Re:[Cevdopagem] Ignorância ou má-fé.

Nilson Duarte Monteiro nilsondm em uol.com.br
Domingo Outubro 1 12:11:12 BRT 2006


Sabino, Ana e Todos,

Reproduzi um trecho do livro "Senhores dos Anéis, poder dinheiro e drogas nas Olimpíadas Modernas"


Bem na Cara de Todos

Pense num hotel de alta classe, na Europa Ocidental. Garçons e garçonetes correm para servir mais de uma centena de hospedes e suas respectivas esposas. A comida é ótima, os vinhos de primeira. Acertou: trata-se de um jantar para os dirigentes de um dos esportes olímpicos mais populares. Seu presidente, Primo Nebiolo, um membro do Clube (é uma das sociedades fechadas mais poderosas do mundo. Por intermédio do Clube, um punhado de “presidentes de Comitês Nacionais” nomeados comanda o esporte mundial), ocupa a cabeceira da mesa central. O banquete faz parte de um final de semana de mordomia, tendo como justificativa um acontecimento esportivo qualquer.

Todos se vestem com apuro: ternos caros para os homens, longo para as mulheres. Participa da festa um atleta famoso, atual campeão do mundo, cuja aparência surpreende. É o único que parece não ter se barbeado.

A quebra da etiqueta não chega a incomodar. Na verdade, chama a atenção o fato de que o campeão é uma mulher. E exibe uma barba mais cerrada do que a maioria dos homens presentes. Ela é um exemplo claro de atleta dopada, bem-sucedida, desafiadora, exibindo os efeitos colaterais do abuso de esteróides. Está mudando de sexo bem na cara de todos! Os dirigentes esportivos e o presidente não se importam. Não vêem nada de mais. Só nós a encaramos.

Muitos dirigentes presentes ao banquete fazem há anos discursos arrebatados, como paladinos da cruzada anti-doping. Somente neste jantar percebemos o quanto o doping foi aceito e integrado à vida de muitos dirigentes do esporte internacional.

Há fartos motivos para preocupações com o tratamento dado pelos dirigentes esportivos internacionais aos testes anti-doping. O fato brutal é que há anos se sabe, dentro do Clube, que testar atletas no dia da competição é praticamente uma perda de tempo e dinheiro. Não passa de um show, uma forma de encobrir a verdade. Quem toma drogas recebe orientação profissional, por parte de médicos e técnicos, sobre o tempo necessário para eliminar os traços das substâncias em seu corpo. Só um irresponsável, ou um Bem Johnson, que assumiu um risco calculado de que seu último programa de esteróides seria eliminado antes de Seul, é flagrado.

O único método aceitável para impedir o doping é o teste aleatório. Para acabar com o doping, só o medo de que, a qualquer momento, durante os treinos, quando os trapaceiros estão no meio dos programas de doping, uma equipe de testes apareça de repente em sua cidade natal, no clube ou universidade, e colha uma amostra. Testes ao acaso raramente acontecem, embora sejam necessários há décadas.

Charles Dubin, chefe da Justiça de Ontário, desmascarou anos de hipocresia. “Mesmo sabendo há anos que os testes durante as competições eram uma falácia, registrou Dubin em seu relatório, “as comissões médicas de organizações como a IAAF e o COI não tomaram providências para divulgar o ardil. Ao deixar de agir, elas transmitem a impressão de que as competições são justas e que os laboratórios não podem ser ludibriados.”
Os líderes do COI e das federações têm poucas justificativas. Seus próprios cientistas, sumidades esportivas como o professor Brooks na Inglaterra, o dr. Manfred Donike na Alemanha e o dr. Robert Dugal no Canadá, sugeriram testes aleatórios já na década de 1970. Até as Olimpíadas de Seul não haviam sido iniciados. Se as federações e o COI fossem sérios em sua disposição de eliminar o doping, poderiam ter investido a nova riqueza da TV e dos patrocinadores para promover uma limpeza nos esportes. Se tivessem feito isso, Bem Johnson jamais teria sido aceito na equipe de seu país.

Existe a possibilidade de Dubin não ter contado toda a verdade. Há indícios de que muitas federações nacionais e internacionais ignorarem os usuários de drogas, abafarem resultados positivos e em diversas ocasiões funcionarem como traficantes, fornecendo esteróides para seus times.

Mais de uma década se passou desde que Sebastian Coe falou no Congresso Olímpico de Baden-Baden, pedindo aos dirigentes que banissem para sempre os atletas flagrados ao usar drogas. Coe, com o apoio de competidores do mundo inteiro, vem repetindo o apelo, sem sucesso.

Quando completávamos este livro, a droga mais popular entre os atletas britânicos era um produto veterinário para o qual os cientistas ainda não haviam desenvolvido um teste satisfatório. Os trapaceiros terão pouco com que se preocupar. Um dos truques usado pelas mulheres é um cateter. No dia da competição eles enchem a bexiga com urina doada pelas amigas, sem contaminação. E seguem despreocupadas para os testes.

