[Cevbasq-L] O PONTO DE VISTA DO PROF. "CARLÃO

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Subject: [Cevbasq-L] O PONTO DE VISTA DO PROF. "CARLÃO
From: joilson nobre <joilson39@xxxxxxxxx>
Date: Fri, 19 Jan 2001 08:54:38 -0800 (PST)
Participantes do CEV, segue ponto de vista do
Prof.Carlão ,tecnico do Unit , veiculado no site do
Prof.Medalha.
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O PONTO DE VISTA DE CARLOS ALBERTO RODRIGUES "CARLÃO"
Há mais de 20 anos vivo o dia a dia do basquetebol,
como jogador, assistente técnico (de clube e seleção
brasileira) como técnico de categorias de base e
adulto, além de ser dono de uma escola de basquete há
17 anos em Franca. Portanto, sempre envolvido com as
alegrias desse esporte, e sempre discutindo e
aprendendo para que o basquete esteja melhor a cada
dia. Entre todas as discussões sobre os problemas e
quais poderiam ser as melhores soluções, sempre houve
um item que esteve em pauta: nosso CALENDÁRIO.
Temos com base a seguir o calendário da FIBA, o qual
nos obriga estarmos no auge da temporada em pleno
verão, período de férias no Brasil, mas isso deixou de
ser um problema há muito tempo, quando nossas equipes
passaram a ser montadas a partir de julho de cada ano,
já que os Campeonatos Estaduais começam em Agosto. Em
1996 tivemos um grande avanço, quando foi realizada a
primeira Liga Nacional com 12 equipes na Divisão A, e
as demais na Divisão B, com Turno e Returno, com
Critérios, Regras e Encargos bem definidos, o que não
significa que eu esteja em pleno acordo com tudo, mas
considero um bom início, e que daí sairíamos para
discussões que tornariam o basquete cada vez mais
atraente , popular e racional. Basta conferir que em
outubro daquele mesmo ano (1996), já tínhamos a tabela
de jogos para o campeonato de 1997 toda programada.
Somos um país comandado esportivamente por dirigentes
de futebol, e recebemos deles a herança de
considerarmos os Campeonatos Estaduais tão ou mais
importantes do que os Campeonatos Nacionais. Não cabe
aqui nenhuma crítica aos dirigentes do futebol, pois
existe uma quantidade grande de equipes de futebol que
tornam essa realidade possível, mas que já começa a
também ser questionada. A minha observação é feita
porque em nenhum outro esporte, e o basquete é um
deles, essa realidade sequer passa perto.
Hoje, no Brasil, temos dois Campeonatos Estaduais
fortes, SP e RJ, enquanto os outros praticamente
inexistem. O Campeonato Nacional de 2001 será
disputado por equipes de sete Estados. 
Será que não esta na hora de mudarmos nosso
pensamento?
Fiz toda esta introdução para tentar encontrar as
respostas para as perguntas que tenho feito nos
últimos oito anos. Porque as respostas que me foram
dadas, por dirigentes de federações sempre foram: eu
não abro mão do MEU CAMPEONATO, e EU NÃO aceito que
MEU CAMPEONATO seja disputado PARALELAMENTE AO
BRASILERO.
Na Europa, as equipes disputam os Campeonatos e as
Copas ao mesmo tempo. Até no futebol brasileiro as
equipes estão participando de várias competições ao
mesmo tempo.
Não seria melhor termos um CAMPEONATO NACIONAL,
disputado de Setembro a Maio, com dois turnos ou ate
quatro turnos, jogando uma ou duas vezes por semana?
O que impediria as equipes de SP e RJ, de terem seus
Campeonatos sendo disputados ao mesmo tempo? 
Já que as equipes se sacrificam para jogar três vezes
por semana.
Não seria mais fácil para as nossas equipes, conseguir
patrocínio, se elas tivessem algo mais atraente para
vender, com calendário decente e fixo?
Ao invés de, por exemplo, chegar para um empresário,
pedirmos dinheiro e não darmos a ele a garantia de
continuidade?
Exemplo são as equipes paulistas que não se
classificaram, mas poderiam estar participando de uma
Segunda Divisão. E para ser mais claro, em 1999, o E.C
Pinheiros pagou sua equipe o ano todo e jogou
campeonato de 45 dias. E ironicamente foi o clube que
mais formou jogadores de basquete e cedeu à Seleção
Brasileira nos últimos anos.
Qual seria o ânimo desse fantástico clube em continuar
ou lutar por um patrocínio? Assim como o Minas Tênis
Clube ou o Tijuca Tênis Clube?
Acredito que a melhora do nosso produto começa por aí,
sabendo que isso é apenas o início e muitas outras
coisas devem ser feitas. Muitas coisas estão sendo bem
realizadas pela CBB, e devem continuar, mas se devemos
ter o ADULTO como espelho, devemos melhora-lo em todos
os sentidos, e o primeiro passo é pensarmos como
BRASIL, e deixar nossas diferenças regionais e nossas
vaidades um pouco de lado.
Certa vez , há algum tempo tive o prazer de conversar
sobre esse assunto com o Sr. Tony Chackmati, hoje
presidente da FPB, e vejo nele um homem de bom senso e
aberto às discussões. Também não quero aqui ficar
fazendo críticas específicas a essa ou aquela pessoa,
longe de mim tal coisa. Como já disse isso tudo é uma
herança antiga, e não de pessoas, de idéias e
conceitos que considero ultrapassadas. Só quero que o
basquete cresça e apareça.
Quando vamos a uma empresa para vender nosso produto,
estaremos vendendo algo real e com seu devido valor.
Obviamente uma equipe de Divisão A tem um valor maior
do que uma equipe de Divisão B.
Só não quero assistir a um espetáculo, em que o
arbitro o abandona o jogo, o jogo não acontece por
falta de placar, o público não faz mais parte dele (
ginásios vazios), a TV que pagou pela transmissão sai
prejudicada naquele que hoje é considerado pela
maioria das pessoas e da imprensa, o melhor Campeonato
Estadual do Brasil, ou o de melhor nível.
As coisas podem ser mais simples do que são, são
mudanças de conceitos, e pensar que o mais importante
é o BASQUETE. Os finalistas do Campeonato Paulista
iniciarão o Campeonato nacional completamente
desgastados, e basta conferir que O TILIBRA não se
classificou para os play offs, tendo sido Campeão
Paulista no ano passado.
Será que se mudássemos essa fórmula, não estaríamos
garantindo mais empregos e dando mais segurança no
cumprimento dos contratos, do que temos na atualidade,
em que técnicos e jogadores só estão garantidos entre
agosto e dezembro? E em janeiro, às vésperas do inicio
da Competição mais importante do país, vários de nós
ainda procura por emprego.
Para finalizar, quero agradecer a todos pela paciência
de ter lido ate aqui, e também pelo espaço para a
exposição das idéias, e reafirmar que não penso ser o
dono da verdade, mas que acredito em mudanças, e gosto
de discuti-las pensando mais nos interesses gerais do
que nos particulares. 
Penso que fazer críticas é muito fácil quando nada se
propõe. E as propostas devem ser discutidas sempre,
para que se haja um consenso e as pessoas responsáveis
se encarreguem de coloca-las em prática, e mesmo com
resultados positivos, as avaliações devem ser
constantes, para que o interesse de todos sejam
atendidos, e nesse caso que o interesse seja a
evolução do BASQUETE NACIONAL.
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Autor: Carlos Alberto Rodrigues " Carlão ".
Atual Técnico da UNIT- Uberlândia
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