Re: [cevefesc-L] Epa!

To: cevefesc-L@xxxxxxxxxxxxxxxxxx
Subject: Re: [cevefesc-L] Epa!
From: moraesmarc@xxxxxxxxxxxxxx
Date: Thu, 8 Aug 2002 22:42:33 -0300
Prezados companheiros:
nao quero polemizar muito esse assunto, mas vou emitir umas pequenas 
considerações.
Como Gramsci coloca que a funçao de um verdadeiro intelectual 
comprometido com as massas e estar sempre em contato com elas proprias.
Nao vejo função alguma num intelectual ficar analisando como se fosse um
ser superior ao restante da sociedade. O contato com as massas e a mudança
da mentalidade popular das massas e a verdadeira funçao de um intelectual
comprometido com uma sociedade mais justa e humana.
Nao adianta ficar como inumeros intelectuais, que inclusive admiro muito,fiquem
com seu discurso somente no campo teorico.
A posiçao do proprio CBCE e de inumeros intelectuais em 
nao discutir o sistema CONFEF, apesar que nos dois ultimos
CONBRACE foi deliberada em plenaria final a posiçao contraria.
O que faz o CBCE nao discute e passa por cima da deliberação da plenaria,
inclusive o proprio Lino ja articula com esse segmento. Lembro que Gramsci
ja falava que nao existe filosofia em geral, existem varias filosofias e
concepções de mundo e sempre se faz uma escolha entre elas.
A minha foi a de ser contraria ao capitalismo tanto na teoria como na pratica.
E o silencio apesar de nao dizer que se concorda ou nao, no minimo se estara
aceitando a ordem estabelecida. 
Desculpem pelo desabafo, mas fico triste em ver intelectuais com imenso
peso na produção critica da EF brasileira, esquecerem o que escreveram.
Ou como fala James Pretas sao os intelectuais em retirada.
No mais abraços a todos e prometo nao me posicionar mais a respeito da 
discussao,
a nao ser que os companheiros decidam
que a tematica tem relevancia na presente lista, pois o importante sempre
e a imensa maioria.
Prof. Marcelo Moraes
Curitiba PR 
-- Mensagem original --
>Epa! Assim não dá.
>
>Daqui a pouco quem acha que o tema não é desta lista será denunciadopor
>apoio tácito ou prático as "atrocidades ditatoriais" [sic] do CONFEF.
>Devagar com o andor que o santo é de barro. Não suporto nem aceito este
tipo
>de prática. A denúncia é o mais facista dos argumentos. Não é possível
que
>obriguemos as pessoas a participarem deste ou daquele debate, nem defini-las
>como 'inimigas' ou 'inocentes úteis' por que não concordam com as teses
de
>outrem.
>A idéia do 'tudo tem a ver com tudo' é tão verdadeira quanto pouco
>operacional. Ela pode levar a indignação ou a desesperança, mas ajuda pouco
>a iluminar a discussão e a ação.
>Aliás, sempre considero a aporia como uma possibilidade.
>Como a lista tem um moderador (Guilherme Pacheco), sugiro que ele organize
>uma consulta sobre a pertinência e os limites temáticos deste tema aqui.
>Que existem interfaces, é evidente. A questão é que não temos sabido limitar
>o campo temático. Voltamos sempre ao debate inicial. Acho que poderíamos
>colocar o foco, por exemplo, nos limites e nas possibilidades da
>regulamentação em relação ao presente da EF escolar, a formação superior,
>a
>legalidade e legitimidade da Ef na escola.
>
>Um abraço
>
>Otávio Tavares
>p.s. Daniel, acho que respondi sua última msg. por meio desta aqui também,
>não?
>
>
>----- Original Message -----
>From: <moraesmarc@xxxxxxxxxxxxxx>
>To: <cevefesc-L@xxxxxxxxxxxxxxxxxx>
>Sent: Wednesday, August 07, 2002 2:37 PM
>Subject: Re: [cevefesc-L] Resumo 25
>
>
>Prezado Otavio e demais listeiros:
>Discordo totalmente da afirmação dos companheiros sobre
>a nao discussao da tematica da regulametação da profissao
>na lista de EF Escolar.
>O sistema CREF/CONFEF afeta profundamente a realidade
>escolar, devido sua visao de mundo e modo de tratar a propria EF.
