[Cevdopagem] Punida por doping, Laura Azevedo ainda questiona 1º caso positivo

Ana Teresa Guazzelli Beltrami aninhabeltrami em hotmail.com
Quarta Agosto 17 10:23:10 BRT 2005


NATAÇÃO

Punida por doping, Laura Azevedo ainda questiona 1º caso positivo

Justiça dá a atleta banida aval para nadar Brasileiro
ADALBERTO LEISTER FILHO
DA REPORTAGEM LOCAL

Expulsa do esporte há três meses, Laura Azevedo, 23, garantiu o direito de 
disputar o Troféu José Finkel, equivalente ao Brasileiro de piscina curta 
(25 m). A nadadora conseguiu uma tutela antecipada (espécie de liminar) na 
26ª Vara Cível do Rio. A competição será em setembro, em Santos.
"A decisão da Federação Internacional de Natação não pode se sobrepor à 
Justiça brasileira", conta Geraldo dos Santos Machado, advogado da atleta, 
referindo-se à sentença da Corte de Arbitragem do Esporte, que baniu Laura.
A Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos irá acatar a decisão da 
Justiça. "Já expliquei o problema para a Fina", diz Coaracy Nunes, 
presidente da CBDA.
O caso Laura se arrasta há dois anos. Em 2003, ela teve exame positivo para 
três esteróides anabólicos -estanozolol, nortestosterona e 
metiltestosterona. Classificada para o 4 x 100 m medley no Pan, recebeu pena 
de dois anos.
No entanto um teste de DNA gerou dúvidas sobre se amostra de urina era 
realmente da atleta.
"O exame é diferente dos feitos no Ratinho [programa de TV], que coletam 
sangue. A quantidade de urina que havia sobrado do teste era pequena, e a 
análise não podia afirmar com certeza se era dela ou não", defende Coaracy.
Baseada em liminares concedidas pela Justiça comum, Laura continuou 
competindo no país. No Estadual de Inverno do Rio, em 2004, porém, ela se 
recusou a passar por novo antidoping.
"O responsável pelo teste era do futebol, não da Fina, e o material não era 
o oficial. Além disso, a análise seria feita pelo Ladetec, laboratório que 
eu estou processando", declara Laura, que diz ter sido orientada pelo 
advogado.
O problema é que tal atitude complicou ainda mais a situação. A documentação 
chegou à CAS, em Lausanne (Suíça), que considerou a recusa como um exame 
positivo e determinou a expulsão da atleta do esporte -é a segunda 
brasileira a levar a pena máxima.
"Estou há três anos nisso. Espero que a Justiça decida que eu possa voltar a 
nadar sem restrições. Moro nos EUA [em Coral Springs, Flórida] e aqui não 
posso participar de provas. Estou competindo quase uma vez por ano, quando 
vou ao Brasil", lamenta Laura, que deve disputar os 50 m e os 100 m 
borboleta em Santos.

Especialistas têm divergência sobre caso da nadadora
DA REPORTAGEM LOCAL

O caso Laura Azevedo gera polêmica até entre os especialistas em legislação 
antidoping.
Para Thomaz Mattos de Paiva, que defendeu Sanderlei Parrela, a atleta errou 
ao se negar a passar por novo exame do Ladetec. "O laboratório tem que 
seguir procedimentos padrões, sob o risco de perder o reconhecimento da 
Agência Mundial Antidoping", aponta.
Luciano Hostins, que trabalhou no caso Maurren Maggi, diz que a decisão 
dependia dos objetivos da atleta. "Se ela queria competir só no país, estava 
correta. Mas, se o objetivo era um dia se tornar atleta olímpica, foi um 
erro", comenta.
Hostins lembra que Laura fizera acordo na Corte de Arbitragem do Esporte, no 
primeiro julgamento, que acataria decisão do tribunal e retiraria suas ações 
na Justiça comum.
"Se a CAS aceitou o acordo, é porque reconheceu as ações no Brasil e validou 
seus efeitos, inclusive o de não fazer antidoping", argumenta ele. (ALF)

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