[Cevdopagem] Spanish cyclist says Tour de France not possiblewithout doping

Nilson Duarte Monteiro nilsondm em uol.com.br
Terça Março 30 09:23:41 BRT 2004


Alváro e Todos,

Transcrito do "Forum Atletismo Brasil - Pestana BR".


Isso é só a ponta do iceberg.. 
.x.x.x.x.x.x. 

História de uma confissão aterradora 
Assim se dopa um ciclista 
Capítulo III 

Tradução: George Panara 

Así se dopa un ciclista (capítulo III) 

"ME DIERON UNA HEMOGLOBINA PARA ANIMALES" 

ANDROGEL. Trata-se de um patch(adesivo) de testosterona que 
se aplica desta maneira durante duas horas. 

Juan Gutiérrez 
A hemoglobina têm várias marcas: Oxiglobin dos laboratórios 
Biopure, é para animais, há outro laboratório, o Hemopure que 
produz hemoglobina para uso em pessoas, mas não sei como se 
chama. Eu só conheço a Oxiglobin, que é para animais. 
Acredito que seja um produto que não se comercializa na 
Espanha, deve ser importado. 

Nos Estados Unidos, e acho que na França, vende-se em 
farmácias, mas deveríamos confirmá-lo pela Internet. Isto se 
colocar numa bolsa com 120 miligramas, divide-se em 60 e 60, 
têm a cor do sangue, muito escura, e aplica-se por Peso. 

Oxiglobin: “Utilizada para cachorros com anemia” 

O que acontece com isso é que ela pode cair bem ou o mal, 
pois estamos falando de uma coisa para animais. Não se pode 
aplicar a uma pessoa toda a bolsa, teria de se calcular a 
equivalência segundo o peso. É utilizada para cachorros com 
anemia e coisas assim. 

Tomei esse negócio duas vezes, ambas na temporada 2003. Uma 
foi no Campeonato de Espanha de contra-relógio de Madrid, e a 
outra no último Tour naquele dia que perdi os sentidos e 
abandonei. Foi pela manhã, tomei duas ou três horas antes 
para que fizesse efeito. O que isso faz é que mesmo que você 
tenha o hematócrito muito, muito baixo; a hemoglobina estará 
muito, muito alta. O limite da UCI é de 17. 

A hemoglobina alta antes se detectava, mas não sei... Não se 
si dizem isso para intimidar os médicos e toda essa gente, 
dizendo que se detecta ou não se detecta. Não podemos ser 
tontos, é batata. Venham ou não os vampiros pela manhã, te 
colocam isso depois e o efeito aparece ao longo da etapa. Ao 
regressar, já se consumiu porque não é um produto de longa 
duração. Quando você pedala e está ao máximo, se consome, se 
gasta. Vamos imaginar, por exemplo, uma etapa de 180 km. Você 
vai ao máximo com a pulsação. 

Todas essas hemoglobinas são sintéticas. Essa vem numa bolsa 
como se fossem aminoácidos, prateada e com seu nome. Não sei 
se compra-se em farmácias ou não, mas deve ser um produto 
caro, nisso tenho quase certeza. 

Após os controles de San Remo, no Giro de Itália de 2001, 
falou-se de um produto, o Hemassit, mas não o conheço. Deve 
haver mais hemoglobinas. Eu não me meto nesse assunto. Deus 
queira que aquele ciclista tenha uma grande temporada, se 
tivesse acontecido com isso, estaria na rua. Para que vocês 
vejam como se trata a um craque e a um peão, um gregário. Dá 
para entender o que estou dizendo? Porém, não conheço o 
Hemassit. Mas há outros como o Hemopure, quer seja francês ou 
estadunidense. 

Actovegin: “É plasma de novilha jovem” 

Utilizei o Actovegin, que é um plasma de novilha jovem, de 
vitela. É um produto alemão, muito caro, mas desconheço o 
preço real. Esse é o que chamamos no meio de gás bus. É um 
produto que oxigena ainda mais o sangue e é indetectável. Seu 
efeito é de um dia e utiliza-se para uma etapa que seja 
complicada. Como exemplo uma contra-relógio. Numa etapa 
difícil, o corpo oxigena mais. 

Isso é como uma moto de 500cc, você mexe aqui, mexe ali, muda 
algumas coisas e temos muito mais gás. São umas ampolas de 
vidros que não se aplicam tudo. Se é para uma seringa de 20, 
aplicam-se 10 de Actovegine 10 de soro, injeta-se direto na 
veia. 

