[Cevmeef-L] Bonde???

To: "Movimento Estudantil" <cevmeef-l@xxxxxxxxxx>
Subject: [Cevmeef-L] Bonde???
From: "kashmer"<kashmer@xxxxxxxxxx>
Date: Fri, 30 Mar 2001 09:22:38 -0300
Caros amigos,
Talvez essa mensagem lhes soem fora de contexto, mas é 
um texto muito importante e deveria ser lido por todos 
os brasileiros que se preocupam com a educação, 
conceitos e valores da atual sociedade. Talvez alguns de 
vocês já o tenham recebido, mesmo assim, pensem e 
multipliquem esta mensagem:
Tudo bem que gosto, cada um tem o seu, 
mas..............................
Algo sobre o BONDE vem enchendo o saquinho dos 
intelectualmente desenvolvidos...
Acabo de voltar do Carnaval na praia, onde fiz uma 
triste constatação:
Tá dominado, tá tudo dominado!!! Só dá funk! 
O ?neoforró? tenta uma reação, mas suas letras não são 
tão cafajestes e não trazem a ?alegria compulsória? que 
o brasileiro tanto gosta. Aí não dá né, pó?! Como é que 
o cara quer fazer sucesso sem tratar a mulher como 
lixo?! Esses forrozeiros viu... Vou te contar....
A indústria do CD pirata vai tratar de enfraquecer esse 
negócio, mas o jabá e a televisão devem insistir nessa 
onda por mais algum tempo. Xuxa, Luciano Huck, Raul Gil, 
Gugu, enfim, toda essa gente boa vai se virar pra ganhar 
em cima.
A Bandeirantes até já vai lançar um programa semanal com 
duas horas de duração dedicado ao funk. Isso, claro, até 
o Tigrão , a mente por trás do ?movimento?, ser 
domesticado, o que em termos mercadológicos, significa 
botar um terninho e gravar uma babinha pra novela das 
oito da Globo.
O Tigrão, aliás, deu uma elucidativa entrevista para a 
revista VIP de março. Eu digo elucidativa, pois ele 
dissipa a névoa de ignorância (por parte do público) que 
encobria alguns aspectos do ?movimento?.
Vejamos: em determinado trecho da entrevista ?Tigrão? 
diz : ?... As pessoas gostam desse erotismo. As letras 
nem são tão pesadas?. Eu analisei e ele está certo. 
Quem , em sã consciência , poderia achar pesada a letra 
do funk ? Máquina do Sexo?, que diz: Máquina do sexo , 
eu transo igual a um animal/ A Chatuba de Mesquita do 
bonde do sexo anal/ Chatuba com cu e depois come 
xereca / Ranca cabaço, é o bonde dos careca?? Note-se a 
leveza dos termos ?sexo anal?, ?cu?, ?xereca?(!) 
e ?cabaço?.
?Elas têm duplo sentido ...?. Procurei demais e não 
achei o duplo sentido no funk ?Barraco lll?: ?Me chama 
de cachorra, que eu faço au-au/ Me chama de gatinha, 
que eu faço miau/ Goza na cara , goza na boca / goza 
onde quiser.?
Ah,, agora entendi! ? Goza na cara ? é porque o cara 
ficava tirando sarro da menina pelas costas. Aí ela 
diz ?Goza na cara!?. Que coisa ...?...até porque o 
público infantil ouve funk?. Eis uma verdade e a 
preocupação do Tigrão se justifica. Foi pensando nessas 
crianças que o garoto Jonathan, de 7 anos ( ele mal tem 
coordenação motora para repetir a coreografia ), foi 
incentivado a gravar o funk ?Jonathan ll?, de edificante 
letra: ?De segunda a sexta, esporro na escola/ Sábado e 
Domingo, eu solto pipa e jogo bola / Mas eu já estou 
crescendo com muita emoção / Eu já vou pegar um filé com 
popozão ?. 7 anos!!!! 7 anos !!!
Pó, foi mal...A culpa é minha, gente grande, feia e 
besta que não entendo.
Então, vamos lá, repetir o discurso de dez em cada dez 
apresentadores de programas femininos e de auditório: 
todo mundo junto, um dois, três e já:
?- A malícia está na cabeça do adulto, a criança só quer 
se divertir . Onde já se viu, se preocupar com uma coisa 
dessas. Das crianças que passam fome na rua ninguém fala 
nada...?. Aplausos entusiasmados e urros de apoio, por 
parte da auditório.
É bom que se diga que as crianças que passam fome nas 
ruas é um sério problema social, cuja resolução deve ser 
uma das propriedades máximas de qualquer governo ( 
detalhe sem importância: os funks da moda não passam nem 
perto dessa questão . Mas beleza, vamos lá...). Só que é 
um problema do governo, e a gente não tem nada a ver com 
isso, não é mesmo? Ao invés disso, vamos dar risada e 
incentivar o moleque de 7 anos (7 anos!!) a pegar um 
filézão com popozão?. Afinal, nunca é cedo demais pra 
mostrar pro papai que se é um garanhão, que não deixa 
passar nenhuma cachorra. Isso é que é uma infância 
saudável!
E pensar que perdi tanto tempo 
assistindo ?Bambalalão?, ?Sítio do Pica-Pau-Amarelo? e 
ouvindo aqueles discos da Turma do Balão Mágico.
Ao invés disso eu poderia estar por aí, transando umas 
cachorras... Enquanto a gente dá risada, a molecada vai 
crescendo com a certeza de que qualquer mulher não 
passa de uma bunda e um par de peitos siliconados , que 
gosta de ser chamada de cachorra e que acha que só um 
tapinha não dói?, o primeiro deveria ser dado no popozão 
dos tigrinhos e cachorrinhas que curtem essas coisas. 
Depois a gente não entende o motivo do aumento da 
violência contra a mulher e porque ela é tão 
desrespeitada na sociedade. Será que não é óbvio ?
Não seja uma cachorra!!! Um tapinha dói, sim ! Exija 
respeito antes que nós homens, acreditemos que é isso 
que vocês querem. E lembrem-se sempre da cada vez mais 
pertinente frase de Oscar Wilde: Abre aspas. Todo crime 
é vulgar, assim como toda vulgaridade é criminosa fecha 
aspas.
Peço que todos estiverem a fim, que mandem esta mensagem 
ao máximo de pessoas que puderem. Valeu!!!
E-mail recebido em 13 de Março de 01, por alguns alunos 
da UNIOESTE de Mal. Cândido Rondon-PR, autor 
desconhecido.

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