Epa!

To: <cevefesc-L@xxxxxxxxxxxxxxxxxx>
Subject: Epa!
From: Otávio Tavares <otavares@xxxxxxxxxx>
Date: Thu, 8 Aug 2002 14:42:54 -0300
Epa! Assim não dá.
Daqui a pouco quem acha que o tema não é desta lista será denunciado por
apoio tácito ou prático as "atrocidades ditatoriais" [sic] do CONFEF.
Devagar com o andor que o santo é de barro. Não suporto nem aceito este tipo
de prática. A denúncia é o mais facista dos argumentos. Não é possível que
obriguemos as pessoas a participarem deste ou daquele debate, nem defini-las
como 'inimigas' ou 'inocentes úteis' por que não concordam com as teses de
outrem.
A idéia do 'tudo tem a ver com tudo' é tão verdadeira quanto pouco
operacional. Ela pode levar a indignação ou a desesperança, mas ajuda pouco
a iluminar a discussão e a ação.
Aliás, sempre considero a aporia como uma possibilidade.
Como a lista tem um moderador (Guilherme Pacheco), sugiro que ele organize
uma consulta sobre a pertinência e os limites temáticos deste tema aqui.
Que existem interfaces, é evidente. A questão é que não temos sabido limitar
o campo temático. Voltamos sempre ao debate inicial. Acho que poderíamos
colocar o foco, por exemplo, nos limites e nas possibilidades da
regulamentação em relação ao presente da EF escolar, a formação superior, a
legalidade e legitimidade da Ef na escola.
Um abraço
Otávio Tavares
p.s. Daniel, acho que respondi sua última msg. por meio desta aqui também,
não?
----- Original Message -----
From: <moraesmarc@xxxxxxxxxxxxxx>
To: <cevefesc-L@xxxxxxxxxxxxxxxxxx>
Sent: Wednesday, August 07, 2002 2:37 PM
Subject: Re: [cevefesc-L] Resumo 25
Prezado Otavio e demais listeiros:
Discordo totalmente da afirmação dos companheiros sobre
a nao discussao da tematica da regulametação da profissao
na lista de EF Escolar.
O sistema CREF/CONFEF afeta profundamente a realidade
escolar, devido sua visao de mundo e modo de tratar a propria EF.
Nao discuti-lo nos fara perder a visao de totalidade dos fatos.
Alguns textos ja demonstram essa ligação.
E dessa maneira que demonstro minha opiniao, afirmando que
a nao discussao dessa tematica significa dar aos defensores
desse conselho o que desejam: O silencio para fazer esse tipo de atrocidades
ditadoriais.
Saudaçoes e por uma EF mais justa e humana.
Marcelo Moraes
Curitiba PR
-- Mensagem original --
>Prezada Claudia e demais membros da lista,
>
>Como já afirmei na resposta a mensagem de Daniel, não voltarei ao tema
nesta
>lista.
>Agradeço seu interesse em manter a troca de idéias, assim como reconheço
>o
>bom nível geral dos participantes, todavia serei disciplinado (pelo menos
>desta vez).
>Um abraço à você e à todos
>
>Otávio Tavares
>----- Original Message -----
>From: Claudia Bergo <claudiabergo@xxxxxxxxxx>
>To: <cevefesc-L@xxxxxxxxxxxxxxxxxx>
>Sent: Wednesday, August 07, 2002 1:57 AM
>Subject: Re: [cevefesc-L] Resumo 25
>
>
>> Caro prof. Otávio e demais colegas da lista.
>>
>> É difícil não considerar uma discussão superficial quando ela se limita
>ao
>> que é, essencialmente, o resultado de uma trajetória histórica, tanto
da
>> humanidade, quanto de uma nação (a nossa, em particular) e, ainda, de
uma
>> área do conhecimento (a Educação Física).
>> Se a Educação Física se encontra hoje (e ainda) em crise - sobre a qual
>> tantos já escreveram e muito bem demarcaram as prováveis raízes - não
será
>> através da regulamentação da profissão e nem mesmo da inclusão da palavra
>> "obrigatória" na LDB que sairá dela.
