[CevAtlas] Missoes da Academia. Agencia FAPESP. Boa provocacao.

Nilda Teves tevesnilda em uol.com.br
Sexta Junho 27 12:00:35 BRT 2008


Prezado Leandro.,
 Parabéns pelas sua observações. Concordo  totalmente com você. Dificil é 
acreditar que ainda ha gente defendendo essas propostas.  A sobrevivência 
imediata  não justifica abrir mão de princípios nem tampouco "ajoelhar-se" 
diante do capital.  A luta continua.
Um abraço da velha professora.
Nilda



riginal Message ----- 
From: "leandrofilho" <leandrofilho em uol.com.br>
To: "cevatlas" <cevatlas em listas.cev.org.br>
Cc: "coordenadorespgef" <coordenadorespgef em listas.cev.org.br>; "ceviesef" 
<ceviesef em listas.cev.org.br>; "cevatlas" <cevatlas em listas.cev.org.br>; 
"admincev" <admincev em listas.cev.org.br>
Sent: Thursday, June 26, 2008 4:32 PM
Subject: Re:[CevAtlas] Missoes da Academia. Agencia FAPESP. Boa provocacao.


Prezados,

Então estamos todos conversados.

A universidade deve massificar o acesso ao ensino superior, leia-se formação 
de professores, por meio do ensino à distância; deve se submeter às grandes 
corporações se quiser sobreviver; os seus pesquisadores necessitam ser 
salvos da democracia.

Ah, sim! A universidade ainda necessita de uma blindagem especial contra o 
excessivo número dos doutores em humanas.

Afinal, essa horda de acadêmicos pode criar problemas para a 
competitividade, o crescimento, o desenvolvimento...

Pelo jeito, as lições da Segunda Guerra Mundial já foram completamente 
esquecidas.

Não seria mais sincero, que o artigo fosse acerca da Submissão da academia?

Já que o "a" ficou mesmo minúsculo...


