[Cevbasq-L] SUA EMPRESA É MESMO SEGURA?

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Subject: [Cevbasq-L] SUA EMPRESA É MESMO SEGURA?
From: alcir.magalhaes@xxxxxxxxxxxxx
Date: Fri, 25 May 2001 09:18:31 -0300
Para leitura
Fonte :CDI
alcir
(Document link: Leituras Selecionadas) SUA EMPRESA É MESMO SEGURA?
O austríaco Stephan Jancso, de 38 anos, estava há sete anos numa grande
empresa de origem britânica que representava mais de 10.000 hotéis
espalhados pelo mundo. Logo após sua contratação, recebeu a missão de
desbravar o mercado de toda a América Latina e abrir escritórios nos
principais países. Bem-sucedido em sua empreitada, foi rapidamente
promovido ao cargo de diretor-geral para a América Latina. os negócios iam
bem. Mesmo assim Jancso começou a ficar preocupado: a holding da qual sua
empresa fazia parte, que já tinha 90% dos seus negócios voltados para o
ramo editorial, cortou completamente os investimentos na área de hotéis.
"Hotelaria e turismo não estavam dentro do core business da organização",
afirma ele. Toda a atenção do grupo passou a ser dada quase que
exclusivamente à área editorial - compra de outras companhias, lançamento
de produtos, contratarão de pessoal. Jancso chegou à conclusão de que sua
empresa poderia ser vendida de urna hora para outra - e que seu emprego
corria um sério risco. Foi então que decidiu pedir demissão e buscar uma
outra oportunidade no mercado. Um ano depois, as previsões de Jancso se
confirmaram. Hoje, cerca de 80% dos antigos funcionários não estão mais na
empresa.
O que mais chama a atenção na história de Stephan Jancso é sua
capacidade de prever com Precisão o que aconteceria no futuro próprio com a
empresa. Enquanto a maioria achava que tudo estava bem, ele sabia que algo
se desenhava no horizonte. Jancso não usou nenhuma bola de cristal para se
antecipar aos fatos. Atento ao que acontecia à sua volta, sabia que aquela
situação não poderia se sustentar por muito mais tempo. Numa avaliação mais
detalhada, reparou também que somente os executivos de origem inglesa
conseguiam chegar aos cargos mais altos da hierarquia. Ele, portanto, não
tinha mais como crescer ali dentro. A situação era crítica, mas ele não
ficou se enganando, tentando manter sua aparente posição confortável dentro
da empresa. Ao contrário. Hoje, é o diretor de vendas internacionais do
Grupo Accor no Brasil. "Saí na hora certa, mas a maioria dos funcionários
recusava-se a acreditar no que vinha pela frente") diz ele.
Pois é. Apesar do grande número de fusões, aquisições, incorporações,
falências e moratórias que ocorrem todas as semanas no mundo, a maioria das
pessoas continua sendo pega de surpresa quando descobre que sua empresa é a
bola da vez. Nessas horas, elas quase sempre reagem de forma emocional
acusam a organização de sonegar informações, culpam o chefe direto por não
ter alertado a equipe, criticam os mecanismos de comunicação interna.
Poucas percebem, na verdade, que são elas as principais responsáveis por
terem sido pegas no contrapé. Sim, elas têm uma grande parcela de culpa
nessa história.
Só há uma maneira de não ser o último a saber: fazer permanentemente
uma análise dos riscos da empresa em que você trabalha. Análise dos riscos?
Exatamente. Pare e pense um pouco: não é ingenuidade demais esperar
sentado à mesa de trabalho que as notícias caiam no seu colo? Claro que
sim. Você tem que informar-se ao máximo e avaliar se seu emprego e sua
carreira estão sofrendo algum tipo de ameaça. Não estamos falando de
nenhuma nova técnica ou teoria revolucionária que você terá que aprender
para sobreviver no mundo atual. É apenas uma questão de usar o bom senso e
saber interpretar o que está acontecendo à sua volta. Acredite: isso é
fundamental. "O objetivo dessa análise não é fazer o profissional fugir do
risco, e sim identificá-lo e traçar um plano de ação", afirma Simon Franco,
presidente da Simon Franco Recursos Humanos. "Isso poderá ajudá-lo a se
preparar melhor para enfrentar aquele momento e até tirar vantagem do
risco".
