[Cevmkt-L] PÓLO

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Date: Wed, 1 Aug 2001 18:51:45 -0300
Meu Esporte
Um bê-á-bá para os amantes das tacadas a galope
Chico Barbosa, De São Paulo

Foto: Rogério Assis/ Fotosite/ Valor
A primeira escola de Pólo do Brasil acaba de ser inaugurada, em Indaiatuba, São Paulo. O iniciante precisa de pelo menos três meses de treino antes de começar a jogar.
 

Pólo é um esporte charmoso, tido como aristocrático e, por extensão, relativamente caro. De imediato, o iniciante que não dispuser de equipamentos, indumentária e cavalos pode desembolsar de R$ 20 mil a R$ 60 mil para se aventurar nas primeiras tacadas galopantes - mais despesas fixas com manutenção. O valor intimida, claro, ainda mais se o interessado não tem certeza de que vai gostar ou se adaptar aos solavancos do exercício. Mas conjecturas não substituem a prática, e o melhor lugar para sanar a dúvida é mesmo no campo, sentado numa sela, com o taco em punho. Se não precisar investir aquela fortuna - pelo menos não num primeiro momento -, melhor ainda. É querer demais? Nem tanto.

O Helvetia Pólo Country Club, um dos maiores centros de prática desse esporte do Brasil, localizado em Indaiatuba, São Paulo, acaba de inaugurar a primeira escola do gênero no País. E quer atrair justamante aqueles "curiosos" ou já apreciadores que nunca tiveram oportunidade de testar suas habilidades, por falta de local adequado ou por achar que o esporte é só para "bacanas" endinheirados. "Precisamos desmitificar essa história de que pólo é um esporte de rico apenas. Atividades que envolvem motores, por exemplo, são bem mais dispendiosas mas nem por isso ficaram estigimatizadas", diz Claudemir Siquini, diretor-geral do Helvetia.

Não há dúvida de que o investimento inicial para quem optar pela escola vai ser relativamente baixo, embora esteja longe de ser uma ninharia. O gasto maior são com os cavalos, que custam em média de R$ 3 mil a R$ 10 mil cada - e são necessários pelo menos seis para participar de uma mísera partida. Mas, acalme-se, a escola empresta os animais aos alunos, e só depois destes se tornarem adeptos do esporte é que vão adquirir os seus potros. Das outras despesas, porém, não há como escapar. Pelos cálculos de Siquini, são necessários capacete (R$ 250,00), taco (R$ 200,00), calça e camiseta (modelo pólo, claro) branca, cujos preços podem ser dos mais variados.

O desembolso mais significativo na fase inicial - e que vai se estender por muito tempo - são com as aulas. Custam em média R$ 100,00 a hora, sendo necessárias pelo menos três vezes por semana e durante meses, ou anos. E não tem como evitá-las. O pólo não é um jogo de improviso, feito uma pelada de futebol. Requer o desenvolvimento de habilidades bem específicas, às custas de muito treino e suor. "Antes de ser um jogador, o praticamente de pólo tem de ser um exímio cavaleiro", ressalta Ronnie Scott, veterano jogador, hoje membro da Comissão de Pólo da Confederação Brasileira de Hipismo.

Cavalgar pode não ser simples, mas muita gente pode estar achando que o difícil mesmo é conseguir acertar a minúscula bolinha com um pedaço de maneira, e ainda mais do alto de um garanhão enfurecido. É, uma desconfiança que tem lá sua razão de ser.

"Não dá para se iludir: pólo é um jogo difícil. É preciso montar bem, saber se posicionar em campo e ter muita habilidade com o taco", esclarece Afrânio Affonso, advogado que mora em São Paulo e há dois anos "foge" quase todos os finais de semana para os os campos de Indaiatuba. "Mas todos os esforço valem a pena porque é um dos esportes com maior carga de adrenalina", acredita. E haja esforço mesmo. Enquanto está em São Paulo, ele treina musculação e faz exercícios aeróbicos todos os dias durante duas horas. "Se não tiver uma boa forma física a pessoa não consegue terminar uma partida", conta.

Nem a pessoa nem o cavalo. A energia despendida para percorrer velozmente um campo que tem medidas oficiais de 270 m por 140 m é tão grande que são necessários seis cavalos para jogar uma partida, de apenas seis tempos de sete minutos cada um.

Mas nem adianta ter muita ansiedade para entrar em campo, porque antes de chegar às competições o atleta tem muitas horas no lombo do cavalo a percorrer. Siquini explica que o curso é dividido em quatro fases. A primeira, básica, é a equitação: "É preciso se habituar a manejar o cavalo com apenas uma mão". Só depois de estar experiente nessa área é que o aluno começa a aprender a dominar o taco, em busca da bolinha fujona. Feito isso, é hora de praticar com outros atletas do mesmo nível. Por fim, a participação de torneio para iniciantes, promovido pelos próprios clubes de pólo. O tempo médio para ocorrer todas essas etapas, segundo Siquini, é de três a seis meses.

Como é um jogo que depende de técnica e compleição, a idade pode não ser muito determinante. Os mais jovens, obviamente, tendem a se dar melhor no condicionamento físico, mas a tarimba só vem com o tempo. Os praticantes, com isso, podem ter idades tão variadas, que vão de 10 a 70 anos, de acordo com Siquini. Os torneios são divididos em três categorias: principal, com idade de 15 a 40 anos; juvenil, de 10 a 14; e master, acima de 40 anos. No campo, cada time participa com quatro jogadores. O númeor 1 é o goleador; o 2, abre espaço para o 3, o mais habilidoso, armar as jogadas; e o 4 é o zagueiro, chamado de beque.

O pólo surgiu no Oriente Médio no final de 1890. Ironia do destino, o esporte da elite alcançou maior desenvolvimento na Índia, impulsionado pela presença dos ingleses, que reformularam todas as regras. No Brasil, embora pouco divulgado, tem tradição. Foi introduzido por ingleses na década de 20 e praticado principalmente por fazendeiros e militares, no interior de São Paulo. Depois, espalhou-se para o Rio de Janeiro e o Rio Grande do Sul, onde também foram bem-recebidos. Hoje em dia, no Estado de São Paulo, concentram-se os mais badalados campos, nas imediações de Franca, Orlândia, Avaré, além da própria Indaiatuba, entre outros. Mas a distância está longe de ser um impeditivo para os moradores de outras cidades praticar o esporte. "Há quem encontre tempo no meio do trabalho mesmo para jogar pólo", diz Affonso, sem revelar nomes, claramente "protegendo" amigos.

Confederação Brasileira de Hipismo: (21) 253-9492

Federação Paulista de Pólo: (19) 3834-1953

Federação de Pólo do Estado do Rio de Janeiro: (21) 544-5503

Helvetia Pólo Country Club: (19)3875-4566

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