>Nao discuti-lo nos fara perder a visao de totalidade dos fatos.
>Alguns textos ja demonstram essa ligação.
>E dessa maneira que demonstro minha opiniao, afirmando que
>a nao discussao dessa tematica significa dar aos defensores
>desse conselho o que desejam: O silencio para fazer esse tipo de atrocidades
>ditadoriais.
>Saudaçoes e por uma EF mais justa e humana.
>Marcelo Moraes
>Curitiba PR
>
>
>-- Mensagem original --
>
>>Prezada Claudia e demais membros da lista,
>>
>>Como já afirmei na resposta a mensagem de Daniel, não voltarei ao tema
>nesta
>>lista.
>>Agradeço seu interesse em manter a troca de idéias, assim como reconheço
>>o
>>bom nível geral dos participantes, todavia serei disciplinado (pelo menos
>>desta vez).
>>Um abraço à você e à todos
>>
>>Otávio Tavares
>>----- Original Message -----
>>From: Claudia Bergo <claudiabergo@xxxxxxxxxx>
>>To: <cevefesc-L@xxxxxxxxxxxxxxxxxx>
>>Sent: Wednesday, August 07, 2002 1:57 AM
>>Subject: Re: [cevefesc-L] Resumo 25
>>
>>
>>> Caro prof. Otávio e demais colegas da lista.
>>>
>>> É difícil não considerar uma discussão superficial quando ela se limita
>>ao
>>> que é, essencialmente, o resultado de uma trajetória histórica, tanto
>da
>>> humanidade, quanto de uma nação (a nossa, em particular) e, ainda, de
>uma
>>> área do conhecimento (a Educação Física).
>>> Se a Educação Física se encontra hoje (e ainda) em crise - sobre a qual
>>> tantos já escreveram e muito bem demarcaram as prováveis raízes -não
>será
>>> através da regulamentação da profissão e nem mesmo da inclusão da palavra
>>> "obrigatória" na LDB que sairá dela.
>>> Pelo contrário, estas duas ações só reforçam o teor corporativo da
>>> discussão, uma vez que é o argumento que mais aglutina os profissionais
>>em
>>> torno de algumas estratégias de luta: garantir o mercado de trabalho
>nas
>>> organizações de esporte e lazer e nas instituições de ensino.
>>> Quando afirmo isso, não pretendo rotular quem quer que seja e nem julgar
>>os
>>> que aqui debatem: simplesmente retrato o que tenho observado nos espaços
>>de
>>> trabalho - clubes, academias, escolas - que freqüento. É sempre o
>>argumento
>>> de "perder mercado de trabalho" que permeia as discussões e, via de
>regra,
>
>>> com ele que os defensores destas ações conclamam os demais colegas para
>>este
>>> debate.
>>> A ironia é conseqüência do cansaço de testemunhar ao ir e vir dessa
mesma
>>> questão na Educação Física. Desde os tempos em que meu pai lecionava,
>ela
>>> perdura. Ele já completou seus 83 anos e a luta continua!
>>>
>>> Em momento algum deixo de me remeter à tese da "regulamentação" da
>>> profissão. A minha ironia é toda dirigida a ela. Quanto aos que exercem
>>o
>>> comando do sistema até o momento, se fosse expressar aqui o que penso,
>>não
>>> conseguiria ser irônica e tampouco amena.
>>> Mas se estão onde estão, do mesmo modo que Collor, Menguele e Stalin
>>> chegaram onde chegaram e fizeram o que fizeram, certamente foram
>amparados
>>> por uma corrente ideológica que se sobrepôs às demais (seja pelo uso
>de
>>> manobras políticas ou coerção financeira ou militar, ou pelas vias
>>legítimas
>>> da saudável convivência democrática - o que não parece ser o caso de
>>nenhum
>>> destes personagens).
>>>
>>> Vamos aos pontos, então.
>>> 1. Antes de mais nada, é bom situar nossas visões de mercado, para
>>continuar
>>> nosso debate. Pelo que tenho lido, percebo que o mercado não é mais
>aquele
>>e
>>> concordo com o que Peter Druker afirma ter acontecido: o mercado quer
>>> qualidade, venha ela da forma que vier. Portanto, empreendedores
>>> sintonizados com o mercado vão inspirar-se em seus anseios para
>>estabelecer
>>> suas vantagens competitivas. Afirmar que, pela ótica dos donos do
>negócio,
>
>>> melhor ter qualquer um do que um profissional qualificado (desde que
>seja
>>> competente), não me parece coerente com as boas práticas do marketing.