>> Pelo contrário, estas duas ações só reforçam o teor corporativo da
>> discussão, uma vez que é o argumento que mais aglutina os profissionais
>em
>> torno de algumas estratégias de luta: garantir o mercado de trabalho
nas
>> organizações de esporte e lazer e nas instituições de ensino.
>> Quando afirmo isso, não pretendo rotular quem quer que seja e nem julgar
>os
>> que aqui debatem: simplesmente retrato o que tenho observado nos espaços
>de
>> trabalho - clubes, academias, escolas - que freqüento. É sempre o
>argumento
>> de "perder mercado de trabalho" que permeia as discussões e, via de
regra,
>é
>> com ele que os defensores destas ações conclamam os demais colegas para
>este
>> debate.
>> A ironia é conseqüência do cansaço de testemunhar ao ir e vir dessa mesma
>> questão na Educação Física. Desde os tempos em que meu pai lecionava,
ela
>> perdura. Ele já completou seus 83 anos e a luta continua!
>>
>> Em momento algum deixo de me remeter à tese da "regulamentação" da
>> profissão. A minha ironia é toda dirigida a ela. Quanto aos que exercem
>o
>> comando do sistema até o momento, se fosse expressar aqui o que penso,
>não
>> conseguiria ser irônica e tampouco amena.
>> Mas se estão onde estão, do mesmo modo que Collor, Menguele e Stalin
>> chegaram onde chegaram e fizeram o que fizeram, certamente foram
amparados
>> por uma corrente ideológica que se sobrepôs às demais (seja pelo uso
de
>> manobras políticas ou coerção financeira ou militar, ou pelas vias
>legítimas
>> da saudável convivência democrática - o que não parece ser o caso de
>nenhum
>> destes personagens).
>>
>> Vamos aos pontos, então.
>> 1. Antes de mais nada, é bom situar nossas visões de mercado, para
>continuar
>> nosso debate. Pelo que tenho lido, percebo que o mercado não é mais
aquele
>e
>> concordo com o que Peter Druker afirma ter acontecido: o mercado quer
>> qualidade, venha ela da forma que vier. Portanto, empreendedores
>> sintonizados com o mercado vão inspirar-se em seus anseios para
>estabelecer
>> suas vantagens competitivas. Afirmar que, pela ótica dos donos do
negócio,
>é
>> melhor ter qualquer um do que um profissional qualificado (desde que
seja
>> competente), não me parece coerente com as boas práticas do marketing.
>Ou
>> então, com essa ótica, o dono vai acabar afundando seu negócio. A
>existência
>> de uma entidade cartorial por trás da contratação de profissionais só
se
>> justificará se ela realmente assegurar ao mercado a qualidade que ele
>espera
>> na prestação de serviço. Senão, se a obrigatoriedade não agregar valor
>algum
>> ao "produto", parafraseando Geraldo Vandré em Fica mal com Deus, um jeito
>o
>> mercado ajeita dela se acabar.
>> Noto, entretanto, que boa parte das academias que conheço pertencem a
>> profissionais de Educação Física. Se isso for regra geral (desconheço
>> estudos que informem ou estimem esse quantitativo), a regulamentação
da
>> profissão "cai como uma luva", pois estes empresários teriam nisso a
sua
>> vantagem competitiva, sem nenhum esforço de contratar
>funcionários-extra...
>> 2. Mesmo "comemorando" o retorno da obrigatoriedade da Educação Física
>na
>> LDB, não consigo deixar de me preocupar com a "extinção" dessa
>> obrigatoriedade. Algo sintomático, não? Por que saiu? Que fragilidade
>> política essa área de conhecimento tem, não é? Uma manobra no Senado
>> eliminou essa importante (para nós) palavrinha do texto legal e, mesmo
>> assim, a Lei foi aprovada... Pois é, depois fomos correr atrás do
>prejuízo.
>> Sempre atrás, porque nunca conseguimos correr na frente dele... Quantas
>> reuniões vazias presenciamos na época da elaboração da LDB, não é mesmo?
>> Nossos pares preferiram outros programas a discutir os rumos da área.
Como
>> reconhecer uma área profissional que deixa os acontecimentos chegarem
>aonde
>> chegaram? Será que a sociedade não percebe isso de uma forma crítica?