Nas cronos curtas se aplica pela manhã, e nas etapas 
complicadas, naqueles dias de guerra aplica-se no dia 
anterior. Para ser exato para uma contra-relógio combina-se 
gás bus, ácido lático, Cafeín, uma marca de cafeína que se 
injeta na bunda e que dói pra caralho. Dizem que se não é 
cafeína, não dói. 

Método para mascarar: “Grãos para deteriorar a urina” 

Outra coisa que há no pedaço são uns pozinhos ou uns 
grãozinhos, algo assim, que deterioram a urina, mas não 
cheguei a vê-los e não sei mais detalhes de como se utilizam. 

Há também muita coisa que já ouvi falar. Mas, eu utilizei 
aquilo que me davam. Disseram que eu me automediquei, mas 
nunca dei positivo, que isso fique bem claro. Aí estão os 
controles da Federação Espanhola e se as amostras estiverem 
guardadas, basta verificar. 

Nandrolona: “Usa-se no inverno, na academia” 

A nandrolona se comercializa como Deca Durabolin, em duas 
versões, uma é fabricada na Argentina e outra na Grécia. São 
200 miligramas, injetáveis, mas há também em pastilhas ou 
comprimidos. Além disso, há muitas dessas pastilhas ou 
comprimidos são produzidos na Espanha em laboratórios 
clandestinas. Podem ser amarelas, brancas, vermelhas. 

Dizem que a nandrolona utiliza-se em competição, durante a 
temporada, mas realmente usa-se no inverno. É para fazer a 
preparação de academia. Você está trabalhando na academia e 
te aplicam nandrolona. 

Aplica-se na bunda, e dizem que no inverno supõe-se que o 
ciclista ou o esportista está gordo. Injeta-se e se não 
chegar diretamente ao músculo, ou espeta na pele ou na 
gordura, e aí ela fica. Então quando você começa a afinar, a 
bolsa que se formou no local sai. É nesse momento que dá o 
positivo. Isso é porque fica no tecido e não vai diretamente 
ao músculo. 

É importante perceber que quando injetado aproveita-se muito 
mais. Se você o tomar em pastilhas ou comprimidos, o 
aproveitamento é de 25%, injetado é de um 50% e em algumas 
vezes chega-se ao 100%. 

A nandrolona pode-se começar a tomar em outubro (ndT: na 
chegada do outono no Hemisfério Norte), mas não se deve tomar 
em demasia para pedalar, pois ela te bloqueia. Reduz muito a 
força e não dá para desenvolver, não dá para rodar. Utiliza-
se na academia. Quando o corpo não está preparado. Utiliza-se 
para a musculatura e para um outro monte de coisas mais. 

Deixa-se de tomar em dezembro, mas isso depende de quando 
cada um começa a sua preparação. Se o objetivo é o Tour, o 
início é no Giro, quando não se está em competição, pois a 
nandrolona em 10 não dá mais positivo. 

Não tenho idéia de quanto custa o tratamento. Sei que um 
pacote com 50 0u 80 pastilhas de nandrolona custa entre 25 e 
30 euros (R$ 90 e 110). Não é caro. E simplesmente os 
comprimidos têm o mesmo efeito que a injetável. 

Nos últimos tempos houve positivos no futebol com nandrolona. 
Isso eu não compreendo, a não ser que o esportista esteja 
gordo, e que ela não atinja o músculo,s e forma a cápsula 
entre a pele e logo acuse positivo. 

Uma grande maioria dos ciclistas ganha peso durante o 
inverto. Eu era chamado de cara de pão. Cheguei a ganhar 15 
quilos, não foi pela nandrolona. Eu gosto e comer e é normal 
quando não se está em atividade. Eu posso falar do meu caso, 
não de jogadores de futebol ou de outros ciclistas. Você pode 
ter um 11% de gordura e logo afinar, descendo para 8, com 
esse valor se está muito bem. 

Um outro produto é o Androgel, é a famosa testosterona 
utilizada pelo homens quando sofrem de impotência. É um 
pathc/adesivo que se aplica durante duas horas e que precisa 
ser massageado. Aqui tenho um (mostra com a sua mão direita), 
como você pode ver ele têm um adesivo. Tira-se a proteção e 
ele é semelhante a uma membrana. Somente pode ser utilizado 
por duas horas, insisto, mais do que isso é possível dar 
positivo. 

Dizem que aplicando isso a recuperação é mais rápida. Isso 
perceba, que ninguém teria medo de tirar. Na hora de jantar, 
muitos descem do quarto com isso. É um produto com o qual se 
toma uma massagem e logo se retira. 

E o ciclista não é bobo, não esquece de retirá-lo. É preciso 
levar em conta que quando se sente o cheiro de positivo todos 
andam atentos, ninguém deseja um caso. 