>>Ou
>>> então, com essa ótica, o dono vai acabar afundando seu negócio. A
>>existência
>>> de uma entidade cartorial por trás da contratação de profissionais só
>se
>>> justificará se ela realmente assegurar ao mercado a qualidade que ele
>>espera
>>> na prestação de serviço. Senão, se a obrigatoriedade não agregar valor
>>algum
>>> ao "produto", parafraseando Geraldo Vandré em Fica mal com Deus, um
jeito
>>o
>>> mercado ajeita dela se acabar.
>>> Noto, entretanto, que boa parte das academias que conheço pertencem
a
>>> profissionais de Educação Física. Se isso for regra geral (desconheço
>>> estudos que informem ou estimem esse quantitativo), a regulamentação
>da
>>> profissão "cai como uma luva", pois estes empresários teriam nisso a
>sua
>>> vantagem competitiva, sem nenhum esforço de contratar
>>funcionários-extra...
>>> 2. Mesmo "comemorando" o retorno da obrigatoriedade da Educação Física
>>na
>>> LDB, não consigo deixar de me preocupar com a "extinção" dessa
>>> obrigatoriedade. Algo sintomático, não? Por que saiu? Que fragilidade
>>> política essa área de conhecimento tem, não é? Uma manobra no Senado
>>> eliminou essa importante (para nós) palavrinha do texto legal e, mesmo
>>> assim, a Lei foi aprovada... Pois é, depois fomos correr atrás do
>>prejuízo.
>>> Sempre atrás, porque nunca conseguimos correr na frente dele... Quantas
>>> reuniões vazias presenciamos na época da elaboração da LDB, não é mesmo?
>>> Nossos pares preferiram outros programas a discutir os rumos da área.
>Como
>>> reconhecer uma área profissional que deixa os acontecimentos chegarem
>>aonde
>>> chegaram? Será que a sociedade não percebe isso de uma forma crítica?
>Será
>>> que não aconteceu conosco o mesmo que com a Cigarra da famosa fábula?
>>> Imagino as "formigas" de nossa sociedade comentando: Agora, dance!
>>> Relembrando o passado, foi a própria Educação Física que "abriuas
>portas"
>>> para a não-obrigatoriedade: a despeito de parecer do Conselho Nacional
>>de
>>> Educação recomendando que a dispensa da atividade física para mães e
>>> trabalhadores não fosse entendida como dispensa das sessões de Educação
>>> Física, a prática era mesmo deixar essas pessoas de fora. E o hábito
>(mau)
>>> foi tomando força de lei...
>>> 3. Retornemos ao mercado. Justamente por estarmos submetidos ao 'mercado'
>
>>> que prevalece a tese do reconhecimento espontâneo. Não se "empurram"
>>> produtos (ou serviços) ao mercado. Nem contratando o Nizan Guanães
>>> conseguiremos vender geladeiras para esquimós. O mercado não é umobjeto,
>>> mas uma manifestação de sujeitos, e é analisando-o que vamos conhecer
>sua
>>> expressão e nela perceber seus desejos. Se o mercado não deseja seu
>>produto,
>>> não dá para mudar o mercado, mas dá para trocar o produto, não?Pois
>é
>>o
>>> capital cultural dos sujeitos que se manifesta através de seus desejos
>>e
>>que
>>> "cria" essa entidade administrativa que denominamos mercado.
>>> E é esse capital cultural, e não a obrigatoriedade, que nos induz a
>>vacinar
>>> nossas crianças, matriculá-las nas escolas etc. O reconhecimento social
>>deu
>>> legitimidade às leis e por isso elas são cumpridas. No início do século
>>> passado, não era bem assim. Ou já esqueceram da Revolta da Vacina?
>>> Felizmente o conhecimento acumulado se traduz em melhoria da qualidade
>>de
>>> vida, via mudanças de comportamento. Pena que não podemos afirmar isso
>>em
>>> todos os sentidos...
>>> Mudanças induzidas por lei e que não vão ao encontro dos anseios da
>>> sociedade, ou não duram, ou não são cumpridas. A menos que se criem
>>> mecanismos (geralmente autoritários) para tal. O caos econômico que
>>vivemos
>>> hoje ilustra bem que soluções autoritárias só potencializam os problemas.
