Pílula para dieta é vinculada à morte de atleta

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Subject: Pílula para dieta é vinculada à morte de atleta
From: "aramirezfmu" <aramirezfmu@xxxxxxxxxxxx>
Date: Sat, 12 Jul 2003 21:53:27 -0000
Olá pessoal,
Nada a ver com genética, mas interessante sob o ponto de vista 
científico ! Divulgado pela UOL. Vale a pena ler pelo menos o último 
parágrafo para quem tiver achando muito longo... 
Andréa.
Pílula para dieta é vinculada à morte de atleta 
Stephens Smith
Para os norte-americanos típicos que procuram perder alguns quilos ou 
para os atletas de elite cujo objetivo é melhorar a performance nas 
pistas, a efedrina tem sido a esperança em formato de pílula, um 
suplemento natural disponível nas lojas de saúde da vizinhança por 
uns poucos dólares, vendida sob nomes populares como Metabolife e 
Dexatrim.
Mas um exame médico realizado na última terça-feira na Flórida, que 
determinou que um produto a base de efedrina provavelmente contribuiu 
para a morte de um jogador de beisebol de 23 anos da equipe Baltimore 
Orioles por derrame cerebral certamente vai atrair uma atenção 
renovada para os riscos de saúde associados aos suplementos 
alimentares vendidos sem receita médica.
Os defensores da saúde pública já pediram que a comercialização da 
efedrina seja proibida, uma medida que afetaria uma linha de produtos 
que gera de US$ 1 bilhão (cerca de R$ 3,6 bilhões) a US$ 3 bilhões 
(cerca de R$ 10,8 bilhões) anualmente. Uma grande rede fornecedora de 
suplementos esportivos parou de vender a efedrina após uma onda de 
publicidade negativa sobre as pílulas. E, duas semanas atrás, um 
estudo feito em caráter emergencial por pesquisadores em São 
Francisco concluiu que, embora a efedrina seja responsável por menos 
de 1% do total de vendas de suplementos naturais, ela responde por 
64% de todas as reações de saúde adversas relacionadas a esses 
produtos.
Os cientistas envolvidos no estudo concluíram que as pessoas que 
tomam efedrina correm um risco 200 vezes maior de sofrerem 
complicações resultantes do produto quando comparadas aqueles 
indivíduos que tomam outros suplementos. Segundo os estudiosos, as 
chances de se ter complicações associadas à efedrina são equivalentes 
à possibilidade de se sofrer de câncer do pulmão devido ao hábito de 
fumar. 
"Nós temos certeza absoluta que o produto não é seguro", afirma 
Michael Slipak, professor de medicina, epidemiologia e bioestatística 
do Centro Médico para Veteranos de Guerra de São Francisco e autor de 
um estudo sobre a efedrina publicado na página da Internet da 
revista "Annals of Internal Medicine".
Steve Bechler, o jogador do Orioles, morreu na segunda-feira passada, 
um dia após a sua temperatura corploral ter subido bruscamente para 
42º C durante um treinamento. Bechler, pesava 107 quilos e sofria de 
hipertensão. Após a realização de uma autópsia, o médico legista do 
Condado de Broward, na Flórida, Joshua Perper, chegou à conclusão de 
que o medicamento xenadrina, que Bechler estava tomando para perder 
peso, provavelmente contribuiu para a sua morte, que foi oficialmente 
atribuída à falência múltipla de órgãos.
Perper solicitou à Liga de Beisebol que proibisse o uso dos derivados 
da erva pelos atletas, seguindo os passos da Liga Nacional de Futebol 
Americano e do Comitê Olímpico Internacional. 
Para os especialistas que investigaram a efedrina e as complicações 
causadas pela droga - problemas do coração, transtornos psiquiátricos 
e convulsões - o vínculo entre a efedrina e a morte do atleta não 
chegou a ser uma surpresa.
"A droga não está regulamentada e achamos que essa situação deveria 
mudar", disse Shlipak, de São Francisco. "Mas quanto ao remédio ser 
totalmente banido ou ser comprado somente com receita médica, isto é 
algo que cabe aos especialistas decidir".
Os pesquisadores californianos examinaram as complicações relatadas 
em 2001 pelos usuários da efedrina e seus médicos a quase 200 centros 
de controle de envenenamento em toda a nação. Segundo Shlipak, os 
cientistas ficaram "chocados" com o que descobriram.
