"Se o Hélio Rubens errou, errei também"

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Subject: "Se o Hélio Rubens errou, errei também"
From: "Alcir Magalhaes Filho" <alcirmf@xxxxxxxxxxxx>
Date: Mon, 17 Feb 2003 12:25:39 -0300

WORKSHOP
----- Original Message ----- 
From: "alcirmf" <alcirmf@xxxxxxxxxxxx>
To: "alcirmf" <alcirmf@xxxxxxxxxxxx>
Sent: Monday, February 17, 2003 9:51 AM
Subject: Se o Hélio Rubens errou, errei também"
"Se o Hélio Rubens errou, errei também"

Lula Ferreira, novo técnico da Seleção Brasileira, terá um grande desafio em 
2003: classificar o Brasil para os Jogos de Atenas-2004
Lancepress!
Lula Ferreira, novo técnico da Seleção Brasileira, terá um grande desafio em 
2003: classificar o Brasil para os Jogos de Atenas-2004. Em entrevista 
exclusiva ao LANCE!, ele conta que vai manter a base de Hélio Rubens, seu 
antecessor, mas não descarta a convocação de renegados como o armador Valtinho.
L!: Na estréia no Campeonato Paulista você imaginava que terminaria a 
competição invicto? 
L: O objetivo era ser o primeiro, nunca o invicto. Até porque é uma loucura 
fazer isso. Invencibilidade é uma coisa que não traz nada diretamente. 
L!: Como foi perder a invencibilidade?
L: Muita gente dizia que iríamos nos abalar. Não existe time imbatível. Ainda 
mais uma equipe em que o mais velho tem 24 anos.
L!: Este atleta de 24 anos, o ala Renato, pode se tornar o melhor do Brasil?
L: Tecnicamente, pode ser. Mas precisa de físico. Ele tem boa visão e é um 
jogador corajoso. Pode errar, mas não tem medo de tomar decisão.
L!: Às vezes, o Renato lembra o Oscar. O que faz do Mão-Santa excepcional? É 
possível surgir outro como ele?
L:Não sei se pode surgir outro igual. Ele tem qualidades físicas, mentais e 
técnicas. Arremessa só com o braço, sem usar as pernas. Tem uma envergadura de 
arremesso diferenciada e tem espírito para vencer os jogosque ninguém tem. Pelo 
conceito, ele estaria na Seleção até hoje.
L!: Ele vai ser convocado, então?
L: Não. Um time composto não precisa estar ligado à idade, mas é claro que tem 
limite. A idade tira da pessoa um vigor que hoje faz a diferença.
L!: Quais são seus planos na Seleção?
L: Quando a CBB me fez o convite, apresentou um projeto. Eu não iria me 
preocupar só com a Seleção, mas com a formação do basquete como umtodo. É 
claro, que, imediatamente, a prioridade zero é as Olimpíadas.
L!: Quais os defeitos da geração atual do basquete brasileiro?
L: A leitura de jogo e a parte técnica. O basquete evoluiu na parte física. 
Hoje, jogadores são vigorosos e individualmente habilidosos. Mas falta técnica 
mais requintada, domínio dos fundamentos. As gerações crescem querendo ser 
campeãs desde o nascimento.