Testosterona: “Há uns supositórios clandestinos” 

Essa testosterona não se utiliza nos treinos, nesse caso 
acostuma-se utilizar outra coisa que se chama Andriol. Não é 
nandrolona, é um Decanato de Testosterona, fabricado em 
Portugal e que vêm num pote com 60 bolinhas e 40 mg por 
comprimido, 

Há outras coisas como o holandês Rastandol, vendido em toda a 
Europa. Aqui na Espanha temos o Testovirón. Com este último 
se faz um tratamento para treinar. Veja que isso custa 12,50 
euros (R$ 45) e aplica-se por via intramuscular. Direto na 
bunda, e com certeza dói pacas. Isso é Enatato de 
Testosterona. Leva seu tratamento e por um tempo pode dar 
positivo. Há vários nomes... já falei do Andriol, o 
Rastandol, mas há muito mais... Também utilizam-se 
tratamentos de Toxandrolona. 

Também utilizei uns supositórios e testosterona, acredito que 
Sejas feitos em laboratórios clandestinos, pois não têm nem 
marca nem outra indicação. Supomos que estes supositórios dão 
positivo. 

Quando é feito um tratamento de testosterona em competição 
por quatro dias não acusa positivo. Você corta e não dá 
positivo. Você faz um tratamento quando se vai à competição e 
após quatro dias de competição, é só cortar. 

Há uma outra coisa chamada epitestosterona que é o caso do 
HMG, o hormônio masculino. É feito esse tratamento para que a 
UCI não possa dizer que a testosterona está alta e a 
epitestosterona baixa. Então está o HMG (hormônio masculino), 
o Andriol. Com esse último igualam-se o níveis. 

Cortisona: “Não jogo sal em meus testículos” 

Eu sou alérgico, mas não em grandes quantidades. Aqui pode 
ser alérgico o massagista, o mecânico. Chamou muito a atenção 
uma confissão recente de um ciclista francês que jogava sal 
em seus testículos para que brotassem algumas erupções e lhe 
receitassem cortisona. Eu nunca joguei sal, não seria tão 
estúpido. 

Outro dia, por exemplo, fui com a carteira de saúde visitar 
uma pessoa do ciclismo, e ela disse: “Mas você só tem isso 
registrado?”. Porque os corticóides só podem ser utilizados 
com prescrição médica e isso vai anotado na carteira de 
saúde. Então eu lhe disse: ”Mas o que você quer que eu 
tenha?”. Ele contestou: “Mas você sabe utilizar 
isso?” “Porra, claro que sei utilizar!”. Que fique claro que 
era uma pessoa que sabe do rolo, é do ciclismo e presidente 
de alguma coisa. 

Isso aí dá pano pra manga. Você pega, vai, pá pum... No Tour 
já não é mais permitido tomar cortisona, eles te mandam para 
a rua. Mas a cortisona na carteira de saúde vale por um mês. 
Se você assinar a carteira de saúde antes do Tour, com data 
anterior, perceba o que pode aprontar. Você já está com a 
cortisona e com certeza vai dar positivo, então podem ser 
feitas algumas coisas que vou contar. Por exemplo, você têm 
tendinites e a cortisona dá na mesma se aplicada aqui ou na 
bunda, você já tem ela no corpo e é utilizada para dar força. 

A cortisona é detectada nos controles antidoping, mas se você 
tiver declarado na carteira de saúde, já não acusas positivo. 
Para mim era engraçado, o outro dia lia o lance do francês e 
me falam para jogar sal nas bolas. Como pode ser isto? Parei 
pára pensar. 

Há também as pomadas Sinacthene e Triancinolona... são 
pomadas que estimulam (mostra um tubo). Diziam, põe as bolas 
e te damos um poço. Um pouquinho disto agora mesmo e já acusa 
positivo. É utilizada para coceiras e irritações muito fortes 
e outras coisas. 

Com isso aqui dá a mesma coisa que uma seringa. Dá na mesma 
usar a pomada ou uma seringa de Trigón. A Triancionolona é o 
Trigon. Mas esta pomada melhora o rendimento, assim utilizada 
uma picada de Trigon na bunda. Se for subcutâneo aplica-se em 
0,15; 0,40... A dose depende de cada um. 

Diferentes legislações: ”Na França dá positivo e aqui não” 

Também quero contar o que acontece no Tour com a cortisona. A 
lei francesa, não pe a mesma lei que utilizamos na Espanha. A 
cortisona na França é nasal. Se você, ao passar num controle 
der 0,9 microgramas no sangue de Cortisona, com o tempo você 
não poderia voltar a dar esses 0,9 teria de dar 0,6 ou 0,7 
até menos. Isso já é considerado positivo. Isso ocorre na 
França. 

