[Cevmkt-L] RALLY DOS SERTÕES

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Date: Wed, 1 Aug 2001 18:46:19 -0300
Meu esporte A visão empresarial dos organizadores do Rally dos Sertões e da Expedição Mata Atlântica.
A adrenalina como prova de profissionalismo
Por Suzana Barelli, De São Paulo

Foto: Rogério Assis/ Fotosite/ Valor
Marcos Ermírio de Moraes, organiza o rali desde 96: custo da prova caiu de US$ 1,2 milhão para R$ 1,2 milhão
 

O amadorismo, se é que existe, está apenas na modalidade esportiva. É o tino empresarial, profissional, que vem garantindo o sucesso do Rally Internacional dos Sertões e da corrida de aventura Expedição Mata Atlântica. Genuinamente nacionais, as duas jovens competições de aventura estão ganhando ares internacionais nesta entrada de século.

O rali, que perdia velocidade em 1994, negocia agora a sua inclusão como uma das etapas do Campeonato Mundial da categoria, que inclui oito etapas ao redor do mundo, entre elas o badalado Rally Paris-Dacar. "É uma negociação política, mas o nome do Rally dos Sertões é forte", afirma Marcos Ermírio de Moraes, presidente da Dunas Race, a entidade que organiza a prova desde 1996 (a primeira corrida aconteceu em 1993, num circuito que homenageava o cantor Luiz Gonzaga, passando por Exú, onde ele nasceu, e Asa Branca).

Na mesma linha, Alexandre Henrique de Freitas, presidente da Sociedade Brasileira de Corridas de Aventura, comemora a inclusão, neste ano, da Expedição Mata Atlântica (EMA) como etapa do campeonato mundial da categoria. "Trabalho agora para vender as imagens da prova para um canal fechado de televisão", afirma Freitas. Ele se baseia no sucesso da Eco-challenger, prova que acontece na Nova Zelândia, em parceria com o canal de TV Discovery, ou da Discovery Channel World Championship, em setembro nos alpes suíços. E parece estar no caminho certo. A quarta edição, entre 23 de novembro e 2 de dezembro, já é a terceira maior prova de aventura deste ano no mundo, com prêmios de R$ 130 mil.

Parte do sucesso dos dois eventos é explicada pelo perfil de seus organizadores. Marcos Ermírio de Moraes, autêntico herdeiro do clã Votorantim, segue na Dunas Race os mesmos princípios da Citrovita, empresa do grupo da qual é diretor-superintendente. Fundador da Síntese, hoje uma empresa de asset management, Freitas fez carreira no mercado financeiro, onde está há quase 20 anos. Atualmente, a divisão do seu tempo pende mais para a corrida de aventura (uma espécie de rali humano que nasceu em 1989 na Nova Zelândia, com a Raid Gauloises) do que para a administração de seus fundos, de perfil agressivo, claro.

Marcos estima dedicar 60% do seu tempo à empresa de aventura, mas nem sempre foi assim. Já fez muita reunião à noite, depois de se desvencilhar dos compromissos de trabalho. "A reorganização do grupo abriu espaço para os acionistas também se dedicarem a seus projetos pessoais", revela o empresário que acabou de voltar da Tunísia. Estava lá, competindo no Optic 2000 Rallye Tunisie do qual acabou em 26° lugar, na categoria motos.

A viagem uniu a paixão do empresário pelo mundo da velocidade (ele conheceu o Rally dos Sertões, então organizado por Dyonísio Malheiro, como competidor) com a preocupação de trazer para cá as últimas novidades em rali. Serão mudanças técnicas, como desenhos maiores das planilhas liberadas a cada noite para as equipes, e logística: o percurso de transferência (que não conta pontos para a classificação) não precisa ser tão tortuoso para as equipes. "A idéia foi voltar a sentir o dia-a-dia dos pilotos", afirma Marcos, que confessa uma certa "saudades enrustida" dos seus dias de corredor.

A 9° edição do Rally dos Sertões, entre 6 e 22 de junho no caminho de São Paulo a Fortaleza, deve custar ao redor de R$ 1,2 milhão e tem patrocínios fortes como Banco Real ABN-Amro Bank, BFGoodrich e NeraTelecomunicações. É um valor bem menor do que os US$ 1,2 milhão (o equivalente a R$ 2,68 milhões nos dias atuais) gastos em 1996, quando a Dunas comprou o evento. Naquela época, oito carros e 52 motos recebiam o transporte e a hospedagem de graça. Neste ano, a previsão são 90 motos e 100 carros, em equipes que pagam até R$ 6.500 pela inscrição e arcam com suas próprias despesas. Novas categorias chegam a cada edição - agora será a vez da ultraleve, cujo vencedor será aquele que apresentar a melhor regularidade. Até então, o ultraleve só era usado por Marcos para coordenar a competição.

A redução dos custos é o exemplo da administração profissional implantada no rali. "A imagem de tecnologia, de modernidade de superar desafios, aliada a um evento bem organizado é o principal atrativo do evento", diz Fernando Martins, diretor-executivo de marketing do Banco Real, que investe na prova parte dos R$ 25 milhões anuais de marketing esportivo do banco. Martins conta que as portas para o patrocínio, que acontece pelo segundo ano consecutivo, foram abertas pelo bom relacionamento institucional do banco com a Votorantim, mas o contrato só foi assinado pela visibilidade e organização da prova. "Provas de aventura, como o Eco-challenger, e rafting começam a acontecer e podemos até patrociná-las", afirma o diretor.

Informação que pode animar Freitas, da EMA. Ele diz que este será o primeiro ano em que deverá haver um empate técnico entre o montante investido e o retorno. No ano passado, foram gastos R$ 300 mil na competição. "A Síntese sempre foi o sócio capitalista do investimento", diz Freitas. Sua estratégia é difundir a competição, que reúne canoagem, trekking, escaladas, mountain biking, rapel, rafting e natação, por meio de corridas menores, algumas até de um ou dois dias para os não-iniciados e com custo a partir de R$ 250 (nos eventos de um dia). "A infra-estrutura faz a diferença, com cuidados na organização, sem amadorismo", diz José Roberto Pupo, dono da Canoar, uma das empresas pioneiras em rafting e que está na sua segunda prova de aventura. A competição, diz Pupo, é disputada por muitos executivos e profissionais de mercado financeiro, o que pede uma organização à altura.

E, nestes tempos de ecologicamente corretos, pedem também cuidados com o meio-ambiente. E as duas competições organizam doações e parcerias com as distantes localidades por onde passam, diz Simone Palladino, coordenadora-geral da Dunas, contratada por Marcos desde 1996 para se dedicar a organização do rali.

www.dunas.com.br www.ema.com.br


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