L!: Você está dizendo que falta base?
L: Sim. Acaba acontecendo uma especialização precoce, o que é perigoso. O certo 
seria você fazer uma formação geral. O cara precisa ter oportunidade de mudar 
de posição. O Oscar fez esta transição. Ele erapivô, depois se encaixou melhor 
de lateral. 
L!: Sua Seleção já tem time titular?
L: O bom time titular é aquele que todos falam. Temos unanimidades. Ninguém 
discorda do Nenê. Mas a preocupação não é apontar cinco jogadores, mas ter 
definições. A melhor equipe titular não é necessariamente a reunião dos cinco 
melhores. Às vezes, a química de cinco bonsatletas não funciona. Jogador que 
atinge status no basquete doméstico pode estar engatinhando internacionalmente.
L!: O Valtinho, de Uberlândia, é um caso desses? Com o Hélio Rubens ele sempre 
pedia dispensa...
L: Divido os jogadores de Seleção em quatro estágios. Veteranos, comoRogério e 
Sandro Varejão. Experientes, como Marcelinho e Helinho. Novos, como Guilherme e 
Alex. E lançamentos, como Leandrinho. Apesar da idade(26 anos) de um 
experiente, na Seleção o Valtinho ainda é novo. Mas ele é titular de um time de 
ponta, tem qualidade técnica e está se destacando. Tem chances de ser 
convocado. 
L!: A armação é o maior problema da Seleção hoje?
L: Não é a posição mais carente, mas talvez a que tem uma distribuição menos 
homogênea entre veteranos, experientes e novos. Hoje, temosapenas os 
experientes (aponta para o alto) e aqui embaixo temos os novos. Maduros, de 
idade, temos o Valtinho e o Helinho, mas o Valtinho não tem histórico em 
Seleção. 
L!: Seu antecessor, Hélio Rubens, foi muito criticado antes de sair. Em algum 
momento ele errou?
L: Se ele errou, errei também. Estávamos juntos. O Hélio está acimade qualquer 
julgamento. Mesmo se eu viver mais 30 anos, não vou ganhar nem um terço do que 
ele ganhou como jogador e treinador. O que temos que entender é que às vezes 
uma partida muda o rumo de todo o trabalho e aconteceu isso conosco no Mundial. 
Se a gente tivesse vencido a Argentina, hoje estaríamos numa situação 
diferente. Não teria tido crítica e estaríamos com uma medalha.
L!: Você está dizendo então que é possível ganhar da Argentina?
L: Tínhamos muitas condições de vencer. Eles tinham acabado de venceros EUA, na 
casa dos caras. Entraram contra a gente como se tivessem comidouma feijoada 
antes do jogo.
L!: O que faltou para a vitória?
L: Faltou um jogador que chamasse o outro, colocasse o dedo na cara um 
pouquinho, um líder. Um time comportado, mudo, respeitoso, não funciona. 
Eutambém fui culpado. Mas isso não é fácil de mudar. O jogador atéquer fazer 
diferente, mas não consegue. Não é questão de brio ou caráter.

