[cevbibli] PARA HOMENAGEA-LOS

Celi Taffarel taffarel em ufba.br
Sábado Outubro 15 19:39:34 BRT 2005


Prezados Colegas professores



Para homenagea-los, neste 15 de outubro de 2005, escrevi o texto abaixo que 
dedico a todos

Com responsabilidade e consideração

VIVA OS PROFESSORES

Celi Taffarel





PARA QUE PROFESSORES?

O PRESENTE TEXTO É UMA HOMENAGEM ESPECIAL AOS PROFESSORES. O faço 
interrogando sobre a necessidade da educação para a humanidade, a 
institucionalização do dia do professor no Brasil, caracterizando o período 
histórico em que vivemos e, reconhecendo, por um lado, a necessidade vital 
de professores para a humanidade, e por outro, suas tarefas estratégicas 
imediatas e históricas para que a humanidade enfrente os paradoxos e 
contradições próprias do modo do capital organizar a vida.

"Nuestros más antiguos nos enseñaron que la celebración de la memoria es 
también una celebración del mañana. Ellos nos dijeron que la memoria no es 
un voltear la cara y el corazón al pasado, no es unrecuerdo estéril que 
habla risas o lágrimas. La memoria, nos dijeron, es una de las siete guías 
que el corazón humano tiene para andar sus pasos. Las otras seis son la 
verdad, la vergüenza, la consecuencia, la honestidad, el respeto a uno mismo 
y al otro, y el amor. Por eso, dicen, la memoria apunta siempre al mañana y 
esa paradoja es la que permite que en ese mañana no se repitan las 
pesadillas, y que las alegrías, que también las hay en el inventario de la 
memoria colectiva, sean nuevas". Subcomandante Marcos, Marzo, 2001



"La ciencia no es un espejo puesto al frente de la realidad, sino un 
martillo para moldearla" Paráfrasis de texto de Bertolt Brecht

EDUCAÇÃO PARA QUE?

            Uma constatação. O homem só se torna ser humano se tiver 
condição de manter a sua vida e os meios que garantem a reprodução de sua 
vida. Uma explicação. É impossível ao ser humano manter a sua vida se não 
lhe forem garantido os meios para tal. Os meios foram sendo desenvolvidos ao 
longo da história da humanidade. Na relação com o meio ambiente, com os 
outros seres humanos e consigo mesmo. Assim desenvolveu-se a humanidade, 
desenvolvendo as forças produtivas, as forças que garantem a vida humana, a 
saber: o ser humano, sua atividade, o meio ambiente, o trabalho, os meios do 
trabalho, o conhecimento, a ciência & tecnologia, a cultura. O homem não se 
torna ser humano fora de suas relações sócio-históricas. Uma compreensão: 
portanto, deve ser assegurado que cada ser humano tenha possibilidade de 
"ser humano" e, para tanto, deve ser garantida a possibilidade de se educar, 
de ser educado, aprender, agir, criar, produzir, acessar, construir, 
reproduzir, transformar, viver. Isto que era uma prática social utilitária, 
ao longo do desenvolvimento humano e da sociedade, ao longo da história da 
humanidade, tornou-se uma política cultural. Das relações cotidianas das 
pessoas educando-se mutuamente, chegamos à profissionalização do trabalho 
docente, chegamos ao professor. Na atualidade, mais do que nunca, para 
materializar a política cultural de educar um povo, tenha ela os rumos que 
for, são imprescindíveis, estratégicos, vitais, os PROFESSORES.

No Brasil a educação começou, portanto, com os primórdios da vida humana em 
nosso continente. Era uma práxis social utilitária até a ocupação do 
continente pelos europeus, nos meados do século XIV - XV. Passou a ser outra 
com as colonizações, com o Império, com a emergência da república e com os 
avanços do Imperialismo.

Na passagem do período imperial ao período republicano, gestaram-se no 
Brasil as leis de cunho liberal, que respondiam ao grau de desenvolvimento 
das forças produtivas no contexto do capitalismo ascendente e dependente e 
que exigiam a valorização da educação. Consagrou-se na Lei, pela luta dos 
trabalhadores, o direito de todos a educação - sem o que o homem não se 
torna ser humano. Consagrou-se, por isto, o dia do professor no Brasil.