Leandro Nogueira

>
> ...............
> Missões da academia
> 26/06/2008
> Por Fábio de Castro
>
> Agência FAPESP - Para cumprir adequadamente o papel central que terá
> no desenvolvimento do Brasil, a universidade precisará contribuir com
> a melhora do ensino básico, além de repensar seu modelo institucional
> e criar novas redes de conhecimento.
>
> Essas foram algumas das propostas apresentadas por especialistas no
> debate "Universidade e desenvolvimento", nesta quarta-feira (25/6), na
> Universidade de São Paulo (USP), durante o "Colóquio 2010-2020: Um
> período promissor para o Brasil", que homenageia os 60 anos de atuação
> do físico José Goldemberg.
>
> Participaram do debate Carlos Vogt, secretário do Ensino Superior de
> São Paulo, e os professores Glauco Arbix, do Departamento de
> Sociologia, e Wanderley Messias da Costa, do Departamento de Geografia
> da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP.
>
> Segundo Arbix, a universidade precisa entrar em sintonia com o esforço
> do Brasil para se desenvolver. Ele afirma que as mudanças dos
> processos e fluxos de produção do conhecimento nos últimos 20 anos
> criaram novos desafios.
>
> "É preciso criar e expandir redes de conhecimento, pois a educação, a
> ciência e a tecnologia estão no centro da competitividade do país. O
> conhecimento tem um papel central na produção de novas relações
> econômicas e sociais", afirmou.
>
> O professor apresentou uma série de propostas para aumentar a sintonia
> entre a universidade e o ritmo de desenvolvimento. Para ele, a
> universidade tem a responsablidade de fazer mais alianças com o setor
> produtivo, o governo e a sociedade civil.
>
> "Há também uma grande necessidade de remodelagem institucional: os
> departamentos prejudicam o desempenho da instituição, porque são foco
> de resistência às redes interdisciplinares. É preciso minar o sistema
> departamental alocando a maior parte dos recursos em programas
> multidisciplinares", disse.
>
> Outra proposta de Arbix é criar mais programas interinstitucionais.
> "No Brasil não temos mobilidade entre as universidades, nem de
> docentes, nem de alunos, mas isso é necessário. Quanto à cooperação
> entre universidade e empresa, trata-se de uma questão de
> sobrevivência", afirmou
>
> Arbix defendeu a adoção de um padrão mundial de pesquisa. "É
> fundamental definir indicadores para avaliar a produção. Nesse
> aspecto, estamos no caminho certo: as atividades da Capes [Coordenação
> de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior] e da FAPESP são
> fundamentais para a universidade. Seguir um padrão internacional de
> produtividade, com avaliação rigorosa, é essencial", destacou.
>
> O sociólogo afirmou que a extrema concentração da pós-graduação em
> ciências humanas é outro problema a ser combatido. "Temos um grande
> crescimento da pós-graduação, mas onde estão esses mestres e doutores?
> Dados da Capes mostram que 40% dos pós-graduandos estão na área de
> humanas, a única que cresce. Não é com doutores em humanas que o país
> vai se desenvolver", disse.
>
> O professor da FFLCH afirmou ainda que é preciso implantar sistemas
> meritocráticos para remuneração, carreira e promoções nas
> universidades. Segundo ele, a estrutura de promoção por tempo de casa
> e de benefícios por antiguidade são avessas à competição saudável.
>
> "Outra proposta é construir uma rede global de pesquisa brasileiras.
> Não se sabe quantos são, mas temos um enorme número de pesquisadores
> bem posicionados em centros dinâmicos de produção do conhecimento no
> exterior", disse.
>
>
> Expansão e capacitação
>
> Carlos Vogt apresentou o programa da Universidade Virtual do Estado de
> São Paulo (Univesp), criado pela secretaria para expandir o ensino
> público superior no Estado com o uso de novas tecnologias de
> informação e comunicação. O programa agrega as três universidades
> estaduais paulistas e oferecerá cursos de licenciatura em mais de 70
> cidades.
>
> "Na faixa etária dos 18 aos 24 anos, apenas 11% da população tem
> acesso ao ensino superior. Em países como Chile, México e Argentina,
> esse percentual está em torno de 30%. O programa terá o objetivo de
> aumentar esse acesso e, ao mesmo tempo, contribuir com o
> desenvolvimento ao melhorar o ensino básico por meio da qualificação
> de professores", disse.
>
> O primeiro curso a ser oferecido, com certificação pela Universidade
> Estadual Paulista (Unesp), será o Pedagogia Univesp, com 5 mil vagas
> para formar professores da 1ª a 4ª séries e gestores de escolas. Cerca
> de 40% das atividades, assim como as avaliações, serão presenciais.
> "Esse curso terá turmas de 25 alunos atendidos por um tutor. A seleção
> será feita por meio de vestibular", explicou Vogt.
>
> A Univesp, de acordo com o secretário, oferecerá também cursos de
> pós-graduação, de extensão, de capacitação e de formação continuada.
> "Teremos também um canal de televisão digital, em parceria com a TV
> Cultura, com sinal aberto e que apresentará programas relacionados aos
> cursos 24 horas por dia: a TV Univesp", disse.
>
>
> Novo padrão de produtividade
>
> Wanderley Messias da Costa, que também é coordenador de Comunicação
> Social da USP, destacou no colóquio que, nos últimos dez anos, houve
> um crescimento vertiginoso da produção científica brasileira, com
> cerca de 17 mil artigos científicos publicados e formação de 10 mil
> doutores e 32 mil mestres. Mas que o crescimento trouxe problemas que
> precisarão ser solucionados.
>
> "Há má distribuição desses recursos humanos: metade dos doutores está
> no Sudeste. Há também um mau aproveitamento, pois as universidades
> ainda são o principal mercado para os doutores. Essa qualificação
> precisa ser expandida para fora da academia", disse.
>
> Para ele, o crescimento da produção acompanha uma tendência global. "A
> produção científica mundial se tornou tão grande que escapa à escala
> humana: a cada ano são publicados cerca de 1,3 milhão de artigos
> científicos, o que totaliza cerca de 3,6 mil por dia, ou 150 por
> hora", disse.
>
> A imensa produtividade, segundo ele, se refletiu em uma mudança do
> comportamento dos pesquisadores. "Temos uma geração envolvida com um
> novo padrão de produtividade e competitividade, estimulada sobretudo
> pelo sistema Capes, que não tem tempo para participar de comissões e
> reuniões. Não há mais tempo para politização das discussões ou para
> participação institucional. É uma geração menos engajada e menos
> institucional", disse.
>
> Com esse processo, disse Costa, as universidades têm perdido autonomia
> em relação às políticas de pesquisa. "O pesquisador está submisso a um
> sistema draconiano de avaliação. Por outro lado, temos que reconhecer
> que é preciso avaliar."
>
> O desafio para os próximos anos, de acordo com ele, é harmonizar esse
> perfil da nova geração de pesquisadores com uma necessidade cada vez
> maior de participação institucional.
>
> "A USP, por exemplo, tem 2 mil comissões permanentes, 40 organismos
> superiores e 250 conselhos departamentais, além de inúmeras comissões
> ad hoc, temporárias. Quanto mais democracia, mais comissões, mais
> colegiados e mais burocracia. Ao mesmo tempo, o pesquisador tem menos
> tempo para tudo isso", afirmou
>
>
> -- 
> Laercio Elias Pereira
> http://ligcev.com/laercio
> (82) 9913 8811 - Maceio'
>

Leandro Nogueira
Doutor em Educação Física
Coordenador do Curso de
Graduação em Educaçâo Física
EEFD-UFRJ

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