>>Ou
>>> será que as dificuldades econômicas não foram o "pretexto" para ogolpe
>>> militar de 64?
>>> 4. É difícil afirmar com certeza "científica" se foi graças ao
>>> reconhecimento espontâneo que esta ou aquela área de conhecimento se
>>> legitimou. Mas a história tem nos mostrado que, mesmo "carregada" nos
>>braços
>>> pelo poder para "forjar homens fortes e saudáveis", a Educação Física
>não
>>> conseguiu se legitimar como prática social. Por que?
>>> A existência de conselhos não tem assegurado à sociedade o que deles
>se
>>> esperava: proteger seus cidadãos do mau exercício profissional. Das
>mortes
>>e
>>> outras aberrações, noticiadas nos últimos anos, que envolvem médicos,
>>poucas
>>> resultaram em sanções por parte do CFM. Pior ainda, se enumerarmos
>aquelas
>>> que nem noticiadas são, livrando o Conselho da pressão da opinião
>pública.
>>O
>>> que o CREA fez em relação aos engenheiros envolvidos no Palace? Ou será
>>que
>>> o Sérgio Naya trabalhou ali sozinho? E quanto ao TRT? Desvio de verba,
>>> superfaturamento de obra não passa por orçamentos preparados por
>>> engenheiros?
>>> Pois é. Temos muitos problemas. Nenhuma solução.
>>> E tudo isso acontecendo e a Educação Física "aqui na praça, dando milho
>>aos
>>> pombos"...
>>> Pensar que o problema da Educação Física está desassociado de tudo isso
>>> chega a ser ingenuidade. Pensar que, numa sociedade em que o poder
>>paralelo
>>> do tráfico carrega nossas crianças e jovens para uma vida marginal,
vamos
>>> conseguir a atenção da população (e seu apoio) para resolver a situação
>>> problemática da Educação Física, beira as raias da alienação.
>>> Que tal pensar nos problemas do planeta, da humanidade, do país, do
>>estado,
>>> da cidade, de nossas comunidades? É atuando que vamos promover a
>>legitimação
>>> de nossa profissão. Observo que aqueles professores de Educação Física
>>que
>>> têm trilhado o caminho da inserção nos problemas comunitários e
>>participado
>>> das lutas coletivas não têm muito o que se preocupar com regulamentação
>>da
>>> profissão e nem com o adjetivo "obrigatoriedade".
>>> 5. E observo também que, a despeito de toda a produção científica
>>acumulada
>>> pela Educação Física, principalmente as reflexões sobre seu papel social
>>> (extremamente valiosas para repensarmos nosso "estar-no-mundo"), a bola
>>> ainda rola, seja na queimada para as meninas ou no futebol, para os
>>meninos.
>>> Mas há, agora, um discurso que sustenta essa prática: atividade livre,
>>> exploração da ludicidade, estímulo à auto-organização e poraí afora.
>>> Que coisa, hein? Tanto se avançou e o que mudou foi apenas o discurso...
>>> Fundamentamos a "rolação de bola"!
>>> Em momento algum estou desvalorizando a produção científica, por favor,
>>não
>>> queiram entender isto! Quero apenas compartilhar o que observo por onde
>>ando
>>> e entender por que a "zona de conforto" é o caminho preferencial na
>>Educação
>>> Física. E, ainda, entender por que ainda não conseguimos transformar
>essa
>>> prática, considerando as mudanças operadas em diversos cursos de formação
>>de
>>> professores.
>>> Talvez seja o caso de refletir sobre nossa própria ansiedade em
>>materializar
>>> as mudanças. Estamos lidando com um fenômeno complexo, que é a cultura.
>>Não
>>> se revoluciona a cultura de um dia para o outro (e nem por decreto).
>>Somente
>>> mudanças culturais levarão a mudanças de comportamento.
>>> Se, entretanto, os defensores da regulamentação querem uma proposta
>>> alternativa, eu posso recomendar uma boa dose de paciência histórica
>e
>>muito
>>> trabalho.
>>> Trabalho individual, no sentido de colocar em prática tudo que sabemos
>>hoje
>>> que a Educação Física tem para colaborar na formação de cidadãos.
