| Quinta-feira, 2 de agosto de
2001 |
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Rombo com falência da ISMM
deve chegar a US$ 877 milhões
Montante quase dobrou depois
de outros credores se apresentarem ao síndico da massa
falidaREALI JÚNIOR
Correspondente
PARIS - O rombo deixado pela falência do grupo
suíço ISMM/ISL poderá atingir US$ 877
milhões, quase o dobro do montante inicial, estimado dia 4 de
julho em US$ 515 milhões. Isso porque até o dia 16 de
julho outros credores se apresentaram ao síndico da massa
falida. Entre eles, o grupo japonês Dentsu e a própria
Fifa, sua principal parceira comercial. A entidade esportiva,
inicialmente, havia admitido um prejuízo de US$ 44
milhões, mas agora revela um valor quatro vezes maior, US$
170 milhões, uma fatura muito mais salgada do que se
imaginava. Enquanto isso, os ativos declarados pela empresa
suíça somam apenas US$ 8,5 milhões.
A cada dia que passa a falência do grupo se transforma no
maior escândalo da história do marketing esportivo,
pois envolve enormes interesses e somas astronômicas. A
direção da Dentsu reconhece que a empresa é
credora de "algumas centenas de milhões de
dólares". A história do casamento entre a Fifa e
ISL é antiga, data dos tempos em que a entidade era dirigida
pelo brasileiro João Havelange, que, estranhamente, se
mantém calado sobre o assunto - o secretário- geral na
época era o atual presidente Joseph Blatter. Ambos conhecem
muito bem o dossiê da ISMM e não podem alegar
desconhecimento dos perigosos caminhos que levaram o parceiro
à falência.
Direitos de TV - Em junho, o presidente Blatter só
reconhecia uma perda de US$ 7 milhões, grande parte do
dinheiro foi depositado pela TV Globo como pagamento de uma parcela
dos direitos de transmissão da Copa do Mundo, numa misteriosa
conta em Liechtenstein, conhecido paraíso fiscal. Hoje, a
Fifa já reivindica ao síndico da massa falida um total
muito mais elevado, de quase US$ 175 milhões, soma que
engloba direitos de marketing, no valor de US$ 71 milhões,
além de outros US$ 72 milhões que desapareceram,
desviados pela empresa suíça, a exemplo do que ocorreu
com o valor depositado pela Globo.
Por enquanto, a direção da Fifa emprega sutilezas
contábeis para fazer uma distinção entre as
perdas efetivas e somas que "deveria receber se tudo corresse
bem", o que não foi o caso.
Diante dessa situação, diversos bancos já
estão reclamando a integração nos ativos da
ISMM, dos direitos de televisão das duas próximas
copas do mundo, a do Japão e Coréia do Sul e a da
Alemanha. Esse seria o pior cenário para a
direção da Fifa. Por enquanto, o síndico da
massa falida ainda não tomou uma decisão definitiva
sobre o problema, o que deverá ocorrer dentro em breve. A
direção da Fifa encontra-se numa posição
incomoda e defensiva, esperando encontrar meios para uma
negociação com os credores, principalmente os bancos.
Novo patrocínio - O presidente da Fifa, Joseph
Blatter, assinou contrato com a Philips, que se torna a
patrocinadora oficial da Copa do Mundo de 2002. A empresa
também vai patrocinar o Mundial de Futebol Feminino de 2003,
que será disputado na China.
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