[Cevbasq-L] A VITORIA DO LIQUIDIFICADOR

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From: "milton vernowt verne" <vernowt@xxxxxxxxxxx>
Date: Fri, 20 Oct 2000 13:59:09 GMT
lEIAM ESTA NOTICIA , PARA CONHECEREM MELHOR A CBB E SEUS DIRIGENTES

25 de julho de 2000
A vitória do liquidificador
Editor: Melchiades Filho


Palavras não fazem cestas. O colapso da seleção sub-21, no fim-de-semana, pelo menos teve o mérito de desmascarar o discurso neobobo de renovação que a Confederação Brasileira empurrou à imprensa e ao torcedor nos últimos dois ou três anos.
O cenário estava armado para que a equipe nacional se classificasse ao Mundial da categoria.


Ribeirão Preto, no fanático nordeste paulista, assumiu a organização da Copa América. A TV anunciou a transmissão das partidas. O nível técnico dos jogadores era alto. A equipe tinha disputado bons amistosos. Havia três vagas para oito times.


Os marketeiros arrivistas do basquete já lambiam os beiços. Um show da molecada abafaria o vexame da seleção principal masculina, fora de uma Olimpíada pela primeira vez desde Montreal-76. E justificaria o projeto Atenas-2004, um dos pilares da manobra que antecipou as eleições em um ano e estendeu até 2005 o mandato de Gerasime Bosikis, o Grego, à frente da CBB.



Faltou só combinar com os adversários. Passada uma semana, a tabela final mostrava o Brasil com duas vitórias e três derrotas.
O time implodiu duas vezes diante da República Dominicana, não resistiu aos EUA e nem mesmo chegou a enfrentar a Argentina, que assegurou o título do torneio. Terminou a competição sem o pódio, sem a vaga no Mundial e sem a aclamação da torcida.



Não é o caso de analisar aqui a atuação dos jogadores, muitos deles talentosos e versáteis, como Guilherme, Jefferson e Jorginho. Nem de crucificar o técnico Enio Vecchi, que, aliás, errou muito ao longo do campeonato.
Importa, sim, constatar que o vexame da Copa América fecha um ciclo, de um ano, que viu o Brasil dar adeus à hegemonia que mantinha na América do Sul.



Do final de 1999 para cá, o país foi superado pelos arqui-rivais argentinos nas decisões de competições continentais das categorias cadete, juvenil e sub-21.
Em todas essas faixas etárias, como alertou reportagem na Folha há sete dias, a seleção brasileira detinha os títulos da América do Sul nas edições anteriores.



"A renovação leva tempo", "O trabalho não aparece de repente", "Precisamos manter a política"... Já ouço as declarações condescendentes dos trocentos treinadores que fazem o papel de escudo para a CBB _vários deles em troca de um empreguinho.



Apegam-se eles às copas escolares, às excursões de seleção, ao rodízio globetrotter de times e estrelas. "Tiros" ingênuos, sem fôlego para ultrapassar a fronteira do ludismo. E que nem de longe compensam o sucateamento, patrocinado pela própria cúpula da CBB, dos grandes centros de formação de atletas do país.



Pois, nesse mesmo período em que o Brasil colecionava tropeços nas categorias de base _e em que a CBB soltava fogos de artifício para o super-Vasco, para o time itinerante da Hortência etc_, Osasco, Santo André e Franca repetiam o calvário de Sorocaba e de Piracicaba e anunciavam o fim ou o corte de investimentos.
Bosikis já deveria começar a mexer os pauzinhos. É, Atenas-2004 não vai dar, presidente. Pode preparar um novo golpe.



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"Editor de Esporte da Folha de São Paulo ".

E-mail: melk@xxxxxxxxxx


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