O COI e as principais federações esportivas, como a IAAF, divulgam documentos comovedores sobre os males do doping. Elas investem somas modestas em simpósios onde os cientistas esportivos mostram seus trabalhos aos colegas, mas relutam em investir nas pesquisas para melhorar os métodos de detectar as drogas, particularmente de substâncias hormonais. O que nunca fizeram foi usar sua autoridade para promover uma investigação sobre quem usa drogas, quem as fornece e se a política por elas adotadas contra esse “flagelo” é ou não eficiente.

Nem o COI e nem a IAAF investigaram o escândalo de Bem Johnson. Coube ao governo canadense a iniciativa de realizar um inquérito adequado. No mesmo ano o governo da Austrália abriu um inquérito porque seus dirigentes esportivos não investigavam as denúncias de doping. A torrente interminável de revelações sobre doping nos EUA nunca provocou nenhuma investigação do USOC ou a federação de atletismo. Foi preciso esperar pela iniciativa do comitê do senador Joe Binden ara revelar os escândalos do doping no país, e obter os testemunhos mais chocantes e assombrosos sobre os efeitos colaterais dos esteróides.

A corredora norte-americana Diane Willians esclareceu muito este aspecto do doping. Ela declarou ter sido forçada a se dopar por seu técnico. E relatou seu caso ao comitê de investigação. Diane contou que foi recrutada por um dos técnicos mais bem-sucedidos dos EUA e imediatamente ele forneceu esteróides. Em um ano ela começou a notar mudanças em seu corpo. Então ele lhe deu “aquelas pílulas com formato de bola de futebol – Dianabol”. Trata-se de uma conhecida marca de esteróides.

Sua frase seguinte deixou o comitê embaraçado e silencioso: “Surgiram traços masculinos, como bigode e pelos no queixo. Meu clitóris começou a crescer assustadoramente”, disse Willians.

Em seguida ela começou a chorar, e o comitê permitiu que fizesse uma pausa. Logo prosseguiu: “Minhas cordas vocais se alteraram, a voz engrossou. Fiquei coberta de pelos. Os esteróides afetaram meu comportamento sexual. Em muitos momentos eu virei uma ninfomaníaca.”

Os esteróides também permitem que os homens aumentem a massa muscular, mas os efeitos colaterais são igualmente pertubadores. Na mesma investigação do senado, o técnico Pat Croce respondeu assim a uma pergunta sobre o modo como lidava com os jovens que tomavam esteróides para aumentar os músculos: “Eu digo a eles para abaixar a calça e mostrar se são realmente homens. Eles querem ficar grandes e masculinos, mas seus testículos encolhem.”

Por que homens e mulheres correm tais riscos? Uma resposta cândida foi dada pelo corredor canadense Tony Sharpe, amigo de Bem Johnson: “A glória é doce, os dólares são muitos.”

A glória e os dólares são atraentes para os dirigentes, bem como para os atletas. Quando um esporte começa a render muito dinheiro, graças a TV e aos patrocinadores, os atletas não são os únicos beneficiados. As federações ganham prestígio e recursos. Mas tudo pode se perder, caso o público descubra que seus heróis vivem a poder de drogas ilícitas. Este temor cria uma cultura de cegueira. Os dirigentes esportivos que deveriam erradicar o doping olham para o outro lado. Pior ainda, começam a proteger suas estrelas, impedir que sejam desmascaradas.

Os escândalos atingiram os Jogos Panamericanos de Caracas, em agosto de 1983. Muitos competidores, mais do que o público imaginava, passaram o verão do norte estufando os músculos graças a programas baseados em esteróides.

Mas uma surpresa os aguardava em Caracas. O dr. Manfred Donike, de Colônia, nomeado responsável pelo controle anti-doping, desenvolveu técnicas novas e mais precisas para os testes. Isso foi descoberto por acidente. A equipe médica do comitê norte-americano foi a Caracas antes do evento, para prevenir problemas sanitários e de alimentação. Eles descobriram o novo equipamento de teste. Sem pensar nas conseqüências, os dirigentes informaram o pessoal nos EUA o que esperava por eles.

A catástrofe era iminente, e a equipe mais vulnerável era a dos halterofilistas. A chegarem em Caracas, foram levados secretamente para fazer testes preliminares nos novos equipamentos. Os resultados deveriam ter detonado uma investigação abrangente por parte das federações esportivas norte-americanas. Havia onze halterofilistas na equipe. Um teste deu negativo, em outro a urina estava diluída demais para permitir a identificação de qualquer substância – sinal de que um produto havia sido usado para mascarar as drogas. Os outros nove testes deram positivos.

