| Segunda-feira, 6 de agosto de
2001 |
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Talento e ambição: a receita do
craque-exportação
Salário em dólar, uma nova cultura e
fugir das mazelas do esporte no País levam o brasileiro a fazer as malas
O dólar - que faz um bom salário mais que dobrar quando convertido em
reais - é o fator que mais seduz os craques brasileiros do vôlei e do
basquete no mercado estrangeiro. Ao chamariz do dinheiro juntam-se
questões que vão da falta de infra-estrutura dos clubes e da ausência de
patrocinadores brasileiros à chance de jogar em um campeonato competitivo,
como é o vôlei masculino italiano e o basquete feminino da WNBA. Sem
esquecer o lado pessoal, como a oportunidade de conhecer novas culturas.
Mescla ideal para levar o brasileiro a arrumar as malas.
Uma lista de transferências da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV)
para a temporada relaciona quase 30 atletas. Alguns vão ficar no exterior
e outros seguem para lá após o término da temporada da seleção. Gilson (o
"mão de pilão", uma referência ao seu ataque fulminante) sumiu do Brasil.
Não por acaso. O atacante fará sua quarta temporada no exterior,
transferindo-se do Japão, onde jogou no Suntory, para a Coréia do Sul -
vai defender o Hyundai Motors Volleyball Team. Os agentes destacam o
interesse crescente do mercado coreano pelos craques brasileiros.
Para o Japão está indo Nalbert, o capitão da seleção brasileira, que
decidiu deixar o vôlei do italiano Macerata - atuará no Panasonic. Pezão
também está entre os que permanecem no exterior. Está deixando o
Panathinaikos, da Grécia, para atuar no Montpellier, da França. Aos 31
anos, Pezão, que jogou três anos no Japão, aprovou a escolha. "Tem sido
uma experiência profissional e pessoal enriquecedora, além do salário em
dólar." Com a moeda nacional enfraquecida e a falta de equipes - o último
clube de Pezão foi o Suzano, que já anunciou uma drástica redução de
investimentos para a temporada -, o jogador acha que o exterior é o melhor
caminho. Está orgulhoso pelo fato de a filha, Letícia, de 1 ano e 2 meses,
falar francês, mas alerta que o ideal é o atleta deixar seu país após os
25 anos, "quando já tem uma vida definida e maturidade suficiente para não
ficar deslumbrado".
A lista dos brasileiros no exterior está aumentando e vai incluir mais
dois integrantes da seleção brasileira, além de Nalbert. Gustavo e Giba
estão de mudança para o italiano Ferrara em outubro ou novembro, assim que
terminar a temporada internacional da seleção. "Sei que haverá uma grande
cobrança em cima da gente, mas já tinha a idéia na cabeça e agora deu
certo", diz Gustavo, que segue para a Itália com a mulher e o filho.
"Atuar no melhor campeonato do mundo ajudará nosso vôlei a evoluir. E
morar na Europa ajudará no crescimento de nossa cultura."
Atrativo - Gustavo diz que o fato de a Liga da Itália ser
considerada a mais organizada e competitiva do mundo atrai os
estrangeiros. Além do status, vão receber salários entre US$ 120 mil e US$
320 mil por uma temporada de oito meses, cifra que cai no restante da
Europa, mas aumenta quando se fala nos rendimentos do Japão, algo entre
US$ 120 mil e US$ 400 mil pelos mesmos oito meses.
O técnico Bernardo Rezende, o Bernardinho, afirma que "não há muito o
que fazer, pois são as regras do mercado" que definem essa situação.
Aponta para um projeto de evolução pessoal que move os atletas. "Na
Itália, a cada fim de semana os jogadores estão submetidos a um desafio
máximo." O Japão, sem a mesma competitividade, atrai pelos dólares. "A
oferta torna-se irrecusável."
O atacante Joel é outro que fará a temporada na Itália - no Bresccia,
da Segunda Divisão. O levantador Ricardinho, que iria permanecer no
Suzano, diante da redução de investimentos do clube, está procurando time
na Itália, Japão ou Coréia.
"Loooooz" - Um mercado nacional em crise levou as meninas do
basquete para os Estados Unidos. Janeth, que faz sua quarta temporada na
WNBA, abriu as portas para jogadoras que ficaram sem clube e sem contrato
no Brasil e decidiram recorrer aos agentes - o campeão brasileiro, Vasco,
deu calote em suas atletas, incluindo Janeth, e a maioria das equipes,
como o Paraná, da armadora Helen Luz, não tem patrocínio para continuar em
atividade. Hoje, em São Paulo, os dirigentes da Confederação Brasileira de
Basquete (CBB) e da Federação Paulista de Basquete (FPB) reúnem-se para
discutir a situação do basquete feminino de clubes.
Helen está feliz com o sucesso obtido no Washington Mystics. Foi
citada no Washington Post por causa dos arremessos de 3 pontos que fazem a
torcida do MCI Center gritar "Loooooz", referência ao seu sobrenome.
Sem equipe nem salário no Brasil e com a chance de ganhar em dólar no
exterior, o jeito foi se encaixar na WNBA, que paga entre US$ 28 mil e US$
56 mil por uma temporada de quatro meses, que já está no fim - a fase
regular termina sábado. As brasileiras conseguiram 6 do mínimo de 192
vagas disponíveis na temporada nas 16 equipes da WNBA. Janeth, no Houston
Comets, a pivô Kelly e a armadora Claudinha, no Detroit Schok, a armadora
Helen, no Washington Mystics, a pivô Cíntia dos Santos, no Orlando
Miracle, e a pivô Alessandra Oliveira, no Seattle Storm.
Para os homens, o competitivo mundo da NBA é restrito a ofertas para
campings - uma espécie de peneira -, como a que o ala Marcelinho recusou
porque as datas coincidiam com a disputa de competições pela seleção
brasileira. Seu agente havia conseguido testes em Portland e Vancouver.
De resto, sobra a Europa, onde Oscar jogou por 13 anos. Lá, porém, a
procura é por um "produto" específico: jogadores jovens e altos, como o
catarinense Tiago Splitter, de 16 anos e 2,07 metros. O pivô tem um
contrato de sete anos com o espanhol Tau Cerâmica, da Segunda Divisão.
Outro que atua na Espanha é o lateral Guilherme Giovanonni, de 21 anos e
2,01 m - tem contrato com o Fuenlabrada. Por uma temporada de dez meses,
pode-se conseguir entre US$ 80 mil e US$ 250 mil no
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