[Cevmkt-L] EXPORTAÇÃO DE ATLETAS

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Subject: [Cevmkt-L] EXPORTAÇÃO DE ATLETAS
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Date: Mon, 6 Aug 2001 06:52:12 -0300
Segunda-feira, 6 de agosto de 2001

Talento e ambição: a receita do craque-exportação
Salário em dólar, uma nova cultura e fugir das mazelas do esporte no País levam o brasileiro a fazer as malas

O dólar - que faz um bom salário mais que dobrar quando convertido em reais - é o fator que mais seduz os craques brasileiros do vôlei e do basquete no mercado estrangeiro. Ao chamariz do dinheiro juntam-se questões que vão da falta de infra-estrutura dos clubes e da ausência de patrocinadores brasileiros à chance de jogar em um campeonato competitivo, como é o vôlei masculino italiano e o basquete feminino da WNBA. Sem esquecer o lado pessoal, como a oportunidade de conhecer novas culturas. Mescla ideal para levar o brasileiro a arrumar as malas.

Uma lista de transferências da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) para a temporada relaciona quase 30 atletas. Alguns vão ficar no exterior e outros seguem para lá após o término da temporada da seleção. Gilson (o "mão de pilão", uma referência ao seu ataque fulminante) sumiu do Brasil. Não por acaso. O atacante fará sua quarta temporada no exterior, transferindo-se do Japão, onde jogou no Suntory, para a Coréia do Sul - vai defender o Hyundai Motors Volleyball Team. Os agentes destacam o interesse crescente do mercado coreano pelos craques brasileiros.

Para o Japão está indo Nalbert, o capitão da seleção brasileira, que decidiu deixar o vôlei do italiano Macerata - atuará no Panasonic. Pezão também está entre os que permanecem no exterior. Está deixando o Panathinaikos, da Grécia, para atuar no Montpellier, da França. Aos 31 anos, Pezão, que jogou três anos no Japão, aprovou a escolha. "Tem sido uma experiência profissional e pessoal enriquecedora, além do salário em dólar." Com a moeda nacional enfraquecida e a falta de equipes - o último clube de Pezão foi o Suzano, que já anunciou uma drástica redução de investimentos para a temporada -, o jogador acha que o exterior é o melhor caminho. Está orgulhoso pelo fato de a filha, Letícia, de 1 ano e 2 meses, falar francês, mas alerta que o ideal é o atleta deixar seu país após os 25 anos, "quando já tem uma vida definida e maturidade suficiente para não ficar deslumbrado".

A lista dos brasileiros no exterior está aumentando e vai incluir mais dois integrantes da seleção brasileira, além de Nalbert. Gustavo e Giba estão de mudança para o italiano Ferrara em outubro ou novembro, assim que terminar a temporada internacional da seleção. "Sei que haverá uma grande cobrança em cima da gente, mas já tinha a idéia na cabeça e agora deu certo", diz Gustavo, que segue para a Itália com a mulher e o filho. "Atuar no melhor campeonato do mundo ajudará nosso vôlei a evoluir. E morar na Europa ajudará no crescimento de nossa cultura."

Atrativo - Gustavo diz que o fato de a Liga da Itália ser considerada a mais organizada e competitiva do mundo atrai os estrangeiros. Além do status, vão receber salários entre US$ 120 mil e US$ 320 mil por uma temporada de oito meses, cifra que cai no restante da Europa, mas aumenta quando se fala nos rendimentos do Japão, algo entre US$ 120 mil e US$ 400 mil pelos mesmos oito meses.

O técnico Bernardo Rezende, o Bernardinho, afirma que "não há muito o que fazer, pois são as regras do mercado" que definem essa situação. Aponta para um projeto de evolução pessoal que move os atletas. "Na Itália, a cada fim de semana os jogadores estão submetidos a um desafio máximo." O Japão, sem a mesma competitividade, atrai pelos dólares. "A oferta torna-se irrecusável."

O atacante Joel é outro que fará a temporada na Itália - no Bresccia, da Segunda Divisão. O levantador Ricardinho, que iria permanecer no Suzano, diante da redução de investimentos do clube, está procurando time na Itália, Japão ou Coréia.

"Loooooz" - Um mercado nacional em crise levou as meninas do basquete para os Estados Unidos. Janeth, que faz sua quarta temporada na WNBA, abriu as portas para jogadoras que ficaram sem clube e sem contrato no Brasil e decidiram recorrer aos agentes - o campeão brasileiro, Vasco, deu calote em suas atletas, incluindo Janeth, e a maioria das equipes, como o Paraná, da armadora Helen Luz, não tem patrocínio para continuar em atividade. Hoje, em São Paulo, os dirigentes da Confederação Brasileira de Basquete (CBB) e da Federação Paulista de Basquete (FPB) reúnem-se para discutir a situação do basquete feminino de clubes.

Helen está feliz com o sucesso obtido no Washington Mystics. Foi citada no Washington Post por causa dos arremessos de 3 pontos que fazem a torcida do MCI Center gritar "Loooooz", referência ao seu sobrenome.

Sem equipe nem salário no Brasil e com a chance de ganhar em dólar no exterior, o jeito foi se encaixar na WNBA, que paga entre US$ 28 mil e US$ 56 mil por uma temporada de quatro meses, que já está no fim - a fase regular termina sábado. As brasileiras conseguiram 6 do mínimo de 192 vagas disponíveis na temporada nas 16 equipes da WNBA. Janeth, no Houston Comets, a pivô Kelly e a armadora Claudinha, no Detroit Schok, a armadora Helen, no Washington Mystics, a pivô Cíntia dos Santos, no Orlando Miracle, e a pivô Alessandra Oliveira, no Seattle Storm.

Para os homens, o competitivo mundo da NBA é restrito a ofertas para campings - uma espécie de peneira -, como a que o ala Marcelinho recusou porque as datas coincidiam com a disputa de competições pela seleção brasileira. Seu agente havia conseguido testes em Portland e Vancouver.

De resto, sobra a Europa, onde Oscar jogou por 13 anos. Lá, porém, a procura é por um "produto" específico: jogadores jovens e altos, como o catarinense Tiago Splitter, de 16 anos e 2,07 metros. O pivô tem um contrato de sete anos com o espanhol Tau Cerâmica, da Segunda Divisão. Outro que atua na Espanha é o lateral Guilherme Giovanonni, de 21 anos e 2,01 m - tem contrato com o Fuenlabrada. Por uma temporada de dez meses, pode-se conseguir entre US$ 80 mil e US$ 250 mil no masculino
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