nota

To: "CEVEFESC" <cevefesc-L@xxxxxxxxxxxxxxxxxx>
Subject: nota
From: "Guilherme Pacheco" <gpacheco@xxxxxxxxxxxxxxx>
Date: Sat, 3 Aug 2002 20:26:04 -0300

NOTA DE PESAR E DE INDIGNAÇÃO

Caros Colegas,

É com imenso pesar que tomei conhecimento nesses dias do "modus operandi" da fiscalização do Conselho nas escolas do Rio de Janeiro.

Soube que os fiscais (jovens professores) vestem-se como uns policiais federais com aquele colete preto escrito nas costas FICALIZAÇÃO. Munidos de rádios-comunicadores, checam em "real time" junto à "delegacia central" se os professores da escola fiscalizada são inscritos no Conselho. É uma estética policialesca, como se as escolas fossem um camelódromo e os professores uns marginais.

Há, vejam só, a exigência que os professores mantenham escrito na camiseta a palavra PROFESSOR ou usar um crachá de professor de EF. Um absurdo. Será que a comunidade escolar não é capaz de reconhecer quem é o professor de EF em aula? Ou pensam esses dirigentes que "marcar o gado" dá status?

Por que os outros conselhos profissionais (de química por exemplo) não precisam fazer isso?

Durante anos nós professores buscamos nosso espaço nas escolas a partir do reconhecimento do valor da EF escolar. Nos empenhamos para superar aquele estigma do professor que trabalha de short. Conseguimos e hoje temos assento em qualquer forum pedagógico. Diga-se porém, que não precisamos de qualquer ajuda do Conselho.

A postura investigativa, que pressupõe o erro, que usa a pressão, ao invés de persuadir e negociar, que precisa de aparência e pantomimas policiais, é sintoma de fraqueza e inabilidade política. Tem sido assim nas academias de ginástica e agora se volta para instituição escolar.

Como professor de escola durante muitos anos e hoje na universidade preocupado com assuntos da área escolar, estou indignado com essa estética nazista (porque violenta e espalhafatosa), que é certamente fruto da consciência infeliz de alguns dirigentes do Conselho. Como pessoa, muito envergonhado.

Definitivamente não é dessa forma irracional, absurda e antipática, que a EF vai manter o seu lugar na escola.

Sempre fui a favor da regulamentação da profissão, tive a oportunidade de dar aulas gratuitamente para obter fundos para o Movimento, tenho amigos e mestres no Sistema CONFEF/CREF. E por isso mesmo é que quero deixar registrado os meus mais indignados protestos aos responsáveis por isto.

Bons Ventos!

 

Guilherme Pacheco, professor licenciado pelo MEC e registrado no CREF 01

 

 

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