Re: [cevefesc-L] Resumo 24

To: <cevefesc-L@xxxxxxxxxxxxxxxxxx>
Subject: Re: [cevefesc-L] Resumo 24
From: "Otavio" <otavares@xxxxxxxxxx>
Date: Mon, 5 Aug 2002 16:45:48 -0300
Prezados listeiros, a lista é coletiva mas esta mensagem é especialmente
dedicada a Profa. Bergo.
Prezada Claudia Bergo,
Não me parece que o debate tenha sido até aqui superficial e corporativo.
Curiosamente, são as rotulações e /ou ironias que garantem a
superficialidade do debate, uma vez que simplificam, reduzem e reificam as
idéias às suas expressões superficiais.
Me parece absolutamente possível e necessário que separemos o exame da tese
"regulamentação" da apreciação e/ou julgamento daqueles que exercem o
comando do sistema até aqui. Do contrário também poderemos julgar a
democracia por Fernando Collor de Melo, a medicina pelo Dr. Mengele, o
socialismo por Stalin ou a função social do esporte pela Escola de Leipzig
(antiga Alemanha Oriental), o que me parece mais embaralha do que facilita o
debate.
Neste sentido, gostaria de comentar a citação que você trouxe.
1. Uma tese cara a uma boa parcela daqueles contra a regulamentação é que
ela atenderia os ditames do 'neo-liberalismo'.
Ora, a tese central do neo-liberalismo é a desregulamentação dos mercados e
a promoção do 'Estado mínimo'. Assim, dificilmente uma regulamentação
poderia atendê-los.
Me parece que pela ótica dos donos do negócio EF, é melhor ter qualquer um
(e pagar menos se for um leigo ou um acadêmico), ou aquele que se julga
melhor e mais competente (e agregar valor ao negócio) do que ser obrigado
por uma entidade cartorial a contratar alguém com formação certa.
2. Recentemente comemoramos, depois de longa e excruciante dúvida, o retorno
do adjetivo "obrigatória" ao texto da LDB que fala da EF na escola. Me
parece que se há coerência entre os debatedores, aqueles contra a
regulamentação e a favor do reconhecimento espontâneo devem também se
posicionar contra e quem sabe até criar um movimento contra a
obrigatoriedade da EF na escola (cada vez mais, infelizmente, um negócio
privado no Brasil).
3. A tese do reconhecimento espontâneo não nos livra da entidade 'mercado',
uma vez que vivemos numa economia de mercado. Pelo contrário. Esta tese
provavelmente nos joga 'nos braços do mercado'. Apesar da idéia do 'capital
cultural' ser atraente, ela não nos livra obrigatoriamente de vacinar as
crianças, matricula-las na escolas, não permiti-las trabalhar antes dos 16
anos, não fumar em diversos lugares, processar um índio por estupro e etc.
Ou seja, como já foi observado pelo Guilherme, a lei é uma instância social
inelutável que por vezes sanciona o reconhecimento social e de outras induz
mudanças.
Observem que nem mesmo nas antigas e atuais sociedades socialistas há ou
houve espaço para o reconhecimento espontâneo. O que indica que esta tese
pode ser tão bela quanto irrealizável. Aliás, atividades com alto
reconhecimento social (espontâneo?) não abdicaram de suas entidades
cartoriais. Conhecemos algum estudo que determine o papel destas
instituições cartoriais para o reconhecimento social daquelas profissões?
4. Não estamos no 'ano zero' da EF. Amargamente reconheço que nossa formação
e prática não nos tornaram competentes o suficiente para que tenhamos um
reconhecimento social indiscutível. A maioria de nós não tem dúvidas entre
uma curandeira e um médico, entre um motorista profissional e um de
fim-de-semana. entre a escola e o professor formado e a 'explicadora'. Mas,
socialmente falando, a EF tem sido vista nos últimos cem anos pelo menos,
como algo essencialmente prático, como a marcenaria, por exemplo (e ela tem
um saber prático muito grande). Isto faz com que a demanda social pelo
profissional formado seja fraca, principalmente nos espaços não formais.
OK. Melhoremos nossa formação e prática. Mas não seria necessário induzir
uma mudança social?
5. Observo também uma interessante incoerência de posições. Em face a
crescente fragmentação da profissão, dada tanto pelas demandas sociais
variadas quanto pelas apontadas modificações na formação profissional,
muitos tem proclamado que a identidade/unidade da formação se daria pela
característica pedagógica da intervenção ("somos todos professores"). Ora,
como conciliar o desejo da legitimação social espontânea com a necessidade
da formação pedagógica unificada?
5. Devo reconhecer como professor universitário que sou que meu trabalho tem
algum valor social. É evidente que podem existir leigos com ótima atuação e
profissionais formados absolutamente medíocres mas, em tese, creio que a
formação profissional tem razão de existir. Assim, se nas áreas de atuação
em que a formação profissional se choca com os múltiplos saberes da cultura
corporal sancionados pela tradição tendo a ficar a favor da tradição, nas
áreas de formação e atuação mais específica e técnica, aqueles que ocupam,
geralmente a baixo custo, o espaço profissional devem ser coagidos a
deixá-lo.