O DIA DO PROFESSOR

O dia do professor - 15 de outubro é uma homenagem à instituição da Lei 
Geral relativa ao Ensino Elementar no Brasil. Por decreto imperial, de 15 de 
outubro de 1827 foi instituída a primeira Lei Geral relativa ao Ensino 
Elementar, outorgado por Dom Pedro I. A Lei tratava dos mais diversos 
assuntos como descentralização do ensino, remuneração dos professores e 
mestras, ensino mútuo, currículo mínimo, admissão de professores e escolas 
das meninas. A Lei de 15 de outubro de 1827 determinava, no seu artigo 1º, 
que as Escolas de Primeiras Letras (hoje, ensino fundamental) deveriam 
ensinar, para os meninos, a leitura, a escrita, as quatro operações de 
cálculo e as noções mais gerais de geometria prática. Às meninas, sem 
qualquer embasamento pedagógico, estavam excluídas as noções de 
geometria.Aprenderiam, sim, as prendas (costurar, bordar, cozinhar etc) para 
a economia doméstica.

A lei geral da educação republicana nunca foi plenamente executada. Assim 
também a Lei atual nº 9.394/96 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação), 
persegue ainda ideais imperiais, ao estabelecer, entre os fins do ensino 
fundamental, a tarefa de desenvolver a "capacidade de aprender, tendo como 
meios básicos o pleno domínio da leitura, da escrita e do cálculo". 
Portanto, mais de um sesquicentenário da lei, perseguimos os meus objetivos 
da educação imperial. Hoje, além da descentralização do ensino, para maior 
cobertura de matrícula do ensino fundamental, obrigatório e gratuito, o 
poder público assegura, por imperativo constitucional, sua oferta gratuita, 
inclusive, para todos os que a ele não tiveram acesso na idade própria 
(Inciso I, artigo 208, Constituição Federal). Quanto à remuneração dos 
professores é, historicamente, o grande gargalo da política educacional, do 
Império à Nova República, de Dom Pedro I a Luiz Inácio Lula da Silva. O 
mérito do Imperador, ao outorgar a Lei de 15 de outubro de 1827, foi o de 
não se descuidar, pelo menos, formalmente, dos salários dos professores. As 
mestras, pelo artigo 13, não poderiam perceber menos do que os mestres. No 
artigo 3º da lei imperial, Dom Pedro I determinou que os presidentes, em 
Conselho, taxariam interinamente os ordenados dos Professores, regulando-os 
de 200$000 a 500$000 anuais, com atenção às circunstâncias da população e 
carestia dos lugares. Se fizermos a cotação de moedas e a conversão dos réis 
de 1827 em reais de 2005 (discutíveis) podemos estimar que 200$000 equivalem 
a aproximadamente R$ 9.000,00 isto é, a um salário mensal de R$ 800,00, 
considerando o 13º) e 500$000 a aproximadamente R$ 22.000,00, ou seja, R$ 
1.700, por mês. Os dados (discutíveis) demonstram que os professores do 
inicio do século XXI recebem bem aquém dos parâmetros estabelecidos pela lei 
imperial do século XIX. Dados do Ministério de Educação demonstram que do 
total de professores, 65% ganham menos que R$ 650, 15% ganham entre R$ 650 e 
R$ 900 e 16% ganham mais de R$ 900. O salário médio mensal, de acordo com o 
senso do Ministério de Educação, é de R$ 1.474 nas escolas federais, R$ 656 
nas particulares, R$ 584 nas estaduais e R$ 372 nas municipais. Em muitos 
municípios do nordeste do Brasil encontramos milhares de professores 
recebendo e, muitas vezes, com atraso, menos do que um salário mínimo 
vigente. A questão salarial dos professores até hoje não foi resolvida no 
Brasil. A Constituição Federal de 1988, no seu inciso V, artigo 206, 
garante, como princípio de ensino, aos profissionais de ensino, planos de 
carreira para o magistério público, com piso salarial profissional, no 
entanto, até hoje, 15/10/05 não foi determinado o valor do piso salarial 
profissional condigno para os professores brasileiro. A lei de 1827 trouxe a 
co-educação, com a inclusão de meninos e meninas, mas até hoje, nas aulas de 
educação física, encontramos a segregação sexista, racista e em função de 
vantagens das aptidões e qualidades físicas. No que diz respeito à formação 
de professores no seu artigo 5º, a lei determinava que os professores que 
não tinham a necessária instrução do ensino elementar iriam instruir-se em 
curto prazo e à custa dos seus ordenados nas escolas das capitais. Hoje no 
Brasil são aproximadamente 250 mil professores leigos, sem formação sequer 
do pedagógico ofertado no ensino médio - magistério de 2º Grau. A Emenda 
Constitucional n.º 14, de 12 de setembro de 1996 , a LDB, o Fundef 
promulgados em 1996 e, agora, o Fundeb, em vias de discussão no parlamento, 
orientam os governantes e as universidades para as licenciaturas curtas para 
enfrentar o déficit de professores habilitados para o magistério escolar. No 
entanto, o não investimento adequado nas políticas educacionais, a não 
ampliação do montante do PIB Nacional para Educação de 3% para 10% e com os 
vetos ao Plano Nacional de Educação em itens referentes a financiamento da 
educação, comprometem-se metas para preparar os professores a enfrentarem o 
exercício da docência neste país de dimensões continentais. A meta de 
habilitar, em nível superior, até o ano de 2007, o grande contingente de 
professores leigos da educação básica provavelmente não será cumprida. A 
população Brasileira continuará, em sua grande maioria, condenada a 
ignorância, conforme canta Pablo Neruda, ao fazer referencia a educação na 
América Latina. Mas não é isto que almejam milhares e milhares de 
professores e de movimentos organizados na cidade e no campo, que lutam e 
reivindicam direitos e almejam a ampliação de conquistas no campo 
educacional.  Mas qual é afinal a tarefa estratégica do professor neste 
momento histórico? Para que afinal de contas, professores. Para responder a 
esta pergunta é necessário caracterizar o período histórico em que vivemos 
para possamos reconhecer e assumir tarefas imediatas, mediatas e históricas.

