ADMINISTRAÇÃO
Clube carioca deve concentrar
investimentos em apenas três modalidades, remo, natação e
basquete
Em crise, Vasco reestrutura olímpicos
ADALBERTO LEISTER FILHO
DA REPORTAGEM LOCAL
Quase seis meses depois do rompimento do Vasco com a VGL
(Vasco da Gama Licenciamentos), o clube vem fazendo um corte drástico nos
investimentos em esportes olímpicos.
De projeto megalomaníaco, que chegou a
abarcar mais de 40 modalidades, a atenção do Vasco vai se restringir a poucos
esportes.
"Tivemos que fazer cortes. Agora, vamos manter equipes de ponta em
três modalidades: remo, natação e basquete", disse Fernando Lima, diretor de
esportes de quadra e salão do Vasco.
Mas, mesmo nesses esportes, o clube
sofre perdas. No basquete, Janjão e Aylton se transferiram para o Flamengo.
Demétrius acertou com o Fluminense, enquanto Jefferson foi para o COC/Ribeirão
Preto. O clube pode perder ainda Helinho, que tem proposta de Ribeirão. No time
feminino, Claudinha pode ir atuar na Espanha.
"Vamos repor os jogadores que
perdemos", afirmou Luiz Ferreira, diretor de basquete do clube. "O primeiro
reforço será a volta de Charles Byrd", completou.
Ferreira garante que o
armador -que havia se transferido para o Trotamundos (VEN)- irá se apresentar
até o dia 20.
Independentemente disso, o corte já fez suas vítimas. O
handebol, que foi quinto colocado na última Liga Nacional, foi uma delas.
No
Mundial da França, em fevereiro, havia quatro jogadores do Vasco na equipe:
Cachorrão, China, Fábio Vanini e Léo -era o único time que rivalizava com a
Metodista, que cedeu seis atletas para a seleção brasileira.
O ponta-direita
Vanini voltou a São Paulo, transferindo-se para o Imes/São Caetano. O goleiro
Cachorrão foi para a Adiee (Associação Desportiva Instituto Estadual de
Educação), de Florianópolis.
O armador-esquerdo China está sem clube. Já o
armador-central Léo também deve sair.
A situação é parecida no futsal.
Lavoisier, Schumacher e Manoel Tobias, então no Vasco, foram titulares da
seleção brasileira no Mundial da Guatemala, em novembro de 2000. A equipe
vice-campeã da competição também contava com mais dois vascaínos, o fixo André e
o pivô Índio.
Todos já deixaram o clube. Lavoisier e Índio foram para o
Carlos Barbosa-RS antes do início da Liga Futsal. Manoel Tobias defendeu Jaraguá
do Sul-SC no torneio.
Sem receber salários no Rio, o fixo Schumacher acertou
sua volta a São Paulo, desta vez para defender o Corinthians/Barueri. O Banespa
foi outro clube que aproveitou a liquidação geral em São Januário. Trouxe André
e Simi.
Mesmo com uma equipe que contava ainda com Vander Carioca, Euler e
Serginho, o time naufragou na segunda fase da liga -foi o penúltimo do seu
grupo.
"Nosso fracasso, em 90%, foi devido aos problemas fora de quadra",
disse Schumacher, que ficou cinco meses sem receber.
O atletismo perdeu a
parceria com a Funilense, que está processando o clube por falta de pagamento
-reivindica R$ 160 mil em salários atrasados. Não bastasse isso, a equipe vem
sendo minada com saídas de atletas para suas principais rivais (Funilense e
Ulbra/Presidente Prudente).
Suas duas maiores estrelas também podem deixar o
clube em breve. Os velocistas Vicente Lenílson e Lucimar Aparecida de Moura
podem ir para a Funilense, que está prestes a anunciar um patrocínio maior com a
BM&F.
No judô, o clube perdeu Daniel Hernandes, que foi para o Pinheiros.
As estrelas que sobraram, como Vânia Ishii e Sebastian Pereira receberam
recentemente um salário -ainda têm oito atrasados.
"Poucos atletas deixaram o
clube, mas as coisas estão complicadas", disse Ney Wilson, coordenador técnico
do judô vascaíno.
Fla e Botafogo também perdem suas estrelas
DA REPORTAGEM LOCAL
Não é só o Vasco que
diminui sua representatividade nos esportes olímpicos no Rio. Flamengo e
Botafogo também têm sofrido contínuas perdas.
O Flamengo fez cortes em sua
equipe masculina de basquete, que fracassou nas quartas-de-final do último
Nacional -foi eliminada pelo Franca.
Saíram os pivôs Pipoka (Uniara), Josuel
(Tilibra/Copimax/Bauru) e Anthony Douglas (Unit/Uberlândia) e o ala Caio
Cazziolato, que decidiu parar por um ano.
Para compensar as perdas, o time só
trouxe Aylton e Janjão, ex-Vasco, além de manter Ratto e Oscar, que encerra a
carreira no clube no ano que vem.
Seu time de vôlei feminino, campeão da
última Superliga, já não existe mais. O futsal, terceiro colocado na liga,
manteve o time, mas dispensou seus principais jogadores, como o goleiro Bagé e o
ala Waguinho.
O Botafogo, por sua vez, perdeu a base do time que atuava junta
há mais de dois anos.
A maior perda foi o ala-armador Marcelinho, que migrou
para o Fluminense.
Também deixaram o clube o ala Léo (Flamengo), o pivô
Mãozão (Londrina) e o armador Arnaldinho (Uniara).
"Só tenho tido notícias
ruins ultimamente. Espero fechar um patrocínio para viabilizar a equipe para o
Estadual", preocupa-se Sérgio Silva, o Boleta, diretor de basquete do clube, que
ficou na terceira colocação no último Nacional.
Na contramão da decadência
geral, o Fluminense se reforça. Ao contrário dos rivais, o clube fez
investimentos em poucas modalidades e manteve os salários em dia. Já trouxe dois
dos principais atletas do basquete carioca, Marcelinho e Demétrius. Com eles,
pode surpreender no Estadual.
(ALF)