Os dirigentes não pensaram em mandar a equipe de volta imediatamente e tomar providências para acabar com o doping. Optaram pelo encobrimento. Teria sido muito constrangedor retirar dez dos onze atletas da competição. Todos participaram, mas dez deles tiveram um desempenho ridiculamente baixo. Só ganhadores de medalhas passavam pelos testes. Assim, eles escaparam das medalhas e do desmascaramento.

O único halterofilista que passou no teste esforçou-se ao máximo e ganhou três medalhas de ouro. Tornou-se o primeiro usuário de drogas a descobrir que é possível passar no teste num dia e ser reprovado no outro. Traços da droga permanecem nas gorduras do corpo, e passam para a urina em concentrações variáveis. O gráfico da limpeza do corpo não é uma reta linear para baixo. Apresenta um contorno irregular nos últimos dias, e quando o ganhador das medalhas forneceu a amostra da sua urina, o teste acusou traços de drogas. Ele perdeu as três medalhas.

Sua vergonha se diluiu num escândalo ainda maior. Pelo menos uma dúzia de atletas chegou a Venezuela, ficou sabendo do risco, deu meia volta e retornou aos EUA. Nem chegaram a pisar no estádio.

A história não acabou aí. Os atletas fugiram porque tinham certeza de que não passariam nos testes e seriam desmascarados. Muitos deles, contudo, tinham competido no Primeiro Campeonato Mundial de Atletismo em Helsinque, havia duas semanas, quando seus corpos tinham índices ainda maiores de esteróides. Nenhum resultado positivo foi anunciado na Finlândia. Era inacreditável.

O dr. Donike também estava responsável pelo controle de doping em Helsinque, e usara o mesmo equipamento lá. Dias depois dos testes, foi encaixotado e remetido para Caracas. Havia apenas uma diferença significativa entre os dois eventos. O campeonato de Helsinque foi o primeiro evento de porte da IAAF. Era a primeira leva dos milhões de dólares que começavam a inundar o esporte mundial. Foi anunciado que não houve nenhum teste positivo em Helsinque.

Há poucas dúvidas de que o evento da IAAF em Helsinque foi um campeonato de vários drogados. O jornalista John Rodda comentou no Guardian de Londres: “Havia dúvidas e suspeitas sobre a maneira como alguns atletas chegaram ao auge. A alta incidência de contusões causou profunda preocupação. A suspeita de que as contusões podem ter sido provocadas pela pressão excessiva sobre o corpo, resultado do uso de drogas, nunca foi abertamente discutida.”

Um ano depois de Helsinque, o corredor norte-americano dos 400m, Cliff Wiley, afirmou: “Pelo menos 38 testes deram positivo, dos quais 17 eram norte-americanos. Mas os atletas eram tão importantes que os organizadores não tiveram coragem de acusa-los.”

A história de Caracas e Helsinque foi revelada pelo dr. Robert Voy. Especialista em medicina esportiva, tornou-se chefe da equipe médica do USOC em 1984. O dr. Voy criou vários problemas. Ele não queria entrar para o Clube. Lutou contra o encobrimento e fez campanha pelo fim das drogas no esporte. Renunciou a seu cargo em 1985, quando o USOC cortou seu orçamento.

“O IAAF deve ter alterado os resultados em Helsinque”, disse o dr. Voy, que reserva sua crítica mais contundente para o presidente do atletismo, Primo Nebiolo: “Não tenho dúvidas de que, pelo menos em 1983, o presidente não exigiu testes honestos e rigorosos em Helsinque.”

O presidente e o conselho da IAAF promoveram uma reunião três meses depois de Helsinque, e anunciaram que lançariam um programa rigoroso de testes aleatórios, sem anúncio prévio. Isso foi amplamente divulgado, e o público se tranqüilizou. Os trapaceiros seriam intimidados, deixariam o esporte ou a droga. O programa parecia muito convincente. Nunca foi colocado em prática.

O fato da IAAF enganar o público já era muito ruim. O comitê olímpico dos EUA foi mais longe ainda. Faltando um ano para os Jogos Olímpicos de 1984, dedicaram-se a ensinar à delegação como enganar os testes anti-doping. Lançaram um programa eufemisticamente voltado para “testes anti-doping educacionais e não punitivos”, num laboratório credenciado pelo COI na Califórnia, montado para as Olimpíadas.

Oficialente, o esquema se destinava a familiarizar os atletas com os procedimentos nos testes antes das Olimpíadas. Era uma piada escabrosa. Pouca gente precisava de treinamento para urinar num vidro. Para os usuários de drogas, o programa caiu do céu. Correram para o laboratório, aprendendo exatamente em quanto tempo seu corpo se livrava dos traços de esteróides. As doações espontâneas de pessoas e empresas, feitas ao USOC para preparar os atletas para os Jogos, acabaram servindo para estimular as trapaças dos atletas. Nenhum norte-americano foi flagrado nas Olimpíadas de Los Angeles. Entre os estrangeiros, 14 não passaram nos testes.

