Campinas - Virtual presidente da
embrionária Liga Rio-São Paulo, o presidente da Federação Paulista de Futebol,
Eduardo José Farah, já arrumou outra via alternativa para chegar à CBF. Ele é o
presidente da nova entidade nacional que congrega federações, associações/clubes
e ligas de todo o Brasil denominada Sindafebol - Sindicato Nacional das
Associações de Futebol Profissional e suas entidades estaduais de Administração
do Desporto.
A apresentação oficial aconteceu na segunda-feira à noite, na festa do III
Troféu Sindbol, acontecido numa casa noturna,em São Paulo. Legalmente a entidade
existe desde o dia 9 de abril, depois que um grupo de dirigentes ligados à Farah
correu o Estado em busca de assinaturas de apoio.
"Está na hora de mudarmos o futebol brasileiro. Não precisamos mudar as
pessoas, mas a mentalidade. Os que estão lá (na CBF) devem aceitar nossas idéias
ou então nós devemos nos unir contra eles", disse Farah, em tom eminentemente
político para um público quase restrito a dirigentes de clubes e até mesmo de
Federações. Oito delas estiveram representadas no evento: Minas Gerais, Mato
Grosso do Sul, Metropolitana de Brasília, Paraíba, Maranhão, Sergipe, Alagoas e
Roraima.
Discurso político - Farah pregou a união entre os "reais dirigentes" que
sempre colocaram o futebol em primeiro plano, longe de interesses pessoais e
políticos. Mas pregou o uso da política para conseguir levar adiante seus idéias
esportivos. "Se tivéssemos dirigentes de respeitabilidade não seríamos obrigados
a engolir a proibição do governo de realizar jogos à noite por causa do
racionamento", lembrou Farah, que para despistar disse que não seria o candidato
apesar da clara demonstração de que o evento era destinado, exclusivamente, para
ovacionar seu nome como grande líder do movimento nacional de reestruturação do
futebol brasileiro. Ele criticou também a ação das Cpis do futebol, lembrando da
ameaça de quebra de sigilo bancários de pessoas consideradas dignas e sem
qualquer suspeita.
Sindbol - O próprio Sindbol - Sindicato das Associações de Futebol
profissional do Estado de São Paulo - é uma entidade que existe há 10 anos e que
é bancada politicamente pela Federação Paulista. O seu presidente é Marco Pólo
Del Nero, não por acaso, vice-presidente eleito do Sindafebol. O próprio Marco
Pólo Del Nero impetrou, através da entidade, pedido de mandado de segurança
contra a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI do Senado Federal) contra a
quebra do sigilo bancário dos dirigentes de seus clubes filiados, entre eles os
grandes de São Paulo como Palmeiras, Corinthians, São Paulo e Santos. Também
requereu perante o Ministério do Esporte uma representação com pedido de
intervenção no STJD (Superior tribunal de Justiça Desportiva) contra a indicação
como membro da Comissão Disciplinar do filho do presidente do órgão. As duas
ações foram vitoriosas.
O evento reuniu, além de dirigentes de clubes e federações, muitos políticos
entre eles o deputado federal Chico Sardelli (PFL-SP), ex-presidente do Rio
Branco de Americana. Não há dúvidas de que as duas entidades vão lutar juntas
para assumir o poder da CBF.
A festa - Na festa foram premiados, com atraso, os campeões de todas
as divisões do Estado da temporada de 2.000, das Primeira (A-1, A-2 e A-3) e
Segunda Divisões (B-1, B-2 e B-3), além das categorias menores e até feminino.
Alguns craques eleitos pela FPF como integrantes da "Seleção do Século" também
receberam um automóvel Gol, prêmio oferecido pela própria entidade. Entre eles,
estava o tricampeão Carlos Alberto Torres, o zagueiro Oscar (Ponte e São Paulo),
o lateral Marinho Chagas, o volante Roberto Dias (São Paulo), Dicá (Ponte) e a
turma mais da velha guarda como Zizinho, Dino Sani, Edu e Pelé. Várias
personalidades do esporte também receberam uma condecoração especial como
Charles Muller, representado por um neto, e o radialista Fiori Gigliotti.
Élcio Paiola