"Se o Hélio Rubens errou, errei também"

Lula Ferreira, novo técnico da Seleção Brasileira, terá um grande desafio em 
2003: classificar o Brasil para os Jogos de Atenas-2004
Lancepress!
Lula Ferreira, novo técnico da Seleção Brasileira, terá um grande desafio em 
2003: classificar o Brasil para os Jogos de Atenas-2004. Em entrevista 
exclusiva ao LANCE!, ele conta que vai manter a base de Hélio Rubens, seu 
antecessor, mas não descarta a convocação de renegados como o armador Valtinho.
L!: Na estréia no Campeonato Paulista você imaginava que terminaria a 
competição invicto? 
L: O objetivo era ser o primeiro, nunca o invicto. Até porque é uma loucura 
fazer isso. Invencibilidade é uma coisa que não traz nada diretamente. 
L!: Como foi perder a invencibilidade?
L: Muita gente dizia que iríamos nos abalar. Não existe time imbatível. Ainda 
mais uma equipe em que o mais velho tem 24 anos.
L!: Este atleta de 24 anos, o ala Renato, pode se tornar o melhor do Brasil?
L: Tecnicamente, pode ser. Mas precisa de físico. Ele tem boa visão e é um 
jogador corajoso. Pode errar, mas não tem medo de tomar decisão.
L!: Às vezes, o Renato lembra o Oscar. O que faz do Mão-Santa excepcional? É 
possível surgir outro como ele?
L:Não sei se pode surgir outro igual. Ele tem qualidades físicas, mentais e 
técnicas. Arremessa só com o braço, sem usar as pernas. Tem uma envergadura de 
arremesso diferenciada e tem espírito para vencer os jogosque ninguém tem. Pelo 
conceito, ele estaria na Seleção até hoje.
L!: Ele vai ser convocado, então?
L: Não. Um time composto não precisa estar ligado à idade, mas é claro que tem 
limite. A idade tira da pessoa um vigor que hoje faz a diferença.
L!: Quais são seus planos na Seleção?
L: Quando a CBB me fez o convite, apresentou um projeto. Eu não iria me 
preocupar só com a Seleção, mas com a formação do basquete como umtodo. É 
claro, que, imediatamente, a prioridade zero é as Olimpíadas.
L!: Quais os defeitos da geração atual do basquete brasileiro?
L: A leitura de jogo e a parte técnica. O basquete evoluiu na parte física. 
Hoje, jogadores são vigorosos e individualmente habilidosos. Mas falta técnica 
mais requintada, domínio dos fundamentos. As gerações crescem querendo ser 
campeãs desde o nascimento.
L!: Você está dizendo que falta base?
L: Sim. Acaba acontecendo uma especialização precoce, o que é perigoso. O certo 
seria você fazer uma formação geral. O cara precisa ter oportunidade de mudar 
de posição. O Oscar fez esta transição. Ele erapivô, depois se encaixou melhor 
de lateral. 
L!: Sua Seleção já tem time titular?
L: O bom time titular é aquele que todos falam. Temos unanimidades. Ninguém 
discorda do Nenê. Mas a preocupação não é apontar cinco jogadores, mas ter 
definições. A melhor equipe titular não é necessariamente a reunião dos cinco 
melhores. Às vezes, a química de cinco bonsatletas não funciona. Jogador que 
atinge status no basquete doméstico pode estar engatinhando internacionalmente.
L!: O Valtinho, de Uberlândia, é um caso desses? Com o Hélio Rubens ele sempre 
pedia dispensa...
L: Divido os jogadores de Seleção em quatro estágios. Veteranos, comoRogério e 
Sandro Varejão. Experientes, como Marcelinho e Helinho. Novos, como Guilherme e 
Alex. E lançamentos, como Leandrinho. Apesar da idade(26 anos) de um 
experiente, na Seleção o Valtinho ainda é novo. Mas ele é titular de um time de 
ponta, tem qualidade técnica e está se destacando. Tem chances de ser 
convocado. 
L!: A armação é o maior problema da Seleção hoje?
L: Não é a posição mais carente, mas talvez a que tem uma distribuição menos 
homogênea entre veteranos, experientes e novos. Hoje, temosapenas os 
experientes (aponta para o alto) e aqui embaixo temos os novos. Maduros, de 
idade, temos o Valtinho e o Helinho, mas o Valtinho não tem histórico em 
Seleção. 
L!: Seu antecessor, Hélio Rubens, foi muito criticado antes de sair. Em algum 
momento ele errou?
L: Se ele errou, errei também. Estávamos juntos. O Hélio está acimade qualquer 
julgamento. Mesmo se eu viver mais 30 anos, não vou ganhar nem um terço do que 
ele ganhou como jogador e treinador. O que temos que entender é que às vezes 
uma partida muda o rumo de todo o trabalho e aconteceu isso conosco no Mundial. 
Se a gente tivesse vencido a Argentina, hoje estaríamos numa situação 
diferente. Não teria tido crítica e estaríamos com uma medalha.
L!: Você está dizendo então que é possível ganhar da Argentina?
L: Tínhamos muitas condições de vencer. Eles tinham acabado de venceros EUA, na 
casa dos caras. Entraram contra a gente como se tivessem comidouma feijoada 
antes do jogo.
L!: O que faltou para a vitória?
L: Faltou um jogador que chamasse o outro, colocasse o dedo na cara um 
pouquinho, um líder. Um time comportado, mudo, respeitoso, não funciona. 
Eutambém fui culpado. Mas isso não é fácil de mudar. O jogador atéquer fazer 
diferente, mas não consegue. Não é questão de brio ou caráter.

fonte : CBB
Atenciosamente ,
Alcir Magalhães Filho 
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