>Trabalho
>>> coletivo, no sentido de integrar-se às demais disciplinas e mostrar
como
>>a
>>> Educação Física proporciona situações desafiadoras, capazes de motivar
>>os
>>> alunos a aprofundar-se em qualquer tema da cultura universal. Trabalho
>>> institucional, no sentido de demonstrar o quanto a dicotomia corpo/mente,
>>> com privilégio desta em relação àquele, se manifesta na educação,
>>> determinando que a maior parte da carga horária seja dedicada a
>atividades
>>> cognitivas. Trabalho comunitário, no sentido de contribuir com o
>>> fortalecimento da cidadania. Trabalho classista, no sentido de fortalecer
>>a
>>> categoria dos professores e reivindicar remuneração e condiçõesde
>>trabalho
>>> dignas para que se promova uma educação de qualidade.
>>> Isso vale tanto no ambiente da educação formal quanto informal. Ou será
>>que
>>> academias, clubes e outras instituições congêneres não são também espaços
>>> educacionais?
>>> Se não estão sendo, que tal começar a tratá-los como tal?
>>> O conflito entre leigos e formados não é privilégio do exercício
>>> profissional da Educação Física. Mas a forma de encarar o problema e
>>> conduzir as estratégias de solução tem sido ímpar.
>>> É por isso que reafirmo: é a contramão da história!
>>>
>>> E acredito que a discussão em torno da regulamentação pouco acrescenta
>>a
>>uma
>>> lista de debates sobre a educação física escolar. Por isso expressei
>meu
>>> ponto de vista de forma sintética (e resultou em ironia, falha nossa!)
>>nos
>>> comentários anteriores, para não render muito o assunto.
>>> Me perdoem o exagero de hoje - é coisa rara -, mas é difícil não ser
>>prolixo
>>> quando estamos sendo mal interpretados.
>>>
>>> Que venham, pois, seus ventos, Guilherme...
>>> Já que "navegar é preciso, viver não é [nada] preciso".
>>>
>>> Saudações de aquém mar!
>>>
>>>
>>> Cláudia
>>>
>>>
>>> ----- Original Message -----
>>> From: <cevefesc-L@xxxxxxxxxxxxxxxxxx>
>>> To: <cevefesc-L@xxxxxxxxxxxxxxxxxx>
>>> Sent: Tuesday, August 06, 2002 5:23 AM
>>> Subject: [cevefesc-L] Resumo 25
>>>
>>>
>>>
>>> Mensagem: 5
>>> Data: Mon, 5 Aug 2002 16:45:48 -0300
>>> De: "Otavio" <otavares@xxxxxxxxxx>
>>> Assunto: Re: Resumo 24
>>>
>>> Prezados listeiros, a lista é coletiva mas esta mensagem é especialmente
>>> dedicada a Profa. Bergo.
>>>
>>> Prezada Claudia Bergo,
>>>
>>> Não me parece que o debate tenha sido até aqui superficial e corporativo.
>>> Curiosamente, são as rotulações e /ou ironias que garantem a
>>> superficialidade do debate, uma vez que simplificam, reduzem e reificam
>>as
>>> idéias às suas expressões superficiais.
>>>
>>> Me parece absolutamente possível e necessário que separemos o exame
da
>>tese
>>> "regulamentação" da apreciação e/ou julgamento daqueles que exercem
o
>>> comando do sistema até aqui. Do contrário também poderemos julgara
>>> democracia por Fernando Collor de Melo, a medicina pelo Dr. Mengele,
>o
>>> socialismo por Stalin ou a função social do esporte pela Escola de
>Leipzig
>>> (antiga Alemanha Oriental), o que me parece mais embaralha do que
>facilita
>>o
>>> debate.
>>>
>>> Neste sentido, gostaria de comentar a citação que você trouxe.
>>> 1. Uma tese cara a uma boa parcela daqueles contra a regulamentação
é
>que
>>> ela atenderia os ditames do 'neo-liberalismo'.
>>> Ora, a tese central do neo-liberalismo é a desregulamentação dos mercados
>>e
>>> a promoção do 'Estado mínimo'. Assim, dificilmente uma regulamentação
>>> poderia atendê-los.
>>> Me parece que pela ótica dos donos do negócio EF, é melhor ter qualquer
>>um
>>> (e pagar menos se for um leigo ou um acadêmico), ou aquele que se julga
>>> melhor e mais competente (e agregar valor ao negócio) do que ser obrigado
>>> por uma entidade cartorial a contratar alguém com formação certa.
