A quem interessar,
Edmundo de Drummond Alves Junior
Administrador da lista cevidoso-L
Com vícios Renée alimenta seus 37 quilos (mantidos há anos) com legumes,
frutas, queijos e sucos. E fuma, como uma francesa da gema.
Tatiana Leskova também fumou muito até 12 anos atrás. Mas é mais cuidadosa
com a saúde. Visita seu clínico-geral uma ou duas vezes por ano, faz os
exames necessários, come legumes e frutas e, como os outros, bebe
raramente -"Apenas vinho e na Europa".
Engordou dois quilos nos últimos anos, de 57 para 59, e não vai à praia
porque tem a pele muito branca. Tornou-se professora de balé clássico aos 43
anos só para ouvir: "Que pena que você parou". Ela dá seis aulas por semana
na sua Academia de Balé Tatiana Leskova, na avenida Copacabana, no Rio, e
faz coreografias na Europa, por exemplo, para o Balé Nacional de Amsterdã.
Tatiana foi coreógrafa do bailarino russo Rudolf Nureyev, um dos maiores
nomes de toda a história da dança clássica, e estaria rica se não tivesse
sido seduzida pelo brasileiro, "um povo cheio de ginga", fincado suas raízes
por aqui.
"Acho que sou mais rica pela experiência que tive, conheci gente muito
importante para a dança, os artistas que faziam cenários para o balé
russo..."
Esses bailarinos têm uma relação de quase diletantismo com a dança, puro
exercício da arte por amor, não por ofício ou obrigação. "Penso sinceramente
que fui predestinado, entro em transe quando dou aula", diz Ismael Guiser.
São três horas por dia, tudo o que ele precisa para viver bem, sem sentir
saudades dos tempos em que pesava alguns quilos a menos e os cabelos não
eram tão brancos.
Sem balé, um vegetal "Não fumo, não bebo, jamais como carne suína, raramente
como carne vermelha, faço pilates (a ginástica de fortalecimento muscular
criada pelo alemão Joseph Pilates) duas vezes por semana, não gosto da vida
de bares e boates, não gosto de me mexer quando estou fora do placo e, se
não fosse um bailarino, seria um vegetal." Como Renée Gumiel, ele
complementa a alimentação com uma vitamina suíça chamada Pharmaton.
A bela Ruth Rachou, que mantém um corpo de menina nos seus eternos 60
quilos, toma Centrum e também passa longe da hipocondria. "Passo a vida
fazendo o que gosto", ela diz. Dá aulas na Escola Municipal de Bailados e
tem a sua escola, situada na Vila Olímpia, em São Paulo, sustentada pela
técnica de pilates, que ela aplica como professora (técnica na qual se
aperfeiçoou nos Estados Unidos) e recebe como aluna.
Ruth dá um show de energia. Acorda às seis da manhã, depois de dormir por
sete horas. Tem oito horas seguidas de atividades e mantém uma alimentação
leve, com frutas, vegetais e saladas. Ela também fumou no passado e se diz
aliviada por ter se livrado do vício. Como os seus companheiros, sente que a
idade faz perder a força das pernas. Mas não pensa em parar. Ao contrário,
no ano passado, Ruth Rachou se apresentou dançando em teatro por duas vezes.
"Tem que ter amor à dança para segui-la." Ela teve mais amor à dança do que
ao marido. Ficou com a dança, primeiro a clássica, depois a moderna, e não
olhou para trás.
Passado é passado Esse é outro se- gredo da longevidade saudável. "Eu não
vivo do passado", diz a grande representante do balé russo no Brasil,
Eugenia Feodorova. Todos os dias, de segunda à sexta-feira, às 18 h em
ponto, ela dá aulas para bailarinos profissionais na academia que leva seu
nome e que ocupa uma cobertura no bairro de Copacabana, no Rio de Janeiro.
"Fazer o que se gosta é a grande arte da vida", diz.
Ela também come o que gosta sem restrições ("Como de tudo", diz), caminha de
casa até a escola todos os dias (ambas ficam no mesmo bairro) e toma muitos
banhos para ganhar energia e ficar cheirosa ("Faz bem", recomenda).
Eugenia mora sozinha, mas não vive só. Quando os alunos vão para casa, ela
encontra nos amigos, nos livros -especialmente aqueles que tratam da
filosofia e da sociologia- e na música uma companhia à altura da grande dama
da escola de Bolshoi.
Parar? É uma pergunta indelicada para esse grupo de mestres. A dança, para
eles, é um amor eterno.
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