O que Simon Franco está nos dizendo é que não podemos ser surpreendidos
com o que ocorre hoje no universo corporativo. A rigor, a fusão entre as
cervejarias Brahma e Antarctica não deveria ter provocado todo esse
estarrecimento (vamos deixar a análise dessa negociação um pouco mais para
a frente). O mesmo vale para o melancólico fim do Mappin, magazine que se
tornou uma espécie de instituição paulistana, a recente parceria envolvendo
as montadoras General Motors e Fiat e a união das gigantes Time Warner e
America OnLine. A questão não é adivinhar quem fica com quem, mas sim
antever uma provável mudança. Quem se habitua a fazer esse tipo de
avaliação periodicamente está sempre um passo à frente dos outros. Enquanto
a maioria das pessoas entra em pânico no momento da comunicação oficial da
venda ou fusão da empresa, os mais prevenidos já têm um plano de ação
traçado, sabem como agir e onde estão as oportunidades.
Você pode não ter consciência, mas está, sim, acostumado a fazer
análises de risco no seu dia-a-dia. Quando você decide não parar no
semáforo fechado tarde da noite porque tem medo de ser assaltado, fez uma
avaliação, seja de forma consciente ou inconsciente. Quando deixa para
viajar de carro de manhã em vez de ir à noite porque estava cansado, você,
igualmente, refletiu sobre os riscos. Ora, se a carreira é tão importante
para sua vida, por que não ter com ela os mesmos cuidados? Basta seguir a
base de raciocínio que você já conhece. Há inúmeros sinais no dia-a-dia do
escritório que podem ajudá-lo a calcular o grau de risco da sua empresa.
Alguns são bastante claros, gritantes até. Outros são mais sutis. "O
profissional precisa ir juntando as peças do quebra-cabeça", afirma Iêda
Novais, diretora-presidente da Mariaca & Associates, empresa especializada
em recrutamento, transição de carreira e coaching. Lembre-se: estar bem
informado sobre o que acontece na sua empresa, no país e no mundo é a
principal condição para uma análise o mais próxima possível da realidade.
Veja quais são os sinais que podem ajudá-lo a identificar se sua empresa é
de pequeno, médio ou grande risco:
Resultados financeiros abaixo das expectativas - A evolução do lucro e
da rentabilidade nos últimos anos não tem sido a esperada? Cuidado. Avalie
qual a situação dos seus concorrentes. Se, ao contrário, eles estiverem
muito bem, obrigado, comece a se preocupar. A coisa se complica se você
notar que sua organização não possui um controle rigoroso do fluxo de caixa
e tem dificuldades em obter crédito com bancos e fornecedores. Ações
desarticuladas costumam ser reflexo de desorientação administrativa.
Falta de investimentos - Desconfie quando há falta ou redução drástica
de investimentos. Para isso, basta observar se a organização vem se
renovando, adquirindo maquinaria de última geração e apostando em novas
tecnologias, produtos e serviços. Os concorrentes adotaram uma estratégia
exatamente oposta e estão se dando bem? Epa! Começaram a investir mais em
publicidade e a sua empresa se recusa a fazer um só anúncio? Xiiii! Sem
investimentos, a empresa deixa de fazer algo vital para sua sobrevinha, que
é preparar-se para o futuro. Isso, naturalmente, pode ser fatal.
