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| Virada de Aurélio Miguel: para
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O judoca deixa o Flamengo para comandar
treinos para crianças. Mas diz que não é 'aposentadoria'. Quer voltar à
forma e competir
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"A vida passa, os valores passam, os filhos estão crescendo..." Foi essa a
resposta que Aurélio Miguel deu, quando questionado se a provável transferência
para o São Caetano, em um cargo de coordenação, significaria sua aposentadoria.
Mas o judoca se recusa a admitir a idéia de parar. Ainda.
"No dia em que for me aposentar, eu aviso. Não entendo vocês, jornalistas",
disse Aurélio, tom de voz ligeiramente elevado, para depois expor seus planos
com mais calma: "Neste ano, não estou competindo internacionalmente.
Mas vou retomar a forma e depois analisar. Não quero fazer 'que nem' jogador
de futebol, que fala que vai parar, faz jogo de despedida e depois volta."
Com um currículo que inclui duas medalhas olímpicas (ouro em Seul/88 e
bronze em Atlanta/96), um ouro no Pan de Indianápolis/87, dois vice-campeonatos
mundiais (93 e 97) e um terceiro lugar no Mundial de 87, Aurélio já fez o que
tinha de fazer pelo judô brasileiro. Pelo menos dentro do tatame. Por isso,
vislumbra um envolvimento diferente com o esporte.
Aos 37 anos, cansou de defender o Flamengo, que não lhe pagava desde o
início do ano e cuja perspectiva para o esporte olímpico ficou ínfima com a
falência da ISL. Por isso, resolveu voltar para São Paulo, sua cidade-natal, e
trabalhar no São Caetano, clube que defendia antes de se mudar para o Flamengo e
que, lembra o judoca, investe no esporte olímpico, com estrutura desde
escolinhas até o esporte de alto rendimento. É isso que Aurélio quer:
treinar crianças que um dia possam repetir aquela emocionante cena que
protagonizou em Seul, saindo debaixo do adversário na final e levantando os
braços para celebrar o ouro olímpico.
"Eles (São Caetano) já têm uma bela estrutura. Dá para fazer um trabalho
bacana, pegando a garotada de 10 a 12 anos e preparando para a Olimpíada de
Pequim/2008", sonha o judoca.
Aurélio diz que não há nada certo, que negocia com o São Caetano. Mas com
alguma insistência, admite que a negociação está "bem encaminhada". Se der
certo, será algo como coordenador ou gerente de judô: "Não é gerente. Mas o nome
é o de menos. O mais importante é somar."
Enfim, algo fora do tatame? "Não, dentro do tatame, mas na parte técnica, de
coordenação."
Enterrado
A política, diz, ainda está fora de cogitação. Trabalhar na Confederação
Brasileira de Judô não faz sua cabeça. "Por enquanto, não penso nisso. Tenho
outras atividades. Não tenho tempo. Mas vou ser um colaborador eterno."
Falar em CBJ ainda traz a lembrança de Joaquim Mamede, que comandou a
entidade nos últimos 21 anos, até março passado, provocando várias polêmicas e
tratando os judocas com mão de ferro. Mas Aurélio preferia que essa frase não
tivesse sido escrita, que esse nome nunca fosse mencionado: "Vocês dão muita
colher de chá para o Mamede. Esquece. Está enterrado."
Mamede aproveitou que o Brasil não conquistou nenhuma medalha no último
Mundial, em Munique, na semana passada, para dizer que a situação piorou com sua
saída. Claro que Aurélio arrumaria facilmente argumentos para desmenti-lo,
lembrando que o tempo para preparação foi pequeno e destacando o desempenho das
mulheres: "Nunca o feminino foi tão bem. Das sete meninas, cinco chegaram entre
as sete primeiras, sendo quatro em sétimo e uma em quinto."
Na verdade, foram três sétimos lugares (Fabiane Hukuda, Tânia Ferreira e
Vânia Ishii) e um quinto (Priscila Marques). Um sétimo lugar a menos não faz
diferença. Diferente, sim, será quando alguém voltar a fazer o que Aurélio
fazia.
 Julio
Cruz Neto
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