Nem todos os dirigentes norte-americanos participaram deste escândalo. “Quando soube do programa de testes pré-olímpico do USOC, destinados a ensinar aos atletas maneiras mais eficientes de driblar os testes oficiais”, disse a técnica Pat Connolly, da equipe feminina, para o comitê de investigação do senado, “eu me senti traída, como uma criança abandonada pelos pais.”

Os Jogos de Los Angeles deram mais indicações da importância conferida pelo presidente do atletismo, aos flagrantes de doping. O escândalo mais famoso de 1984 foi a saída do finlandês Martti Vainio minutos antes da largada dos 5 mil metros rasos. Enquanto os corredores alinhavam-se na pista, chegou a notícia de que o teste anti-doping de Vainio, realizado após a conquista da medalha de prata nos 10.000m, dias antes, dera positivo.

Um dos juízes técnicos, Fred Holder, da Inglaterra, pediu a Vainio que se retirasse. “Vainio saiu sem discutir, abandonando a pista imediatamente”, Holder contou em entrevista. “Mais tarde, o presidente do atletismo ficou furioso. Insistiu que apenas o conselho da IAAF poderia tomar uma decisão dessas.”

O conselho só se reuniria novamente depois do encerramento dos Jogos, e suspeitava-se que o presidente do atletismo planejava anunciar a desclassificação de um ganhador da medalha de prata após o final das Olimpíadas, quando a atenção da mídia seria relaxada. Um dirigente da IAAF disse: “Isso foi uma besteira típica do presidente do atletismo. Mostrou sua falta de experiência, sempre tentando esconder um problema.”

Vainio comentou mais tarde: “Acho que havia outros. Fui o único considerado culpado. Concordo com minha punição, mas quantos atletas deveria haver neste barco?” Mais tarde revelou-se que o teste de Vainio na maratona de Roterdam, dois meses antes, dera positivo. Os dois resultados deveriam implicar no banimento do atletismo. Mas ele só foi acusado pela falta nas Olimpíadas, e suspenso por apenas 18 meses.

Os escândalos se sucediam, sem parar. Depois dos Jogos de Los Angeles, o evento internacional seguinte era o segundo Campeonato Mundial de Atletismo em Roma. O grande logro de 1987 foi o salto de Evangelista, mas a tolerância ao doping foi igualmente triste.	
	
No final do campeonato Nebiolo, de olho na bolsa dos patrocinadores, afirmou que promovera um campeonato “livre de drogas”. Era quase inacreditável que um dirigente esportivo veterano negasse tão cinicamente um fato reconhecido por cada atleta, técnico e jornalista.

Um dos “triunfos” do campeonato foi o novo recorde dos 100 metros rasos, por Bem Johson. Um membro do COI, presente ao campeonato, declarou em uma conversa particular: “Os dirigentes da equipe canadense tremeram até o momento em que Ben Johnson passou no teste.” Que Johnson tomava drogas era um segredo de araque no0 mundo do esporte, mas o público não sabia. Pelo jeito ele administrou bem o período de descontaminação antes de seguir para Roma.

Carl Lewis, segundo colocado, atrás de Johnson, declarou em entrevista para a televisão: “Há ganhadores de medalhas de ouro neste campeonato que certamente tomam drogas. A prova dos 100m ficará na história, por mais de um motivo. Se eu tomasse drogas, poderia fazer 9.8 agora mesmo.”

Quando os repórteres questionaram Nebiolo sobre as acusações de Carl Lewis, a melhor resposta que ouviram foi: “Ele deveria fazer um relatório a federação norte-americana”. Duas semanas depois de quebrar o recorde, Johnson foi recebido em audiência no Château de Vidy, pelo presidente do COI.

Se o comportamento público de Nebiolo à frente da IAAF irritou os observadores, a verdade sobre a federação italiana, que ele presidia também, deixaria todos sem fala. Bem Johnson e outros trapaceiros de Roma se dopavam secretamente. Na Itália a situação beirava o inacreditável: as maiores estrelas do atletismo passavam por doping com sangue e programas de esteróides organizados e pagos pela FIDAL (Federação Italiana de Atletismo) de Nebiolo.

Desde o início da década de 1980 a federação italiana estimulava o doping com sangue. Meses antes de um evento importante, um atleta doava meio litro de sangue. As células vermelhas, que transportam o oxigênio, eram extraídas e injetadas novamente na véspera da competição. Como o corpo providenciara a reposição das células no intervalo, o resultado era uma quantidade maior de células vermelhas, e mais oxigênio nos músculos, durante as provas. Acreditava-se que um corredor poderia diminuir seu tempo nos 5 mil metros em cinco segundos.

Esta prática só foi proibida pelo COI no final da década de 1980, mas sempre a consideraram imoral. Isso não incomodava a federação de Nebiolo. Um de seus assessores técnicos, dr. Francesco Conconi, era professor de bioquímica na Universidade de Ferrar.

