Método para detectar jogadores potenciais em Basquetebl.

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Subject: Método para detectar jogadores potenciais em Basquetebl.
From: "Darwin Ianuskiewtz" <darwiniano@xxxxxxxxxx>
Date: Wed, 12 Mar 2003 11:13:36 -0300

Professor elabora método para detectar jogadores potenciais 
Método relaciona aptidões para o esporte com características deimpressões 
digitais
O professor do curso de Educação Física do Centro Universitário de Araraquara e 
preparador físico da equipe de basquete do Uniara, João Paulo Borin, elaborou 
um método para detectar garotos com potencialidade para tornarem-se jogadores 
de basquete por meio da análise das impressões digitais. O método foi resultado 
de quatro anos de pesquisa e compõe o projeto de doutorado do professor, que 
contou com a orientação dos professores Aguinaldo Gonçalves, da Unicamp, e 
Carlos Padovani, da Unesp de Botucatu. 
A idéia para o projeto surgiu em 95 quando, durante um curso de especialização 
em treinamento desportivo realizado na Rússia, Borin teveacesso ao sistema de 
treinamento utilizado pelos russos para detectar talentos esportivos. "A 
primeira etapa é a coleta das digitais de todos os garotos para que se possa 
ver tendencialmente aqueles que virão a ser campeões olímpicos. Após serem 
identificados, os futuros campeões são retirados da escola comum e vão para a 
escola de formação de campeões, onde recebem um tratamento diferenciado", 
conta. 
Ele explica que a prática de atividade física é uma das prioridades da Rússia, 
e que a oportunidade de estudar em uma escola diferenciada é um incentivo do 
governo ao esporte. "Esse incentivo faz com que os meninos que tem aptidão para 
o esporte sejam beneficiados. Nessas escolas, eles terão, além do ensino 
normal, a estrutura para se desenvolverem naparte esportiva", diz. Os russos 
também possuem um banco de dados com ospadrões de digitais de todos os campeões 
olímpicos, separados por modalidade. 
Uma das dificuldades enfrentadas por Borin para a elaboração do trabalho foi a 
falta de pesquisas brasileiras relacionando as impressões digitais com o 
esporte, o que o obrigou a buscar informações em outras áreas, como as clínicas 
médicas. "Atualmente, os dermatóglifos (nome científico das impressões 
digitais) são muito usados nesse segmento. Já é possível verificar, por meio 
das impressões, se a criança virá a ter esquizofrenia, síndrome de dow ou 
alguns agravos cardíacos. Precisei me aprofundar nessas questões para entender 
um pouco mais das impressões digitais", explica. 
Outro dificultador para a elaboração do trabalho foi o fato dos russos 
utilizarem uma classificação própria das impressões digitais,diferente dos 
padrões aceitos internacionalmente. Assim, Borin teve que adaptar o método 
utilizado por eles para a classificação internacional. 
"Não adiantava eu usar a metodologia dos russos se eu queria mostrar meu 
trabalho para todo o mundo. Hoje, não consigo comparar minha pesquisa com a 
deles, porque são coisas diferentes, mas consigo mostrá-la para o resto do 
mundo, pois a metodologia usada é internacionalmente aceita". 
Análise
No método criado pelo professor, são analisadas onze variáveis nas digitais das 
palmas das mãos e dos dígitos. Ele explica que essas variáveis não podem ser 
analisadas separadamente, mas sim em conjunto. "Criamos um programa estatístico 
no computador que faz uma análise multivariável. Ao jogar o resultado das onze 
variáveis no programa, ele apresenta um gráfico, e vemos a força delas em 
conjunto", explica. 
Ele acrescenta que, apesar do programa ser um indicador genético 
cientificamente comprovado para a descoberta de campeões, existem vários outros 
fatores que definirão se o indivíduo chegará ou não a esse nível. "Hoje, a 
grande questão é identificar precocemente quem são esses meninos e a partir daí 
ir trabalhando as questões físicas, psicológicas, pedagógicas, afetivas e 
sociais, enfim, todo o universo que envolve esses garotos". 
Borin explica também que esse trabalho vem para suprir a dificuldade encontrada 
atualmente pelos "olheiros", pessoas responsáveis por descobrir jogadores em 
potencial para os grandes clubes. "Baseados em quê eles classificam esses 
jogadores como potenciais ou não? É muito subjetivo. Estamos lançando esse 
trabalho como sendo um indicador genético cientificamente comprovado para 
analisar esses garotos. Não vou garantir que eles vão chegar lá, mas sim que 
estão um passo à frente dos outros", explica. 
O próximo passo foi definir cinco grupos para a classificação das pessoas 
analisadas: atletas que chegaram à Seleção Brasileira, atletas que chegaram ao 
Campeonato Nacional, atletas que disputaram o Campeonato Paulista, praticantes 
de final de semana e não praticantes. Foram selecionadas 25 pessoas de cada 
grupo para análise das onze variáveis nas digitais e comparação das 
estatísticas. 
"Deu certo com os 125 analisados, pois conseguimos separar os atletasdos não 
atletas, só não conseguimos separar os atletas por nível. Hoje, não consigo 
dizer se um garoto chegará à seleção brasileira, mas consigo dizer se 
tendencialmente será ou não um atleta", explica Borin. 
Para um futuro trabalho, o professor pretende incluir, entre as variáveis, 
testes motores de velocidade e força, além de características biológicas e 
genéticas, como peso, estatura e composição corporal. "Com um teste mais 
detalhado, poderemos chegar mais perto da classificação dos níveis dos 
atletas". O início dos novos estudos para a implementação do teste está 
previsto para o ano que vem. 
Prática
Para este ano, a intenção é promover a divulgação do trabalho e verificar sua 
praticidade, indo a escolinhas de basquete de Araraquarapara coletar as 
digitais dos jogadores e descobrir novos talentos. "Vou transportar esse estudo 
para a realidade de Araraquara, levando a ciência para as escolinhas de 
basquete. Vamos começar a garimpar esses meninos para serem os futuros 
jogadores do Uniara", diz. 
O primeiro teste será realizado na escolinha de basquete que funciona no 
Departamento de Química da Unesp. "O local estava passando por pintura e os 
garotos voltam aos treinamentos nesta semana. Acredito que nos próximos dez 
dias já entraremos de cabeça nessa empreitada para ver os frutos desse 
trabalho", conta Borin. 
O professor afirma que sua maior meta é trazer a ciência para perto do esporte. 
"Hoje, vemos que não tem mais lugar para achismo, pois existem vários 
profissionais estudando basquete fora da quadra, como médicos, fisioterapeutas, 
preparadores físicos, comissão técnica. Desde meu mestrado, tenho procurado 
mostrar que a ciência não pode ficar longe do esporte", diz. 
O professor diz que se sente na obrigação de dar um retorno social pelos dez 
anos que estudou em Campinas, e que incentiva seus alunos de Educação Física a 
pesquisarem. "A prática da ciência no esporte acontece por meio da pesquisa. Se 
percebo que existe um grupo de alunos interessados em estudar certo fenômeno, 
procuro dar subsídios para que eles possam concluir o estudo", garante. 

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