[Cevbasq-L] Flamengo, Oscar, exemplo...

To: "CEV Basquete" <cevbasq-l@xxxxxxxxxx>
Subject: [Cevbasq-L] Flamengo, Oscar, exemplo...
From: "Carlos Alex Martins Soares" <basket@xxxxxxxxxx>
Date: Sat, 26 May 2001 01:02:54 -0300
Pessoal,
 
quando fazem criticas ao desporto eu sempre me questiono sobre a vivencia do critico em alguma modalidade: sera que esteve numa quadra, num tatame, numa psicina? Sera que ja sentiu-se superando seus limites, elevando as proezas realizadas no dia anterior? Quando falam em aposentadoria, eu me lembro do meu sonho de crianca de jogar ate os 33 anos — nao sei da onde saiu a idade, mas foi uma resposta dada numa entrevista que aos 13 anos. Ele nao foi concretizado, mas eu tenho otimas lembrancas da epoca que jogava. Aprendi muito com meus tecnicos, com agir e como nao agir. A fase passou. Foi boa.
 
Mas tudo isso para dizer que esperei o Flamengo perder os jogos frente a Franca para falar daquela entrevista do Oscar no Esporte Espetacular. O cara e´ uma lenda do desporto nacional, mas ao assusmir que sai da cama para jogar basquete, joga e volta para a cama, ele expoe a crueldade que esta colocando a sua vida e a teimosia de nao saber que o que vale e´ o prazer e a alegria da pratica, a catarse, mas este sacrificio nao vale a pena. Quando ele fala em publico e´ como se me desse um passe livre parafalar da loucura que esta se expondo e do exemplo negativo (minha filha de sete anos perguntou se ela ia ter que jogar se tivesse com dor). Se olharmos as cenas dos jogos do Flamengo, principalmente os ultimos, vamos ver o Oscar tomando falta tecnica, discutindo com companheiros, enfim, fora de si emocionalmente. Sera que a sensacao de estar na quadra vale jogar fora uma historia de conquistas? Italia, olimpiadas, brasileiros, 500, 1000 arremessos ouvindo musica, numa orgia de "chuás" que valia estar ali, na arquibancada, so olhando, ou tambem saber da paixao por chocolate do Ary Vidal usando isso para aperfeicoar seus arremessos. Uma semana depois desta entrevista o Marcel apareceu na ESPN e disse por que parou, mais ou menos assim: "na quadra, os espacos estevam ali, eu olhava, pensava que era por ali a jogada, pedia a bola e nao conseguia fazer o que tracara ou os marcadores chegavam antes".
 
Eu imagino que o exemplo vale mais do que ultrapassar os pontos feitos por Kareen Abdul-Jabar, alias a comparacao e´ inviavel e ilogica, pela diferenca de nivel existente entre as competicoes que ambos participaram. Se eu pudesse falar no ouvido do Oscar eu diria:
 
"Oscar, nao me leva a mal, sei que a vida e´ tua, mas deixa as criancas que te viram jogar guardar as coisas boas, as cestas, as lagrimas no chao de Indianapolis; deixa a esperanca brotar dos bons exemplos, da forca de ter montado um time em Sao Paulo, reerguido o Flamengo; nao te preocupa com a midia que vai deixar a porta da tua casa, mas sim com o exemplo para as proximas geracoes. Veja o Garrincha, qual a primeira coisa que lembram dele? Dos dribles, dos gols, dos titulos? Eu lembro de uma pessoa que nao soube controlar seu vicio e se matou por e com ele, transformando sua historia em tragedia. Portanto, deixa-me envelhecer e rever aquele jogo de Indianapolis sabendo que teu exemplo marcou uma epoca e a historia do basquete brasileiro".
 
Fico na escuta...
 
 

Carlos Alex Martins Soares
Pelotas-RS
basket@xxxxxxxxxx
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