Não resta dúvida de que o líder do atletismo italiano estava informado da situação. No dia 10 de junho de 1983, Conconi escreveu a Nebiolo:

“Caro presidente, a pesquisa nos últimos três anos permitiu o aperfeiçoamento de tecnologias superiores àquelas utilizadas em Moscou em 1980, Iugoslávia em 1981 e Atenas em 1982.”

O trabalho preparatório para Los Angeles, com os atletas que participarão do programa, levará quatro meses. Precisamos inicia-lo antes de 1 de novembro de 1983. As tecnologias que pretendemos utilizar, implicam em execução longa e laboriosa, e o programa resultante será muito complexo”.
	
Vários atletas presentes a Los Angeles passaram pelo doping com sangue. A teoria não funcionou na prática, e as medalhas extras não se materializaram. Depois dos Jogos, alguns documentos vazaram ara a imprensa italiana e o escândalo foi revelado.

O doping com sangue era questionável, porém legal na época; os esteróides não. Isso não deteve a FIDAL em seu desespero de conseguir medalhas, aplausos na Itália e mais contratos de patrocínio.

Na véspera da partida da equipe italiana ara a Olimpíadas de Los Angeles, o técnico de corridas Sandro Donati e um colega entraram no escritório do departamento técnico da FIDAL e tropeçaram em uma caixa de papelão coberta de rótulos dos EUA. Eles a abriram e encontraram mais de mil frascos de esteróide. Cada frasco continha 100 pílulas de 5 mg. Provinham de uma empresa de Nova York, e na caixa havia um aviso: “Somente com receita médica.”

As drogas eram administradas sob supervisão de um funcionário da FIDAL em tempo integral. Ele executou seu trabalho metódica e burocraticamente, insistindo com todos os atletas em tratamento para que assinassem um termo de compromisso. A primeira versão, manuscrita, foi encontrada nos arquivos da FIDAL, e dizia:

Eu...........(nome do atleta), declaro que desejo realizar terapia com o esteróide anabolizante..........(nome da droga), em adição ao meu treinamento. Faço isso por minha escolha e assumo a responsabilidade.

A FIDAL considerou esta redação muito explícita, e a trocou por uma versão mais branda:

Eu, ...........(nome do atleta), declaro que por minha livre e espontânea vontade desejo me submeter a terapia médica e remédios sugeridos pelos médicos da FIDAL. Serei informado da dosagem, possíveis efeitos colaterais e reações adversas, além de informações sobre sua possível e eventual toxidez.

Donati desafiou Nebiolo pessoalmente, e finalmente o confrontou. “Você precisa ter uma visão mais ampla das atividades da federação”, explicou o presidente. “Eu dedico muito esforço à promoção do atletismo. O esporte tinha um perfil muito baixo na mídia e junto ao público. Temos um grande circo, e se esticarmos demais a lona, o teto vai cair. Precisamos olhar o conjunto, não um só aspecto. Não queremos que o teto caia.”

O teto desabaria nas Olimpíadas de Seul. Pouco depois de congratular Bem Johnson pelo recorde dos 100m em Roma, Samaranch declarou à imprensa: “Garanto a todos que podem ficar tranqüilos, pois seremos muito firmes na questão do doping. Trata-se de um tipo de fraude que não podemos tolerar.” Os fraudadores sabiam que não tinham muito a temer, e quando a primavera de 1988 deu lugar ao verão, dedicaram-se a tomar sua pílulas e injeções.

A primeira pista surgiu em maio. Um dos primeiros eventos importantes da temporada era o Gatorade Classic, em Knoxville, no Tennessee. Quando anunciaram que havia testes anti-doping, muitos competidores desisitiram. Só um dos oitos lançadores de disco apareceu, e um conhecido astro do salto triplo cancelou sua participação.

O mesmo ocorreu no Pepsi Classic, realizado uma semana antes das eliminatórias norte-americanas para as Olimpíadas. Ali também houve controle de drogas. Faltaram tantos atletas que as provas de lançamento de peso e disco foram canceladas.

As eliminatórias para as Olimpíadas foram disputadas em julho, em Indianápolis. Mais uma vez, levantou-se a suspeita de que os trapaceiros estavam usando drogas, pois precisavam se classificar para Seul. A prova estava nos oito atletas com resultados positivos no teste da planta que produz efedrina, um conhecido agente mascarador de esteróide. Eles foram inocentados porque a efedrina também pode ser encontrada em algumas vitaminas. Um desses atletas inocentados foi Carl Lewis

Um ano mais tarde a maratonista australiana Lisa Martin afirmou que 17 atletas tiveram resultados positivos nas eliminatórias olímpicas dos EUA. Seu empresário declarou que ela compareceu a um encontro depois das eliminatórias, quando os atletas foram avisados: “Em Seul os testes serão para valer.”

