[Cevmkt-L] TRAFFIC

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Subject: [Cevmkt-L] TRAFFIC
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Date: Thu, 18 Oct 2001 06:16:49 -0300
Quinta-feira, 18 de Outubro de 2001
Fim litigioso de casamento na TV

Band e Traffic rompem parceria após três anos de contrato porque emissora deve dinheiro à empresa de marketing

RICARDO CALAZANS E GABRIELA BOEING

Armando Favaro
Milton Neves

Milton Neves, apresentador do programa Supertécnico, já recebeu proposta da Rede Record

O casamento de três anos entre a rede de TV Bandeirantes e a empresa de marketing esportivo Traffic tem data marcada para terminar: 31 de dezembro. Como num casamento de aparências, o divórcio vem sendo anunciado como amigável. Nos bastidores da notícia, porém, a briga é feia - motivada, como nas mais clássicas intrigas, por dinheiro.

Oficialmente, as negociações do distrato entre as empresas ''ocorreram em clima de perfeito entendimento e respeito mútuo, o que deixa abertas as portas para prováveis futuras parcerias entre as duas empresas'', conforme informou nota oficial da emissora distribuída à imprensa. Uma fonte da Traffic, no entanto, garante que, no que depender da empresa do jornalista J.Hawilla, parceria com a Band nunca mais. ''A Bandeirantes deve muito dinheiro à Traffic. O motivo do fim da parceria foi exclusivamente financeiro'', diz a fonte.

Retorno - Na Bandeirantes também há ressentimento com a empresa de marketing. ''A Band reclama que a Traffic não estaria mais fornecendo boas competições para transmitir'', contou outro interlocutor das ex-parceiras. Em 1999, a Traffic investiu R$ 100 milhões na emissora - mas não teve o retorno esperado. Juca Silveira, diretor de esportes da TV, nega qualquer problema de dinheiro. ''As duas empresas decidiram seguir projetos próprios. A decisão consensual nada tem a ver com questões financeiras'', afirmou.

Nisso as duas partes concordam. ''A Traffic, a partir de agora, prefere investir na sua própria produtora. A tendência é que todos os programas produzidos pela Traffic para a Band saiam da programação da emissora'', disse Mário Marinho, assessor da empresa de marketing. A jóia da coroa é o Supertécnico, programa de debates apresentado pelo jornalista Milton Neves, que já recebeu proposta da Rede Record.

A mesa redonda dominical é um dos carros-chefe da programação esportiva da Band, que chega a alcançar picos de audiência de 12 pontos, quando a média da emissora, em programas como o Superpositivo (estrelado pela dançarina Feiticeira), é de apenas 2 pontos. ''Meu contrato segue firme até dezembro e a Band quer que eu continue. Mas não tenho pressa para decidir nada. Recebi uma proposta da Record e estou estudando com carinho'', confirmou Milton Neves.

Mercosul - A declaração do jornalista combina perfeitamente com as intenções da Traffic. Programas como Gol, o grande momento do esporte e até mesmo os jogos da Copa Mercosul - que não deve ter participação dos clubes brasileiros no próximo ano, por imposição da Rede Globo, que quer ver o caminho livre para o Campeonato Brasileiro - devem migrar para outras emissoras.

Para combater este êxodo, a Bandeirantes anunciou a criação do Bandsports, canal de TV paga que pretende recuperar, para a emissora, o título de ''o canal do esporte'', usado a partir dos anos 80. A emissora apostará mais uma vez em esportes alternativos, como vôlei, boxe ou sinuca (ícones de sua grade no passado) e garante que o locutor Luciano do Valle, outro nome de peso de seu departamento esportivo, tem contrato em vigor até 2004. ''Nossa filosofia continua sendo apoiar o esporte brasileiro, incentivando novas modalidades e apostando no surgimento de novos ídolos. A chegada do Bandsports abre novas oportunidades para mostrarmos como está crescendo o esporte por todo o país'', defendeu Luciano.

Tábua de salvação

Traffic investiu pesado na Band

Quando a Traffic, empresa de marketing esportivo de J. Hawilla com mais de 20 anos de atuação, ofereceu parceria à TV Bandeirantes, a emissora encontrou na proposta a tábua de salvação do departamento de esportes, que passava por um período de crise financeira e - especulavam na época - podia, inclusive, ser extinto.

Só no primeiro ano de parceria, em 1999, a Traffic investiu US$ 100 milhões na programação esportiva da Bandeirantes. A empresa comprou o horário do programa Show do Esporte, remodelando a programação aos domingos entre 11h e 20h, contratando ainda cerca de 100 profissionais, entre eles famosos como Fernando Vanucci (ex-Globo), Sabrina (ex-MTV), Hortência e Milton Neves. A primeira transmissão do programa reformulado pela Traffic fez sucesso: média de audiência com seis pontos e picos de 12.

Além de um investidor, a Bandeirantes, que passou a década de 80 dedicada à transmissão de competições de sinuca e futebol master, passou a ter o privilégio de ter como parceiro a empresa responsável pela organização e exploração de eventos como Copa América, Eliminatórias da Copa do Mundo, Taça Libertadores e Copa Mercosul.

A Traffic tem direito à exploração publicitária das competições, o que no caso da Copa América, por exemplo, inclui a venda de transmissão para 160 países. No Mundial de Clubes da Fifa, em janeiro do ano passado, a Bandeirantes teve exclusividade nas transmissões dos jogos. Com o sucesso de audiência, a Globo chegou a tentar negociar a transmissão da partida final, entre Vasco e Corinthians, mas a Traffic descartou, alegando que ceder iria contra o compromisso com os patrocinadores.

Em dezembro de 2000, J. Hawilla foi chamado à CPI do Futebol no Senado, para explicar os contratos milionários fechados com a CBF, parceira da empresa desde 1989 (a Traffic foi intermediária das negociações entre CBF e Nike e recebeu uma comissão de US$ 10 milhões pelo contrato).

Outra dúvida dos senadores era sobre a declaração do Imposto de Renda da Traffic relativa ao ano de 1999. Durante o depoimento na CPI, Hawilla não convenceu os senadores sobre a sua movimentação financeira. A comissão recebida pelo acordo entre o Fundo HTMF e o Corinthians e a realização de inúmeras competições, em 1999, não evitaram um prejuízo anual de R$ 18 milhões. ''Isso se deve ao investimento feito na programação esportiva da TV Bandeirantes'', foi a justificativa de Hawilla à CPI.

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