COLUNA DE PAULO NASSAR - GAZETA
ESPORTIVA
Chegou a hora de parar, Romário
08/08/01
Quando começa a faltar
habilidade dentro de campo, os craques começam a fazer verdadeiros malabarismos
no campo do marketing pessoal. Para aparecer, inventam coisas do arco-da-velha,
penduram até colar de melancias no pescoço. Diego Maradona, já no fim de sua
carreira, tatuou em seu ombro direito o rosto de Che Guevara, e, sem camisa,
deixou, sorridente e orgulhoso, se fotografar com seu ídolo guerrilheiro. Fazia
questão de dizer que, mais do que na pele, Guevara estava mesmo tatuado em seu
coração. Outro personagem, em sua fase terminal de carreira, o pugilista Mike
Tyson, também tatuou Che Guevara, só que na altura do fígado. Maradona, entre
outras dezenas de ficções reais que produziu, tentou ainda ser técnico do
Santos.
Na biografia Yo soy El Diego de la gente, Maradona afirma que
muitas vezes pensa toda a sua vida como se estivesse dentro de um filme ou
condensada dentro de revistas. “E não está mesmo?”, ele pergunta para os seus
leitores. Maradona e Tyson são como figuras aprisionadas dentro de uma grande
fábrica de imagens e acontecimentos, que tem como grande turbina a televisão e
outros motores menores como o rádio, sites, jornais e revistas.
Romário
corre o risco de se transformar em mais uma dessas figuras virtuais, boas de
imagens, mas cada dia mais longe das glórias alcançadas dentro dos estádios.
Parece que quer voltar para a Seleção, e já começou a pressionar para que isso
se transforme em realidade. Vejam os fatos. Neste final de semana, o Vasco da
Gama anunciou, a pedido de Romário, a contratação do tetracampeão mundial
Bebeto. Depois de passar por clubes do México e do Japão, Bebeto parece estar
preparando o seu ritual de final de carreira no time carioca. Quem sabe, no
cenário histórico que é o Maracanã.
Na chegada de Bebeto, quem brilhou
foi Romário, que se colocou ali como um verdadeiro mestre-de-cerimônias. Para as
câmeras, saudou a vinda de Bebeto e a vitalidade de craques balzaquianos. Na sua
vez, Bebeto fez um apelo para que Felipe Scolari não esqueça que Romário está
pronto para ocupar o seu lugar na Seleção. Pedido reforçado por Romário, no
domingo, dentro de campo, quando enfiou quatro burocráticos gols contra o
Guarani.
Não chegou a hora de o craque Romário pendurar as suas
chuteiras e dar, de vez, lugar aos Tingas, Éwertons e outros moleques bons de
bola?