Meu Esporte
Um bê-á-bá para os amantes das
tacadas a galope
Chico Barbosa, De
São Paulo
| Foto: Rogério Assis/
Fotosite/ Valor |
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| A primeira escola de Pólo do Brasil
acaba de ser inaugurada, em Indaiatuba, São Paulo. O
iniciante precisa de pelo menos três meses de treino antes de
começar a jogar. |
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Pólo é um esporte charmoso, tido como
aristocrático e, por extensão, relativamente caro. De imediato, o
iniciante que não dispuser de equipamentos, indumentária e cavalos
pode desembolsar de R$ 20 mil a R$ 60 mil para se aventurar nas primeiras
tacadas galopantes - mais despesas fixas com manutenção. O valor
intimida, claro, ainda mais se o interessado não tem certeza de que vai
gostar ou se adaptar aos solavancos do exercício. Mas conjecturas
não substituem a prática, e o melhor lugar para sanar a
dúvida é mesmo no campo, sentado numa sela, com o taco em punho.
Se não precisar investir aquela fortuna - pelo menos não num
primeiro momento -, melhor ainda. É querer demais? Nem tanto.
O Helvetia Pólo Country Club, um dos maiores centros
de prática desse esporte do Brasil, localizado em Indaiatuba, São
Paulo, acaba de inaugurar a primeira escola do gênero no País. E
quer atrair justamante aqueles "curiosos" ou já apreciadores
que nunca tiveram oportunidade de testar suas habilidades, por falta de local
adequado ou por achar que o esporte é só para "bacanas"
endinheirados. "Precisamos desmitificar essa história de que
pólo é um esporte de rico apenas. Atividades que envolvem motores,
por exemplo, são bem mais dispendiosas mas nem por isso ficaram
estigimatizadas", diz Claudemir Siquini, diretor-geral do Helvetia.
Não há dúvida de que o investimento
inicial para quem optar pela escola vai ser relativamente baixo, embora esteja
longe de ser uma ninharia. O gasto maior são com os cavalos, que custam
em média de R$ 3 mil a R$ 10 mil cada - e são necessários
pelo menos seis para participar de uma mísera partida. Mas, acalme-se, a
escola empresta os animais aos alunos, e só depois destes se tornarem
adeptos do esporte é que vão adquirir os seus potros. Das outras
despesas, porém, não há como escapar. Pelos cálculos
de Siquini, são necessários capacete (R$ 250,00), taco (R$
200,00), calça e camiseta (modelo pólo, claro) branca, cujos
preços podem ser dos mais variados.
O desembolso mais significativo na fase inicial - e que vai
se estender por muito tempo - são com as aulas. Custam em média R$
100,00 a hora, sendo necessárias pelo menos três vezes por semana e
durante meses, ou anos. E não tem como evitá-las. O pólo
não é um jogo de improviso, feito uma pelada de futebol. Requer o
desenvolvimento de habilidades bem específicas, às custas de muito
treino e suor. "Antes de ser um jogador, o praticamente de pólo tem
de ser um exímio cavaleiro", ressalta Ronnie Scott, veterano
jogador, hoje membro da Comissão de Pólo da
Confederação Brasileira de Hipismo.
Cavalgar pode não ser simples, mas muita gente pode
estar achando que o difícil mesmo é conseguir acertar a
minúscula bolinha com um pedaço de maneira, e ainda mais do alto
de um garanhão enfurecido. É, uma desconfiança que tem
lá sua razão de ser.
"Não dá para se iludir: pólo
é um jogo difícil. É preciso montar bem, saber se
posicionar em campo e ter muita habilidade com o taco", esclarece
Afrânio Affonso, advogado que mora em São Paulo e há dois
anos "foge" quase todos os finais de semana para os os campos de
Indaiatuba. "Mas todos os esforço valem a pena porque é um
dos esportes com maior carga de adrenalina", acredita. E haja
esforço mesmo. Enquanto está em São Paulo, ele treina
musculação e faz exercícios aeróbicos todos os dias
durante duas horas. "Se não tiver uma boa forma física a
pessoa não consegue terminar uma partida", conta.
Nem a pessoa nem o cavalo. A energia despendida para
percorrer velozmente um campo que tem medidas oficiais de 270 m por 140 m
é tão grande que são necessários seis cavalos para
jogar uma partida, de apenas seis tempos de sete minutos cada um.
Mas nem adianta ter muita ansiedade para entrar em campo,
porque antes de chegar às competições o atleta tem muitas
horas no lombo do cavalo a percorrer. Siquini explica que o curso é
dividido em quatro fases. A primeira, básica, é a
equitação: "É preciso se habituar a manejar o cavalo
com apenas uma mão". Só depois de estar experiente nessa
área é que o aluno começa a aprender a dominar o taco, em
busca da bolinha fujona. Feito isso, é hora de praticar com outros
atletas do mesmo nível. Por fim, a participação de torneio
para iniciantes, promovido pelos próprios clubes de pólo. O tempo
médio para ocorrer todas essas etapas, segundo Siquini, é de
três a seis meses.
Como é um jogo que depende de técnica e
compleição, a idade pode não ser muito determinante. Os
mais jovens, obviamente, tendem a se dar melhor no condicionamento
físico, mas a tarimba só vem com o tempo. Os praticantes, com
isso, podem ter idades tão variadas, que vão de 10 a 70 anos, de
acordo com Siquini. Os torneios são divididos em três categorias:
principal, com idade de 15 a 40 anos; juvenil, de 10 a 14; e master, acima de 40
anos. No campo, cada time participa com quatro jogadores. O númeor 1
é o goleador; o 2, abre espaço para o 3, o mais habilidoso, armar
as jogadas; e o 4 é o zagueiro, chamado de beque.
O pólo surgiu no Oriente Médio no final de
1890. Ironia do destino, o esporte da elite alcançou maior
desenvolvimento na Índia, impulsionado pela presença dos ingleses,
que reformularam todas as regras. No Brasil, embora pouco divulgado, tem
tradição. Foi introduzido por ingleses na década de 20 e
praticado principalmente por fazendeiros e militares, no interior de São
Paulo. Depois, espalhou-se para o Rio de Janeiro e o Rio Grande do Sul, onde
também foram bem-recebidos. Hoje em dia, no Estado de São Paulo,
concentram-se os mais badalados campos, nas imediações de Franca,
Orlândia, Avaré, além da própria Indaiatuba, entre
outros. Mas a distância está longe de ser um impeditivo para os
moradores de outras cidades praticar o esporte. "Há quem encontre
tempo no meio do trabalho mesmo para jogar pólo", diz Affonso, sem
revelar nomes, claramente "protegendo" amigos.
Confederação Brasileira de Hipismo: (21)
253-9492
Federação Paulista de Pólo: (19)
3834-1953
Federação de Pólo do Estado do Rio de
Janeiro: (21) 544-5503
Helvetia Pólo Country Club:
(19)3875-4566