Investimentos excessivos - Não há nenhuma contradição em relação ao
parágrafo anterior. "Novas instalações de produção, abertura de canais de
distribuição e lançamento de produtos só são necessários quando os negócios
vão bem" diz num artigo publicado em 1999 pela Harvard Business Review o
professor Robert Simons, diretor de pesquisa e professor da Harvard
Business School, dos Estados Unidos. "Se não houver um planejamento e um
direcionamento cuidadoso dos recursos", continua ele, "a infra-estrutura
pode não suportar a expansão, ficar sobrecarregada e sacrificar a
qualidade". Em outras palavras: avalie se sua empresa vem fazendo esses
investimentos de forma coerente, dentro de uma estratégia bem planejada.
Má colocação no ranking do mercado - uma empresa nessas condições pode
se tomar presa fácil daquelas que estão no topo do ranking e desejam ganhar
participação no mercado. A qualquer momento pode ser adquirida por quem tem
planos mais ambiciosos de crescimento. "Se por um lado a venda da empresa
representa a possibilidade de surgimento de novas oportunidades
profissionais, por outro há sempre o risco de a compradora apagar a outra
do mapa", afirma Vicky Bloch, diretora da DBM, unia das maiores empresas de
recolocação de executivos do mercado. "E com isso seu emprego pode ser
extinto." Empresas mal colocadas num ranking nacional ou internacional
também dificilmente reunirão condições de crescer e atender às necessidades
do mercado. Redobre sua atenção.
Baixa excelência operacional - A empresa não se preocupa com a
qualidade de seus produtos ou serviços? Não há esforço algum para tentar
melhorar o atendimento e o tempo de entrega ao cliente ou consumidor final?
Fique antenado. Algo está errado. A empresa que não valoriza detalhes tão
importantes como esses caminha para o matadouro. Será abatida cedo ou
tarde. "Quando uma empresa aceita desempenhos medíocres e não busca
permanentemente um padrão elevado de qualidade, o risco é bastante alta,
afirma o consultor de carreira Renato Guimarães Ferreira, professor do
Departamento de Administração Geral e Recursos Humanos da Fundação Getúlio
Vargas, de São Paulo.
Falhas no relacionamento com os públicos externos - A imagem da empresa
no mercado começa a ficar arranhada. Ninguém a procura para realizar novos
negócios. Clientes e fornecedores vivem se queixando da forma como são
tratados e criticam os produtos e serviços. Os concorrentes a ignoram. Eis
aí sinais preocupantes. Não há nada mais sintomático do que uma empresa que
sequer chama a atenção de suas rivais.
Não-valorizacão do capital humano - Empresas com alta rotatividade de
profissionais não costumam ser muito estáveis. Se todos os dias há novos
funcionários chegando e outros saindo, quem garante que você não será a
próxima vítima? Quando não há comprometimento da equipe com a organização,
o inverso quase sempre é verdadeiro. Isso significa que as chances de fazer
carreira ali dentro não são das melhores. "Se você perceber que eles estão
tentando recrutar bons executivos e não conseguem preencher rapidamente as
vagas abertas, é melhor começar a se preocupar" afirma Carlos Diz, sócio da
Spencer Stuart, empresa de headhunting. 'Significa que sua empresa não
está sendo atraente o bastante para profissionais mais qualificados". A
competitividade interna é outro bom termômetro. Se ela for muito acirrada,
o ambiente provavelmente será ruim. Nessas condições não há colegas de
trabalho e sim competidores. Isso afeta o desempenho da empresa, pois a
comunicação não é boa e informações importantes são sonegadas ou
distorcidas.
Tranqüilidade excessiva - Empresas que não exercem um nível razoável de
pressão sobre sua equipe estão correndo um grande risco. "Não existe
emprego moleza", afirma Carlos Diz. É isso mesmo. Se a empresa contínua
fazendo as mesmas coisas exatamente como há dez anos, não tenha dúvidas:
ela está na marca do pênalti - assim como seu emprego. Você tem que se
mexer, por mais que goste dessa aparente estabilidade.