As eliminatórias nos EUA apresentaram outra sensação: Flo-Jo, a corredora Florence Griffith-Joyner, cuja carreira anterior não registrava maiores feitos. A edição de 1987 da Track & Field News não a listava entre as dez mulheres mais rápidas do mundo, e a colocava em sétimo lugar no ranking norte-americano. Mesmo assim em um ano, como comentou venenosamente o treinador de Bem Johnson, Charlie Francis, “ela é uma aberração histórica na curva de performance, seus tempos estão cinqüenta anos a frente.” Ela ganhou três medalhas de ouro em Seul, quebrando dois recordes mundiais.

Carl Lewis e outro atleta destacado levantaram a questão do uso de drogas. Um jornalista do Times de Londres perguntou: “Seria ela um hermafrodita drogado?” Em novembro de 1991 Griffith-Joyner declarou aos jornalistas que, embora “não quisesse perder tempo e dinheiro em um processo”, ela iria “pegar Lewis”.

Depois dos Jogos de Seul, a revista Stern publicou uma declaração do antigo campeão norte-americano dos 400m, Darrel Robinson, que ela havia pago US$ 2 mil por um frasco de 10 cc de HGH – hormônio de crescimento humano. Na televisão ela o chamou de “lunático maluco mentiroso”. Flo-Jo passou por todos os testes anti-doping que realizou. Entretanto, ainda não existe um teste confiável para o HGH.

Bem Johnson foi a melhor notícia para o COI e a IAAF nos anos 1980. Finalmente podiam exibir um novo “homem mais rápido do mundo”. Os recordes mundiais de Johnson em Roma e Seul emocionaram o público e os patrocinadores. Samaranch e Nebiolo pegaram carona no sucesso dele.

Johnson enfrentava problemas ao se preparar para Seul. Sua equipe descobriu, no final de 1987, que depois de três anos de doping com hormônios, seu peito esquerdo crescera muito. Ele estava virando mulher! Isso não foi revelado ao público canadense, que recebia garantias dos dirigentes nacionais: o esporte ali era limpo, porque os testes aleatórios haviam sido anunciados. Anunciados sim, realizdos não. Sempre havia uma desculpa para o adiamento. Johnson estava pronto para levar mais glória e dinheiro aos dirigentes de Seul.

Os preparativos de Johnson para as Olimpíadas foram pertubados por uma contusão, mas seu programa de doping prosseguiu inabalável. No final de agosto ele começou a última série de duas semanas de doping, antes de Seul. Teria 13 dias até o torneio de aquecimento, em Tóquio, sem testes, e depois iria para Seul, rezando para que seu corpo tivesse eliminado todos os sinais de esteróides. Estava enganado.

O COI contestou as suspeitas de que teria preferido abafar o caso, evitando um escândalo que assustaria os patrocinadores. Resta o fato de que alguém dentro do laboratório de teste do COI ficou tão preocupado com o possível ocultamento que vazouo resultado para a imprensa.

Se pode haver algo mais sórdido no esporte do que a “exclusão” de Johnson como usuário de drogas, foi a reação do COI e da IAAF à questão da nova entrega de medalhas. Dois anos antes o atleta russo Vladislav Tretyak disse na cara de Samaranch: “Quando um competidor ganha uma medalha e é desclassificado, o vencedor real deve receber as honras que merece – o que normalmente nçao acontece.”

Não aconteceu em Seul, tampouco. A exigência de Tretyak foi ignorada quando Johnson perdeu a medalha. Limitar os estragos era a ordem do dia. O escândalo já prejudicara demais a imagem e o valor econômico dos Jogos. A última coisa que o nervoso presidente desejava era divulgar o desastre através de uma segunda cerimônia pública de entrega de medalhas.

Samaranch olhou para o outro lado enquanto Nebiolo restringia a cerimônia de premiação de Carl Lewis, Linford Christie e Calvin Smith com suas novas medalhas a seu escritório fechado, no estádio de Seul. “Não haverá cerimônia especial”, declarou a porta-voz do COI, Michele Verdier. “É uma regra da IAAF”.

Bem Johnson cometeu três erros graves em sua juventude: tomou esteróides, foi flagrado e exigiu um inquérito para limpar seu nome. O governo canadense o atendeu, nomeando o juiz Charles Dubin para chefiar a comissão de inquérito. As provas foram trazidas a público, sob juramento, durante o ano de 1988, em Toronto. Tornou-se uma das investigações mais completas já realizadas no esporte moderno.

Se o governo canadense não abrisse o inquérito, não haveria investigação do caso Johnson. O escândalo teria sido rapidamente esquecido num canto. O público poderia ficar sossegado, tudo não passava de uma tragédia pessoal restrita a Johnson. Dubin logo mostrou que estas afirmativas não passavam de absurdos perniciosos.

