[Cevbasq-L] PONTO DE VISTA DO MARCEL

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Subject: [Cevbasq-L] PONTO DE VISTA DO MARCEL
From: joilson nobre <joilson39@xxxxxxxxx>
Date: Wed, 1 Nov 2000 08:43:20 -0800 (PST)
ESTE ARTIGO FOI TIRADO DA PAGINA DO PROFESSOR MEDALHA
,LEIAM E VEJAM O QUE É UM PROFISSIONAL DE VISÃO
,FALANDO DE POSTURA , IDÉIAS ,FILOSOFIAS DE TRABALHO E
ENTRE OUTRAS PALAVRAS PELO O QUE ENTENDI UM ENCONTRO
PRA REPENSARMOS O BASQUETE .
10/OUT/2000
O ponto de vista de Marcel de Souza
A derrota do Brasil na Copa América de Ribeirão Preto
deve ser encarada como o final de um expurgo que o
basquete brasileiro vem sofrendo desde as Olimpíadas
de 96 onde a geração Ary Vidal, encabeçada por Oscar e
que ainda tinha como integrantes Pipoca, Josuel, Caio
Cazziolato entre outros, representantes do basquete no
que ele tinha de melhor, fez a sua última exibição de
nível internacional.
A partir dali, com a eleição de Grego (não que ele
fosse o culpado, mas o responsável) o basquete
masculino do Brasil passou por um processo de,
digamos, ?lavagem cerebral?, onde tomar iniciativa,
muitas vezes confundida com arremessar, era
terminantemente proibido. 
A proposta de renovação de Hélio Rubens, de
competência reconhecida no cenário nacional, mas
guindado ao cargo principalmente por trabalhar
politicamente na eleição de Grego, já que seu filho,
Helinho (que não tem nada a ver com isso), fora
dispensado na ocasião de uma seleção sub-21, se
revelou, após quatro anos, um desastre de dimensões
maiores do que se podia imaginar: o Brasil décimo
colocado no Mundial da Grécia, não classificado para
as Olimpíadas e com a ?renovação? totalmente
comprometida pela não classificação para o mundial
sub-21 que ficou como o carro chefe da política de
renovação da CBB, colocando no ostracismo a geração
Pan-87 considerada pela nova ?nomenklatura? como um
mal a ser extirpado por influenciar negativamente os
novos talentos brasileiros. 
Os poucos sucessos pós Atlanta foram frívolos e sem
brilho: ganhar o sul-americano é uma obrigação e o Pan
do Canadá, nem foi levado em consideração pois não
representou o que deveria já que a competição do ano
era o pré-olímpico de Porto Rico, onde o Brasil,
apesar de não se classificar (reflexo do Mundial da
Grécia), foi a única equipe que conseguiu jogar contra
os EUA (prova do talento do jogador brasileiro)
sucumbindo, entretanto, diante do jogo tacanho que
apresentou. 
Não se pode ir contra a natureza do jogador de
basquete brasileiro, reflexo da cultura social do
nosso país, onde a intuição e o ?jeitinho? sempre
prevaleceram. Jogar de maneira diferente do que
estamos historicamente acostumados é cometer suícidio
e o basquete brasileiro está pagando muito mais do que
merece pela tentativa discutível de se equiparar
tecnicamente aos grandes centros mundiais. 
O problema é que se nós vamos falar da história do
basquete nacional, sempre dependemos de grandes ídolos
caracterizados por canalizarem toda a intuição do povo
brasileiro, mistura de inúmeras identidades raciais e
culturais, que nos levaram a não temer o futuro nem
suas conseqüências.
Isto colocado no basquete nos deu Amaury, Wlamir,
Oscar, Ubiratã, Vitor, Jathyr, Algodão, Sucar, Israel,
Marquinhos, Carioquinha, Radvilas, Mosquito, Edson
Bispo, Hélio Rubens, Gerson, Maury, Cadum, Guerrinha,
Adilson, Gilson, Dodi, Fausto, Zé Geraldo, Edvar,
Angelim, Braz, Guerrinha, Rosa Branca e é claro que eu
vou ficar devendo uma porção de nomes, mas o nosso
basquete, a começar pelo seu uniforme (aquele de
listras verdes e amarelas) sempre foi considerado
mundialmente pela sua capacidade de improvisação,
intuição e inteligência. 
Pois é, desde 96 tiraram tudo isto da gente. Hélio
Rubens que foi um dos mais inteligentes e intuitivos
jogadores de basquete do Brasil assumiu a seleção com
um discurso que a princípio parecia moderno e
internacionalizado, mas que se revelou muito regional
e como já dizia o grande treinador brasileiro Pedroca,
de sobrevivência. Não se pode ir contra a natureza do
povo brasileiro. Nós vivemos da adaptação e não da
modernização. 
O que é novidade lá fora pode não ser aqui. O discurso
apenas defensivo e de contenção ofensiva com a opção
de contra-ataque ou retenção da posse da bola pode
funcionar para as antigas Iugoslávia e União
Soviética, hoje divididas, Itália, Espanha, Argentina,
Grécia, a maioria delas nas Olimpíadas de Sidney, mas
não funciona para nós brasileiros, vítimas ou algozes
da improvisação, do jogo inteligente e veloz que foi
capaz de vencer o invencível e de realizar o
impossível. 
Hoje amargamos o fim de uma geração que nem começou.
Foram tolhidos de participar de um mundial da sua
categoria jogadores como Guilherme, Lucas, Tiagão,
Jefferson, Baby, Alex sem contar com a falta de
amadurecimento ou experiência pela qual passarão
Rogério, Demétrius, Caio, Vanderley, Sandro, Aylton,
Helinho, Alírio, Marcelinho, Márcio, privados de uma
experiência como as Olimpíadas. 
Acredito que seja hora de uma reavaliação filosófica e
principalmente técnica por parte da CBB. Claro que
entendemos que para conquistar a presidência da CBB,
Grego foi obrigado a fazer várias alianças, mas tais
acordos não podem passar por cima da observação de
critérios técnicos que sempre mantiveram o basquete
brasileiro no mais alto nível. 
O presidente Grego, que conquistou seu segundo mandato
vencendo a oposição por convincentes 25 a 1 não pode,
hoje, ficar preso a conchavos políticos que foram
úteis para levá-lo ao primeiro mandato. Agora é o
momento de pensarmos no que é melhor para o futuro do
basquete brasileiro. Basta.
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Autor: Marcel de Souza 
Técnico atual do E.C. Pinheiros
Ex-jogador da seleção brasileira 
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