A indústria de pílulas dietéticas vem operando em um território 
nebuloso desde meados dos anos 90, quando começaram a circular os 
primeiros relatos dando conta de que a droga composta fen-phen, de 
uso generalizado, foi responsável por episódios potencialmente fatais 
de danos às válvulas cardíacas. O fabricante das pílulas acabou 
desembolsando US$ 3,75 bilhões (cerca de R$ 13,57 bilhões) para pagar 
indenizações resultantes de processos na justiça. 
As pílulas de efedrina têm sido um dos itens mais vendidos nas lojas 
de suplementos dietéticos, farmácias e supermercados - especialmente 
depois que o fen-phen foi retirado do mercado. 
A efedrina promete reduzir o peso ao mesmo tempo em que aumenta a 
energia, lançando mão de uma propaganda bastante atraente para 
atletas como Bechler e também para quatro jogadores de futebol 
americano que morreram após tomar a substância. A Liga Nacional de 
Futebol Americano baniu o uso do produto entre seus atletas após a 
morte do jogador Korey Stringer, do Minnesota Vikings, embora a 
organização tenha afirmado que a proibição não estaria diretamente 
vinculada à morte do jogador. A efedrina foi encontrada no armário de 
Stringer após a sua morte, mas estudos toxicológicos não encontraram 
traços da substância no seu sangue. 
Um sinal de como a confiança na efedrina ficou profundamente abalada 
foi a decisão tomada no mês passado pela fabricante de suplementos 
dietéticos EAS no sentido de cancelar a comercialização de produtos 
baseados em efedrina.
"Esta decisão foi tomada pela EAS com base no desejo do consumidor", 
disse em uma declaração Jim Heidenreich, vice-presidente de marketing 
da companhia. "Acreditamos que o consumidor está demonstrando forte 
preferência por produtos de controle de peso que não sejam a base de 
efedrina. E isso é bom tanto para os consumidores como para a EAS".
O Departamento de Serviços Humanos e de Saúde dos Estados Unidos 
solicitou à Rand Corporation que conduzisse uma ampla avaliação 
quanto à possibilidade de a efedrina realmente ser eficaz e sobre a 
hipótese de que ela causaria problemas de saúde. Os pesquisadores da 
Rand estão nos estágios finais da pesquisa e devem divulgar os 
resultados nos próximos meses, afirma Warren Robak, porta-voz da 
instituição da californiana.
A xenadrina, o suplemento que Bechler estava tomando, é fabricado 
pela Cytodyne Technologies, uma empresa de Nova Jersey voltada para 
produtos que prometem o emagrecimento e a melhora da forma física. A 
página da companhia na Web enaltece a xenadrina RFA-1 como sendo "o 
suplemento dietético número um dos Estados Unidos".
A companhia divulgou um comunicado na terça-feira no qual afirma que 
a xenadrina é segura e eficaz. 
"Devido à falta de evidências médicas neste momento a Citodyne não 
está em condições de tecer comentários específicos sobre as 
circunstâncias relativas à trágica morte de Steve Bechler", afirmou a 
declaração da Citodyne. "Até que o relatório toxicológico esteja 
disponível, afirmar que Bechler algum dia utilizou xenadrina não 
passa de pura especulação, assim como a insinuação de que a xenadrina 
tenha de alguma forma contribuído para a sua morte".
Os fabricantes das pílulas para perda de peso juram ser capazes de 
reduzir alguns quilos de gordura, citando inúmeras pesquisas. Mas 
tais pesquisas estão sendo alvo de críticas científicas - e, em 
certos casos, de processos na justiça.
A estrutura química da erva explica porque ela pode ser tão 
problemática quando administrada em altas doses - e especialmente 
quando utilizada por indivíduos com problemas cardíacos, afirma 
Robert J. Myerburg, diretor da divisão de cardiologia da Universidade 
de Miami. A efedrina faz com que os vasos sangüíneos se contraiam, 
tornando mais difícil a dissipação do calor corporal. Em casos 
extremos - e especialmente quando a efedrina é utilizada em conjunção 
com a cafeína - esse estreitamento vascular se torna tão intenso que 
o calor fica aprisionado no corpo, elevando a temperatura corporal 
interna a níveis tão altos que os principais órgãos começam a falhar.
"E é aí que acontecem as fatalidades", conclui Myerburg. 
Tradução: Danilo Fonseca
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