Carreiras estagnadas - Olhe ao seu redor no escritório e pergunte a si
mesmo como tem sido a evolução da carreira dos funcionários. Se a empresa
não tem investido em sua equipe e criado oportunidades para o
desenvolvimento de cada um, pode começar a atualizar o currículo. Não dá
para esperar um futuro promissor nessas condições. "A empresa que não dá
condições ao funcionário para desenvolver novas competências, ampliar seus
conhecimentos técnicos e aumentar sua empregabilidade é uma ameaça à
carreira de qualquer pessoa", afirma o professor Renato Guimarães Ferreira,
da Fundação Getúlio Vargas.
Inchaço - Você trabalha num lugar onde há muita gente e pouco serviço?
As pessoas permanecem nos corredores em conversas intermináveis? Cá entre
nós: não é preciso ser nenhum gênio ou fazer parte do alto escalão para
descobrir que o negócio vai má, muito mal. Acorde: não tem, trabalho para
todo mundo. O futuro não é nada promissor. A empresa pode promover um
grande corte de pessoal para enxugar esse excesso ou afundar de vez.
Contradições - Fique de olho nos líderes. Se os diretores começam a
hesitar em suas afirmações, se ora falam uma coisa, ora outra, você tem um
problema. Ausências inexplicadas, excesso de reuniões e gente estranha
entrando e saindo da empresa são outros indicadores. Podem, por exemplo,
estar negociando a venda da empresa.
Remuneração baseada radicalmente em resultados - Pode ser mau sinal,
principalmente se a empresa praticava uma política conservadora de
remuneração e decide mudar de postura da noite para o dia. O que se esconde
por trás dessa mudança? Será que não se trata de uma tentativa desesperada
de tirar o pé da lama? A empresa que adota essa política está interessada
em que você faça carreira ali dentro ou só tem olhos para os resultados? "A
política de salários concentrada na remuneração variável é mais arriscada,
especialmente em novos negócios", diz Felipe Rebelli, sócio da consultaria
Towers Perrin e gerente especializado em remuneração. "E a maioria dos
seres humanos é avessa ao risco..."
Economia demais - Ok., economizar é importante. Mas, se bloqueiam seu
telefone para ligações interurbanas e celulares, começam a exagerar nas
mensagens para não gastar água e luz, cortam o cafezinho e as despesas de
táxi e reduzem drasticamente o número de viagens de seus executivos, pode
ser que as finanças não estejam indo lá essas coisas.
É claro e a existência de um ou dois desses indicadores não significa
necessariamente que sua empresa esteja a caminho da falência. Mas você deve
ir somando pouco a pouco esses fatores todos na tentativa de compor um
quadro o mais próximo possível da realidade. Quanto maior o número de
sinais, maior o risco da empresa.
O gerente administrativo e financeiro da StarMedia, Léo Szterenzys, de
35 anos, fez um check-up da empresa onde estava no momento certo. Ele
trabalhava até o ano passado numa importadora de suprimentos de
informática. Com as mudanças no câmbio impostas pelo governo e a
conseqüente desvalorização do real, a empresa entrou numa profunda crise.
Szterenzys começou a participar de seguidas reuniões com os outros
executivos para tentar achar alguma saída. Apesar do ambiente tenso e do
seu total envolvimento com o trabalho, ele teve sangue-frio para avaliar o
risco que estava correndo ao permanecer na organização. "As dívidas da
empresa não eram em reais, mas em dólares" diz ele. "De uma hora para outra
o rombo aumentou. A direção começou então a demitir funcionários, reduzir
seu estoque e ficou estagnada. Para piorar a situação, faltavam mercadorias
em nossas prateleiras".
