[Cevdopagem] Ignorância ou má-fé.

Sabino svloguer em terra.com.br
Domingo Outubro 1 11:43:43 BRT 2006


Ana
É bom deixar sempre bem claro que propugnar pela destruição do antidoping 
punitivo não é ser contra o controle do doping. A diferença em favor do 
controle preventivo ético na comparação com o sistema vigente é que, sob o 
enfoque ético:
1.º - A fraude não se consuma, pois o "possível" elemento doloso é detectado 
antes que a disputa aconteça.
2.º - A dignidade do ser humano, que é o valor maior em jogo, fica 
preservado, pois não há divulgação da simples "suspeita".
3.º - Evitam-se os inumeráveis casos de injustiça, já perfeitamente 
caracterizados pelo Dr. Luciano, pelo Dr. Caio e por você, nos quais o 
verdadeiro fraudador é quem pune e, com isso, altera os resultados de uma 
competição.
4.º - A ciência médica sobrepõe-se a processos burocráticos e 
administrativos.
5.º - Educa para a prática esportiva, o que não ocorre quando, em vez do 
ensinamento, o atleta recebe punição, como faz a WADA do Sr. Pound (cujo 
sobrenome é muito sugestivo, pois "pound", entre outras definições, 
significa "bater com força e repetidamente, triturar").
6.º - O elemento probatório estriba-se num contexto de pesquisa 
clínico-laboratorial e não num exame isolado e inconsistente, sujeito a 
fatores aleatórios que jamais constituirão prova, conforme ficou mais do que 
demonstrado, repito, em algumas centenas de casos.
7.º - Os critérios são científicos e não irresponsáveis. Se o agente do 
controle antidoping afirma que alguém usou cocaína com base na presença de 
seu metabólito, benzoilecgonina, no teste urinário, não há como escapar de 
duas possibilidades: ou o cara é ignorante e não sabe que isso não é prova 
ou conhece perfeitamente a falsidade da afirmação e mesmo assim profere a 
sentença condenatória, nesse caso por evidente má-fé. Ou, como eu disse 
antes, por inquestionável irresponsabilidade.
8.º - O atleta não fica privado daquele que é o maior e todos os direitos: o 
de viver de seu trabalho. No máximo, não participa de uma competição e tem 
todas as condições de voltar às disputas quando sua situação clínica 
permitir.

Sabino


----- Original Message ----- 
From: "Ana Teresa Guazzelli Beltrami" <aninhabeltrami em hotmail.com>
To: <cevleis em listas.cev.org.br>; <cevdopagem em listas.cev.org.br>
Sent: Friday, September 29, 2006 5:09 PM
Subject: [Cevdopagem] Dick Pound na Veja


> Luciano, Caio, Alexandre... e demais listeiros
>
> Primeiramente peço perdão pelo atraso da resposta, mas não poderia deixar 
> de fazê-la.
>
> Luciano e Caio, sabias palavras tradutoras do inquisitivo sistema 
> antidoping vigente, o qual desrespeita direitos básicos e essenciais 
> inerentes à humanidade estabelecidos por duras penas ao decorrer de sua 
> história.
>
> É um retrocesso em pleno século XXI!
>
> Realmente, a "a corda nunca arrebentou tanto do lado mais fraco", acredito 
> que quem utiliza doping frequentemente não é pego no exame, pois a 
> industria do doping está um passo à frente do antidoping. Infelismente a 
> maioria cai nessa como "boi de piranha".
>
> Não pensem que faço alguma oposição aos testes, ao contrário, sou 
> totalmente à favor da moralidade, transparência e honestidade em tudo e o 
> esporte precisa dessa garantia pelo reestabelecimento da lisura nas 
> competições.
>
> O resgate do ideal olímpico para acabar com as fraudes esportivas deve ser 
> trabalhado com paciência respeitando as particularidades de cada caso, 
> evitando assim, afronta aos direitos dos protagonistas esportivos, pois 
> antes de atletas, ídolos e modelos de comportamento, são seres humanos, e 
> como nós possuem direitos.
>
> Outra atrocidade brutal é a afirmação de que atletas são trabalhadores 
> especiais merecedores de leis particulares. Qual o caráter especial que 
> exclui desses trabalhadores o direito a ampla defesa, ao julgamento julto, 
> à presunção de inocência para poderem trabalhar? Com que dignidade?
>
> Alexandre, há alguns anos quando comecei estudar o doping, também 
> acreditava que o "strict liability" era justo e que os atletas se dopavam 
> sim! Acreditava que os testes não falhavam e que  imprimir um "código de 
> barra" metábolico na categoria poria fim ao doping.
> (Razão pela qual por várias vezes discuti com Alvaro e com o Dr Sabino 
> sobre a necessidade dos testes nos moldes em que estão estabelecidos)
>
> Ledo engano! De lá para cá inúmeros casos de doping surgiram e sabe-se lá 
> quantas injustiças foram feitas...
>
> Abraço a todos
>
> Ana Teresa.
