FUTEBOL
Com fórmulas esdrúxulas e viradas de mesa,
18 dos 20 clubes que jogaram a primeira edição estão na versão
2001
Brasileiro começa com os mesmos donos
PAULO COBOS DA REPORTAGEM LOCAL
Trinta anos depois de sua criação, o Campeonato Brasileiro
continua com os "mesmos donos" da sua primeira edição. Em nenhum outro lugar
do planeta em que o futebol é uma potência mundial, os clubes que disputaram os
Nacionais em 1971 foram tão protegidos para não "sumir do mapa" como no
Brasil. Dos 20 clubes que participaram da primeira versão do torneio, 18
estão na edição que começa hoje. Protegidos por regulamentos esdrúxulos e por
quase uma dezena de viradas de mesa, que beneficiou clubes de todos os Estados
mais poderosos do país, a elite dos clubes brasileiros consegue se manter no
principal campeonato do país sem risco algum, situação bem distinta da que
acontece no resto do mundo. Das 20 equipes que disputaram o Campeonato
Francês de 1971/ 1972, por exemplo, só 11 estavam na edição de 2000/2001. Com
fracassos recentes, grandes clubes estão hoje na segunda divisão dos principais
campeonatos nacionais europeus. O espanhol Atlético de Madrid e a italiana
Sampdoria, campeões em seus países na década de 90, hoje se escondem na segunda
divisão. O mesmo acontece com o Saint-Etienne, equipe com mais títulos do
Campeonato Francês. No Brasil, o Nacional começa o século 21 depois de uma
edição que manteve todos os participantes do grupo da elite, inclusive Santa
Cruz e Corinthians, os dois últimos colocados, e sem nada que garanta o
rebaixamento dos clubes "grandes". Apesar de o regulamento prever o descenso
de quatro times, isso pode não valer nada, já que o Clube dos 13 já aprovou a
criação de uma liga no próximo ano, na qual muito provavelmente seus filiados
terão lugar independentemente dos resultados obtidos. A pouca credibilidade
das regras do Brasileiro afugenta os torcedores. Tradicionalmente, a média de
público da competição sempre cai depois de uma virada de mesa e do aumento no
número de participantes. Foi assim, por exemplo, no ano passado. Depois de
três anos seguidos de respeito às regras e um crescimento de mais de 40% na
média de público, o fiasco da JH derrubou a bilheteria do torneio. Depois de
reunir mais de 17 mil pagantes por partida na edição de 1999, o monstrengo
criado pelo Clube dos 13 para resolver o imbróglio criado pelo caso Sandro
Hiroshi terminou com uma média de cerca de 11 mil pessoas em cada jogo
disputado. Agora, o Brasileiro-2001 começa com um novo inchaço e com as
regras definidas apenas 48 horas antes de a bola
rolar.
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