Szterenzys decidiu então que era hora de preparar sua saída. Afinal,
suas chances de crescimento diante daquele quadro praticamente não
existiam. Entrou em contato com antigos e pessoas que poderiam ajudá-lo
numa recolocação. Em julho do ano passado, deixou a importadora rumo à
StarMedia. 'Não tenho dúvidas de que fiz a melhor opção. Sinto que agora
tenho mais possibilidades de crescimento profissional:'
Vamos voltar ao caso da cervejaria Antarctica momentos antes da união
com sua arquiinimiga Brahma, ocorrida no ano passado. Esqueça um pouco a
rivalidade envolvendo as duas empresas. Avalie friamente a situação de cada
uma delas. A Antarctica atravessava uma séria crise. "Ela vinha perdendo
participação no mercado, não tinha um plano de sucessão bem definido,
caminhava a passos lentos em termos acionários, sua estrutura salarial
estava ultrapassada e não havia uma renovação da equipe de comando", afirma
Simon Franco, da Simon Franco Recursos Humanos. Já a Brahma rumava no
sentido contrário: vinha pouco a pouco ganhando mercado, investiu na
modernização de suas fábricas, fez acordos com parceiros internacionais,
contratou profissionais de peso e assumiu o risco e a responsabilidade de
se auto-intitular a número 1.
Se você fosse um funcionário da Antarctica e percebesse esses sinais,
sua conclusão não poderia ser outra a não ser a de que algo iria acontecer.
A empresa poderia, por exemplo, ser vendida para uma multinacional qualquer
ou unir-se a outra organização. Em vez de deixar a Antarctica cair nas mãos
de investidores estrangeiros e ver ameaçada a sua liderança por um
concorrente desconhecido, a Brahma optou pela proposta de união. Juntas,
Brahma e Antarctica se fortaleceriam e passariam a ter condições de
competir no mercado externo. Um jogada de mestre, mas, a rigor, bastante
coerente e até previsível. Por que então a surpresa? Justamente porque os
funcionários não fizeram uma análise de risco. Hoje, especula-se uma
provável demissão de 6 000 funcionários.
O Mappin, que já foi um dos maiores magazines do país, é outro bom
exemplo. Poucos poderiam prever alguns anos atrás que ele fecharia suas
portas definitivamente. Quando a notícia da crise financeira que se abatia
sobre a instituição caiu no conhecimento do grande público - e dos
funcionários -, houve uma quase comoção geral. Aos poucos, o quadro foi se
agravando: atrasos no pagamento a fornecedores, dividas com fabricantes de
eletroeletrônicos calculadas em 100 milhões de reais, protestos por todos
os lados e até uma ação de despejo promovida pela Santa Casa, dona do
prédio onde estava instalada a mais tradicional loja do grupo, na região
central da capital paulista. Era possível prever esse triste desfecho?
Claro que sim, independentemente do fato de você estar no topo ou na base
da hierarquia da empresa. Quais seriam os sinais que um balconista do
Mappin poderia ter observado? A queda do número de vendas em seu setor, a
redução da oferta de produtos, o número de consumidores insatisfeitos,
promoções e queimas de estoque sem mais planejamentos. Diante desse quadro,
o funcionário deveria ao menos ter ficado em estado de alerta.
Lembre-se sempre: uma empresa raramente entra em crise do dia para a
noite. Esse é um processo que geralmente leva algum tempo. Pode começar
com um simples erro de definição de estratégia e ir se agravando aos poucos
com contratações equivocadas, gastos desnecessários, falta de foco nos
negócios. Dai a importância de saber identificar esses sinais antes que
tudo entre em colapso. É importante ressaltar, contudo, que esta não é uma
matéria que visa a abominar o risco. Nada disso. Ele faz parte dos
negócios e é vital para a sobrevivência da empresa. Se ela não correr
riscos, estará sujeita a ficar rapidamente ultrapassada, não enxergar novas
oportunidades, perder participação no mercado e ser engolida pelos
concorrentes. Nessas condições, torna-se vulnerável. O mesmo vale para o
profissional desatento ao que acontece à sua volta. Ele pode ficar obsoleto
e desmotivado, ter a carreira estagnada e até perder o emprego.
É possível também fazer essa avaliação de acordo com o tipo de empresa
para a qual você trabalha.