>
>
>
>
>
>>From: Alexandre P. Simões <alexandre em rsst.com.br>
>>Reply-To: Legislação Desportiva  <cevleis em listas.cev.org.br>
>>To: Legislação Desportiva  <cevleis em listas.cev.org.br>
>>Subject: Re: [cevleis] Dick Pound na Veja
>>Date: Fri, 22 Sep 2006 14:38:16 -0300
>>
>>Prevados Caio, Luciano e demais Cevlisteiros,
>>
>>Respeito a opinião dos colegas, mas dela manifesto minha divergência, 
>>pois, sou favorável à linha-dura adotada pela WADA, sobretudo no que tange 
>>à adoção do princípio da responsabilidade estrita ("strict liability") e 
>>me apoio nos resultados práticos obtidos nos últimos tempos, como a 
>>desmontagem de um certo laboratório europeu (que funcionava como uma 
>>"fábrica de doping") , e o questionamento a vários atletas e treinadores 
>>que, até então, eram mitos e responsáveis por marcas impressionantes.
>>Se o futuro da prática desportiva exigirá um abrandamento dessa posição ou 
>>não, isso eu não me arrisco a avaliar, porém que atualmente a 
>>conscientização dos malefícios do uso de substância proibidadas e o 
>>combate efetivo à dopagem progrediram, disso não tenho dúvida.
>>Acredito que o Futebol é um esporte no qual, se mais testes fossem 
>>realizados, principalmente de surpresa e em treinos, seríamos todos 
>>surpreendidos com os resultados, pois existem muitos atletas com 
>>performances incompatíveis com sua idade ou com o seu histórico atlético 
>>(carreira).
>>Essa é minha visão.
>>Abraços,
>>Alexandre P. Simões
>>
>>----- Original Message ----- From: "Caio Medauar" 
>><caio_medauar em yahoo.com.br>
>>To: "Legislação Desportiva " <cevleis em listas.cev.org.br>
>>Sent: Friday, September 22, 2006 2:10 PM
>>Subject: Re: [cevleis] Dick Pound na Veja
>>
>>
>>>Grande Luciano,
>>>
>>>Faz tempo que não me manifesto sobre doping, mas eu sempre fui contrário 
>>>ao
>>>CMAD, principalmente pelo fato de achar que o "strict liability" seria
>>>considerado inconstitucional pois fere a ampla defesa e o contraditório,
>>>criando um responsabilidade sem culpa nem nexo de causalidade.
>>>
>>>Você bem colocou que se tenta atraves de uma norma autoritária e extrema,
>>>ganhar uma luta quase perdida.
>>>
>>>O Código Anti-doping, para mim, é a prova de incompetencia da WADA de 
>>>lidar
>>>com o problema, com o agravante da sensação de que só quem tomou doping 
>>>por
>>>engano é pego.
>>>
>>>Parece alguns processos administrativos que eu atuo, em que a defesa é
>>>perfeita, temos provas etc, mas a autoridade pune ainda sim, pela 
>>>malfadada
>>>verdade sabida, surgida na ditadura vargas e que se manteve em muitos
>>>estatutos. Eu já ouvi gente dizer: "a defesa é coisa de advogado. tá na 
>>>cara
>>>que ele é culpado".
>>>
>>>Transpondo isso pro doping é a mesma coisa. "Tá na cara que ele está
>>>dopado."
>>>
>>>Judiciário neles!!!
>>>
>>>Os escândalos no Estados Unidos estão mostrando isso. Tão prendendo gente 
>>>e
>>>coisa e tal.
>>>
>>>Um abraço
>>>
>>>Caio Medauar
>>>----- Original Message ----- From: "Luciano Hostins" 
>>><lhostins em uol.com.br>
>>>To: "Legislação Desportiva " <cevleis em listas.cev.org.br>
>>>Sent: Friday, September 22, 2006 11:58 AM
>>>Subject: Re: [cevleis] Dick Pound na Veja
>>>
>>>
>>>| Na entrevista do Senhor Richard Pound nas "Páginas Amarelas" de Veja
>>>(Edição
>>>| n.º 1974, de 20 de setembro de 2006), pode-se colher a atual realidade 
>>>que
>>>| cerca o doping quanto ao seu aspecto jurídico.
>>>|
>>>|
>>>|
>>>| Como Advogado militante na área esportiva há dez anos e, há seis 
>>>atuando
>>>em
>>>| casos envolvendo doping, diferente de muitos Advogados, pouco atuo no
>>>| futebol, limitando a minha área às demais modalidades. E foi neste 
>>>vasto
>>>| universo de modalidades além do futebol, e que por fraqueza se curvaram 
>>>à
>>>| Agência Mundial Antidoping, presidida pelo Senhor Richard Pound, que 
>>>pude
>>>| constatar os verdadeiros absurdos jurídicos que são cometidos em prol 
>>>do
>>>| ideal - que igualmente defendo - de ver o esporte livre das drogas. 
>>>Porém,
>>>| tal ideal não pode jogar por terra preceitos universais que estão
>>>estampados
>>>| na Declaração Universal dos Direitos da Pessoa Humana[1] e são
>>>recepcionados
>>>| pela Carta Olímpica[2].
>>>|
>>>|
>>>|
>>>| Na verdade o sistema antidoping da Agência Mundial impõe às Federações
>>>| Internacionais que adotem os princípios do Código Mundial Antidoping. 
>>>Um
>>>| único elemento deste Código merece todas as críticas. Aquilo que é 
>>>chamado
>>>| de "strict liability", ou, em bom Português, "responsabilidade
>>>estrita"[3].
