[Cevmkt-L] GOLFE

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Date: Wed, 1 Aug 2001 18:53:28 -0300
Dia internacional da mulher O golfe vem perdendo seu ar aristocrático e, no Brasil, começa a atrair mulheres de negócios.
Um jogo misto no último clube do Bolinha
Por Suzana Barelli, De São Paulo

Foto: Isabela Carnevalle/Valor
No golfe há um ano, a consultora Maria Cecília Duarte organiza um campeonato feminino do esporte
 

De ar aristocrático e origem inglesa, o golfe tem a imagem de um esporte masculino, daquele que veta até a presença de mulheres em seus clubes. Ou melhor, tinha. No final do ano passado, numa reforma, o centenário São Paulo Golf Club acabou com o seu Men's Bar, no qual a presença feminina era limitada a alguns dias da semana. O fim de uma das últimas barreira sexistas (alguns clubes ainda limitam o horário do jogo para as mulheres) coincide com o avanço de um novo tipo feminino em seus campos - não mais aquelas que entram no esporte apenas para acompanhar o marido, mas as que olham o golfe como uma atividade esportista que pode, sim, render frutos nos negócios e ampliar seus relacionamentos.

"O perfil das mulheres em campo está mudando, e o golfe é um ótimo marketing de relacionamento", diz Maria Cecília Duarte, de 43 anos, sócia da Interação Consultoria. No esporte há pouco mais de um ano, ela conta que já deu o "start" num contrato de treinamento numa multinacional em pleno jogo. O diretor industrial era o seu parceiro na partida e se interessou pela consultoria no caminho pelos 18 buracos - percurso de cerca de quatro horas sem interrupções de secretárias ou telefonemas.

Animada, Cecília faz campanha para suas amigas e parceiras de negócios entrarem neste antigo clube do Bolinha (casada há 1 ano e meio, ela diz que foi incentivada pelo próprio marido, um amante do esporte, a entrar no golfe). "Tenho uma amiga executiva numa empresa de telecomunicações que deveria jogar. No nível dela, todos praticam o golfe", diz.

O próprio presidente da Confederação Brasileira de Golfe, o advogado Luiz Arthur Caselli Guimarães Filho, diz que é crescente a porcentagem de mulheres em campo, na faixa dos 25 aos 40 anos, mas numa proporção ainda menor do que ele gostaria. Caselli acredita que o ambiente agradável, ligado à natureza, e o fato de o esporte não deixar o corpo musculoso possam estar atraindo o público feminino. "Talvez o desconhecimento do esporte pode ter afastado a mulher do campo", diz, lembrando o clube inglês Saint Andrews, o berço do esporte, onde as mulheres são barradas há seis séculos. "Mas as novas praticantes desfrutam de um bom ambiente social, onde é possível fazer muitos contatos pessoais e profissionais", diz Caselli.

Que o diga a heroína do seriado "The Street", exibido pela Sony, sobre as aventuras de um grupo de jovens investidores de Wall Street. Num dos episódios, a personagem vivida pela atriz Jennifer Connelly propõe, após ser cantada por um cliente, resolver em campo se a sua empresa deve ou não ganhar o contrato. Ela começou a praticar o esporte ainda no seu MBA, conquistando, assim, as senhas para enfrentar os homens em seu próprio mundo. E o "handicap" dela (índice que mede o nível do atleta), era muito melhor do que o do cliente, o que lhe garantiu o contrato.

Não são todas as mulheres, no entanto, que enxergam no esporte este lado de negócios. "Em campo, a mulher não fala tanto de trabalho como os homens. Preferimos outros assuntos", diz a publicitária Cristina Menichetti, de 37 anos, que se tornou golfista profissional no ano passado. Mesmo assim, ela conta que deve ao golfe o seu emprego, logo depois do nascimento da filha. "No clube, um senhor pediu para jogar comigo. Ele era simplesmente o presidente da Pagenet e acabou me contratando", lembra. O mesmo aconteceu com Mirella Ferrais, gerente-administrativa do banco UBS Warburg. O esporte, para ela, é uma terapia, um espaço para esquecer os problemas diários, mas foi em campo que ela se recolocou profissionalmente quando decidiu voltar a trabalhar. "Foi só falar com alguns executivos golfistas e em 15 dias eu estava contratada."

A inauguração do Kaiser Golfe Center, no ano passado, é outra razão para o aumento de mulheres no esporte. Nele, é possível dar as primeiras tacadas e descobrir se tem vocação para o esporte sem gastar com equipamentos ou títulos de clube. A advogada Sandra Helena de Camargo, de 31 anos, começou no golfe no KGC há quatro meses, 30 dias depois do marido, e já descobriu as vantagens do esporte - praticado junto a natureza, não exige maior preparo físico e já lhe rendeu contatos profissionais. "Estou para agendar uma reunião com um empresário que conheci em campo e me pediu orientações para o seu departamento jurídico", conta Sandra.

A própria consultora Cecília dá as tacadas para o primeiro campeonato feminino no KGC, com a preocupação de marcar as partidas não durante o dia, mas provavelmente no happy hour, quando as mulheres que trabalham também podem jogar. Uma mudança e tanto no antigo e sempre seleto clube do Bolinha.


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