>>>
>>> 2. Recentemente comemoramos, depois de longa e excruciante dúvida, o
>>retorno
>>> do adjetivo "obrigatória" ao texto da LDB que fala da EF na escola.
Me
>>> parece que se há coerência entre os debatedores, aqueles contra a
>>> regulamentação e a favor do reconhecimento espontâneo devem também se
>>> posicionar contra e quem sabe até criar um movimento contra a
>>> obrigatoriedade da EF na escola (cada vez mais, infelizmente, um negócio
>>> privado no Brasil).
>>>
>>> 3. A tese do reconhecimento espontâneo não nos livra da entidade
>>'mercado',
>>> uma vez que vivemos numa economia de mercado. Pelo contrário. Esta tese
>>> provavelmente nos joga 'nos braços do mercado'. Apesar da idéia do
>>'capital
>>> cultural' ser atraente, ela não nos livra obrigatoriamente de vacinar
>as
>>> crianças, matricula-las na escolas, não permiti-las trabalhar antes
dos
>>16
>>> anos, não fumar em diversos lugares, processar um índio por estupro
e
>etc.
>>> Ou seja, como já foi observado pelo Guilherme, a lei é uma instância
>>social
>>> inelutável que por vezes sanciona o reconhecimento social e de outras
>>induz
>>> mudanças.
>>> Observem que nem mesmo nas antigas e atuais sociedades socialistas há
>ou
>>> houve espaço para o reconhecimento espontâneo. O que indica que esta
>tese
>>> pode ser tão bela quanto irrealizável. Aliás, atividades com alto
>>> reconhecimento social (espontâneo?) não abdicaram de suas entidades
>>> cartoriais. Conhecemos algum estudo que determine o papel destas
>>> instituições cartoriais para o reconhecimento social daquelas profissões?
>>>
>>> 4. Não estamos no 'ano zero' da EF. Amargamente reconheço que nossa
>>formação
>>> e prática não nos tornaram competentes o suficiente para que tenhamos
>um
>>> reconhecimento social indiscutível. A maioria de nós não tem dúvidas
>entre
>>> uma curandeira e um médico, entre um motorista profissional e um de
>>> fim-de-semana. entre a escola e o professor formado e a 'explicadora'.
>>Mas,
>>> socialmente falando, a EF tem sido vista nos últimos cem anos pelo menos,
>>> como algo essencialmente prático, como a marcenaria, por exemplo (e
ela
>>tem
>>> um saber prático muito grande). Isto faz com que a demanda social pelo
>>> profissional formado seja fraca, principalmente nos espaços não formais.
>>> OK. Melhoremos nossa formação e prática. Mas não seria necessário induzir
>>> uma mudança social?
>>>
>>> 5. Observo também uma interessante incoerência de posições. Em face
a
>>> crescente fragmentação da profissão, dada tanto pelas demandas sociais
>>> variadas quanto pelas apontadas modificações na formação profissional,
>>> muitos tem proclamado que a identidade/unidade da formação se daria
pela
>>> característica pedagógica da intervenção ("somos todos professores").
>Ora,
>>> como conciliar o desejo da legitimação social espontânea com a
>necessidade
>>> da formação pedagógica unificada?
>>>
>>> 5. Devo reconhecer como professor universitário que sou que meu trabalho
>>tem
>>> algum valor social. É evidente que podem existir leigos com ótima atuação
>>e
>>> profissionais formados absolutamente medíocres mas, em tese, creio que
>>a
>>> formação profissional tem razão de existir. Assim, se nas áreasde
>atuação
>>> em que a formação profissional se choca com os múltiplos saberes da
>>cultura
>>> corporal sancionados pela tradição tendo a ficar a favor da tradição,
>nas
>>> áreas de formação e atuação mais específica e técnica, aqueles que
>ocupam,
>>> geralmente a baixo custo, o espaço profissional devem ser coagidos a
>>> deixá-lo.
>>> A questão está em como fazê-lo de maneira democrática e não da forma
>>> estupidificante como foi relatada. Aliás, aqui no ES não tenho relatos
>>> sequer de fiscalização, embora tenha notado um aumento de leigos
>>procurando
>>> cursos de graduação para se legalizarem e legitimarem.