>>>| Diante deste preceito, tudo aquilo que é encontrado nos fluídos 
>>>corpóreos
>>>do
>>>| atleta, e que consta da lista proibida da Agência Mundial, é 
>>>considerado
>>>| doping. Portanto, basta a presença da substância para estar 
>>>caracterizado
>>>| doping. Neste sentido, tem razão ao Entrevistado ao dizer que "se os
>>>atletas
>>>| quiserem gastar o dinheiro deles com advogados caros, ainda assim vão
>>>acabar
>>>| perdendo." Tem razão em parte, pois houve casos de absolvição de 
>>>atletas,
>>>| graças ao trabalho de bons e bem pagos Advogados. Além do mais, esta é 
>>>uma
>>>| estratégia antiga utilizada por qualquer regime totalitário: calar a
>>>| justiça.
>>>|
>>>|
>>>|
>>>| Mas os casos falam por si. A Atleta Maurren Higa Maggi foi absolvida da
>>>| acusação de doping no Brasil. Mais recentemente o Atleta Sebastião
>>>Ferreira
>>>| Da Guia Neto foi absolvido em duas instâncias da acusação de doping no
>>>| Brasil. Na Itália, a Atleta Giorgia Squizzato[4], teve sua pena 
>>>reduzida
>>>| pela metade, dentre tantos outros casos. É claro que não é fácil 
>>>defender
>>>um
>>>| atleta cuja única prova considerada é aquela que acusa a presença da
>>>| substância em seus fluídos corpóreos.
>>>|
>>>|
>>>|
>>>| O velho ditado de que "a corda sempre arrebenta do lado mais fraco" 
>>>nunca
>>>| coube tão bem. O próprio entrevistado confirma isso ao dizer, quando
>>>| questionado sobre a punição de treinadores e médicos, que "as regras do
>>>| esporte já prevêem isso. O difícil é obter provas. Com atletas é fácil: 
>>>se
>>>a
>>>| prova e a contraprova dão positivo, acabou." Mas o que se vê é que 
>>>mesmo
>>>com
>>>| provas irrefutáveis, as Entidades Internacionais estão voltadas somente 
>>>à
>>>| responsabilidade do atleta e não sabem o que fazer quando há provas 
>>>contra
>>>| treinadores e médicos. O caso da Atleta Julyana Bassi Kury, nadadora
>>>| brasileira atesta isto. A atleta testou positivo para a substância
>>>| "stanozolol". Segundo as regras da FINA (que seguem a orientação do 
>>>Código
>>>| Mundial), se o atleta denunciar e provar quem ministrou a substância
>>>| detectada terá a sua pena reduzida pela metade. Esta regra é tão clara
>>>| quanto a regra do "strict liability". A Atleta Julyana apresentou à 
>>>CBDA,
>>>| que remeteu à FINA, a receita médica em que lhe foi ministrada a
>>>substância
>>>| vedada. A FINA disse que isto era irrelevante. A atleta não teve o
>>>benefício
>>>| previsto na regra. O médico que agiu desta forma, após sindicância no
>>>| Conselho Regional de Medicina de São Paulo, teve instaurado contra si
>>>| processo ético-disciplinar. Este caso denota uma outra verdade, 
>>>investe-se
>>>| tão somente na punição e não na prevenção. A Atleta Julyana, então com
>>>| dezessete anos de idade, achava que estava tomando "suplementos". Só
>>>| descobriu que o que tomava era considerado doping quando recebeu e leu 
>>>a
>>>| cartilha do COB às vésperas dos Jogos Olímpicos de Atenas. Já era 
>>>tarde.
>>>|
>>>|
>>>|
>>>| Mas voltando à questão dos Advogados, diz o Senhor Pound que "chega uma
>>>hora
>>>| em que, por melhor que seja o advogado, não se pode fugir das 
>>>evidências."
>>>| Ocorre que o sistema baseado no "strict liability" não comporta 
>>>evidências
>>>| em contrário, pois o resultado do exame é absoluto. É o confronto das
>>>| evidências da acusação e das da defesa que levam a se fazer justiça,
>>>| condenando, absolvendo ou mitigando a pena. Vale como exemplo o caso da
>>>| Atleta Marizete Resende, cujo exame indicou a presença da substância 
>>>EPO
>>>| (Eritropoetina Recombinante). No analítico do exame desta substância há 
>>>um
>>>| gráfico onde existem duas curvas, uma da "Eritropoetina Recombinante", 
>>>que
>>>é
>>>| a artificial, e outra da "Eritropoetina Natural", que é produzida
>>>| naturalmente pelo organismo. Quando uma pessoa toma a "Eritropoetina
>>>| Recombinante" sistematicamente, a "Eritropoetina Natural" tem sua
>>>fabricação
>>>| pelo organismo praticamente anulada. Assim, um Atleta que utiliza
>>>| sistematicamente a "Eritropoetina Recombinante", terá no gráfico de seu
>>>| exame uma curva alta desta substância e uma curva baixa indicando a
>>>| "Eritropoetina Natural". No exame da Atleta Marizete, as duas curvas
>>>| caminhavam juntas até o pico, provando que a Atleta não era usuária
>>>contumaz
>>>| da substância. Ou seja, o mesmo laudo que provou que a Atleta usou
>>>| efetivamente a "Eritropoetina Recombinante", não serviu para provar que
>>>este
>>>| uso não se deu de forma sistemática, o que poderia servir para uma 
>>>redução
>>>| da pena da Atleta. Ou seja, pelo sistema inquisitório adotado pela 
>>>Agência
>>>| Mundial, a evidência que serve para condenar, não serve para atenuar ou
>>>| absolver.