Será
>> que não aconteceu conosco o mesmo que com a Cigarra da famosa fábula?
>> Imagino as "formigas" de nossa sociedade comentando: Agora, dance!
>> Relembrando o passado, foi a própria Educação Física que "abriu as
portas"
>> para a não-obrigatoriedade: a despeito de parecer do Conselho Nacional
>de
>> Educação recomendando que a dispensa da atividade física para mães e
>> trabalhadores não fosse entendida como dispensa das sessões de Educação
>> Física, a prática era mesmo deixar essas pessoas de fora. E o hábito
(mau)
>> foi tomando força de lei...
>> 3. Retornemos ao mercado. Justamente por estarmos submetidos ao 'mercado'
>é
>> que prevalece a tese do reconhecimento espontâneo. Não se "empurram"
>> produtos (ou serviços) ao mercado. Nem contratando o Nizan Guanães
>> conseguiremos vender geladeiras para esquimós. O mercado não é um objeto,
>> mas uma manifestação de sujeitos, e é analisando-o que vamos conhecer
sua
>> expressão e nela perceber seus desejos. Se o mercado não deseja seu
>produto,
>> não dá para mudar o mercado, mas dá para trocar o produto, não? Pois
é
>o
>> capital cultural dos sujeitos que se manifesta através de seus desejos
>e
>que
>> "cria" essa entidade administrativa que denominamos mercado.
>> E é esse capital cultural, e não a obrigatoriedade, que nos induz a
>vacinar
>> nossas crianças, matriculá-las nas escolas etc. O reconhecimento social
>deu
>> legitimidade às leis e por isso elas são cumpridas. No início do século
>> passado, não era bem assim. Ou já esqueceram da Revolta da Vacina?
>> Felizmente o conhecimento acumulado se traduz em melhoria da qualidade
>de
>> vida, via mudanças de comportamento. Pena que não podemos afirmar isso
>em
>> todos os sentidos...
>> Mudanças induzidas por lei e que não vão ao encontro dos anseios da
>> sociedade, ou não duram, ou não são cumpridas. A menos que se criem
>> mecanismos (geralmente autoritários) para tal. O caos econômico que
>vivemos
>> hoje ilustra bem que soluções autoritárias só potencializam os problemas.
>Ou
>> será que as dificuldades econômicas não foram o "pretexto" para o golpe
>> militar de 64?
>> 4. É difícil afirmar com certeza "científica" se foi graças ao
>> reconhecimento espontâneo que esta ou aquela área de conhecimento se
>> legitimou. Mas a história tem nos mostrado que, mesmo "carregada" nos
>braços
>> pelo poder para "forjar homens fortes e saudáveis", a Educação Física
não
>> conseguiu se legitimar como prática social. Por que?
>> A existência de conselhos não tem assegurado à sociedade o que deles
se
>> esperava: proteger seus cidadãos do mau exercício profissional. Das
mortes
>e
>> outras aberrações, noticiadas nos últimos anos, que envolvem médicos,
>poucas
>> resultaram em sanções por parte do CFM. Pior ainda, se enumerarmos
aquelas
>> que nem noticiadas são, livrando o Conselho da pressão da opinião
pública.
>O
>> que o CREA fez em relação aos engenheiros envolvidos no Palace? Ou será
>que
>> o Sérgio Naya trabalhou ali sozinho? E quanto ao TRT? Desvio de verba,
>> superfaturamento de obra não passa por orçamentos preparados por
>> engenheiros?
>> Pois é. Temos muitos problemas. Nenhuma solução.
>> E tudo isso acontecendo e a Educação Física "aqui na praça, dando milho
>aos
>> pombos"...
>> Pensar que o problema da Educação Física está desassociado de tudo isso
>> chega a ser ingenuidade. Pensar que, numa sociedade em que o poder
>paralelo
>> do tráfico carrega nossas crianças e jovens para uma vida marginal, vamos
>> conseguir a atenção da população (e seu apoio) para resolver a situação
>> problemática da Educação Física, beira as raias da alienação.
