ATLETISMO Federação abandona amadorismo
DA REDAÇÃO
A Iaaf, antiga Federação
Internacional de Atletismo Amador, rendeu-se ao óbvio. Diante das crescentes
verbas milionárias dadas aos principais atletas, a entidade decidiu deixar de
lado o adjetivo "amador" e alterou seu nome para Associação das Federações
Internacionais de Atletismo, mantendo a sigla Iaaf. O gigantismo da
modalidade atualmente pode ser constatado pelo Mundial de Edmonton (Canadá).
Durante dez dias, 1.772 atletas -1.040 homens e 732 mulheres-, de 200 países,
lutarão por uma medalha nas 24 provas masculinas e nas 22 femininas. Só a
maratona, considerada uma das provas mais importantes do atletismo, que abre
hoje o Mundial, dará um prêmio de US$ 60 mil ao
vencedor.
Sanderlei Parrela e Claudinei Quirino,
principais nomes do país na competição de Edmonton, vêm de
contusões
Brasil começa Mundial como incógnita
ADALBERTO LEISTER FILHO DA REPORTAGEM LOCAL
Com uma delegação maior, mas sem saber se conseguirá uma
participação melhor do que na última edição, o Brasil inicia hoje sua
participação no Mundial de Atletismo de Edmonton, no Canadá. A mais
importante competição do atletismo terá apenas uma prova hoje, no estádio
Commonwealth: a maratona masculina. Sem contar com seu principal maratonista,
Vanderlei Cordeiro de Lima, que desistiu de correr devido a uma lesão muscular,
o Brasil terá um representante, Leonardo Vieira Guedes. O fundista conseguiu
o índice em abril, na Maratona de Roterdã (Holanda), com o tempo de 2h11min35s.
Treinado por Carlos Cavalheiro, Guedes tem chances remotas de medalha -neste ano
58 maratonistas conseguiram marcas melhores que a sua. Em Edmonton, a
delegação do Brasil buscar fazer, pelo menos, uma campanha tão boa quanto a do
Mundial passado, disputado há dois anos, em Sevilha. Na competição espanhola,
o país conseguiu duas pratas, com Claudinei Quirino (200 m) e Sanderlei Parrela
(400 m). Para esta edição do Mundial, com uma delegação maior (20, contra 15
em Sevilha), a equipe brasileira poderia sonhar com a conquista de mais
medalhas. Alguns dos principais atletas do país, porém, sofreram lesões este
ano e não irão competir no Canadá em suas melhores condições. Os dois
medalhistas em Sevilha, por exemplo, viajaram no sacrifício. Parrela, que sofreu
uma lesão no calcanhar durante o Troféu Brasil, no Rio, há duas semanas,
desistiu de correr os 400 m. Irá participar somente do revezamento 4 x 400 m,
prova em que o Brasil tem chance de medalha. "Temos que ser finalistas
primeiro. Nossos principais adversários são EUA, Polônia e Jamaica", analisou o
técnico Luiz Alberto de Oliveira. "O Sanderlei [Parrela] e o Claudinei [Quirino]
vêm de contusões, mas pediram para participar da equipe",
completou. Claudinei Quirino sofreu uma série de contusões neste ano. O
velocista voltou no Troféu Brasil, sendo ouro nos 100 m, revezamento 4 x 100 m,
4 x 400 m e prata nos 200 m. Apesar do bom desempenho, reclamou de inflamação na
virilha após a última prova. "Foi minha primeira competição importante depois
de um período parado. Estarei em boas condições no Canadá", acredita. O
estado físico de Quirino é a principal incógnita na equipe de revezamento 4 x
100 m, prova em que o Brasil tentará repetir o bom desempenho dos Jogos de
Sydney. Na Olimpíada do ano passado, o país ficou com a prata, só sendo batido
pelos EUA. Este ano, no entanto, o técnico Jayme Netto prevê dificuldades
maiores. "Nossos principais adversários serão EUA, Inglaterra, Nigéria e
Cuba. A Jamaica tem crescido muito e deve ser a maior surpresa da prova",
analisou Jayme Netto. Por fim, no feminino, Maurren Maggi aparece com boas
chances. Só duas atletas fizeram neste ano marcas melhores que os 6,87 m que
a brasileira saltou no Meeting de Sevilha, em junho -a russa Tatyana Kotova, com
7,12 m, e a letã Valentina Gotovska, com 6,88 m. "Não vou prometer subir ao
pódio. Mas sei do que sou capaz", disse a saltadora.
Competição terá nova geração de estrelas
DA REDAÇÃO
Algumas das estrelas que
dominaram o atletismo nos últimos anos não estarão no Mundial deste ano. Em
compensação, outros atletas podem conseguir marcas importantes na oitava edição
da competição. A ausência mais notória será a do norte-americano Michael
Johnson. O velocista, que desbancou seu compatriota Carl Lewis como o atleta com
mais medalhas de ouro na história dos Mundiais, não incluiu a competição
canadense em sua despedida das pistas. Com os títulos conquistados em
Sevilha-99 -nos 400 m e no revezamento 4 x 400 m-, Johnson somou nove
ouros. Em compensação, o norte-americano Maurice Greene, recordista mundial
dos 100 m, com 9s79, tenta igualar Lewis e conquistar seu terceiro título
consecutivo na prova. Iván Pedroso também busca uma marca histórica. Ouro no
salto em distância dos últimos três mundiais (95, 97 e 99), ele tenta o inédito
quarto título. No feminino, Marion Jones terá rotina menos estressante neste
Mundial do que na Olimpíada. Ganhadora de três ouros em Sydney -100 m, 200 m e
revezamento 4 x 400 m-, disputará só os 100 m e os 200 m. Pode correr, no
máximo, também o revezamento 4 x 100 m.
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