>>>|
>>>|
>>>|
>>>| O Senhor Pound ainda responde à questão sobre a proposta do jornal
>>>Financial
>>>| Times para a liberação do doping dizendo que "é a procura de uma 
>>>solução
>>>| fácil para um problema complicado." Ora, solução fácil é basear-se tão
>>>| somente numa única prova para condenar um atleta, o que pode chegar até
>>>| mesmo ao seu banimento do esporte. O caso da Atleta Maurren Maggi bem
>>>| ilustra isto. A Atleta teve em 2003 resultado adverso para a substância
>>>| "Clostebol". Conforme todas as provas carreadas, ficou evidenciado que 
>>>a
>>>| substância adentrou em seus fluídos pela aplicação de uma pomada
>>>(Novaderm),
>>>| por uma médica que lhe aplicara um procedimento de depilação à laser.
>>>Muito
>>>| embora absolvida no Brasil, a Atleta não teve sua absolvição 
>>>reconhecida
>>>| pela IAAF. Procedimentos falhos podem ocorrer. A Agência Mundial, e os
>>>| laboratórios, muito embora assim se coloquem, não são infalíveis. O
>>>próprio
>>>| Entrevistado reconhece isso ao mencionar o caso do Atleta Tyler 
>>>Hamilton
>>>| dizendo que "houve um erro de manipulação da contraprova no laboratório 
>>>e
>>>| ele não perdeu a medalha de ouro." Ou seja, a incapacidade de conter e
>>>| prevenir o doping faz com que seja desrespeitado dos mais preciosos
>>>valores
>>>| da vida, o direito à defesa.
>>>|
>>>|
>>>|
>>>| Outra afirmação do Entrevistado que chama a atenção de que "deve-se ter 
>>>em
>>>| mente que as pessoas não se dopam para ficar iguais às outras, e sim 
>>>para
>>>| obter vantagem." Sem dúvida este é o princípio do doping. Mas não é 
>>>regra,
>>>e
>>>| aí é que entra o trabalho do Advogado, desprezado pelo entrevistado. Já
>>>| houve entendimento de que a utilização de uma determinada substância 
>>>pode
>>>se
>>>| dar para elevar o nível de um Atleta ao de seus adversários quando sua
>>>saúde
>>>| assim o exige. É nesses casos que se utiliza, por exemplo a Exceção de 
>>>Uso
>>>| Terapêutico, TUE, como é mais conhecido na sigla inglesa. A própria 
>>>Corte
>>>de
>>>| Arbitragem para o Esporte (CAS), assim se manifestou: "O apelante,
>>>conforme
>>>| provado, usou Ventolin por necessidade médica, e com a finalidade de
>>>| habilita-lo para praticar esporte, inclusive o pólo aquático. Removeu 
>>>um
>>>| obstáculo, em lugar de fornecer uma escada. Nivelou a competição, e não
>>>| utilizou isto em seu favor."[5] Neste caso o Atleta não obteve sua
>>>| absolvição naquela Corte, uma vez que teria como alternativa a TUE. 
>>>Porém
>>>o
>>>| entendimento da CAS lança luzes para futuras discussões. Aliás, esta
>>>| discussão deve ser travada no âmbito dos Tribunais Desportivos, através 
>>>de
>>>| teses patrocinadas por Advogados. Advogados Desportivos, e não
>>>| Tributaristas.
>>>|
>>>|
>>>|
>>>| Enfim, a luta contra o doping deve ser travada, não resta dúvida, mas 
>>>esta
>>>| luta não pode colocar de lado os preceitos universais e olímpicos já
>>>| mencionados, sob pena de o esporte se equiparar a uma ditadura 
>>>qualquer, a
>>>| um regime inquisitório que esgota a si próprio.
>>>|
>>>|
>>>|
>>>| Luciano Hostins
>>>|
>>>| Advogado Desportivo
>>>|
>>>|
>>>|
>>>| --------------------------------------------------------------------------------
>>>|
>>>| [1] A PRESENTE DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DO HOMEM como o ideal
>>>comum
>>>| a ser atingido por todos os povos e todas as nações, com o objetivo de 
>>>que
>>>| cada indivíduo e cada órgão da sociedade, tendo sempre em mente esta
>>>| Declaração, se esforce, através do ensino e da educação, por promover o
>>>| respeito a esses direitos e liberdades, e, pela adoção de medidas
>>>| progressivas de caráter nacional e internacional, por assegurar o seu
>>>| reconhecimento e a sua observância universais e efetivos, tanto entre 
>>>os
>>>| povos dos próprios Estados Membros, quanto entre os povos dos 
>>>territórios
>>>| sob sua jurisdição. (Enunciado da Declaração Universal dos Direitos do
>>>| Homem)
>>>|
>>>|
>>>|
>>>| Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os 
>>>membros
>>>| da família humana e de seus direitos iguais e inalienáveis é o 
>>>fundamento
>>>da
>>>| liberdade, da justiça e da paz no mundo (Primeiro Considerando da
>>>Declaração
>>>| Universal dos Direitos do Homem)
>>>|
>>>|
>>>|
>>>| Todo homem tem direito, em plena igualdade, a uma justa e pública
>>>audiência
>>>| por parte de um tribunal independente e imparcial, para decidir de seus
>>>| direitos e deveres ou do fundamento de qualquer acusação criminal 
>>>contra
>>>| ele. (Artigo X da Declaração Universal dos Direitos do Homem)
>>>|
>>>|
>>>|
>>>| Todo homem acusado de um ato delituoso tem o direito de ser presumido
>>>| inocente até que a sua culpabilidade tenha sido provada de acordo com a
>>>lei,
>>>| em julgamento público no qual lhe tenham sido asseguradas todas as
>>>garantias
>>>| necessárias à sua defesa. (Artigo XI.1 da  Declaração Universal dos
>>>Direitos
>>>| do Homem)
>>>|
>>>|
>>>|
>>>| [2] O Olimpismo é uma filosofia de vida que exalta e combina num 
>>>conjunto
>>>| harmonioso as qualidades do corpo, a vontade e o espírito. Aliando o
>>>| desporto com a cultura e a educação, o Olimpismo propõem-se criar um
>>>estilo
>>>| de vida baseado na alegria do esforço, no valor educativo do bom 
>>>exemplo e
>>>| respeito pelos princípios éticos fundamentais universais. (Princípio 2 
>>>da
>>>| Carta Olímpica)
>>>|
>>>|
>>>|
>>>| O objetivo do Olimpismo é por sempre o desporto a serviço do
>>>desenvolvimento
>>>| harmonioso do homem, com o fim de favorecer o estabelecimento de uma
>>>| sociedade pacífica e comprometida com a manutenção da dignidade humana.