Nas audiências ficou claro que todas as pessoas importantes no atletismo canadense e mundial sabiam que membros da equipe do técnico Charles Francis, Johnson inclusive, pertenciam à “irmandade da agulha”. Contudo, nenhum dirigente rompeu fileiras e protestou quando Johnson passou em um teste após outro, de doping, limpeza e provas com testes, Johnson conseguiu passar por 19 testes em dois anos, antes dos Jogos de Seul.

Dubin examinou as declarações do COI e da IAAF, a respeito da eficácia dos testes anti-doping durante as competições, tidos como capazes de reprimir fraudes, e confrontou as declarações com os depoimentos obtidos. Ele chamou testemunha após testemunha, e muitos admitiram que usavam drogas ou estavam envolvidos no fonecimento de drogas a atletas.

Tendo revelado a abrangência do doping, Dubin arrasou com a afirmação, usada desde os Jogos de 1968, de que o pequeno número de resultados positivos nos testes “provava” que o doping era um mal menor. Ele mostrou o óbvio; nas palavras do inglês Sir Arthur Gold, “só os descuidados ou mal orientados são descobertos”.

Implacavelmente o juiz canadense destruiu os mitos impostos pelos presidentes esportivos com o passar dos anos. Dubin compreendeu de que a maneira o público fora iludido. Ele mergulhou nas estatísticas exibidas pelo COI para provas que apenas um punhado de competidores usava drogas. Segundo Dubin, elas foram “usadas de modo enganoso, nas diversas tentativas de mostrar que o abuso de drogas ocorria apenas com uma pequena porcentagem dos atletas. Esta preocupação com as aparências, e não com a essência, é um tema contínuo nas provas.”

O sueco responsável pela comissão médica da IAAF, Arne Ljungqvist, enfrentou fogo pesado. Ljungqvist é uma figura de destaque no atletismo sueco e mundial. Dubin notou que Ljungqvist  arfimou: “ Os Jogos em Seul não podem ser considerados as Olimpíadas da droga. Cerca de 1600 atletas foram examinados, e surgiram dez resultados positivos. O problema em Seul foi que um dos atletas dopados se chamava Bem Johnson.”

Dubin retrucou em seu relatório: “O dr. Ljungqvist e outros sabem que os testes durante as competições não pegam todos os atletas culpados. Mesmo assim, usam os resultados durante as competições para medir a extensão do doping em Seul. As provas constantes deste inquérito provam que os atletas flagrados em Seul não eram os únicos usuários de drogas, apenas os únicos que foram identificados.”

O juiz prosseguiu: “O dr. Ljungqvist desvia a atenção para os testes positivos, e deixa de lado o problema real do doping no esporte. O público em geral foi levado a acreditar que se um único atleta teve resultado positivo, os outros não usavam drogas. Sabemos agora, como o COI e a IAAF sabe há anos, que esta presunção é falsa”.

As bases para as críticas de Dubin foram: em 1985 a IAAF anunciou que as federações iniciariam testes anti-doping fora das competições, e que a IAAF realizaria testes arbitrários em campeonatos nacionais. “Pouco ou nada foi feito para implantar esta decisão”, comentou Dubin.

Havia mais: “A IAAF também tinha poderes para delegar a realização de testes às federações. Contudo, dos 184 países membros da IAAF, poucos tinham um programa de testes fora das cmpetições, em setembro de 1988. Sendo assim, a regra nunca foi cobrada.”

Finalmente o público ouvia a verdade sobre a federação de Nebiolo. “Infelizmente não usou sua influência de modo mais significativo para erradicar o problema das drogas do atletismol. A postura da IAAF parece ser a de reagir ao problema somente depois dos acontecimentos. A comissão médica da IAAF sabe, desde sua fundação, que apenas os testes durante as competições não constituem métodos eficazes de detectar esteróides, nem desencorajam eficientemente o uso de esteróides.”

Dubin concluiu que só há uma maneira de limpar as Olimpíadas. Ele sugere que o COI impeça a participação de qualquer federação nacional que não organize e implemente efetivamente um programa eficaz de controle de doping. Dubin deu o tom para Barcelona.

O relatório Dubin deveria ter revolucionado o esporte mundial. Foi ingnorado. A palavra “Dubin” aparentemente entrou na lista negra do COI Review e da IAAF Review. Apenas o Canadá, Austrália e os países nórdicos possuem programas independentes de testes aleatórios, amparados pela lei e executados por organismos escolhidos pelo governo. As federações esportivas perderam seus poderes nestes países. Pode-se pensar que as federações internacionais ficaram satisfeitas com esta política, pois aumentaria a confiança do público na limpeza do esporte, finalmente.

Não é este o ponto de vista do dr. Nebiolo. Em julho de 1991 a IAAF enviou novas instruções a todos os seus membros, no mundo inteiro.
“Alguns governos nacionais criaram Agências Nacionais Anti-Doping, responsáveis pelo controle do doping no esporte. Percebemos, com alguma preocupação, que estas agências assumiram o controle total dos assuntos de doping, nos países respectivos, e que os procedimentos adotados contrariam as Regras da IAAF. A Comissão de Doping da IAAF acredita que os países membros devem efetuar todos os esforços para recuperar o controle.”

