[Cevdopagem] Re: [cevgenetica] A mutação genética dos valores do esporte [*]

Andrea Ramirez aramirezfmu em yahoo.com.br
Quinta Agosto 18 09:56:28 BRT 2005


Alvaro,
 
E se ainda assim, as 'mutações dos valores do esporte' 
não forem selecionadas pelo ambiente, o que acho pouco 
provável devido à pressão seletiva (tecnológica), ainda restará
a opção da terapia gênica, para auxiliar os que não puderem 
enxergar estas perspectivas sem se 'dopar'... 
 
Andréa (tirando meu chapéu aos seus botões)


Alvaro Ribeiro <alvaro em cev.org.br> escreveu:
A mutação genética dos valores do esporte
[*] Álvaro Ribeiro (pensando com meus botões)

O verdadeiro ofício da razão é examinar o
justo valor de todos os bens cuja aquisição
parece depender de algum modo de nossa conduta”.
(DESCARTES, Carta à Princesa Elisabeth, 1º de
setembro de 1645).

Imaginem se alguém tivesse dito no ano de
1970 “eu sei tudo sobre melhora do desempenho de
esportistas que participam de competições de
alto rendimento”. E que, assumindo que sabia de
tudo decidiu que não obteria mais nenhuma
informação sobre o assunto. Esta pessoa
ignoraria que médicos conseguiram tratar casos
de anemia severa (como na Insuficiência Renal
Crônica), hipotrofia muscular crônica,
osteoporose, entre outros males que retiram de
seres humanos sua melhor condição. Esta pessoa
se encontraria hoje defasada em seus
conhecimentos, possuiria informações defasadas.

O “SEI TUDO” provavelmente ignoraria que a
ciência tem decifrado o código genético de seres
humanos e melhor estudado as interações entre os
próprios genes e destes com o meio ambiente.
O “SEI TUDO” não se daria conta de que enquanto
a Ciência faz progressos importantes neste
sentido, incidem ainda em muitas cidades de
nosso país (entre elas nossa antiga Capital
Federal) doenças que se encontravam erradicadas
há décadas.

Quando se fala atualmente em GENÉTICA
nos “jornais”, as pessoas costumam pôr-se
sistematicamente em estados de descrença ou
esperança, medo ou coragem, cumplicidade ou
repúdio. Há outros, mas fiquemos com estes que
nos servem melhor como exemplo. Ao se abrir a
uma nova idéia, na frase atribuída a Einstein,
uma mente jamais retorna ao seu tamanho original.

Trata-se aqui, quando o assunto é modificação
genética, de considerar que DE FATO há
distinções entre aspectos médicos e éticos
relacionados à TERAPIA, NÃO TERAPIA E MELHORA DO
DESEMPENHO ESPORTIVO, sobre os quais é baseada
qualquer “luta anti-doping”. Entre estes
aspectos, para quem percebe os valores
humanistas / humanitários como os mais
relevantes, deverá sempre prevalecer o aspecto
MÉDICO.

Assumo e me reservo o direito de ser
ignorante ao tentar dialogar com colegas que
se manifestem sobre o tema, adiantando uma
posição um tanto quanto polêmica, certamente
uma influência do Andy Miah[2] e [3], já tão
referenciado aqui. Miah é o principal
articulador de um ponto de vista (talvez)
radical (para os dias de hoje), segundo o
qual o desempenho e ética esportivos, no alto
rendimento, requer continuamente o ímpeto
arejado do desenvolvimento tecnológico.

Assim, as tecnologias genéticas
representariam uma inevitável e valiosa extensão
dos meios disponíveis para que nós continuemos
com a evolução das práticas que visam a melhora
do desempenho esportivo.

Estando o mundo em constante mutação,
continuamente, a abordagem de certos valores
tende também à mutação. Valores também sofrem,
sim, mutações genéticas. E muitos dos argumentos
que têm sido desenvolvidos contra o doping (como
buscar vantagens desleais, deixar de honrar
o “contrato” de competição, encorajar a
segregação e tomar como normal a decepção como
condição para a preparação de atletas de alto
rendimento) aplicam-se aqui, nos dias de hoje.
Apenas, porém, aplicar tecnologias
potencialmente nocivas ou deletérias, utilizando-
se de meios ‘não naturais’ e levando à
exploração dos atletas (sua utilização como
cobaias) é algo que deve a todo custo ser
evitado.

No sentido inverso, ASSIM COMO A HUMANIDADE,
O ESPORTE DE COMPETIÇÃO DE ALTO RENDIMENTO
"PRECISA" DAS MODIFICAÇÕES GENÉTICAS.

Um abraço a todos,

Álvaro Ribeiro

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LEITURA AUXILIAR PARA DISCUSSÃO:

ALMEIDA, Guilherme Assis. Ética e Direito: Uma
perspectiva integrada. São Paulo: Atlas, 2002
(CAPITULO 3 – VALOR ESCOLHA E LIBERDADE).

MIAH, Andy. Ban Drugs, permit gene transfer. On
line. Disponível em
.
Último acesso: 18/08/2005.

__________. Genetically Modified Athletes.
Biomedical ethics, gene doping and sport.
Routledge: London and New York, 2004 (PART I –
ANTIDOPING AND PERFORMANCE ENHANCEMENT) – ver
em .




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