Fw: Partida da NBA mostra muito sobre o modo americano de viver,relata

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Subject: Fw: Partida da NBA mostra muito sobre o modo americano de viver,relata jornalista
From: "Alcir Magalhaes Filho" <alcirmf@xxxxxxxxxxxx>
Date: Wed, 12 Feb 2003 18:41:39 -0300

WORKSHOP

Partida da NBA mostra muito sobre o modo americano de viver, relata jornalista
João Carlos Botelho
Especial para o UOL Esporte
Em Los Angeles (EUA)
Na segunda maior cidade do país cada vez mais poderoso do mundo, o significado 
de ir a um jogo da NBA vai além da esfera esportiva. É uma aula intensiva sobre 
a realidade do "american way of life", algo que enche a classe em tempos de 
iminente guerra contra o Iraque.
O ginásio em que as duas equipes de Los Angeles (Lakers e Clippers)na liga de 
basquete mandam suas partidas, o Staples Center, fica próximode uma estação do 
metrô local. Portanto, é melhor chegar lá assim, mesmo para os que estiverem de 
carro, porque se evita ter que pagar caropelo estacionamento.
O metrô de Los Angeles já é uma atração à parte. Como a Califórnia é uma região 
de alto risco de terremotos, as linhas são majoritariamente de superfície e, em 
alguns casos, seguem na mesma altura do tráfego de veículos. Isso prolonga as 
viagens, já que os trens precisam até respeitar os semáforos em certos trechos.
Optar pelo metrô também fornece ao observador atento alguns dadosinteressantes. 
A clientela que recorre ao sistema é composta basicamentede negros e 
hispânicos, camadas mais pobres da população californiana. Como é barato ter um 
carro, só mesmo os mais carentes são usuários.
Os trens, então, são sujos e circulam por linhas que cobrem quasenada da imensa 
região metropolitana de LA, o que evidencia que o transporte público não é 
prioridade. O recado é simples: para fazer parte do "american way of life", 
você precisa ter um carro. Se não possui condição para isso, não merece atenção.
Quem pegar desde o início a linha entre Long Beach e Los Angeles, por exemplo, 
vai atravessar Compton, uma das áreas mais pobres da Grande LA e de população, 
principalmente, negra. Ao se acomodar entre os pedaços de jornal espalhados 
pelos vagões, você também vai compartilharcom os demais usuários os pedidos por 
esmola e as ofertas de ambulantes.
Uma vez dentro do Staples Center, a roda da fortuna começa a girar.Logo de 
início, o espectador comum está sujeito a topar com estrelas do cinema enquanto 
procura por seu lugar, desde que, claro, tenha aceitado pagar até 1.750 dólares 
para ficar próximo da quadra. Entre os assíduos nas partidas dos Lakers, estão 
Jack Nicholson, Andy Garcia e Dustin Hoffman.
Se você for curioso, vai até poder acompanhar de perto algo como a inusitada 
cena de um segurança barrar Hoffman ao tentar deixar o ginásio pelo portão 
errado, mesmo que fosse para abandonar um confronto mornoentre o tricampeão da 
NBA e o fraco Toronto Raptors na atual temporada regular.
Mais atento ainda ficará se tiver escolhido um lugar atrás das politicamente 
corretas cheerleaders dos Lakers. A cada boa jogada do time, animadoras loiras, 
morenas, negras ou asiáticas vão se virar para você,fazer uma saudação e 
sorrir, tudo isso trajadas com alguma roupa insinuante.
Outra boa coisa a se fazer é chegar cedo. Não que se corra algum risco de 
enfrentar grandes filas ou de encontrar seu lugar ocupado. Uma vantagem de 
chegar logo é poder circular com calma pelos saguões onde ficam as inúmeras 
opções de compras, claro, e de alimentação. Depois,ainda sobra tempo para ver o 
aquecimento dos jogadores _se estiver perto da quadra, dá para conferir em 
detalhes megaestrelas como Kobe e Shaq paradas na sua frente.
Começada a partida, nunca falta para onde olhar. Por sinal, às vezes é até 
difícil não ficar perdido, tamanha a poluição visual e sonora. Não estranhe, 
por exemplo, que os atletas olhem para cima a toda hora. Eles procuram pelo 
placar de quatro lados, que fica pendurado na parte central do teto e exibe uma 
lista de informações instantâneas sobre o jogo.
Quando for fazer o mesmo, só não demore demais para checar todos os dados do 
placar ou para percorrer os infindáveis penduricalhos espalhados pelo ginásio e 
esqueça do que acontece em quadra.
Mesmo nos momentos de pausa, não se preocupe em ficar sem ter o quefazer. Como 
o show não pode parar, o sistema de animação do público precisa dar algum 
jeito. A solução é, na maioria das vezes, recorrer à fixação número um dos 
americanos, aparecer na televisão. Pelotelão do placar, você vai poder ver 
casais tímidos ficarem repentinamente fogosos diante da convocação de "kiss me" 
ou desavisados acharem graça em virar um monstro inchado.
Para ocupar os ouvidos, também não faltam fórmulas. As mais batidas são o 
barulho do bate-bate, o que já se tentou copiar no Brasil, eo coro de "defense" 
.De espontâneo mesmo, só um ou outro metido a engraçadinho que resolve gritar 
impropérios o tempo todo e a histeria feminina a cada passo de Kobe, misto de 
ídolo e símbolo sexual, assim como se escuta quando Kaká joga.
Em quadra, o armador dos Lakers, também como faz o similar nacionalno São 
Paulo, colabora para a persistência dos gritinhos, ao arrancar suspiros até dos 
mais tímidos diante de seus lances espetaculares. Em uma amostra disso na 
partida em questão, Kobe carregou a bola até o ataque, infiltrou no garrafão 
dos Raptors e fez os pontos com um arremate dificílimo, de costas para a cesta.
Se algo parecido com isso o empolgar ao ponto de resolver comprar umacamiseta 
do ídolo, se apresse, porque, mesmo em tempos de vacas magras, a loja principal 
de artigos da equipe no Staples Center fica tão cheia nointervalo que chega a 
se formar fila para entrar.
Ao final do jogo, quem for corajoso e esperto o suficiente para burlar o 
esquema de segurança ou tiver o privilégio de estar com uma credencial de 
imprensa, vai poder entrar no vestiário, flagrar sem querer alguém ainda 
pelado, ver discretamente as fotos familiares e os objetos pessoais dos atletas 
em seus armários individuais e, ufa, ouvir as entrevistas.
Para os que gostam de detalhes, um, em especial, chamou a atenção: o quilate do 
brinco de brilhantes de Kobe, um negro que, por meio do esporte, chegou ao topo 
da ascensão financeira na milionária engrenagem da NBA. Enquanto isso, basta o 
torcedor pisar do lado de fora do ginásio para começar a ouvir outro coro, o da 
esmola. "Do you spare any change?", diz esse refrão. 
Ah, faltou o resultado: vitória fácil dos Lakers por 104 a 88.

FONTE : UOL ESPORTE 
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