[cevbasq] Oscar propoe liga independente da CBB

Darwin Ianuskiewtz darwin_cev em yahoo.com.br
Domingo Novembro 16 08:48:00 BRST 2003


Oscar propõe liga independente da CBB

Aliado a firma de marketing, ex-atleta quer 1º torneio
no país gerido por clubes, sucesso em países que vão a
Atenas

Modelo seguido por quase todos os países que se
classificaram para o torneio de basquete dos Jogos de
Atenas-2004, a liga independente pode chegar ao
Brasil.
O projeto nasceu das discussões entre Oscar, que
deixou as quadras em maio, e João Henrique Areias,
dono da Sportlink. A Folha teve acesso ao documento
que prevê a participação de 12 times, ligados a
universidades, que jogariam com o nome de suas
cidades.
"Tornou-se comum colocar vários nomes nas equipes,
juntando patrocinador e cidade. O time muda de nome
todo ano. Isso confunde o público. Nossa proposta é
dar visibilidade às marcas de outra forma", afirma
Areias.
As empresas teriam placas no ginásio. Já as
universidades estampariam sua marca no uniforme e no
centro da quadra.
A proposta foi apresentada por Oscar ao presidente da
Confederação Brasileira de Basquete, Gerasime Bozikis,
o Grego, na terça, no Rio. "Atuei 20 anos pela seleção
brasileira defendendo a camisa da CBB. Não gostaria de
fazer algo sem o aval dela", afirma Oscar, que deve
agendar novo encontro na semana que vem.
Mesmo sem o apoio da entidade, a liga pode surgir.
Pela Lei Pelé, os clubes podem criar seu torneio. "Mas
seria algo inédito no país. Se pegarmos o estatuto da
Superliga de vôlei ou da Liga Futsal, veremos que elas
são atreladas às confederações", diz Areias.
A idéia do publicitário é contar com cinco
patrocinadores oficiais. Com um orçamento de R$ 12
milhões, a liga poderia bancar todas as despesas do
campeonato.
No Nacional, a CBB paga 15 passagens aéreas para os
clubes nos deslocamentos longos, fornece 24 bolas para
as equipes e financia passagem e estadia para a
arbitragem, entre outras despesas.
"O maior gasto da liga será comprar espaço na TV
aberta. Transmitiríamos os jogos aos domingos, das 12h
às 14h. Não tenho os valores ainda porque isso será
negociado", conta Areias, que já fez contato com a
Bandeirantes.
Aos clubes sobrariam só os salários. As equipes teriam
30 parceiros, com três tipos de cotas diferentes. "A
liga funcionaria por franquias, como o McDonald's.
Temos um plano de marketing que forneceríamos a cada
equipe. Não é difícil conseguir [30 patrocínios
locais]. Fiz esse plano para a Unit [time de
Uberlândia] em 1998 e, em um mês, trouxemos 24
empresas", conta o publicitário.
Para a iniciativa dar certo, será necessária muita
discussão. "O mais difícil é amarrar apoio de
universidades, prefeituras e patrocinadores", admite
Areias.
Até agora, os dirigentes estão divididos. "Não fui
consultado. Mas não entraria em aventuras", diz Chaim
Zaher, dono do COC/Ribeirão Preto, o campeão nacional.
Outros aprovam, com ressalvas. "Sou simpático à idéia,
se montarmos uma estrutura profissional", declara
Wellington Salgado de Oliveira, dono do grupo
Universo, que financia três equipes.

"Não dá para fugir do que acontece no mundo inteiro"

Há seis meses distante das quadras, Oscar, 45, maior
cestinha da seleção brasileira, afirma que trabalhou
em três projetos, todos ligados ao basquete: uma
palestra sobre sua vida, que apresenta em empresas, a
constituição de uma equipe em Barueri e a criação da
liga independente. "Não dá mais para fugir do que
acontece no mundo inteiro", diz ele, que atuou durante
13 anos na Itália e na Espanha, países que contam com
duas das mais bem-sucedidas ligas da Europa. (ALF)
  

Folha - Como surgiu a idéia de criar uma liga
independente?
Oscar - Sonho em melhorar o basquete do meu país. Acho
que a criação do Nacional [em 1990] foi uma evolução.
Antes tínhamos a Taça Brasil, que era disputada em dez
dias. Mas hoje estamos atrasados em relação ao resto
do mundo. Fomos mal nos últimos três Mundiais e não
vamos à segunda Olimpíada seguida. Precisamos fazer
alguma coisa.


Folha - Quais os principais problemas no atual
sistema?
Oscar - É inadmissível o calote. Na Espanha, o clube é
expulso da liga se não paga os salários. Aqui, muitos
atletas não têm nem contrato escrito.


Folha - A liga mudaria isso?
Oscar - Nossa meta é profissionalizar. Além disso,
garantiríamos os salários até nos meses em que os
jogadores estiverem com a seleção. O calendário que
propomos teria quatro meses de intervalo para os
atletas defenderem o Brasil.


Folha - E a CBB?
Oscar - Ela cuidaria só da seleção. Sempre ouvimos que
não enfrentamos os melhores times porque não há
recurso. Sem essa preocupação, a CBB poderia arrumar
amistosos contra times fortes, como Espanha, Itália e
França. Não adianta pegar esses combinados americanos
que sabemos que vamos ganhar: República Dominicana,
Venezuela, Uruguai...


Folha - Essa proposta poderia chegar ao feminino
também?
Oscar - Sim. O torneio delas é muito pior e ainda
vamos à Olimpíada. Todo ano ficamos sem saber se vamos
ter campeonato. É um grande milagre o que elas fazem.

Mentor de idéia processa confederação

A Sportlink, empresa que formatou o projeto da nova
liga, já teve várias demandas contra a CBB. Já foram
julgados 41 processos na Justiça, todos favoráveis à
agência de marketing -restam ainda duas querelas nos
tribunais.
A empresa assinou um contrato com a entidade, ainda na
gestão de Brito Cunha, que vigoraria até 1999. Quando
Grego assumiu a CBB, em 1997, porém, a entidade
decidiu encerrar seu vínculo com a empresa e deixou de
pagar comissão pelos patrocínios obtidos.
João Henrique Areias, que tinha acordo de
exclusividade, teve que encerrar as atividades no país
e passou um tempo na Espanha.
Apesar dos problemas com a CBB, ele espera que isso
não prejudique a criação da liga. "Não quero
constranger ninguém. Por isso é que foi o Oscar quem
mostrou o projeto ao Grego." (ALF)





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