[Cevidoso-l] Fw: síndrome do jaleco branco

To: <cevidoso-L@xxxxxxxxxx>
Subject: [Cevidoso-l] Fw: síndrome do jaleco branco
From: "Edmundo Drummond Alves Junior" <drummond@xxxxxxxxxxxxx>
Date: Fri, 10 Aug 2001 07:17:22 -0300
Caros colegas,
Como sou um destes ha mais de 30 anos acho que seria valido divulgar a voces.
Edmundo de Drummond Alves Junior
Administrador da lista cevidoso-L
 
 
Monitoramento da pressão arterial identifica síndrome do jaleco branco
Com um histórico de hipertensão arterial na família, o assessor de imprensa Edmilson Silva, 43 anos, não sofria sintomas da doença, como dor de cabeça e taquicardia. Mas num check up anual, a médica mediu a pressão de 16.10mm de mercúrio - considerada alta - e receitou um composto de maleato de enalacril. Após seis meses, ainda sem sentir nenhum sintoma, Edmilson desconfiou do remédio e procurou a equipe do Hospital Universitário da UFRJ, onde trabalha. Confirmado o nível alto, resolveu submeter-se ao teste com aparelho de pressão que permanece no braço durante 24 horas.

Descobriu-se, então, que Silva era mais um dos 36% dos pacientes de hipertensão vítimas do efeito do jaleco branco - quando a pressão do paciente aumenta apenas diante da presença do médico mas se mantém normal durante a rotina diária. Um tipo de hipertensão arterial esporádica que não necessita de tratamento à base de remédios, apenas de monitoração. Ele estava tomando remédios sem necessidade.

O estudo no Hospital do Fundão sobre a síndrome revela que 73% dos hipertensos da instituição que usavam mais de três medicamentos ainda não conseguiam controlar a doença. Optou-se para esses pacientes pelo uso do Mapa, o aparelho de Monitoração Ambularial da Pressão Arterial, que permanece dia e noite no braço do paciente, medindo a pressão arterial em intervalos de meia hora e gravando o resultado em fita, que depois é analisada no computador.

A partir do exame das fitas com os resultados de 158 pacientes, chegou-se à conclusão: o efeito do jaleco branco é mais comum do que se imagina. Metade desses pacientes teoricamente hipertensos não-controlados não apresentavam qualquer sinal de elevação da pressão arterial no dia-a-dia. A outra metade tinha a pressão arterial elevada, mas ainda assim menor do que a medida no consultório, permitindo a eliminação do uso de remédios desnecessários.

As vítimas da síndrome do jaleco branco eliminaram totalmente o uso de remédios. E aqueles cujos índices de hipertensão do dia-a-dia se elevavam ainda mais diante do médico descobriram a real necessidade de medicamentos, podendo reduzir dosagens ou modificar o tratamento. Considerando os custos mínimos de R$ 10 por mês por paciente, a alteração significou uma economia mensal de R$ 1.580 em remédios para o hospital.

De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 22% da população sofre de hipertensão arterial. São, aproximadamente, 3,5 milhões de brasileiros. Se toda essa população tivesse acesso ao tratamento monitorado da hipertensão arterial, a possível redução do uso de remédios, na mesma taxa verificada na prática do HU da UFRJ, representaria uma economia nacional de mais de R$ 2,5 milhões.

Mas, afinal, o que justifica a elevação da pressão apenas por estar diante do médico? Para a doutora Elizabeth Muxfeldt, do programa de hipertensão arterial do Hospital do Fundão, a principal causa é o estresse emocional. Ela participou de um estudo para detectar se as mudanças de índice de pressão no consultório estão associadas à relação tensa entre o médico e o paciente. “Descobriu-se que os fatores de alteração independem do relacionamento entre eles, já que mesmo aqueles que possuem uma relação de amizade com o médico podem sentir o efeito do jaleco branco”, explica a médica. "Acredita-se que o clima de hospital e o contato com outros doentes graves aumentem a tensão emocional e o estresse do paciente”.
 
(Jornal do Commercio, 08/08/01)
Site: www.jcom.com.br

 

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