1 - Empresa multinacional - Há empresas que chegaram ao Brasil há 20 ou
30 anos e agora estão investindo em novas tecnologias para continuar
competindo no mercado global Se você não se atualizou, não participou de
cursos, palestras e seminários, está obsoleto - e por isso mesmo pode não
interessar mais à organização nessa nova fase. Há também um outro grupo de
multinacionais, com grande número de fábricas no país, que começará a
reduzir seu tamanho. "Será inevitável", afirma Vicky Bloch, da DBNL "Quando
se fala em planejamento estratégico, não há como fugir da revisão do número
de fábricas que a empresa possui. E elas vão começar a enxugar para
garantir a competitividade. Quer dizer que cabeças vão rolar. Por fim, há
as múltis que entrarão no Brasil em breve, oferecendo oportunidades
profissionais. O risco está, mais uma vez, na sua não-atualização. Se você
não está preparado para novos desafios, poderá perder o emprego dos seus
sonhos.
2 - Empresa nacional - Muitas empresas optaram no passado por
diversificar suas áreas de atuação. Assim, acreditava-se, não corriam o
risco de desestabilização se um determinado setor estivesse num momento
desfavorável Mas agora há uma tendência de concentração no core business,
afirmam alguns consultores de empresas. Segundo eles, as empresas não
agüentam mais conviver com tantos negócios diferentes e vão ter que
restringir sua atuação, fazer parcerias, vender algumas de suas unidades e
fechar outras. Se você trabalha numa empresa de grande diversificação, pode
ter certeza de que mudanças serão feitas em breve. E sempre há nelas uma
boa dose de risco para seu emprego.
3 - Empresa estatal - Você é funcionário público e trabalha numa
estatal que está para ser privatizada? Coloque-se em estado de alerta. Se
pretende continuar na organização após sua venda, comece desde já a
observar o mercado das empresas privadas. Como é o seu cargo nesse mercado?
Quais os requisitos para a sua função? O que aconteceu com as empresas que
foram privatizadas recentemente? Os funcionários foram reaproveitados? Quem
ficou? Quem não conseguiu garantir o seu lugar? Trace desde já um plano de
ação.
O porte da empresa também pode ser outro reverencia de análise de risco
- desde que, é claro, associado a outros fatores. Iêda Novais, da Mariaca
& Associates, defende a tese de que grandes empresas oferecem maior risco
atualmente do que as pequenas. "Há uma inversão no conceito de segurança de
carreira atrelado a multinacionais e organizações nacionais sólidas",
afirma. "Estão mais expostas no mercado e, por isso mesmo, mais sujeitas a
fusões, aquisições e incorporações. As empresas pequenas e médias tendem a
ser um pouco mais seguras atualmente porque são menos visadas para essas
negociações."
Agora imagine se você trabalha numa indústria que fabrica CDs. Você
deveria estar preocupado com a evolução do MP3 (sistema que permite que
qualquer pessoa que navegue pela Internet armazene em seu computador as
músicas de sua preferência com grande qualidade sonora)? Sim, deveria. O
MP3 pode não sepultar o CD num futuro próximo, mas seguramente fará com que
essa indústria passe por algumas mudanças para tentar continuar
competitiva. já se fala, por exemplo, no CD personalizado. Trata-se de uma
nova opção para o consumidor. Em vez de a pessoa comprar um CD por causa de
duas músicas apenas - e levar outras dez pelas quais não tem o menor
interesse -, ela telefonará para a gravadora, fará sua seleção de músicas
preferidas e receberá em casa o produto exclusivo. Isso gerará novos
empregos, principalmente nas centrais de atendimento e de serviços de
entrega de produtos, o famoso delivery. Mas poderá extinguir outros.
O mesmo raciocínio vale para os funcionários do Banespa, que está
prestes a ser privatizado. O risco é iminente. Se você pretende permanecer
após a privatização, precisa se mexer e se atualizar para atender às novas
necessidades do banco. Se quiser buscar novos horizontes, também. Seja qual
for sua empresa, nunca deixe de fazer sua análise de risco. Refaça seu
curso uma vez por ano. Mesmo que você não esteja procurando emprego, essa é
unia maneira de reavaliar sua evolução nesse período. Tenha sempre em
mente a pergunta: qual o grau de risco da empresa onde eu trabalho?
