Executivos
das quadras
Nova
geração brasileira de dirigentes esportivos
agora faz curso de MBA
Maurício Oliveira
Quando
o assunto é dirigente de clube esportivo, quem aparece no noticiário
todo dia ainda é a velha safra de cartolas, sempre envolvida em
denúncias de mandonismo e corrupção. Mas, enquanto o Brasil não se
livra dessa praga, uma nova geração vai ocupando postos importantes
nas mais diferentes modalidades, do futebol ao basquete, do vôlei à
natação, resultado da profissionalização do esporte e da presença do
marketing no setor. De olho no crescimento desse mercado,
instituições de ensino superior passaram a oferecer cursos de
especialização na área, cada vez mais procurada por jovens que
vislumbram o surgimento de um nicho de trabalho lucrativo e
prazeroso. Para eles, há uma alternativa muito em voga: o MBA, sigla
de master in business administration, nome dado genericamente aos
cursos de pós-graduação e aperfeiçoamento em negócios. "Os gestores
do esporte logo estarão sendo tratados como os executivos de
qualquer área da economia, não apenas no que diz respeito às
responsabilidades como também aos salários", prevê o professor
Rogério Pimenta, coordenador do MBA em administração esportiva da
Fundação Getúlio Vargas (FGV) no Rio de Janeiro. O curso dura um ano
e oferece 35 vagas por semestre, ao preço de 9.500 reais. Em São Paulo, já existe uma versão
reduzida, de três meses. Em breve, chegará a Brasília, Curitiba e ao
Recife, no melhor estilo dos disputados MBAs para a área de
finanças.
Exemplos de gente bem-sucedida não faltam. O ex-técnico da
seleção nacional de vôlei José Carlos Brunoro tornou-se um dos
primeiros, em 1992, ao assumir a diretoria de esportes da Parmalat
na vitoriosa parceria com o Palmeiras. Aos 42 anos, José Montanaro
Júnior, o Montanaro, já completou sete no cargo de gerente de
esportes do Banespa, que mantém um dos principais times de vôlei do
Brasil. "Quando contei à família e aos amigos que seria gerente do
Banespa, todo mundo perguntou de que agência?", diverte-se. No
início não sabia bem o que ia fazer lá, mas passou a participar de
todas as decisões na área, desde a contratação de jogadores até a
organização de eventos. Resolveu investir na nova carreira e foi
aluno da primeira turma do curso da FGV em São Paulo.
De uns
tempos para cá, cresce a presença de gente que nunca atuou
profissionalmente na área. Um charme dos cursos do gênero é a
possibilidade de dividir o banco escolar com ídolos como Maria Paula
Gonçalves da Silva, a Paula do basquete, que também fez
especialização e agora trabalha no setor público. No início deste
ano, ela assumiu a direção do Centro Olímpico do Ibirapuera, mantido
pela prefeitura da capital paulista, agora sob a administração
petista. Às voltas com um orçamento apertado, Paula tem feito
malabarismos dignos dos tempos em que era chamada de Magic Paula.
"Convencer patrocinadores exige tempo e paciência, porque eles ainda
são muito desconfiados quando o assunto é esporte", diz ela.
Certamente, bem mais difícil que fazer uma cesta de 3 pontos.
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Montagem sobre fotos de Ana
Lima/Mauri
Granado | |