A ORDEM MUNDIAL VIGENTE: A DITADURA DO CAPITAL

Hoje o capitalismo, modo hegemônico de produção da vida, suscita um dilema 
crítico para a humanidade: ou sua voracidade ilimitada arrasa a natureza e a 
civilização; ou esta acaba definitivamente com ele para que se possa chegar 
a uma nova sociedade verdadeiramente humana.

Os dados demonstram: nunca foram tão agudas as diferenças nos níveis de vida 
que separam as nações. Se em 1820 o PIB per capita dos países ricos era três 
vezes maior do que o dos pobres, hoje é setenta e quatro vezes maior segundo 
estudos de DICKSON, Martin, divulgados Financial Times. 22/09/2000 com o 
titulo  "Global inequality".

O número de pessoas na miséria, atualmente, ultrapassa o total da população 
da Terra quando se iniciava o século XX. Essa população continuará 
crescendo, quase toda no Terceiro Mundo, a um ritmo de um México por ano, 
apesar de, em continentes inteiros, a esperança de vida ir diminuindo e em 
muitos países o total de habitantes se reduzir em milhões e milhões, como 
por exemplo, em paises Africanos.

Nunca a ciência & tecnologia evoluiu tanto, mas nunca foram tantos os que 
passam fome e sofrem de desnutrição, ou morrem de doenças plenamente 
evitáveis, embora seja possível aumentar colheitas, multiplicar alimentos e 
desenvolver novas vacinas, medicamentos e equipamentos médicos.

Nunca a ciência & a tecnologia evoluí tanto, mas nunca a humanidade sofreu 
tanto os impactos das catástrofes da natureza - terremotos, maremotos, 
vendáveis, furações, e outros - apesar de existirem meios possíveis tanto de 
prever, como de prevenir, quanto de enfrentar as adversidades da natureza. 
Não é de hoje que o homem enfrenta o que é próprio do planeta terra.

 Atravessamos o século XX, o mais violento século registrado pela 
humanidade, com duas guerras mundiais, mas jamais os conflitos armados, a 
violência e a criminalidade foram disseminados como nestes últimos 10 anos 
em que não terminam as mentiras sobre uma nova ordem internacional de paz e 
estabilidade anunciada por Buch no inicio dos anos 90 do século XX. George 
Herbert Walker Bush, nasceu em 12 de junho de 1924, foi o 41º Presidente dos 
Estados Unidos da América (1989-1992). Anteriormente, já tinha servido como 
embaixador das Nações Unidas (1971-1973) e foi diretor da CIA (1971-1973) e 
o 43º Vice-Presidente dos Estados Unidos da América na gestão do Presidente 
Ronald Reagan (1981-1989). Como podemos constatar pelos fatos a "mão 
invisível do mercado" pode ser reconhecida pelo seu nome, endereço e 
passado.

A "mão invisível" do mercado está intervindo com a conciliação de governos e 
governantes, dando liberdade absoluta aos mercadores.

Para adaptar a população mundial a está "nova ordem mundial" é necessário 
educar gerações e gerações. A ordem não se mantém por si só. É necessário um 
Plano Mundial de Educação e, conseqüentemente, um Plano Mundial de Formação 
de Professores para que cumpram tal tarefa social - educar as gerações para 
se submeterem à ordem do capital.