>> Que tal pensar nos problemas do planeta, da humanidade, do país, do
>estado,
>> da cidade, de nossas comunidades? É atuando que vamos promover a
>legitimação
>> de nossa profissão. Observo que aqueles professores de Educação Física
>que
>> têm trilhado o caminho da inserção nos problemas comunitários e
>participado
>> das lutas coletivas não têm muito o que se preocupar com regulamentação
>da
>> profissão e nem com o adjetivo "obrigatoriedade".
>> 5. E observo também que, a despeito de toda a produção científica
>acumulada
>> pela Educação Física, principalmente as reflexões sobre seu papel social
>> (extremamente valiosas para repensarmos nosso "estar-no-mundo"), a bola
>> ainda rola, seja na queimada para as meninas ou no futebol, para os
>meninos.
>> Mas há, agora, um discurso que sustenta essa prática: atividade livre,
>> exploração da ludicidade, estímulo à auto-organização e por aí afora.
>> Que coisa, hein? Tanto se avançou e o que mudou foi apenas o discurso...
>> Fundamentamos a "rolação de bola"!
>> Em momento algum estou desvalorizando a produção científica, por favor,
>não
>> queiram entender isto! Quero apenas compartilhar o que observo por onde
>ando
>> e entender por que a "zona de conforto" é o caminho preferencial na
>Educação
>> Física. E, ainda, entender por que ainda não conseguimos transformar
essa
>> prática, considerando as mudanças operadas em diversos cursos de formação
>de
>> professores.
>> Talvez seja o caso de refletir sobre nossa própria ansiedade em
>materializar
>> as mudanças. Estamos lidando com um fenômeno complexo, que é a cultura.
>Não
>> se revoluciona a cultura de um dia para o outro (e nem por decreto).
>Somente
>> mudanças culturais levarão a mudanças de comportamento.
>> Se, entretanto, os defensores da regulamentação querem uma proposta
>> alternativa, eu posso recomendar uma boa dose de paciência histórica
e
>muito
>> trabalho.
>> Trabalho individual, no sentido de colocar em prática tudo que sabemos
>hoje
>> que a Educação Física tem para colaborar na formação de cidadãos.
Trabalho
>> coletivo, no sentido de integrar-se às demais disciplinas e mostrar como
>a
>> Educação Física proporciona situações desafiadoras, capazes de motivar
>os
>> alunos a aprofundar-se em qualquer tema da cultura universal. Trabalho
>> institucional, no sentido de demonstrar o quanto a dicotomia corpo/mente,
>> com privilégio desta em relação àquele, se manifesta na educação,
>> determinando que a maior parte da carga horária seja dedicada a
atividades
>> cognitivas. Trabalho comunitário, no sentido de contribuir com o
>> fortalecimento da cidadania. Trabalho classista, no sentido de fortalecer
>a
>> categoria dos professores e reivindicar remuneração e condições de
>trabalho
>> dignas para que se promova uma educação de qualidade.
>> Isso vale tanto no ambiente da educação formal quanto informal. Ou será
>que
>> academias, clubes e outras instituições congêneres não são também espaços
>> educacionais?
>> Se não estão sendo, que tal começar a tratá-los como tal?
>> O conflito entre leigos e formados não é privilégio do exercício
>> profissional da Educação Física. Mas a forma de encarar o problema e
>> conduzir as estratégias de solução tem sido ímpar.
>> É por isso que reafirmo: é a contramão da história!
>>
>> E acredito que a discussão em torno da regulamentação pouco acrescenta
>a
>uma
>> lista de debates sobre a educação física escolar. Por isso expressei
meu
>> ponto de vista de forma sintética (e resultou em ironia, falha nossa!)
>nos
>> comentários anteriores, para não render muito o assunto.
>> Me perdoem o exagero de hoje - é coisa rara -, mas é difícil não ser
>prolixo
>> quando estamos sendo mal interpretados.
>>
>> Que venham, pois, seus ventos, Guilherme...
>> Já que "navegar é preciso, viver não é [nada] preciso".
>>
>> Saudações de aquém mar!
