista para 1995 -e nunca realizada- e outros negócios.
A PS&M Ltda. (Pelé Sports & Marketing Ltda.), empresa de Pelé e Hélio Viana, ficaria com 50% de ""todos os valores e remuneração contratual líquida". Seabra ficaria com a outra metade.
Detentor de 60% das cotas da PS&M Ltda., Pelé é apresentado no documento como ""sócio majoritário e controlador" da empresa. Viana, dono de 40%, é ""diretor-superintendente".
Além de faturar como empresário no projeto argentino, Pelé teria a possibilidade de também receber individualmente, como pessoa física. Sobre a festa para o Unicef, o acordo fala na perspectiva de ""saldo positivo em favor da PS&M ou do interveniente em virtude das remunerações de toda a espécie recebidas por força de tais contratos".
O interveniente é Pelé. A remuneração seria recebida pela organização e participação no evento em Buenos Aires. O documento é um ""instrumento particular de pactuação de obrigações, cessão de direitos, comodato de imóvel e outras avenças [acordos"". É o que se chama de pacto.
Foi assinado uma vez por Hélio Viana, como sócio da PS&M Ltda. Uma vez por Roberto Seabra, como pessoa física. E duas vezes por Edson Arantes do Nascimento, o nome de Pelé: uma como sócio majoritário da PS&M Ltda. e uma como pessoa física.
Conforme a Folha revelou domingo, em 1995 Pelé e uma empresa ligada a ele, a PS&M Inc. (Pelé Sports & Marketing Inc.), prometeram realizar de graça um evento beneficente para o Unicef-Argentina. Num contrato paralelo, passaram a cobrar pelo trabalho, a ser pago por uma empresa dos EUA (Sports Vision) com dinheiro de um banco argentino.
No final, o evento não foi realizado, a PS&M Inc. ficou com US$ 700 mil e não entregou nenhum tostão ao órgão da ONU.
Pelé assinou pessoalmente, sem intermediários, o convênio com o Unicef, o contrato com a Sports Vision e o pacto de 1996.
O pacto foi redigido na saída de Seabra da PS&M Ltda. Ele diz que era funcionário da empresa. Segundo Pelé e Hélio Viana, era sócio. O documento define a remuneração de Seabra em quatro negócios vigentes, inclusive o projeto para o Unicef -iniciativa na qual os três estavam juntos.
Como não recebeu o que considera seu direito, Seabra foi à Justiça trabalhista em 1997. Ainda não há sentença. No processo, a Folha descobriu o pacto que trata o evento filantrópico como empreendimento comercial com direito a partilha de lucros.
O trecho sobre pagamento a Pelé até como pessoa física conta que a PS&M (não informa se a Ltda., brasileira, ou a Inc., das Ilhas Virgens) tomou no Brasil um empréstimo bancário de R$ 1,45 milhão. Não diz se foi por conta do evento do Unicef e o que foi feito com o dinheiro.


Acordo previa US$ 3 milhões de pagamento

DA SUCURSAL DO RIO

A empresa PS&M Inc. (Pelé Sports & Marketing Inc.) recebeu US$ 700 mil pelo evento não realizado em benefício do Unicef-Argentina, mas esperava ganhar mais: US$ 3 milhões.
Em janeiro de 1995, Pelé e a PS&M Inc. assinaram convênio com o Unicef para organizar de graça festa filantrópica em Buenos Aires.
Batizada de Move the World (Movimente o Mundo), ela seria composta de um show musical e um jogo de futebol, com estrelas de projeção internacional.
Num contrato paralelo, com a empresa norte-americana Sports Vision, a PS&M Inc. passou a receber US$ 3 milhões pelo trabalho que, pelo convênio com o Unicef, não seria remunerado.
O contrato com a Sports Vision foi assinado por Pelé e, em nome da PS&M Inc., por seu sócio Hélio Viana.
A data dele é falsa. O documento foi firmado em fevereiro de 1995, mas foi datado como se tivesse sido assinado em 20 de novembro de 1994, quando a Sports Vision nem existia ainda.
A Sports Vision receberia os US$ 3 milhões de outra empresa dos EUA, a Global Entertainment, que, por sua vez, tomou empréstimo no mesmo valor do Banco Patricios, da Argentina.
O banco quebrou antes de repassar tudo. US$ 700 mil chegaram à PS&M Inc., que ficou com todo o dinheiro e nada entregou ao Unicef.
O presidente da Global era o argentino Guillermo Bassignani, hoje um dos maiores parceiros de Pelé na área do marketing esportivo.
A PS&M Inc., cujos donos são desconhecidos, tem sede no paraíso fiscal das Ilhas Virgens. Pelé e Viana alegam não ser os proprietários.
Mas desde 1996, ao menos, eles consideram o dinheiro arrecadado com o Move the World receita da empresa brasileira dos dois, a PS&M Ltda. (Pelé Sports & Marketing Ltda.), sediada no Rio.
O empresário Roberto Seabra deixou a PS&M Ltda., na qual trabalhava, em 96. Em 1997, ele recorreu à Justiça para receber US$ 350 mil do projeto não realizado para o Unicef -a sentença deve sair no próximo mês. Pelé e Viana acham que Seabra não tem direito a nada.
Unidos na PS&M Ltda. há dez anos, Pelé e Viana romperam há poucas semanas. Uma auditoria interna investiga supostas irregularidades. A fiscalização foi iniciada antes de a reportagem de domingo revelar a operação Move the World.
A CPI da CBF/Nike, na Câmara, descobriu indícios de irregularidades na empresa.
Irritado com a CPI, Pelé ameaçou processar a União por suposto prejuízo à imagem de seu sócio e da PS&M Ltda. Para Pelé, as suspeitas eram "calúnia". (MM e SR)