Na realidade, a nova ordem internacional é resultado de imposições 
governamentais, imposições de imperialistas, imposições do capital e sua 
forma de se organizar internacionalmente. Ajustes estruturais, reformas e 
políticas assistencialistas, focais e compensatórias visam minimizar a 
pobreza e garantir a segurança. Trata-se de instaurar uma "ditadura global" 
mundial denominam de "Globalização" o que significa, no plano político, o 
avanço do "Neoliberalismo".

A ordem é desregular, privatizar e abrir os mercados, eliminar os subsídios, 
reduzir o gasto social, deixar fazer; são as ordens ditadas aos demais 
paises e governos por meio de instituições internacionais como o FMI o Banco 
Mundial entre outras. Nunca, em tão curto espaço de tempo, foram adotadas 
tantas decisões que afetam profundamente tanta gente que não tem com quem 
contar.

Se vigorarem as diretrizes do FMI e do Banco Mundial, subsídios serão 
eliminados; programas sociais desaparecidos; escolas e hospitais fechados; 
medidas econômicas e financeiras de austeridade implantadas; fábricas e 
serviços privatizados; estradas, cárceres e cemitérios vendidos; empresas 
arruinadas e dissolvidas; a moeda nacional renunciada; recursos naturais 
entregues; e os países submetidos a mercados alheios. O neoliberalismo é a 
implantação definitiva da ditadura do capital. Ilude as pessoas, já não há 
cidadãos, mas sim consumidores. Os pobres, os excluídos, são os novos 
bárbaros, estrangeiros carentes de direitos. O neoliberalismo fomenta a 
expansão do uso de novas tecnologias inclusive no sistema educacional, 
fomenta, também, outras formas de extinção que afetam tanto os trabalhadores 
dos países periféricos quanto os dos centros dominantes. São os nômades do 
século XXI, ou cibernômades: trabalhadores temporários ou com contratos 
especiais que se somam à corrente migratória, ou que já nos seus países 
vendiam sua força de trabalho a multinacionais instaladas no exterior. A 
outra face da moeda são os trabalhadores e empregados dos grandes centros 
industriais que tiveram seu tempo médio de permanência no emprego de mais de 
23 anos há meio século, para menos de 4 anos na última década.

Estamos diante do desenlace de uma antiga questão. Com a derrota do 
socialismo real, o Império acredita ser também possível uma nova "governança 
mundial", que se confunde ao ideal democrático. As teorizações pós-modernas, 
o triunfo dos ideólogos, toda a propaganda sobre o fracasso do socialismo e 
o fim da história, refletem a necessidade - vital para o grande capital - de 
convencer a multidão de que a milenária aspiração da humanidade de vida 
digna para todos está esgotada. O caminho é humanizar o capitalismo, 
garantir os mínimos e com segurança - para o capital. Como o capitalismo 
venceu seu terrível inimigo, não há mais nada a ser feito.

Nos perguntamos, no entanto, como o capitalismo pode atribuir perenidade a 
si mesmo se esmaga nações inteiras e atenta contra a vida e marginaliza quem 
lhe garante a existência - o trabalhador e seu trabalho?

Não pode perdurar uma sociedade na qual o ser humano está condenado à morte.

Ao ultrapassar os limites de sua insaciável necessidade de lucro e de cobrir 
todo o planeta terra, o capitalismo coloca um dilema crítico a humanidade e 
em especial aos professores: ou sua voracidade ilimitada arrasa a natureza e 
a civilização ou a humanidade reage para que se possa chegar a uma nova 
sociedade, justa, verdadeiramente humana. A resistência mundial a ditadura 
do capital está acontecendo. Ela vem do mundo do trabalho, dos movimentos 
sociais de resistência, de vários segmentos sociais, da natureza que reage a 
sua destruição. A esta resistência devem estar sintonizados os professores.

PROFESSOR PARA QUE?

O capitalismo não cairá por si só. É preciso esforço, educação, práxis 
social revolucionária, consciente dos paradoxos, dilemas e contradições, 
para antecipar o surgimento de uma ordem verdadeiramente humana.

Portanto, mais do que nunca, são necessários os professores para:

1)     educar para a vida, que necessita ser preservada, digna, para todos, 
o que não é possível no modo capitalista;

2)     criar - educando e educador - a união internacional dos trabalhadores 
que inclua todos os que buscam um mundo solidário e livre, em harmonia com a 
natureza, que respeite plenamente a dignidade de cada mulher e de cada 
homem.