>>
>>
>> Cláudia
>>
>>
>> ----- Original Message -----
>> From: <cevefesc-L@xxxxxxxxxxxxxxxxxx>
>> To: <cevefesc-L@xxxxxxxxxxxxxxxxxx>
>> Sent: Tuesday, August 06, 2002 5:23 AM
>> Subject: [cevefesc-L] Resumo 25
>>
>>
>>
>> Mensagem: 5
>> Data: Mon, 5 Aug 2002 16:45:48 -0300
>> De: "Otavio" <otavares@xxxxxxxxxx>
>> Assunto: Re: Resumo 24
>>
>> Prezados listeiros, a lista é coletiva mas esta mensagem é especialmente
>> dedicada a Profa. Bergo.
>>
>> Prezada Claudia Bergo,
>>
>> Não me parece que o debate tenha sido até aqui superficial e corporativo.
>> Curiosamente, são as rotulações e /ou ironias que garantem a
>> superficialidade do debate, uma vez que simplificam, reduzem e reificam
>as
>> idéias às suas expressões superficiais.
>>
>> Me parece absolutamente possível e necessário que separemos o exame da
>tese
>> "regulamentação" da apreciação e/ou julgamento daqueles que exercem o
>> comando do sistema até aqui. Do contrário também poderemos julgar a
>> democracia por Fernando Collor de Melo, a medicina pelo Dr. Mengele,
o
>> socialismo por Stalin ou a função social do esporte pela Escola de
Leipzig
>> (antiga Alemanha Oriental), o que me parece mais embaralha do que
facilita
>o
>> debate.
>>
>> Neste sentido, gostaria de comentar a citação que você trouxe.
>> 1. Uma tese cara a uma boa parcela daqueles contra a regulamentação é
que
>> ela atenderia os ditames do 'neo-liberalismo'.
>> Ora, a tese central do neo-liberalismo é a desregulamentação dos mercados
>e
>> a promoção do 'Estado mínimo'. Assim, dificilmente uma regulamentação
>> poderia atendê-los.
>> Me parece que pela ótica dos donos do negócio EF, é melhor ter qualquer
>um
>> (e pagar menos se for um leigo ou um acadêmico), ou aquele que se julga
>> melhor e mais competente (e agregar valor ao negócio) do que ser obrigado
>> por uma entidade cartorial a contratar alguém com formação certa.
>>
>> 2. Recentemente comemoramos, depois de longa e excruciante dúvida, o
>retorno
>> do adjetivo "obrigatória" ao texto da LDB que fala da EF na escola. Me
>> parece que se há coerência entre os debatedores, aqueles contra a
>> regulamentação e a favor do reconhecimento espontâneo devem também se
>> posicionar contra e quem sabe até criar um movimento contra a
>> obrigatoriedade da EF na escola (cada vez mais, infelizmente, um negócio
>> privado no Brasil).
>>
>> 3. A tese do reconhecimento espontâneo não nos livra da entidade
>'mercado',
>> uma vez que vivemos numa economia de mercado. Pelo contrário. Esta tese
>> provavelmente nos joga 'nos braços do mercado'. Apesar da idéia do
>'capital
>> cultural' ser atraente, ela não nos livra obrigatoriamente de vacinar
as
>> crianças, matricula-las na escolas, não permiti-las trabalhar antes dos
>16
>> anos, não fumar em diversos lugares, processar um índio por estupro e
etc.
>> Ou seja, como já foi observado pelo Guilherme, a lei é uma instância
>social
>> inelutável que por vezes sanciona o reconhecimento social e de outras
>induz
>> mudanças.
>> Observem que nem mesmo nas antigas e atuais sociedades socialistas há
ou
>> houve espaço para o reconhecimento espontâneo. O que indica que esta
tese
>> pode ser tão bela quanto irrealizável. Aliás, atividades com alto
>> reconhecimento social (espontâneo?) não abdicaram de suas entidades
>> cartoriais. Conhecemos algum estudo que determine o papel destas
>> instituições cartoriais para o reconhecimento social daquelas profissões?
>>
>> 4. Não estamos no 'ano zero' da EF. Amargamente reconheço que nossa
>formação
>> e prática não nos tornaram competentes o suficiente para que tenhamos
um
>> reconhecimento social indiscutível. A maioria de nós não tem dúvidas
entre
>> uma curandeira e um médico, entre um motorista profissional e um de
>> fim-de-semana. entre a escola e o professor formado e a 'explicadora'.