Em SP, ex-atleta diz que passou negócio a filho

EDUARDO ARRUDA
DA REPORTAGEM LOCAL

Após anunciar o fechamento da Pelé Sports & Marketing Ltda., no Rio, Pelé, 61, passou para o filho Edinho a administração da Pelé Pro, sua nova agência de marketing, com sede em São Paulo.
Ontem, ao desembarcar na capital paulista vindo de Nova York, onde participou do lançamento da campanha conjunta do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) com a Fifa, Pelé afirmou à Folha que está transferindo todos os seus contratos pessoais para o escritório paulistano.
"Já faz tempo que eu estou pensando em mudar meus negócios para cá. O Edinho já está cuidando da Pelé Pro, e não terei mais nada no Rio", disse o ex-jogador.
Ontem, Pelé voltou a negar que sabia do desvio de US$ 700 mil, por meio de empresa associada a ele (Pelé Sports & Marketing Inc.), com sede no paraíso fiscal das Ilhas Virgens, de evento beneficente para a seção argentina do Unicef, em 1995.
"Eu estou fazendo uma auditoria [na PS&M Ltda.] e, em uma semana, terei as respostas sobre quem são os culpados", disse o ex-ministro do Esporte de FHC.
Antes de o caso Pelé/Unicef ter se tornado público, com a reportagem da Folha no último domingo, Pelé já havia decidido encerrar as atividades da agência no Rio.
O ex-atleta estava insatisfeito com a gestão de seu sócio Hélio Viana, presidente da Pelé Sports e dono de 40% da empresa.
Sem citar nomes, Pelé disse ontem estar sendo "enganado". "Nesse caso [Pelé/Unicef", por enquanto, eu acho que sim."
Procurados pela reportagem, Viana e Roberto Seabra, ex-aliado de Pelé e um dos três empresários envolvidos com o convênio com o Unicef em 1995, não quiseram se pronunciar sobre o caso.
Pelé, que afirmou não ter sido procurado antes da publicação da reportagem de domingo, disse que "estão desrespeitando a marca Pelé, que tem mais de 30 anos".
A Folha possui gravações das ligações feitas para seu escritório e cópia das perguntas feitas ao ex-atleta por fax antes da publicação.

Sport de Barcelona

Sócio na PS&M desmente denúncia

ESPANHA - O jornal espanhol repercute o caso Pelé/Unicef dizendo que o sócio do ex-jogador na Pelé Sports & Marketing, Hélio Viana, se apressou em desmentir a denúncia revelada pela Folha no último domingo.
Segundo o "Sport", "tudo indica que Pelé quer recolher informações antes de sair a público para dar sua versão sobre as fortes acusações contra suas empresas, que se apropriaram de US$ 700 mil que seriam destinados a realização de um evento beneficente do Unicef, na Argentina, que jamais aconteceu".


Olé de Buenos Aires
Em NY, ex-jogador jura inocência

ARGENTINA - O diário esportivo argentino traz em sua reportagem as declarações de Pelé, anteontem, em Nova York, durante evento na ONU que serviu para lançar a campanha que une a Fifa e o Unicef.
Após o evento, parte do programa Say Yes for Children (Diga Sim pelas Crianças), Pelé negou ter ficado com os US$ 700 mil que seriam destinados a realizar um ato beneficente em favor do Unicef-Argentina.
"Está em jogo o prestígio do meu nome, minha honra e minha trajetória", disse Pelé.

El País de Cali

Legendário atleta fará auditoria

COLÔMBIA - "Com um esforço para para salvar as crianças, o Unicef anunciou uma sociedade com a Fifa para dedicar a Copa do Mundo da Coréia e do Japão aos menores. E com a participação de Pelé", escreve o diário, que, em seguida, aborda o caso Pelé com o órgão da ONU.
"O legendário futebolista anunciou que fará uma auditoria na Pelé Sports & Marketing para apurar acusação de que teria se apropriado de US$ 700 mil, dinheiro que seria utilizado para a realização de evento do Unicef-Argentina".

El País de Madri

O rei Pelé, outra vez desmascarado

ESPANHA - "Pelé, o rei do futebol, não tem paz. Agora é acusado de receber, por meio da empresa que leva seu nome, a Pelé Sports & Marketing Inc., com sede no paraíso fiscal das Ilhas Virgens, US$ 700 mil, em 1995, para um evento beneficente em favor do Unicef-Argentina, que nunca foi realizado", diz o diário a respeito da reportagem publicada domingo pela Folha.
O "El País" cita ainda que na Pelé Sports & Marketing Inc. haviam sido encontrados indícios de sonegação fiscal e evasão de divisas pela CPI da CBF/Nike.

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