Dermatóglifos

To: cevgenetica-L@xxxxxxxxxxxxxxxxxx, EF-FMU@xxxxxxxxxxxxxxxxxx
Subject: Dermatóglifos
From: aramirez@xxxxxx
Date: Sun, 5 Oct 2003 18:50:40 -0300
Olá pessoal, 
Apresento um texto sobre dermatóglifos resultante dos trabalhos do grupo de
estudos de Génetica apresentado durante a Semana da Educação Física do UniFMU.
Andréa
Dermatóglifos (do grego dermatos pele, glyphein escrita) são desenhos formados
pelas glândulas sudoríparas na pele das palmas e dedos das mãos com a
finalidade de aumentar o atrito para apreender objetos. Também encontrados nos
pés e caudas de primatas, aumentam o atrito com o chão facilitando a locomoção.
No ser humano os dermatóglifos desenvolvem-se do segundo ao quarto mês e meio
de vida embrionária a partir do folheto germinativo chamado ectoderma, do qual
também são formados a epiderme e o sistema nervoso. As glândulas sudoríparas
formam desenhos que não se modificam até o fim da vida. Por isto usamos as
impressões digitais na identificação de pessoas.
Os dermatóglifos são condicionados por um mecanismo genético chamado
poligênico; isto significa que estes desenhos são determinados pela ação
integrada de vários genes espalhados por diversos cromossomos em nossas
células. Tal mecanismo explica a enorme variedade destas figuras não só entre
as pessoas, mas também entre os dedos e palmas de cada uma.
Os padrões dermatoglíficos podem ser estudados por observação direta, mas
geralmente são analisados por impressão gráfica em papel. Existem basicamente
três tipos de padrões digitais: Arco (Duga), Presilha (Petlia) e Verticilo
(Zavitok).
Além dos padrões, considera-se a quantidade de linhas e interrupções nos
desenhos das linhas para identificação de pessoas. Para a contagem de linhas
localiza-se a existência de deltas, também conhecidos por trirrádios (encontros
entre três linhas) e faz-se um traçado até o ponto central da figura. Na
presença de dois deltas considera-se o maior número de linhas. 
Desde o início da década de 70 os geneticistas verificaram padrões específicos
de dermatóglifos associados a inúmeras síndromes genéticas e passaram a
utilizá-los como mais um dos recursos para diagnóstico clínico. Na mesma época
alguns estudiosos russos também iniciaram estudos para utilizar os
dermatóglifos como marcadores de detecção de talentos. 
Mais recentemente os estudos revelaram que atletas apresentam maior número de
Verticilos quando comparados aos sedentários. Em sedentários, o padrão
predominante é o Arco. 
Entretanto é fundamental compreender que, apesar de precocemente, os
dermatóglifos somente podem revelar informações sobre a natureza nervosa e não
de toda a constelação tissular necessária para o desenvolvimento de aptidões e
performances físicas e esportivas. Isto nos leva a concluir que as impressões
digitais podem ser utilizadas APENAS COMO MAIS UM dos inúmeros indicadores de
talentos. 
Para saber mais em Português (disponível no grupo de estudos de genética da
EF-UniFMU):
Fernandes Filho, J. & Abramova, T.F. A utilização de índices dermatoglíficos na
seleção de talentos. Treinamento Desportivo, 2(1): 41- 46, 1997.
Fernandes Filho, J. & Carvalho, J.L.T. Potencialidades desportivas de crianças
segundo a perspectiva da escola soviética. Revista Brasileira de
Cineantropometria & Desempenho Humano 1(1): 96 ? 107, 1999.
Saldanha, P.H. Dermatóglifos em Genética Médica. Revista paulista de Medicina,
72(4): 173-204, 1968.
Toledo, S.P.A.; Saldanha, S.G.; Laurenti, R.; Saldanha, P.H. Dermatóglifos
digitais e palmares de indivíduos normais da população de São Paulo. Revista
paulista de Medicina, 75: 1 ? 10, 1969.
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