>Mas,
>> socialmente falando, a EF tem sido vista nos últimos cem anos pelo menos,
>> como algo essencialmente prático, como a marcenaria, por exemplo (e ela
>tem
>> um saber prático muito grande). Isto faz com que a demanda social pelo
>> profissional formado seja fraca, principalmente nos espaços não formais.
>> OK. Melhoremos nossa formação e prática. Mas não seria necessário induzir
>> uma mudança social?
>>
>> 5. Observo também uma interessante incoerência de posições. Em face a
>> crescente fragmentação da profissão, dada tanto pelas demandas sociais
>> variadas quanto pelas apontadas modificações na formação profissional,
>> muitos tem proclamado que a identidade/unidade da formação se daria pela
>> característica pedagógica da intervenção ("somos todos professores").
Ora,
>> como conciliar o desejo da legitimação social espontânea com a
necessidade
>> da formação pedagógica unificada?
>>
>> 5. Devo reconhecer como professor universitário que sou que meu trabalho
>tem
>> algum valor social. É evidente que podem existir leigos com ótima atuação
>e
>> profissionais formados absolutamente medíocres mas, em tese, creio que
>a
>> formação profissional tem razão de existir. Assim, se nas áreas de
atuação
>> em que a formação profissional se choca com os múltiplos saberes da
>cultura
>> corporal sancionados pela tradição tendo a ficar a favor da tradição,
nas
>> áreas de formação e atuação mais específica e técnica, aqueles que
ocupam,
>> geralmente a baixo custo, o espaço profissional devem ser coagidos a
>> deixá-lo.
>> A questão está em como fazê-lo de maneira democrática e não da forma
>> estupidificante como foi relatada. Aliás, aqui no ES não tenho relatos
>> sequer de fiscalização, embora tenha notado um aumento de leigos
>procurando
>> cursos de graduação para se legalizarem e legitimarem.
>>
>> Bons ventos (em homenagem ao velejador Guilherme Pacheco, e sem nenhuma
>> letra de música, já que não me ocorreu nenhuma adequada agora).
>>
>> Otávio Tavares
>>
>> -----Mensagem original-----
>> De: Claudia Bergo <claudiabergo@xxxxxxxxxx>
>> Para: cevefesc-L@xxxxxxxxxxxxxxxxxx <cevefesc-L@xxxxxxxxxxxxxxxxxx>
>> Data: Segunda-feira, 5 de Agosto de 2002 00:56
>> Assunto: Re: [cevefesc-L] Resumo 24
>>
>>
>> >Guilherme, Henrique e demais listeiros que pensam como ambos
>> >
>> >
>> >Usarei palavras do professor Aldo de Albuquerque Barreto, pesquisador
>do
>> >IBICT e presidente da ANCIB, pois creio que servem para a Educação
Física
>e
>> >outras áreas mais que estiverem buscando legitimação social por vias
>> >tortuosas:
>> >
>> >"Não compete ao conhecimento ou a uma área de conhecimento justificar
>> >continuamente a sua importância e a sua existência. Seu desenvolvimento
>não
>> >se vincula ao mercado, mas ao capital cultural de uma sociedade. Este
>> >reconhecimento deve ser espontâneo e meritório." (BARRETO, A. B. Uma
>> >elegante esperança. Disponível em
>> >http://www.alternex.com.br/~aldoibct/elegante.htm. Acesso em 25 jul.
>2002.
>> >p. 3)
>> >
>> >Por favor, colegas, parem de correr atrás do próprio rabo e olhem em
>volta.
>> >Esta lista continuará acrescentando pouco, se o nível de debates
>continuar
>> >sendo tão superficial e corporativo.
>> >
>> >O Conselho realmente tem acrescentado notoriedade à Educação Física.
Essa
>> >área de conhecimento, que não conseguia espaço significativo na mídia,
>pelo
>> >menos vai ocubar bons centímetros nas páginas políciais.
>> >Que progresso, hein?
>> >
>> >São mesmo bons esses ventos!
>> >
>> >(E eu vou ficando por aqui, que Deus no céu me ajude...)
>> >
>> >Saudações.
>> >
>> >Cláudia
>> >
>> >
>>
>>
>>
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