[Cevmkt-L] MARKETING E RESPONSABILIDADE SOCIAL

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Subject: [Cevmkt-L] MARKETING E RESPONSABILIDADE SOCIAL
From: "Prof. Georgios - COC - UNIBAN" <ghatzidakis@xxxxxxxxx>
Date: Wed, 1 Aug 2001 18:32:12 -0300
Valor Econômico
Companhia com responsabilidade social se destaca no marketing
De São Paulo

O consumidor brasileiro vive o despertar de uma nova relação com produtos e anunciantes. Há dez anos, ser "light" ou "diet" era garantia de um diferencial importante para a empresa no ponto-de-venda. Passada a novidade, percebe-se nas gôndolas mais brilho para aquelas companhias cuja identidade está associada ao respeito ao meio-ambiente e às causas sociais.

A discussão sobre o papel da propaganda na responsabilidade social atraiu grande público na manhã de ontem, no ciclo de palestras da Conferência Nacional 2001 - Empresas e Responsabilidade Social, do Instituto Ethos. O presidente do grupo Talent, o publicitário Júlio Ribeiro, alertou que usar a propaganda para promover as causas sociais das empresas exige muito critério e ética.

"Acho que a primeira mudança deve ser interna, na política de salários e benefícios das empresas; a questão social no Brasil ainda funciona muito na base caritativa", diz Ribeiro. Ele cita o exemplo que uma companhia que diz ajudar instituições de caridade, mas que revista suas funcionárias na saída do trabalho. "São imoralidades como esta que prejudicam o avanço das políticas empresariais sérias relacionadas ao terceiro setor", diz.

Ribeiro cita um de seus clientes, O Boticário, como uma empresa cujos resultados de vendas e estratégia de comunicação estão alinhadas com a filosofia da ética social. O Boticário é hoje uma referência no uso de ações de preservação do meio-ambiente em prol de sua imagem como fabricante de perfumes e cosméticos. O presidente da empresa, Miguel Krigsner, fechou a roda de palestras de ontem no evento do Ethos, com o painel "Diálogo com empresário".

Fundada em 1977, a companhia vem intensificando, ano após ano, a vocação se tornar um agente de preservação ecológica. Esta postura ética - que também precisa ser seguida pela rede de mais de dois mil franqueados - tornou-se em um modelo de negócios, com influência nos produtos. Como resultado, O Boticário espera conseguir o melhor desempenho de sua história em 2001, com meta de atingir R$ 450 milhões em faturamento na indústria e R$ 1,1 bilhão em faturamento na rede. Neste ano, a empresa também vai investir 40% mais em marketing, com verba de R$ 50 milhões. Mesmo que foque a comunicação em produtos, o elemento da responsabilidade ambiental norteia a percepção da marca.

Outras empresas também estão colhendo frutos de reposicionamento da imagem a partir de ações sociais. É o caso do Pão de Açúcar. A rede, que pretende investir R$ 6 milhões em atividades do Terceiro Setor, tem construído nos últimos anos uma nova relação com o consumidor. Amparada em conceitos de relacionamento com o cliente, tecnologia e apoio a causas sociais, a companhia reverteu a imagem de um grupo com problemas caixa, como era percebida nos anos 80. Atualmente, o Pão de Açúcar vem investindo em atividades ligadas à educação, esporte, reciclagem de lixo e preservação do meio-ambiente.


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