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Quarta-feira, 1 de agosto de
2001 | |
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Judocas que estiveram no Mundial de
Munique não trouxeram medalhas mas se disseram satisfeitos com a
CBJ, há três meses sem os Mamede
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Liberdade. Esta foi a palavra mais pronunciada pelos judocas que
desembarcaram ontem em São Paulo depois do Mundial de Munique, na
Alemanha.
Ainda que tenham voltado sem medalha, os atletas disseram estar
aliviados e felizes com o novo trabalho da Confederação Brasileira da
modalidade - a CBJ.
João Derly, de 20 anos, resumiu o sentimento de todos os participantes
brasileiros na competição, referindo-se ao fim da "era Mamede" no comando
do judô brasileiro, após 21 anos: "Agora fomos tratados como atleta. O
clima era muito bom, de liberdade.
Satisfeito com todos os detalhes, o que incluiu a hospedagem em
Munique com direito a um cardápio especial feito por uma nutricionista,
Joãozinho ficou na sétima posição da categoria até 60 kg: "O que nos
prejudicou mais foi a troca de direção. Tivemos de cumprir o calendário
que foi estipulado pelos Mamede. Mas daqui para a frente, se o trabalho da
CBJ continuar assim, a tendência é a gente ganhar medalhas daqui a dois
anos."
Conhecedores do tatame
Um dos que acompanharam a delegação foi Aurélio Miguel, medalha de
ouro nos Jogos Olímpicos de Seul/88, e bronze em Atlanta/96.
"Faltou planejamento para os judocas, mas não havia como mudar por
causa da transição de diretoria. Eu mesmo estava treinando para competir
no Mundial, mas quando vi que não ia conseguir uma boa preparação desisti.
Agora temos pessoas que entendem, gente que já pisou no tatame e sabe que
lutar dá um friozinho na barriga... É o entrosamento que faltava, apesar
de eles terem tido apenas três meses para dar continuidade no trabalho da
antiga diretoria", disse o atleta-símbolo da briga dos colegas por seus
direitos contra o comando dos Mamede.
Aurélio não perdeu a chance de fazer mais uma crítica, mesmo levando
em conta as conquistas do período em que os Mamede estiveram no comando da
CBJ (nove medalhas, entre Mundiais e Olimpíadas): "Se nestes 20 anos o
Brasil ganhou nove medalhas, nos próximos dez anos pode conquistar 20..."
Fabiane Hukuda, que foi campeã mundial júnior da categoria até 52 kg
no ano passado, voltou com a sétima colocação em sua categoria. "Foi a
melhor viagem que já fizemos porque tivemos liberdade, o que não tínhamos.
Não nos preocupamos com técnicos porque estávamos entrosados. Isso é só o
começo do trabalho da CBJ. Agora só é preciso mudar o calendário, porque o
Mamede marcava seletiva para campeonatos em janeiro, época em que devíamos
estar descansando. Aí a gente já começava o ano toda estourada..."
Intercâmbio à vista
Os judocas Daniel Hernandes e Priscilla Marques, da categoria
absoluto, foram os melhores brasileiros na competição: conquistaram
quintos lugares. "O que mais gostei foi do diálogo que dificilmente
tínhamos com técnicos e comissão. Em Munique apareceram equipes
interessadas em vir ao Brasil fazer intercâmbio, como foi o caso da
França. Isso mostra que temos técnica e que competimos bem, mesmo que a
gente não tenha trazido medalhas", disse Priscila.
"O que a gente viveu com o pessoal foi muito bom, como nunca tinha
acontecido. Com a repressão de antes não dava nem para reclamar do que
estava ruim", emendou Daniel.
Mas quem realmente teve problemas foi Edinanci Silva, atleta da
categoria até 75 kg, que virou o joelho direito e deve fazer exames hoje
para avaliar a gravidade da lesão. "Se realmente rompi o ligamento
cruzado, terei de ficar no mínimo sete meses parada. Se não for, acho que
me recupero com uns dois meses de fisioterapia", contou a atleta, que
também confia no trabalho do presidente da CBJ, Paulo Wanderley, para
completar: "São novos tempos, estamos recomeçando... Acho que nos faltou
sorte. De resto tivemos tudo de bom que um atleta poderia ter." (  E.A.)
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| Sem medalha, mas mais animada
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Vânia Ishii superou uma fratura no nariz e
uma alergia já em Munique. Não conseguiu resultados mas confia na nova
administração do judô
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Aos 27 anos e uma das atletas mais experientes do judô brasileiro, Vânia
Ishii não conseguiu repetir o feito de seu pai, Chiaki Ishii, que conquistou uma
medalha de bronze para o Brasil no Mundial de 1971, também disputado em Munique
- a judoca foi derrotada já em sua segunda luta pela eslovena Urska Zolnir na
competição realizada na cidade alemã. Mesmo assim, está mais feliz do que nunca
com a situção atual da modalidade no País.
Ontem, no desembarque da delegação brasileira em São Paulo Vânia Ishii dizia
acreditar que o judô só tem a crescer sem a família Mamede que por mais de duas
décadas esteve no comando desse esporte.
"Antes a gente tinha vontade de ganhar medalha só para a gente mesmo, sem
contar os Mamede. Mas desta vez lutamos para para conquistar medalhas para o
Brasil", disse Vânia, única judoca da equipe brasileira a conseguir medalha de
ouro nos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg/99 (categoria até 63 kg).
A judoca também falou da estrutura que não havia com a família Mamede e que
agora os judocas puderam contar, mesmo que em cima da hora, para o Mundial de
Munique. E assinalou: "Antes, a gente tinha de se contentar com o que tinha, mas
neste Mundial a CBJ - trabalhando em conjunto com o Comitê Olímpico Brasileiro -
acabou fazendo um grande trabalho, o que também deixou todos os atletas muito
mais animados."
No nariz
Para participar deste Mundial, encerrado no domingo, a judoca superou dores
e não se incomodou com uma fratura no nariz que sofreu durante um treino.
"Agora preciso descansar e esperar o nariz calcificar de vez", assinalou a
judoca, que é de São Paulo.
Por causa desse problema, Vânia Ishii chegou a assustar a comissão técnica
que estava com a delegação brasileira na Alemanha. "Tive uma forte alergia.
Meu rosto ficou todo vemelho. Mas tomei antibióticos e consegui competir sem
problemas. Foi o alastramento da bactéria do nariz que deu a tal alergia",
contou.
Sobre o saldo da competição, Vânia afirmou: "Certamente não foi
satisfatório, mas no geral a equipe feminina foi bem - ninguém perdeu na
primeira luta. Faltou ritmo de competição para todo mundo. No meu caso foi pior,
porque estava machucada. Mas superei todas as dores porque estava forte por
dentro e motivada para lutar por medalhas."

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