>>>Para
>>>| esse fim, o Movimento Olímpico leva a cabo, autonomamente ou em 
>>>cooperação
>>>| com outros organismos e dentro das suas possibilidades, ações em favor 
>>>da
>>>| paz. (Princípio 3 da Carta Olímpica)
>>>|
>>>|
>>>|
>>>| [3] Constitui-se em violação a regra antidoping a presença de uma
>>>substância
>>>| proibida, dos seus metabolitos ou marcadores, em uma amostra fornecida 
>>>por
>>>| um atleta. (Artigo 2° do Código Mundial Antidoping)
>>>|
>>>|
>>>|
>>>| [4] FINA Doping Panel - 9 December 2004 - Giorgia Squizzato/Italian
>>>Swimming
>>>| Federation
>>>|
>>>| [5] CAS 96/149
>>>|
>>>|
>>>|
>>>| ----- Original Message ----- | From: "Ana Teresa Guazzelli Beltrami" 
>>><aninhabeltrami em hotmail.com>
>>>| To: <cevdopagem em listas.cev.org.br>; <cevleis em listas.cev.org.br>
>>>| Sent: Monday, September 18, 2006 2:17 PM
>>>| Subject: [cevleis] Dick Pound na Veja
>>>|
>>>|
>>>| > Entrevista: Dick Pound
>>>| > O doping será vencido
>>>| >
>>>| > Odiado por atletas e dirigentes, o presidente
>>>| > da Agência Mundial Antidoping anuncia testes
>>>| > contra a trapaça genética
>>>| >
>>>| > "Não se trata apenas de um atleta aqui e outro ali. Há equipes, 
>>>médicos
>>>e
>>>| > treinadores trabalhando juntos para enganar"
>>>| >
>>>| > Um dos homens mais odiados do esporte é o advogado canadense Richard
>>>| > Pound, "Dick" para os amigos e inimigos. Esse ex-nadador de 64 anos é 
>>>o
>>>| > presidente da Agência Mundial Antidoping (AMA) desde que a entidade 
>>>foi
>>>| > criada, em 1999. Nessa condição, comprou briga com gente poderosa do
>>>| > esporte, a quem acusa de falta de interesse em perseguir e punir 
>>>atletas
>>>| > que usam substâncias proibidas. Desentendeu-se, por exemplo, com Sepp
>>>| > Blatter, presidente da Fifa, até que a entidade máxima do futebol se
>>>| > curvou ao Código Mundial Antidoping. Há quem diga que Pound está
>>>| > ultrapassado e defende uma causa inglória, pois o doping nunca 
>>>pareceu
>>>tão
>>>| > propagado. Para ficar apenas num exemplo recente, em agosto o 
>>>velocista
>>>| > americano Justin Gatlin perdeu o recorde dos 100 metros livres, que
>>>| > igualara em maio, e foi suspenso por oito anos por uso de esteróides.
>>>| > Nesta entrevista, Pound se define como um "idealista cínico" que 
>>>sonha
>>>com
>>>| > um esporte limpo como no tempo em que foi atleta olímpico. Nos Jogos
>>>| > Olímpicos de Roma, em 1960, foi sexto colocado na final dos 100 
>>>metros
>>>| > nado livre, em que o brasileiro Manoel dos Santos foi medalhista de
>>>| > bronze. Como prova de seu otimismo, anuncia para breve um teste 
>>>contra a
>>>| > nova ameaça - o doping por manipulação genética.
>>>| >
>>>| > Veja - Casos de grandes atletas, como Justin Gatlin, provam que o 
>>>doping
>>>| > não pode ser vencido?