3)     desenvolver novas formas e novos métodos de luta, novas organizações, 
que incluam as possibilidades de comunicação e intercâmbio instantâneos 
oferecidos pela atual tecnologia;

4)     desenvolver batalhas contra Acordos Multilaterais de Investimentos 
que sufocam as nações, retirando sua soberania, constituindo-se isto em uma 
importante experiência que pode levar a outras ações indispensáveis.

5)     educar para as lutas das nações oprimidas e as dos assalariados dos 
países dominantes e dominados para convergirem em uma mesma luta, em uma 
mesma direção preservar a vida, amar, criar, ir além do capital.

6)     educar para conceber uma frente abrangente de todo o conjunto da 
humanidade contra o modo do capital organizar a vida, contra o seu 
individualismo, competitivismo, egoísmo. Ensinar que para pensar a sociedade 
tendo como parâmetro o ser humano é necessário à superação da lógica 
desumanizadora do capital, que tem no individualismo, no lucro e na 
competição seus fundamentos.

7)     desenvolver métodos para erradicar todo tipo de sectarismo, qualquer 
atitude estreita e mesquinha, qualquer visão egoísta, individualista, 
provinciana e excludente avançando no legado que nos deixou o Cubano José 
Martí para quem a Pátria é a Humanidade.

8)     colocar fim à separação entre Homo faber e Homo sapiens; resgatando o 
sentido estruturante da educação e de sua relação com o trabalho, as suas 
possibilidades criativas e emancipatórias.

9)     transformar idéias e princípios em práticas concretas com ações que 
vão muito além dos espaços das salas de aula, dos gabinetes e dos fóruns 
acadêmicos. Sair às ruas, para os espaços públicos,   se abrir para o mundo 
e para os movimentos sociais de caráter confrontacional a propriedade 
privada.

10) defender a existência de práticas educacionais que permitam aos 
educadores e educandos trabalharem as mudanças necessárias para a construção 
de uma sociedade na qual o capital não explore mais o tempo de lazer, pois 
as classes dominantes impõem uma educação para o trabalho alienante, com o 
objetivo de manter o homem dominado.

11) contribuir na transformação do trabalhador em um agente político, que 
pensa, que age, e que usa a palavra como arma para a transformação radical 
do atual modelo econômico e político hegemônico.

Concordo que a civilização desaparecerá se não conseguirmos derrotar o 
Império e o modo do capital organizar a vida, se não formos capazes de abrir 
espaço para o humanismo, se não formos capazes de construir o socialismo. Um 
socialismo diferente como gostaria Mariátegui, uma "heróica criação" de cada 
povo.



Nossa época é a época de crise estrutural global do capital e, também, a 
época histórica de transição da ordem social existente para uma 
qualitativamente diferente. Tais características definidoras do espaço 
histórico e social em que vivemos, indicam o espaço e tempo no qual os 
desafios e tarefas estão colocadas aos professores.



Para quebrar a lógica do capital e ao mesmo tempo também elaborar planos 
estratégicos para a educação para além do capital, devemos conhecer, 
explicar, compreender o tempo em que vivemos.



A tarefa dos professores é simultaneamente a tarefa de uma transformação 
social ampla emancipadora, construída no dia-a-dia do trabalho pedagógico. 
Ele pode e deve ser articulado adequadamente e redefinido constantemente no 
seu interrelacionamento dialético com as condições em mudança e as 
necessidades da transformação social emancipadora progressiva.  Isto exige 
que as tarefas imediatas e os seus enquadramentos estratégicos globais não 
podem ser separados, e opostos, uns aos outros. O êxito estratégico de 
superação do capitalismo e a construção do socialismo são impensáveis sem a 
realização das tarefas imediatas.



Como ressalta Mészáros em sua obra "Educação para Além do Capital"



"O próprio enquadramento estratégico é a síntese global de inúmeras, sempre 
renovadas e expandidas, tarefas imediatas e desafios. Mas a solução dos 
últimos é possível apenas se a abordagem ao imediato for informada pela 
sintetização do enquadramento estratégico. Os passos mediadores em direção 
ao futuro - no sentido da única forma viável de auto-mediação - apenas podem 
iniciar-se do imediato, mas iluminados pelo espaço que pode legitimamente 
ocupar na estratégia global orientada pelo futuro contemplado".

Para tanto, mais do que nunca, são necessários professores que assumam tal 
tarefa estratégica, educar para superar o projeto histórico capitalista e 
construir o projeto socialista.

E VIVAM OS PROFESSORES !





Mais detalhes sobre a lista de discussão cevbibli

© 1996-2018 Centro Esportivo Virtual - CEV.
O material veiculado neste site poderá ser livremente distribuído para fins não comerciais, segundo os termos da licença da Creative Commons.