[Cevmkt-L] FUTEBOL ARGENTINO

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Date: Fri, 3 Aug 2001 10:48:56 -0300
Rico menino pobre

Futebol argentino está falido, mas não vive crise técnica, como o Brasil

RODRIGO BUENO
DA REPORTAGEM LOCAL

O futebol argentino vive hoje a maior crise de sua história.
Dizer isso no Brasil hoje parece piada, mas não é. Financeiramente, a Associação de Futebol Argentino (AFA) e os clubes do país estão praticamente quebrados.
O futebol argentino, mesmo com investimentos de multinacionais muito menos vultosos do que os que recebem a seleção brasileira e grandes clubes nacionais, vive ótima fase técnica, diferentemente do que ocorre no Brasil.
O Campeonato Argentino deveria começar hoje, mas, por razões econômicas, foi adiado. No Brasil, devido a uma longa batalha jurídica, o principal torneio nacional esteve ameaçado de não acontecer, mas teve início anteontem, como originalmente previsto.
A terrível crise financeira por que passa a Argentina atualmente já chegou ao futebol do país faz tempo. O grande símbolo da derrocada econômica do futebol do país é o Racing, tradicional clube que teve falência decretada e patrimônio comprometido em 1998.
Jogadores de vários clubes argentinos estão com salários e prêmios atrasados. O sindicato dos atletas do país não admite o início do Torneio Apertura na Argentina se as dívidas não forem sanadas. A federação negocia com o sindicato desde maio, quando prometeu arcar com a dívida, mas está sem dinheiro.
Julio Grondona, presidente da AFA, tem pedido empréstimos de quase US$ 30 milhões a bancos para pagar os jogadores, mas, devido à crise no país, não tem conseguido sucesso. O dirigente também tem apelado para o governo, que está bem mais preocupado agora com o fato de sua imagem no exterior estar deteriorada.
"Não há futebol. Estamos em um impasse", disse Grondona após uma reunião, anteontem, com Patricia Bullrich, ministra do Trabalho do país.
Antes do encontro, líderes dos jogadores já esperavam que o Torneio Apertura fosse adiado.
"Neste domingo, é impossível que haja futebol. E é difícil que o torneio comece no outro fim de semana porque não vejo resposta dos dirigentes", disse Sergio Marchi, secretário-geral do Futebolistas Argentinos Agremiados.
Grondona pediu empréstimo nesta semana ao Banco de la Nación deixando o contrato da federação com uma emissora de TV como aval, mas não foi atendido.
Pelo menos 11 clubes da primeira divisão têm dívidas com seus atletas. O sindicato dos jogadores alega que a federação tinha assumido um compromisso de pagar, até o fim de maio, 35% das dívidas, mas a meta não foi cumprida.
A AFA conta oficialmente com cinco patrocinadores: Coca-Cola, Quilmes, Reebok, Visa e Repsol.
Segundo a Folha apurou, a Reebok paga cerca de US$ 6 milhões por ano à AFA, menos da metade do que a Nike paga à Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
A Coca-Cola teve seu contrato com a entidade que rege o futebol brasileiro rescindido neste ano após a desvalorização do real em relação ao dólar. O apoio de Quilmes e Repsol à AFA seria irrisório.
Quem fornece as bolas de futebol para as competições na Argentina já há quatro anos é uma empresa brasileira, a Penalty.
Apesar desse quadro, o futebol argentino está mais cotado que o brasileiro. A seleção do país lidera as eliminatórias sul-americanas com folga -o Brasil é só o quarto colocado. A Argentina é campeã mundial júnior. O Boca Juniors é bicampeão sul-americano e venceu o Mundial interclubes-2000.


Com agências internacionais



Boca e River são sobreviventes em meio à crise

DA REPORTAGEM LOCAL

Boca Juniors e River Plate, os dois principais clubes da Argentina, são os únicos do país que têm disputado títulos internacionais com sucesso nos últimos cinco anos -outros cinco times argentinos, em outros períodos, ganharam a Libertadores.
Equipe mais popular da Argentina, o Boca atraiu a Nike, empresa norte-americana de materiais esportivos, assim como o Flamengo no Brasil -no passado, teve parceria com a Parmalat.
Apesar dos títulos das duas últimas Libertadores, a situação financeira do clube é delicada. Desde a semifinal da Libertadores deste ano, os jogadores estão em atrito com a diretoria, que deve cerca de US$ 2 milhões aos atletas. O clube promete abater a dívida até outubro.
Já o River tem seguido vivo devido à venda de várias de suas promessas, como Ortega, Crespo, Aimar e Saviola.
Apelidado de ""milionário", o River não ganha um título de expressão internacional desde 1997, quando ganhou a Supercopa.
Na Copa Mercosul, interclubes sul-americano mais rentável -dá quase US$ 4,7 milhões ao campeão-, os argentinos têm sido um fiasco. As três edições da competição tiveram finais com times brasileiros. (RBU)



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