>>>| > Dick Pound - Não. O doping é um grande problema, mas temos feito
>>>| > progressos, como se pôde ver nas investigações recentes na Espanha, 
>>>na
>>>| > França e na Itália (em que a polícia desbaratou redes de fornecimento 
>>>de
>>>| > drogas a atletas). Não se trata apenas de um atleta aqui e outro ali
>>>| > tomando substâncias proibidas. Há equipes, médicos e treinadores
>>>| > trabalhando juntos para enganar. Para enfrentá-los é preciso uma
>>>| > combinação de esforços: programas de teste reforçados e uso do poder
>>>| > investigativo das autoridades públicas.
>>>| >
>>>| > Veja - Isso significa que a luta antidoping virou caso de polícia?
>>>| > Dick Pound - Significa que é preciso lançar mão de todos os poderes
>>>| > disponíveis. Sabemos quem são os atletas e onde eles estão. Sabemos 
>>>mais
>>>| > ou menos o que eles tomam e quem são seus treinadores. Mas não temos 
>>>o
>>>| > poder de fazer apreensões e intimar testemunhas.
>>>| >
>>>| > Veja - Treinadores e médicos também devem ser suspensos?
>>>| > Dick Pound - As regras do esporte já prevêem isso. O difícil é obter
>>>| > provas. Com atletas é fácil: se a prova e a contraprova dão positivo,
>>>| > acabou. Mas com técnicos e médicos é mais complicado. Por isso
>>>| > estabelecemos na agência um modelo que inclui a ajuda de autoridades
>>>| > públicas.
>>>| >
>>>| > Veja - Em centenas de testes na última Volta da França de ciclismo 
>>>houve
>>>| > apenas um caso positivo, o do campeão, o americano Floyd Landis. O
>>>senhor
>>>| > acha que ele foi o único a se dopar?
>>>| > Dick Pound - Tenho certeza de que não.
>>>| >
>>>| > Veja - Como o senhor explica, então, só uma descoberta?
>>>| > Dick Pound - Sempre tivemos dificuldades com os procedimentos da 
>>>União
>>>| > Ciclística Internacional (UCI). Ao ser chamado para o teste, o atleta
>>>tem
>>>| > até uma hora para se apresentar à sala de exame. Nesse lapso de 
>>>tempo,
>>>| > fica sem nenhuma escolta. É tempo demais para quem quer manipular o
>>>teste,
>>>| > tomando substâncias mascarantes, por exemplo.
>>>| >
>>>| > Veja - O que o senhor acha das desculpas que atletas como Landis e
>>>Justin
>>>| > Gatlin dão para seus casos?
>>>| > Dick Pound - Precisamos ouvi-las, mas não precisamos acreditar nelas.
>>>| > Landis deu cinco ou seis explicações diferentes entre a prova e a
>>>| > contraprova. Primeiro, que era testosterona natural. Segundo, que 
>>>foram
>>>| > umas cervejas. Terceiro, que foi uísque. Quarto, que foi excesso de
>>>| > exercício. E assim por diante. Ele terá, na apelação, oportunidade de
>>>| > apresentar desculpas e veremos se os juízes vão aceitá-las. Algo me 
>>>diz
>>>| > que não.
>>>| >
>>>| > Veja - Landis alegou que foi testado oito vezes antes e todos os
>>>| > resultados foram negativos. Como isso é possível?
>>>| > Dick Pound - O nível de testosterona estava dez vezes acima do 
>>>normal.
>>>Se
>>>| > essa fosse a condição normal do atleta, teria aparecido em testes
>>>| > anteriores. E isso nunca aconteceu, ponto final. O resultado positivo
>>>| > aconteceu no dia seguinte a uma etapa desastrosa, em que ele perdeu 
>>>algo
>>>| > como oito minutos. Foi um dia de um esforço heróico, em que ele 
>>>reduziu
>>>a
>>>| > diferença a menos de 30 segundos. Um desempenho fantástico, 
>>>justamente
>>>no
>>>| > dia em que se achou a testosterona. Diante dos fatos não há 
>>>desculpas.
>>>| >
>>>| > Veja - Por que o senhor acusa a União Ciclística Internacional de não
>>>| > enfrentar o problema?
>>>| > Dick Pound - É uma evidência. Quando se vê que a organização da Volta 
>>>da
>>>| > França deste ano teve de excluir o segundo, o terceiro, o quarto, o
>>>quinto
>>>| > e o sexto colocados de 2005 e que a prova e a contraprova do vencedor
>>>| > deram positivo, é sinal de que o problema está fora de controle e que 
>>>a
>>>| > UCI foi incapaz de agir.
>>>| >
>>>| > Veja - Por quê? Medo de prejudicar o próprio negócio?
>>>| > Dick Pound - Imagino que essa seja uma possibilidade. Para mim, é 
>>>muito
>>>| > estranho que uma organização de grande importância e abrangência como 
>>>a
>>>| > UCI não consiga encontrar nenhum atleta dopado em seus testes.
>>>| >
>>>| > Veja - O senhor também acusou a Fifa de não fazer o suficiente contra 
>>>o
>>>| > doping. Que esportes estão atrasados nesse aspecto?
>>>| > Dick Pound - O caso com a Fifa foi que, embora tenha adotado o Código
>>>| > Mundial Antidoping, ela não mudou suas regras internas. Continuamos
>>>| > pressionando por mudanças porque a Fifa representa o esporte mais
>>>popular
>>>| > do planeta, que tem doping como qualquer outro. O atletismo, o
>>>| > halterofilismo e a natação também têm problemas. Nenhum esporte tem
>>>doping
>>>| > zero.
