Ricardo Miranda
| Ricardo Stuckert |
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O nadador Fernando
Scherer ... |
Um par de tênis flutua no ar sobre a quadra sintética. Abaixo, a sombra do
jogador, sua raquete e a bola congelada a mais de 100 quilômetros por hora. É
Gustavo Küerten se despedindo das Olimpíadas de Sydney, em 2000, para mais tarde
liderar o ranking mundial de tênis. Em outra situação, a favorita no salto a
distância, Maureen Higa Maggi, cai vencida por uma contusão violenta. O momento
exato no qual um músculo de sua coxa direita explode é capturado pela câmera de
quem estava no lugar certo, na hora certa. Assim como no mar em fúria da Baía de
Sydney, quando os iatistas Torben Grael e Marcelo Ferreira navegavam contra uma
corrente de problemas. Num iate próximo, fotógrafos brasileiros e estrangeiros
tentavam capturar a cena enfrentando ondas de até dois metros. Um italiano caiu
na água e perdeu todo o equipamento. Mas eis que o mar agitado vira calmaria na
forma de uma foto precisa, conforme relata o subeditor de fotografia da sucursal
de Brasília de ISTOÉ, Ricardo Stuckert, 31 anos, que cobriu as Jogos Olímpicos.
“Foi uma pescaria difícil. Tive a sorte de voltar com um bom peixe”, conta ele.
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Ricardo
Stuckert |
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... os saltos
ornamentais ... |
Da terra dos cangurus, do bumerangue e de mulheres belíssimas Stuckert trouxe
um ensaio fabuloso ao captar com sua câmera Nikon D1 digital momentos raros,
únicos e insubstituíveis da maior festa planetária do esporte. Um ano depois, o
melhor deste show de imagens está na exposição As Olimpíadas de Sydney,
em cartaz a partir da segunda-feira 24, no Brasília Shopping, na capital
federal.
Beleza – Estes foram os Jogos Olímpicos da corredora americana Marion
Jones, do nadador australiano Ian Thorpe, do surpreendente “holandês voador”
Pieter van den Hoogenband, que atropelou o torpedo australiano, e de tantos
super-homens e supermulheres que dedicam suas vidas a bater recordes.
| Ricardo Stuckert |
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... a sombra de Guga
... |
Foram também as Olimpíadas do marketing, das marcas, do patrocínio e,
infelizmente, do doping. Quase meia centena de atletas saiu da competição por
seu envolvimento com o uso de drogas proibidas. Para o Brasil, os Jogos tiveram
as auras da esperança e da decepção, com apenas seis medalhas de prata, seis de
bronze e nenhuma de ouro. Mas erros e acertos só acentuam a beleza do esporte,
como provam as fotos de Stuckert, filho de uma família de fotógrafos.
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Ricardo
Stuckert |
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... e um detalhe do
vôlei de praia |
Sua exposição será inaugurada com uma projeção multimídia, mostrando uma
seleção de 250 das seis mil fotografias tiradas por ele durante o megaevento. Do
total, 50 ficarão expostas por duas semanas. Além da luta dos atletas pelas
medalhas, serão exibidos cliques das festas de abertura e do encerramento das
Olimpíadas. Na abertura, a marcha épica de aborígines sob um deserto imaginário
lembra uma pintura espetacular com suas luzes, cores e sombras. Na festa de
despedida, a uma temperatura de cinco graus centígrados, surge a apoteótica
queima de fogos, transformada num banho de luzes vermelhas na Ponte de Harbour,
cartão-postal de Sydney. São registros sensíveis, belos, típicos de quem tem no
sangue o DNA da fotografia.