Outro ponto dava impressão de ser mais uma tentativa de voltar o relógio. Sempre se suspeitou que os dirigentes do atletismo eram muito seletivos ao escolher atletas para os testes, preferindo competidores que sabiam estar “limpos” e ignorando os dopados. Em outra carta, havia uma recomendação para que os dirigentes nacionais tentassem recuperar a prerrogativa de escolher quem seria testado.

A milionária IAAF finalmente iniciou os testes com seu “grupo móvel”. No primeiro ano, a partir de maio de 1990, conseguiram testar apenas 113 atletas em todo mundo. Nenhum teste deu positivo, e nenhum teste foi realizado em cidadãos norte-americanos. Há questões relativas a liberdade civis nos EUA, no que diz respeito a testes aleatórios. Nebiolo não pretende dizer aos norte-americanos, patrocinadores tão ricos, que têm direito de não fazer os testes – e que os demais têm o direito de excluí-los das competições. Vale lembrar que muitos atletas norte-americanos desejam a implantação dos testes.

Apesar da contundência dos comentários de Dubin, apesar da ignomínia que o escândalo Johnson deveria ter representado para Nebiolo e seu conselho da IAAF, apesar do atletismo ter fracassado na erradicação do doping, eles ainda desejam o direito de controlar os testes anti-doping. Mau sinal para Barcelona.

O COI e a IAAF tentam minimizar a doença que ataca o esporte. No final de 1988, em Lausanne, o presidente Samaranch declarou sem rodeios: “O COI está ganhando a guerra contra as drogas.” Um de seus planos largamente divulgados previa um “laboratório voador” do COI, para realizar testes ao acaso. Custaria, segundo estimativas, U$ 1 milhão para ser montado, e mais U$ 500 mil anuais para operar. Parecia impressionante. A polícia anti-doping do COI circulando pelo mundo, mergulhando para atacar os malvados. Como sempre, era só aparência, sem essência. Dezoito meses depois o COI, que está gastando U$ 40 milhões em um novo museu olímpico em Lausanne, discretamente cancelou o projeto, por falta de verbas.

Mais incrível ainda, Samaranch e Nebiolo anunciaram que depois de completar dois anos de suspensão, Bem Johnson seria bem-vindo na Olimpíada de Barcelona. O cinismo não tem fim. Um atleta que tomou drogas por quase dez anos, calculava suas doses para evitar um flagrante, e que mentiu ao ser desmascarado, estava sendo encorajado a contribuir com sua moralidade duvidosa para as Olimpíadas.

Houve uma certa gritaria dos dirigentes esportivos internacionais. Muitos seguiram a linha oficial, e declararam que Johnson já fora suficientemente punido e agora merecia o perdão.

Na metade de 1988, a fundação atlética de Nebiolo patrocinou um simpósio sobre doping em Monte Carlo. Os encarregados de testes e dirigentes esportivos presentes ouviram uma interessante declaração do único dos presentes que não era cientista, o ex-técnico inglês Ron Pickering: “Nenhum presidente pode dizer que temos Jogos sem drogas, só porque não houve resultado positivos identificados – ou divulgados, nenhum presidente deveria dizer que Bem Johnson é bem-vindo nos próximos Jogos. Seria pura hipocresia aceita-lo de volta, quanto mais considera-lo bem-vindo.” A intervenção de Pickering representou um sopro de ar fresco no simpósio, no mais complacente.

O principal consultor do Inquérito Dubin foi o QC Robert Armstrong. Em 1991, discursando em uma conferência anti-doping, ele repassou as descobertas feitas em Toronto, sobre a maneira como os dirigentes internacionais enganavam o público quando o tema era doping. Ele insistiu no ponto de que os testes durante os eventos eram inúteis para determinar o uso de drogas.

Lamentou também, após as audiências de Biden nos EUA, “que as provas tenham recebido tão pouca atenção por parte do COI e da IAAF, algo surpreendente.” Ele resumiu o estilo de liderança de Nebiolo, dizendo que no passado o presidente da IAAF “parecia se satisfazer com pouco mais do que exercícios de relações públicas.”

Depois criticou o COI: “Eles não têm motivos para ficarem orgulhosos ou satisfeitos com suas realizações. A comissão médica sabe há anos que os testes na hora da competição são pura perda de tempo no caso dos esteróides.”

Armstrong concluiu: “Há uma falha na liderança de nossas organizações esportivas, a nível nacional e internacional. Nossos líderes esportivos nos decfepcionaram.”


Nilson Duarte Monteiro




Mais detalhes sobre a lista de discussão cevdopagem

© 1996-2019 Centro Esportivo Virtual - CEV.
O material veiculado neste site poderá ser livremente distribuído para fins não comerciais, segundo os termos da licença da Creative Commons.