Houve um caso de um espanhol com cortisona na França. Eu não 
sei se aconteceu isso, eu não quero acusar a ninguém, nem 
desejo que alguém dê positivo, isso significa famílias e 
pessoas arruinadas. Gente que se vai pro caralho. Se você não 
é craque, você vai à merda. 

Chega-se ao Tour e após passar pelo primeiro controle e de 
ter já aplicado cortisona, e mesmo que seja uma animalada e 
acusar 0,15 microgramas por sangue. Insisto, você pode passar 
num outro controle após 10 dias e não pode acusar 0,10, mesmo 
que o Trigón seja um produto de longa duração – por ser o 
mais utilizado em longos tratamentos. 

Então a lei francesa diz que você deu positivo. O que 
acontece aqui na Espanha, você usa meio Trigón, passa pelo 
controle e não acontece nada. Mas lá não. Ali tem de haver 
uma justificativa. 

Um produto muito conhecido é o Ventolín, e muita atenção no 
que vou falar: Eu acredito, estou certo disso, que há pessoas 
realmente asmáticas no pelotão. Isso é claro, como em 
qualquer outra profissão. Há de tudo, como você pratica 
esportes, estudou, tudo isso. 

Por isso na carteira de saúde se registra e não há nenhum 
problema. Quer dizer que não há motivos para dar positivo. 
Nisso a deferente da lei francesa para a espanhola. 

Há muitas substâncias (mostra um outro produto. Isto é 
Sinacthene, é cortisona francesa. Está disponível em 0,25 e 
0,50. Há de ação imediata, que é diferente à outra cortisona, 
porque o Trigón, por exemplo, não pode aplicar-ser na veia, 
mas este corticóide sim. Com isto dizem que não dá positivo. 
Isso está feito de córtex cerebral. Isto é um produto e 
laboratório, têm de ter receita. 

Há varias classes de produtos, muitos contém cortisona, mas 
há diferenças entre si, não se podem misturar. Há uns 
comprimidos na França que são também de cortisona, mas são 
derivadas do Celestone, e nós as conhecemos por rosinhas. 
Acho que são francesas e se colocam debaixo da língua. 

Vou exemplificar: se eu utilizo Trigón numa corrida, não 
posso usar as rosinhas, porque o Celestone e o Trigón têm 
composições diferentes, completamente diferentes. Já fizeram 
os comprimidos de Trigón, que tem a cor branca. 

No jargão ciclista há outras pastilhas que chamamos 
branquinhas, mas não confundir, porque a cafeína também é 
denominada branquinha. Todo esse tipo de produtos vem de 
laboratórios clandestinos que se dedicam a fazer lotes de 
comprimidos. Estas cafeínas não se comercializam no mercado 
normal. Enfim, há muitas classes de cortisonas e ficaríamos 
aqui falando por 7 dias. 

Hormônio do crescimento: “Se tiver câncer, aparece antes” 

Antes de encerrar o papo de hoje, gostaria de marcar algumas 
coisas sobre alguns assuntos que tratamos. Existe a idéia de 
que ao se tomar hormônios do crescimento as mãos ficariam 
maiores, ou utilizar aparelhos na boca. Eu sinceramente não 
acredito. 

Não sei até quando vou durar nesta vida, e muito menos agora 
quando apareceram ameaças de gente que mão lhe interessa que 
tudo isso venha à luz. Isso tudo é coberto por dinheiro. 

Eu acredito, voltando à questão. São besteiras que se falam. 
Se olharmos um vademécum, ou receituário, o hormônio 
masculino o que faz é estimular a hora de futuras doenças. Se 
você for predisposto a ter um câncer, ele se fará notar com 
antecedência. 

Eu não posso falar de dentes ou mãos, tenho as mãos grandes 
de pequeno. Aqui a verdade é a verdade, a mentira tem pernas 
curtas. Meu pai sempre me dizia isso. 

Mudando de assunto, mais uma coisa a marcar. Quando falei no 
primeiro capítulo de um tratamento na Vuelta a Astúrias que 
gerou uma discrepância dos médicos, no momento eu não havia 
dito qual o produto. Estávamos utilizando uma EPO que se 
chama Epocrin. Esta Epo é de fabricação russa e tem uma 
duração reduzida, a que têm maior duração é a Eprex. Mas 
insisto no que falei o outro dia. Todas as EPOs dão positivo 
e se há algum médico que manda tomar ou não O que fazer? Se 
desobedeço e não ando eles me mandam embora... 


Tchau!

Nilson Duarte Monteiro

 
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