>>>| >
>>>| > Veja - Atletas acusados têm contratado advogados caros e agressivos -
>>>que
>>>| > contestam o procedimento dos exames. Isso ameaça a luta antidoping?
>>>| > Dick Pound - Não. Se os atletas quiserem gastar o dinheiro deles com
>>>| > advogados caros, ainda assim vão acabar perdendo. Esse foi o caso de
>>>Tyler
>>>| > Hamilton (ciclista americano suspenso quando um teste detectou sangue 
>>>de
>>>| > outra pessoa em sua amostra) e de Tim Montgomery (americano que teve
>>>| > cassado o recorde mundial dos 100 metros rasos). Provavelmente Floyd
>>>| > Landis vai pagar muito por um advogado. Seu teste também demonstrou 
>>>que
>>>a
>>>| > testosterona, além de elevada, não era de origem natural. Chega uma 
>>>hora
>>>| > em que, por melhor que seja o advogado, não se pode fugir das
>>>evidências.
>>>| >
>>>| > Veja - No ano passado revelou-se que amostras da urina de Lance
>>>Armstrong,
>>>| > colhidas em 1999, tinham a proibida eritropoietina (EPO). Por que ele
>>>não
>>>| > foi punido?
>>>| > Dick Pound - Tudo o que posso dizer é que o caso não foi totalmente
>>>| > explorado. O laboratório francês tinha amostras congeladas de 1998 e
>>>1999.
>>>| > Elas foram analisadas anonimamente, para fins de pesquisa, e quinze
>>>deram
>>>| > positivo para EPO, substância que não podia ser detectada em 1999.
>>>| > Repórteres do jornal L'Équipe obtiveram - não sei como - cópias dos
>>>testes
>>>| > de Armstrong na época, cruzaram números e publicaram a manchete
>>>| > "Armstrong, a fraude". Dissemos à UCI que, se as regras da entidade
>>>| > permitissem uma desclassificação com base nisso, eles deveriam 
>>>assumir
>>>| > suas responsabilidades e tomar uma decisão. Tudo o que fizeram foi
>>>| > protestar pelo vazamento das informações.
>>>| >
>>>| > Veja - O senhor foi acusado de responsabilidade por esse vazamento.
>>>| > Dick Pound - A AMA foi criada em 1999 e não poderia ter os 
>>>formulários
>>>dos
>>>| > testes de Armstrong daquela época.
>>>| >
>>>| > Veja - Um relatório de um especialista contratado pela UCI inocentou
>>>| > Armstrong.
>>>| > Dick Pound - É claro que o relatório foi tendencioso. E não o 
>>>inocentou
>>>de
>>>| > verdade. Disse apenas que havia a possibilidade de manipulação errada 
>>>no
>>>| > laboratório francês. Mas se trata de um dos melhores laboratórios do
>>>| > mundo. Eles são muito cuidadosos. Se disseram que havia EPO nessas
>>>| > amostras, é porque havia mesmo.
>>>| >
>>>| > Veja - É difícil confrontar atletas que são ídolos em seus países, 
>>>como
>>>| > Armstrong, que o chamou de "antiético"?
>>>| > Dick Pound - Essa é uma das razões pelas quais criamos uma agência
>>>| > internacional e independente. Depois do caso Festina (em que a equipe
>>>foi
>>>| > pega no maior escândalo de doping da história do ciclismo, em 1998),
>>>| > ninguém confiava mais na UCI. Depois que Juan Antonio Samaranch 
>>>(então
>>>| > presidente do Comitê Olímpico Internacional) deu uma famosa 
>>>declaração
>>>| > (minimizando o caso Festina), ninguém confiava mais no COI. E nenhum
>>>país
>>>| > confiava no outro para punir seus próprios atletas. Então concluímos 
>>>que
>>>a
>>>| > única solução era criar uma agência absolutamente independente.
>>>| >
>>>| > Veja - O jornal inglês Financial Times defendeu a liberação do 
>>>doping. O
>>>| > que o senhor responde a essa proposta?
>>>| > Dick Pound - Acho que é a procura de uma solução fácil para um 
>>>problema
>>>| > complicado. Deve-se ter em mente que as pessoas não se dopam para 
>>>ficar
>>>| > iguais às outras, e sim para obter vantagem. Se todo mundo estiver
>>>tomando
>>>| > 10 gramas de estanozolol (um esteróide proibido), que tal se eu tomar
>>>20,
>>>| > 30 ou 40 gramas? Embarca-se em um círculo vicioso. Além disso, não se
>>>pode
>>>| > limitar a questão a uns poucos atletas de nível mundial, porque a
>>>mensagem
>>>| > resultante - para tornar-se um grande esportista, você tem de fazer
>>>isso -
>>>| > chegaria aos jovens no ensino médio. De repente, haveria 2 milhões ou 
>>>3
>>>| > milhões de jovens tomando drogas e se teria um problema de saúde
>>>pública,
>>>| > mais que qualquer outra coisa.
>>>| >
>>>| > Veja - Sua agência tem feito algo contra o doping genético?
>>>| > Dick Pound - O doping genético é uma possibilidade concreta.