A questão está em como fazê-lo de maneira democrática e não da forma
estupidificante como foi relatada. Aliás, aqui no ES não tenho relatos
sequer de fiscalização, embora tenha notado um aumento de leigos procurando
cursos de graduação para se legalizarem e legitimarem.
Bons ventos (em homenagem ao velejador Guilherme Pacheco, e sem nenhuma
letra de música, já que não me ocorreu nenhuma adequada agora).
Otávio Tavares
-----Mensagem original-----
De: Claudia Bergo <claudiabergo@xxxxxxxxxx>
Para: cevefesc-L@xxxxxxxxxxxxxxxxxx <cevefesc-L@xxxxxxxxxxxxxxxxxx>
Data: Segunda-feira, 5 de Agosto de 2002 00:56
Assunto: Re: [cevefesc-L] Resumo 24
>Guilherme, Henrique e demais listeiros que pensam como ambos
>
>
>Usarei palavras do professor Aldo de Albuquerque Barreto, pesquisador do
>IBICT e presidente da ANCIB, pois creio que servem para a Educação Física e
>outras áreas mais que estiverem buscando legitimação social por vias
>tortuosas:
>
>"Não compete ao conhecimento ou a uma área de conhecimento justificar
>continuamente a sua importância e a sua existência. Seu desenvolvimento não
>se vincula ao mercado, mas ao capital cultural de uma sociedade. Este
>reconhecimento deve ser espontâneo e meritório." (BARRETO, A. B. Uma
>elegante esperança. Disponível em
>http://www.alternex.com.br/~aldoibct/elegante.htm. Acesso em 25 jul. 2002.
>p. 3)
>
>Por favor, colegas, parem de correr atrás do próprio rabo e olhem em volta.
>Esta lista continuará acrescentando pouco, se o nível de debates continuar
>sendo tão superficial e corporativo.
>
>O Conselho realmente tem acrescentado notoriedade à Educação Física. Essa
>área de conhecimento, que não conseguia espaço significativo na mídia, pelo
>menos vai ocubar bons centímetros nas páginas políciais.
>Que progresso, hein?
>
>São mesmo bons esses ventos!
>
>(E eu vou ficando por aqui, que Deus no céu me ajude...)
>
>Saudações.
>
>Cláudia
>
>
>----- Original Message -----
>From: <cevefesc-L@xxxxxxxxxxxxxxxxxx>
>To: <cevefesc-L@xxxxxxxxxxxxxxxxxx>
>Sent: Sunday, August 04, 2002 9:55 PM
>Subject: [cevefesc-L] Resumo 24
>
>
>
>Mensagem: 5
> Data: Sun, 4 Aug 2002 11:46:00 -0300
> De: "Guilherme Pacheco" <gpacheco@xxxxxxxxxxxxxxx>
> Assunto: Re: Resumo 23
>
>Cláudia e Colegas,
>
>Rir não resolve, a não ser pelo prazer da previsão que se realizou.
>[...]
>Seria simples: já que a criança é defeituosa, joguemo-la pelo penhasco
>abaixo.
>
>Bons Ventos!
>
>Guilherme Pacheco
>
>________________________________________________________________________
>________________________________________________________________________
>
>Mensagem: 9
> Data: Sun, 4 Aug 2002 18:37:48 +0100
> De: José Henrique <jhenrique@xxxxxxxxxx>
> Assunto: RE: Resumo 23
>
>Concordo com a manifestação do Guilherme à Cláudia. E acho extremamente
>importante que outros colegas venham a interessar-se pela questão e
>habilitarem-se a compor chapas para a gestão dos CREFS. Realmente é muito
>fácil jogar as pedras no telhado, qdo estes são os outros. Está na hora dos
>demais colegas pensarem em transformar-se em telhado.
>saudações a todos
>Henrique
>
>________________________________________________________________________
>________________________________________________________________________
>
>Mensagem: 10
> Data: Sun, 4 Aug 2002 18:48:35 +0100
> De: José Henrique <jhenrique@xxxxxxxxxx>
> Assunto: RE: Resumo 23
>
>Apesar de já ter enviado varios mails tentando contribuir com a questão
>levantada pelo Guilherme, não resisti em devolver à lista uma suposta
>resposta ao comentário da Cláudia.
>Como já referi em comentários anteriores, acho que a EF tem uma abragência
>que extrapola a área escolar, apesar de sempre possuir um enfoque
>educacional. Afinal o que desejam as pessoas que eram(e continuam sendo
>contra a existencia do Conselho de EF)??? que proposta alternativa
defendem,
>já que nunca conheci uma operacionalizavel. O Guilherme coloca bem o
sentido
>da democracia que devemos possuir; da abdicação de nossos objetivos (e
diria
>tb de pequenas turras). Portanto solicito que os colegas se manifestem com
>consciência para que todos possamos desfrutar de discussões no mínimo
>interessantes.
>Henrique
>
>
>
>
>
>
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