Uma reunião ontem à noite na
Gávea decretou a extinção das modalidades amadoras no Flamengo. De hoje em
diante, o esporte ''amador'' como é praticado, com jogadores recebendo salários
e ajudas de custo, fará parte do passado de um clube que se orgulha de ter
historicamente representantes na maioria das modalidades olímpicas - e de ter
enviado mais da metade da delegação brasileira às Olimpíadas de Moscou, em 1980.
''O presidente Edmundo Santos Silva vai se reunir com os
diretores de cada esporte. Quer saber quanto cada um deve aos seus atletas
prometeu honrar todos os contratos em vigor. Mas a partir de hoje só fica no
Flamengo quem jogar de graça'', contou Getúlio Brasil, um dos participantes da
reunião e vice-presidente de remo, a razão da fundação do Flamengo.
Profissionalmente, com remuneração salarial, só o basquete terá
sobrevida na Gávea. Assim mesmo, porque o astro Oscar tem contrato de mais um
ano e o esporte tem uma verba mensal destinada pela Petrobras (R$ 100 mil) e
pela Nike (R$ 50 mil), além de um recém-patrocínio da Prefeitura de Caxias. ''O
basquete poderá continuar sendo profissional. É um esporte com muita
visibilidade na mídia e com possibilidade de patrocínio futuro'', disse o
dirigente.
Estatuto - O remo também poderá sobreviver. Até porque
estatutariamente - ao lado do futebol - é um esporte em que o Flamengo tem
obrigação de competir. ''O presidente prometeu tentar recursos para continuar
viabilizando o remo. Até porque já conseguimos reduzir a folha salarial de R$
235 mil para R$ 46 mil mensais. Vamos nos adequar a essa nova realidade'',
informou.
Mas o vôlei, natação, nado sincronizado, polo aquático, judô,
ginástica olímpica (modalidades que o clube sempre se gabou de forjar campeões)
não terão a mesma sorte. O presidente Edmundo Santos Silva decidiu, inclusive,
que o clube poderá até não competir mais daqui para a frente. ''Só se for com
atletas jogando de graça, repito. Ninguém terá mais ajuda de custo. O Flamengo
só competirá nessas modalidades dessa forma''.
Politicamente importante no clube, com peso de decidir eleições
para presidente, a extinção dos esportes amadores do Flamengo pode ser ditada
pelo fim da administração de Edmundo Santos Silva - ele não pode mais se
reeleger. Possibilidade que é rechaçada por Getúlio Brasil. ''O que tem de ficar
claro é que isso está acontecendo devido ao fim da parceria com a ISL. Não temos
culpa se a empresa quebrou.'', disse.
Compromisso - Parceria que traduzida em números
significava a injeção mensal de US$ 5 milhões mensais nos cofres da Gávea.
''Destes US$ 5 milhões, quase US$ 2 eram destinados para as despesas com o
esporte amador. Sem esse dinheiro, portanto, ficou impossível manter o
compromisso financeiro'', argumentou Getúlio Brasil.