>>>| > Provavelmente, dentro de poucos anos ele será usado. Mas a diferença 
>>>em
>>>| > relação ao doping tradicional, se é que posso chamá-lo assim, é que a
>>>| > agência não está esperando que ele se torne problema antes de 
>>>procurar
>>>uma
>>>| > solução. Da década de 1960 à de 1990, o movimento esportivo deixou o
>>>| > doping tradicional fugir do controle. Agora, começamos quatro anos 
>>>atrás
>>>a
>>>| > nos encontrar com os principais geneticistas do mundo. Acho que 
>>>teremos
>>>um
>>>| > teste simples disponível na época em que começarem a usar o doping
>>>| > genético. Chegaremos na frente.
>>>| >
>>>| > Veja - Isso já acontecerá nos Jogos de Pequim, em 2008?
>>>| > Dick Pound - Talvez seja um pouco cedo demais, mas quem sabe? Estamos
>>>| > financiando e encorajando pesquisas e trabalhando ao máximo para
>>>produzir
>>>| > um teste não invasivo que possa determinar a diferença entre genes
>>>| > originais e alterados.
>>>| >
>>>| > Veja - O senhor pode dar mais detalhes? Haveria um banco de DNA de
>>>| > atletas? O teste seria com amostras da saliva?
>>>| > Dick Pound - Não posso dar esse tipo de detalhe. Sou apenas um 
>>>advogado
>>>| > tributarista, não entendo muita coisa a respeito dos detalhes
>>>científicos.
>>>| > Mas sei que será algo simples.
>>>| >
>>>| > Veja - Dias antes das Olimpíadas de Atenas, em 2004, o senhor 
>>>anunciou
>>>um
>>>| > teste para detectar hormônio de crescimento humano, o que teria feito
>>>| > muitos atletas desistir de competir. A ameaça pode dissuadir
>>>trapaceiros?
>>>| > Dick Pound - Nós realmente dispúnhamos de um teste para HGH. Foi 
>>>assim
>>>que
>>>| > Tyler Hamilton foi pego no ciclismo. Mas infelizmente houve um erro 
>>>de
>>>| > manipulação da contraprova no laboratório e ele não perdeu a medalha 
>>>de
>>>| > ouro. Depois não pudemos fazer mais testes, e não basta fazê-los 
>>>apenas
>>>na
>>>| > época das grandes competições. É preciso ir aos treinamentos, sem 
>>>aviso
>>>| > prévio, mas não temos anticorpos de HGH suficientes. Trabalhamos com 
>>>a
>>>| > indústria farmacêutica para produzir a quantidade adequada a um 
>>>número
>>>| > maior de testes.
>>>| >
>>>| > Veja - Havia doping no seu tempo de atleta?
>>>| > Dick Pound - Não. Isso começou com os levantadores de peso e os
>>>| > arremessadores de peso, disco e martelo no fim dos anos 1960. Até 
>>>1968
>>>não
>>>| > havia sequer exames antidoping nos Jogos Olímpicos. Na natação, o 
>>>máximo
>>>| > que fazíamos para obter vantagem sobre os adversários era depilar as
>>>| > pernas.
>>>| >
>>>| > Veja - A revista inglesa The Economist chamou-o de "idealista nos 
>>>moldes
>>>| > vitorianos". Sua luta não é utópica?
>>>| > Dick Pound - Estão me chamando de velho? Gosto de pensar em mim mesmo
>>>como
>>>| > um idealista cínico. Sei como o esporte deveria ser, mas sou cínico o
>>>| > bastante para saber que há pessoas que farão qualquer coisa para 
>>>vencer.
>>>| > Acho que isso destrói o esporte e é injusto com os outros 
>>>competidores.
>>>| >
>>>| > Veja - Quais os maiores desafios da luta antidoping?
>>>| > Dick Pound - O primeiro é que muitas federações internacionais 
>>>parecem
>>>não
>>>| > insistir para que os países afiliados tenham programas antidoping
>>>| > efetivos. O segundo é que levará muito tempo até que o público
>>>compreenda
>>>| > os perigos éticos e físicos do doping. A Interpol dispõe de uma
>>>| > estatística segundo a qual o mercado das substâncias dopantes, como 
>>>os
>>>| > anabolizantes, é maior que o tráfico de maconha, o de cocaína e o de
>>>| > heroína combinados.
>>>| >
>>>| > Veja - Isso não prova que tentar detê-lo é uma utopia?
>>>| > Dick Pound - Não. O problema é que as autoridades sempre se 
>>>concentraram
>>>| > nas chamadas drogas recreativas, como a maconha. Vai levar tempo para
>>>| > pensarem nos esteróides e começarem a processar quem compra, tem ou
>>>vende
>>>| > substâncias do gênero. Por outro lado, é verdade que a entrada do 
>>>crime
>>>| > organizado nesse mercado só complica as coisas.
>>>| >
>>>| > Veja - O senhor presidiu o comitê que investigou a atribuição dos 
>>>Jogos
>>>| > Olímpicos de Inverno de 2002 a Salt Lake City, quando membros do COI
>>>| > receberam presentes em troca de votos. O doping não seria apenas um
>>>| > aspecto da corrupção generalizada no esporte?
>>>| > Dick Pound - O caso de Salt Lake City chegou perto, mas não chegou a 
>>>ser
>>>| > de corrupção. Foi de comportamento antiético. Ele mostrou que existe 
>>>um
>>>| > problema. Mas, assim como um alcoólatra só consegue lidar com o 
>>>problema
>>>a
>>>| > partir do momento em que o admite, será impossível encontrar uma 
>>>solução
>>>| > enquanto o esporte não fizer o mesmo.
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