[Cevmkt-L] FUTEBOL - BRASILEIRÃO

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Date: Wed, 1 Aug 2001 08:29:03 -0300
FUTEBOL

Com fórmulas esdrúxulas e viradas de mesa, 18 dos 20 clubes que jogaram a primeira edição estão na versão 2001

Brasileiro começa com os mesmos donos

PAULO COBOS
DA REPORTAGEM LOCAL

Trinta anos depois de sua criação, o Campeonato Brasileiro continua com os "mesmos donos" da sua primeira edição.
Em nenhum outro lugar do planeta em que o futebol é uma potência mundial, os clubes que disputaram os Nacionais em 1971 foram tão protegidos para não "sumir do mapa" como no Brasil.
Dos 20 clubes que participaram da primeira versão do torneio, 18 estão na edição que começa hoje.
Protegidos por regulamentos esdrúxulos e por quase uma dezena de viradas de mesa, que beneficiou clubes de todos os Estados mais poderosos do país, a elite dos clubes brasileiros consegue se manter no principal campeonato do país sem risco algum, situação bem distinta da que acontece no resto do mundo.
Das 20 equipes que disputaram o Campeonato Francês de 1971/ 1972, por exemplo, só 11 estavam na edição de 2000/2001.
Com fracassos recentes, grandes clubes estão hoje na segunda divisão dos principais campeonatos nacionais europeus.
O espanhol Atlético de Madrid e a italiana Sampdoria, campeões em seus países na década de 90, hoje se escondem na segunda divisão. O mesmo acontece com o Saint-Etienne, equipe com mais títulos do Campeonato Francês.
No Brasil, o Nacional começa o século 21 depois de uma edição que manteve todos os participantes do grupo da elite, inclusive Santa Cruz e Corinthians, os dois últimos colocados, e sem nada que garanta o rebaixamento dos clubes "grandes".
Apesar de o regulamento prever o descenso de quatro times, isso pode não valer nada, já que o Clube dos 13 já aprovou a criação de uma liga no próximo ano, na qual muito provavelmente seus filiados terão lugar independentemente dos resultados obtidos.
A pouca credibilidade das regras do Brasileiro afugenta os torcedores. Tradicionalmente, a média de público da competição sempre cai depois de uma virada de mesa e do aumento no número de participantes.
Foi assim, por exemplo, no ano passado. Depois de três anos seguidos de respeito às regras e um crescimento de mais de 40% na média de público, o fiasco da JH derrubou a bilheteria do torneio.
Depois de reunir mais de 17 mil pagantes por partida na edição de 1999, o monstrengo criado pelo Clube dos 13 para resolver o imbróglio criado pelo caso Sandro Hiroshi terminou com uma média de cerca de 11 mil pessoas em cada jogo disputado.
Agora, o Brasileiro-2001 começa com um novo inchaço e com as regras definidas apenas 48 horas antes de a bola rolar.



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