>>>
>>> Bons ventos (em homenagem ao velejador Guilherme Pacheco, e sem nenhuma
>>> letra de música, já que não me ocorreu nenhuma adequada agora).
>>>
>>> Otávio Tavares
>>>
>>> -----Mensagem original-----
>>> De: Claudia Bergo <claudiabergo@xxxxxxxxxx>
>>> Para: cevefesc-L@xxxxxxxxxxxxxxxxxx <cevefesc-L@xxxxxxxxxxxxxxxxxx>
>>> Data: Segunda-feira, 5 de Agosto de 2002 00:56
>>> Assunto: Re: [cevefesc-L] Resumo 24
>>>
>>>
>>> >Guilherme, Henrique e demais listeiros que pensam como ambos
>>> >
>>> >
>>> >Usarei palavras do professor Aldo de Albuquerque Barreto, pesquisador
>>do
>>> >IBICT e presidente da ANCIB, pois creio que servem para a Educação
>Física
>>e
>>> >outras áreas mais que estiverem buscando legitimação social por vias
>>> >tortuosas:
>>> >
>>> >"Não compete ao conhecimento ou a uma área de conhecimento justificar
>>> >continuamente a sua importância e a sua existência. Seu desenvolvimento
>>não
>>> >se vincula ao mercado, mas ao capital cultural de uma sociedade. Este
>>> >reconhecimento deve ser espontâneo e meritório." (BARRETO, A. B. Uma
>>> >elegante esperança. Disponível em
>>> >http://www.alternex.com.br/~aldoibct/elegante.htm. Acesso em 25 jul.
>>2002.
>>> >p. 3)
>>> >
>>> >Por favor, colegas, parem de correr atrás do próprio rabo e olhem em
>>volta.
>>> >Esta lista continuará acrescentando pouco, se o nível de debates
>>continuar
>>> >sendo tão superficial e corporativo.
>>> >
>>> >O Conselho realmente tem acrescentado notoriedade à Educação Física.
>Essa
>>> >área de conhecimento, que não conseguia espaço significativo na mídia,
>>pelo
>>> >menos vai ocubar bons centímetros nas páginas políciais.
>>> >Que progresso, hein?
>>> >
>>> >São mesmo bons esses ventos!
>>> >
>>> >(E eu vou ficando por aqui, que Deus no céu me ajude...)
>>> >
>>> >Saudações.
>>> >
>>> >Cláudia
>>> >
>>> >
>>>
>>>
>>>
>>>
>>> Para cancelar sua assinatura deste grupo, envie um e-mail para:
>>> cevefesc-L-unsubscribe@xxxxxxxxxxxxxxxxxx
>>>
>>>
>>>
>>> Seu uso do Yahoo! Grupos é sujeito às regras descritas em:
>>http://br.yahoo.com/info/utos.html
>>>
>>>
>>
>>
>>Para cancelar sua assinatura deste grupo, envie um e-mail para:
>>cevefesc-L-unsubscribe@xxxxxxxxxxxxxxxxxx
>>
>>
>>
>>Seu uso do Yahoo! Grupos é sujeito às regras descritas em:
>http://br.yahoo.com/info/utos.html
>>
>>
>>
>>
>
>
>
>------------------------------------------
>Use o melhor sistema de busca da Internet
>Radar UOL - http://www.radaruol.com.br
>
>
>
>
>Para cancelar sua assinatura deste grupo, envie um e-mail para:
>cevefesc-L-unsubscribe@xxxxxxxxxxxxxxxxxx
>
>
>
>Seu uso do Yahoo! Grupos é sujeito às regras descritas em:
>http://br.yahoo.com/info/utos.html
>
>
>
>
>Para cancelar sua assinatura deste grupo, envie um e-mail para: 
>cevefesc-L-unsubscribe@xxxxxxxxxxxxxxxxxx
>
> 
>
>Seu uso do Yahoo! Grupos é sujeito às regras descritas em: 
>http://br.yahoo.com/info/utos.html
>
>
>
>
------------------------------------------
Use o melhor sistema de busca da Internet
Radar UOL - http://www.radaruol.com.br
<Anterior em Tópico] Tópico Atual [Próximo em Tópico>

© 1996-2019 Centro Esportivo Virtual - CEV.
O material veiculado neste site poderá ser livremente distribuído para fins não comerciais, segundo os termos da licença da Creative Commons.