 TESTE
Fazer a avaliação de risco de uma determinada empresa está longe de ser
um cálculo matemático. Nesse campo, nem sempre 2 mais 2 são 4. É um tipo de
análise que exige bom senso e algumas doses de intuição e subjetividade. O
teste abaixo, preparado por lêda Novais, da Mariaca & Associates, a pedido
de VOCÊ s.a., levou esses detalhes em conta. Ao concluí-lo, você chegará a
um quadro bastante próximo da realidade da empresa em que trabalha. O teste
está dividido em seis itens básicos: liderança no mercado, excelência
operacional, relacionamento com clientes e fornecedores, tecnologia,
capital humano e resultados financeiros. Para cada item foram elaboradas
três perguntas específicas, com respostas de múltipla escolha. Responda
cada uma delas, some os pontos referentes a cada resposta e confira o
resultado.
Liderança de Mercado
1. Qual a participação de mercado da empresa em relação à concorrência?
( )Menos de 40%
( )Entre 40% e 60%
( )Acima de 60% 3
2. Qual é a posição da empresa, em seu segmento, no ranking do mercado
brasileiro?
( ) Entre 1° e 5° lugares
( ) Entre 6° e 10° lugares
( ) Após 11° lugar
3. Qual é a posição no mercado internacional (caso ela seja
multinacional ou
tenha parceiros de fora)?
( ) Entre 1° e 5° lugares
( ) Entre 6° e 10° lugares
( ) Após o 11° lugar
Excelência Operacional
4. Classifique a qualidade dos recursos operacionais:
( ) Regular
( ) Boa
( ) ótima
5. Você definiria a qualidade do produto/serviço da sua empresa como
sendo:
( ) Regular
( ) Boa
( ) ótima
6. Você considera o tempo de entrega do produto/serviço feito pela
empresa:
( ) Regular
( ) Bom
( ) Ótimo
Relacionamento com Cliente e Fornecedores
7. Como você avalia a imagem da ema com clientes e fornecedores?
( ) Regular
( ) Boa
( ) ótima
8. Na sua opinião, o tratamento dispensado a clientes e fornecedores
pode ser considerado:
( ) Regular
( ) Bom
( ) Ótimo
9. A empresa é reconhecida pelos clientes e fornecedores como uma
parceira:
( ) Regular
( ) Boa
( )Ótima
Tecnologia
10. De onde vem a tecnologia para sua empresa?
( ) Desenvolvimento próprio
( ) Outras fontes, brasileiras ou do exterior
( ) Matriz no exterior
11. Você definiria a adaptação da empresa à realidade do mercado como:
( ) Regular
( ) Boa
( ) Ótima
12. Ao comparar os investimentos de sua empresa em tecnologia da
informação com os dos concorrentes, você diria que ela está:
( ) Abaixo da média
( ) Na média
( ) Acima da média
Capital humana
13. Como você definiria o clima interno da organização:
( ) Regular
( ) Bom
( ) Ótimo
14. A rotatividade de funcionários nos últimos meses tem sido:
( ) Alta
( ) Média
( ) Baixa
15. Como você avalia o compromisso existente entre empresa e
funcionário:
( ) Baixo
( ) Regular
( ) Alto
Resultados financeiros
16. Você diria que o crescimento do faturamento nos últimos 3 anos tem
sido:
( ) Baixo
( ) Regular
( ) Constante
17. A relação crédito com banco X crédito com fornecedores é:
( ) Pequena
( ) Média
( ) Boa
18. Em relação ao cash flow (fluxo de caixa), sua empresa possui:
( ) Pouco controle
( ) Controle razoável
( ) Bom controle
Pontuação:
- Entre 1 e 19 pontos: Você está numa empresa de alto risco
- Entre 20 e 38 pontos: Sua empresa é de médio risco
- Entre 39 e 54 pontos: O grau de risco de sua empresa é baixo
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