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Entre o Corinthians e o Cruzeiro está tudo
certo, mas o jogador - que recebe R$ 120 mil mensais - quer R$ 300 mil por
mês para trocar São Paulo por Belo Horizonte. A Hicks Muse não está
disposta a atender esta exigência
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Corinthians e Cruzeiro, via Hicks Muse, acertaram ontem a transferência de
Marcelinho Carioca para o clube mineiro. Falta apenas definir o salário do
jogador, uma responsabilidade exclusiva da Hicks Muse, parceira comum dos dois
clubes. Marcelinho quer uma recompensa financeira para trocar São Paulo por Belo
Horizonte. A patrocinadora não está disposta a bancar a exigiência do atleta.
Zezé Perrella, presidente do Cruzeiro, anunciou ontem que o acordo entre o
clube e a Hicks Muse foi fechado. E deu detalhes do negócio. "Entre o Cruzeiro e
o Corinthians já está tudo certo. A Hicks Muse, que tem os direitos do
Marcelinho Carioca, acertou a transferência. O problema agora é entre a empresa
e o jogador. Os salários dele serão de responsabilidade da Hicks. O Cruzeiro não
entra nessa negociação salarial."
Hoje, em Belo Horizonte, Perrella, Richard Law, diretor da Hicks, e James
Fernando, procurador de Marcelinho, devem se reunir para definir os últimos
detalhes da complicada e difícil transação.
No encontro dos dirigentes, Perrella vai informar que o orçamento anual do
Cruzeiro com a Hicks, de R$ 32 milhões, já está comprometido. Assim, o clube
mineiro não desembolsará nenhum centavo para ter Marcelinho no seu elenco.
A Hicks garante os mesmos salários que o jogador recebe no Corinthians,
cerca de R$ 120 mil mensais, sem aumento. James Fernando, procurador do atleta,
negocia uma recompensa para Marcelinho trocar de cidade: salários de US$ 300 mil
mensais ou, na pior das hipóteses, que as despesas de moradia do jogador possam
ser bancadas pelo Cruzeiro ou a empresa patrocinadora do clube.
Propostas misteriosas
Zezé Perrella comentou ainda que Marcelinho alegou que tem duas propostas
mais vantajosas que as do Cruzeiro. "Seu procurador não revelou os nomes dos
clubes. Disse apenas que as propostas eram bem melhores que a nossa."
James Fernando, procurado ontem pelo JT para dar a versão do atleta na
negociação, não retornou as ligações.
Santos e Fluminense, supostos interessados na contratação de Marcelinho, não
têm cacife para bancar a transação. "Espalham as palavras no ar e depois não se
responsabilizam. Em nenhum momento eu disse que o Fluminense teria interesse no
Marcelinho, que reputo ser um dos melhores do Brasil", disse Osvaldo de
Oliveira, técnico do Fluminense e que foi campeão mundial e brasileiro com o
Corinthians.
Outros problemas que podem criar obstáculos na negociação são algumas
pendências que o Corinthians teria com Marcelinho. Amigos do atleta comentam que
o Corinthians ainda deve algum dinheiro da promoção Disque-Marcelinho, quando
ele foi repatriado da Espanha pela Federação Paulista de Futebol, em 1998. Seu
contrato com o clube vai até 2003.
Enquanto aguarda a solução para o seu caso, Marcelinho continua treinando no
Parque São Jorge e no CT de Itaquera nos horários em que os outros jogadores
corintianos não estão em atividade.
Não há no comando do clube, nem entre os jogadores, a menor vontade para uma
reconciliação com o desafeto. Alberto Dualib, presidente do Corinthians,
reconhece os serviços prestados, mas admite que o ciclo do ídolo no Parque São
Jorge está encerrado.
 Luiz
Antônio Prósperi
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